Feeds Ricardo Amorim Facebook Ricardo Amorim Twitter Ricardo Amorim Linkedin Ricardo Amorim Youtube Ricardo Amorim

A Saúde no Brasil nunca mais será a mesma

postado em Artigos


10/2015

Associação Paulista de Medicina

Por Ricardo Amorim

 

Saúde no Brasil

 

Nunca antes na história deste planeta, tantos setores e subsetores econômicos passaram por rupturas tão rápidas de seus modelos de negócios como nos últimos 10 anos. No Brasil não foi diferente. Para me limitar ao setor de turismo, sites de vendas de passagens mudaram radicalmente o negócio das agências de viagem, o Airbnb ameaça os negócios dos hotéis e o Uber trouxe uma concorrência antes inexistente aos taxistas e suas cooperativas.

 

E se, ao invés de uma revolução, o seu setor estivesse sujeito aos impactos de quatro revoluções ao mesmo tempo? É exatamente o que vai acontecer com o setor de saúde no Brasil. As mudanças serão radicais e irreversíveis, transformando completamente o negócio, a forma de atuação e as perspectivas para todos no setor.

 

A primeira revolução será tecnológica.

 

No passado, a tecnologia para tratamentos de saúde era baixa, assim como os custos e o acesso de doentes a tratamento. Com o passar do tempo, a tecnologia evoluiu cada vez mais, encarecendo exponencialmente os tratamentos, o que continuou a impedir que muitos tenham acesso aos tratamentos ainda hoje. A grande mudança atual é que várias das novas tecnologias médicas digitais em desenvolvimento não apenas melhorarão os tratamentos, mas também os baratearão, tornando-os mais acessíveis. Tratamentos e técnicas de monitoramento antes disponíveis só em grandes centros médicos estão sendo transferidas para consultórios médicos e até para a casa ou o corpo do próprio paciente. Equipamentos, software e aplicativos de monitoramento à distância permitirão grandes avanços no tratamento de doenças cardíacas, asma e diabetes. Uso de tele-saúde permitirá grandes reduções de custo em tratamentos de rotina e psicológicos – o médico e o paciente não precisarão mais necessariamente estar no mesmo lugar para diagnósticos e tratamentos. Plataformas eletrônicas de monitoramento e aconselhamento ajudarão pessoas a modificarem seu comportamento, tornando, por exemplo, o combate à obesidade e ao fumo e melhoras de qualidade de vida mais baratas e eficientes.

Imagem 1

A segunda revolução é econômica.

 

Na última década, a queda da taxa de juros barateou o crédito e o dólar baixo barateou produtos importados, permitindo que equipamentos que antes só podiam ser comprados por grandes hospitais fossem adquiridos por consultórios médicos. Isto trouxe aos médicos a oportunidade de transformar consultórios individuais em clínicas especializadas com vários profissionais, transformando-os em empresários. Em muitos casos, isto ocorreu sem que eles recebessem nenhuma capacitação administrativa ou financeira. As recentes altas dos juros e dólar trouxeram desafios importantes para parte destas clínicas.

 

A terceira revolução é socioeconômica.

 

Nos últimos 10 anos, quase 60 milhões de brasileiros entraram nas classes A, B e C. Com maior renda e a baixa qualidade dos serviços públicos de saúde no país, eles passaram a demandar serviços privados de planos de saúde, hospitais, farmácias, laboratórios e médicos.

Imagem 2

O número de usuários de planos de saúde, por exemplo, cresceu em mais de 20 milhões de pessoas entre 2002 e 2012. Recentemente, este processo foi revertido pela crise econômica e o aumento do desemprego. No entanto, como só 25% dos brasileiros têm um plano de saúde privado – comparado com 84% dos americanos – ele deve ser retomado quando a economia recuperar-se. Além disso, a procura por serviços de saúde privados também deve crescer porque o inevitável ajuste das contas públicas limitará os recursos disponíveis no setor público.

Imagem 3
 

A quarta revolução é demográfica.

 

Com a queda da taxa de natalidade e o crescimento da expectativa de vida, a população brasileira envelhecerá rapidamente nas próximas décadas. No ano passado, mais de 30% dos brasileiros tinham até 18 anos e apenas 12% tinham 59 anos ou mais. Em 15 anos, já haverá mais mulheres com 59 anos ou mais do que com 18 anos ou menos. Em 2060, haverá o dobro de brasileiros e o triplo de brasileiras com 59 anos ou mais do que com 18 anos ou menos. Nos próximos 45 anos, a participação de idosos na população brasileira vai triplicar. A procura por especialidades médicas mudará completamente. Precisaremos de muito mais geriatras e muito menos pediatras. Dentro de cada especialidade médica, as doenças e problemas mais comuns também mudarão. Por exemplo, haverá menos casos de estrabismo, mas mais casos de catarata.

Imagem 4

Em resumo, se você acha que turismo e transporte mudaram muito nos últimos anos, imagine o que vai acontecer com a Saúde no Brasil.

 

Você está preparado?

 
 





    Fabíola disse:
    18 de outubro de 2015 às 18:36

    Muito interessante esse artigo Ricardo.



    Zulmária Francisca disse:
    20 de outubro de 2015 às 9:11

    Gostei do artigo realmente é muito interessante estas informações.



    Simone Thorp disse:
    20 de outubro de 2015 às 16:11

    Ricardo, excelente artigo. Existem pontos que concordo. Mas outros nem tanto. Independente de tecnologias citando “softwares” por exemplo, estamos em uma realidade de contas que não fecham com as indústrias farmacêuticas, que a cada dia apresentam novos medicamentos com valores altíssimos… para uma população cada dia mais idosa e com um maior número de doenças crônicas. Quanto ao SUS (que a cada dia tende a sofrer mais neste cenário) temos uma falta de informação absurda. Hoje, a grande massa da população que acessa o sistema (SUS) é quem não paga por ele. É a massa de manobra do Governo. E, aqueles que não usam, malham. O SUS tem muitos problemas… falta de recursos e péssima Gestão, mas ele existe. E quem deveria lutar por ele, vive um presente imediatista demais. Não acho válido desmerecer o SUS. Mas sim, lutar por ele. Os profissionais do mercado privado costuma olhar para o seu próprio umbigo. Essa é uma realidade, mas que não vai durar muito em meio a toda economia compartilhada e seus resultados. Esse artigo foi excelente, mas temos que traças realidades mais claras. Mas o que os nossos governantes presam são pessoas sem esclarecimento (educação) e sem esperança. E assim vamos vivendo! Adapt or die! Grande abraço!



    Margareth Rossini disse:
    23 de outubro de 2015 às 9:36

    Excelente ponto: a grande massa que acessa ao SUS é quem não paga por ele. A inflação médica chega este ano a 18%; a saúde suplementar caminha sob um tabuleiro de xadrez: o que foi criado para ser suplementar ao público, passou a atuar como substitutivo. A Segurança Jurídica, neste mercado, passou a ser instituto em fase de extinção e o Poder Judiciário um justiceiro social. O Desafio não é nada pequeno!



    Roberto disse:
    4 de novembro de 2015 às 12:55

    Infelizmente é isso mesmo, gostei das informações! Abraço



    Site disse:
    4 de novembro de 2015 às 14:23

    Muito bom seus artigos Ricardo. Infelizmente essa é a nossa realidade!



    Rodrigo disse:
    9 de novembro de 2015 às 10:31

    Infelizmente, é uma situação que vivemos em nossos país. Muito obrigado pelas informações!

    Forte abraço!



    Vania q48 disse:
    10 de novembro de 2015 às 18:06

    Apesar de ter evoluído, a saúde no Brasil está longe de ser o ideal. Por uma lado temos um Estado falido que não se interessa em prestar um bom atendimento. Por outro temos as administradoras de planos de saúde, que só pensam em arrecadar dinheiro para benefício próprio.
    Está um pouco difícil de acreditar numa melhora em curto prazo.
    Grande abraço.



    Fábio disse:
    11 de novembro de 2015 às 14:36

    É verdade, mas o que podemos fazer? Viver a vida em grande estilo!

    Parabéns e um abraço!



    Jonas disse:
    12 de novembro de 2015 às 18:02

    Texto mítico hehe
    Muito bem detalhado o texto.
    Infelizmente é a tendência :/
    Parabéns!!



    Erik Telford disse:
    18 de novembro de 2015 às 22:27

    Com o atual governo… nunca mais mesmo!



    Wesley Sniper disse:
    22 de novembro de 2015 às 3:51

    Espero que não só a saúde como todas as outras áreas cresçam cada vez mais, não vejo a crise atual como uma crise econômica e sim política, porém sempre após uma crise vem um crescimento e os grandes empreendedores e investidores irão lucrar e fazer o Brasil crescer novamente.



    Conrado Rocha disse:
    22 de novembro de 2015 às 3:54

    Com a queda da taxa de natalidade e o crescimento da expectativa de vida, a população brasileira envelhecerá rapidamente nas próximas décadas. No ano passado, mais de 30% dos brasileiros tinham até 18 anos e apenas 12% tinham 59 anos ou mais. Em 15 anos, já haverá mais mulheres com 59 anos ou mais do que com 18 anos ou menos. Em 2060, haverá o dobro de brasileiros e o triplo de brasileiras com 59 anos ou mais do que com 18 anos ou menos. Nos próximos 45 anos, a participação de idosos na população brasileira vai triplicar. A procura por especialidades médicas mudará completamente. Precisaremos de muito mais geriatras e muito menos pediatras. Dentro de cada especialidade médica, as doenças e problemas mais comuns também mudarão. Por exemplo, haverá menos casos de estrabismo, mas mais casos de catarata.

    Espero que não só a saúde como todas as outras áreas cresçam cada vez mais, não vejo a crise atual como uma crise econômica e sim política, porém sempre após uma crise vem um crescimento e os grandes empreendedores e investidores irão lucrar e fazer o Brasil crescer novamente.



    24 de novembro de 2015 às 10:09

    Pena que ese futuro mencionado no artigo pode ter uma espera bem mais longa devido os conflitos de interesses que infelizmente cercam nossa política e economia.



    Arlindo Bello disse:
    27 de dezembro de 2015 às 9:28

    Muito bom, como sempre, Ricardo.



    Thiago disse:
    12 de janeiro de 2016 às 22:27

    Artigo desse nível é só com o Ricardo amorim mesmo..

    Parabéns por mais esse artigo de qualidade e que nos faz pensar…



    Oliveira disse:
    2 de fevereiro de 2016 às 19:15

    Acredito também que essa é a pura realdade no pais em que vivemos



    Giggles disse:
    21 de fevereiro de 2016 às 9:02

    That’s a subtle way of thniking about it.



    Miguel disse:
    2 de agosto de 2016 às 15:13

    Analisando esses demográficos fico pensando se eu poderei presenciar o efeito dessas revoluções que terão grande impacto sob o comportamento da sociedade, em todos os aspectos. E a cura para a saúde intelectual? Há de vir? E a corrupção, há de ser curada?
    Abraços.



    7 de outubro de 2016 às 18:52

    Adorei o artigo. Realmente a saúde é um problema grave e que deve ser priorizado no Brasil. Mas é necessário de fato se implantar uma nova mentalidade, um novo conceito, principalmente no que diz respeito a prevenção. E isso envolve o estimulo a atividades fisicas (principalmente para a terceira idade) a divulgação massiva de alimentos saudáveis e o que se evitar comer, além de tomar sol que é a maior fonte de saúde que podemos ter, pois receberemos a vitamina D3, essencial pro nosso organismo.



    Monica disse:
    16 de fevereiro de 2017 às 15:15

    Olá Ricardo,
    Excelente artigo porém vi que esteve palestrando sobre o tema esta semana. Houve atualizações de dados ou novas perspectivas? Caso positivo adoraria que as compartilhassem. Abs, Monica Quintanilha



    21 de fevereiro de 2017 às 10:13

    Gostei muito do artigo e acredito que os planos de saúde possam ser recuperados junto com os empregos e a economia do país, pois hoje esse senário se inverteu, muitas pessoas perderam seus planos de saude por não terem mais renda ou poder aquisitivo para mante-los.



    21 de fevereiro de 2017 às 10:14

    Excelente artigo e visão de mercado.



    Contash disse:
    5 de março de 2017 às 9:56

    Esperamos que essa melhoria na saúde seja para a saúde publica também e não só para os planos de saúde pagos.



    18 de abril de 2017 às 15:55

    ótimo Artigo!



    18 de abril de 2017 às 15:59

    Ótimo artigo mesmo.



Deixe seu comentário

Acompanhe Ricardo Amorim na mídia
Istoe

Artigos do Ricardo Amorim
/ LEIA

Manhattan Connection

Desde 2003, Ricardo é apresentador do Manhattan Connection, atualmente no canal Globo News
/ VEJA

Radio Eldorado

A economia pode ser um agente poderoso de transformação
/ CURTA


Opinião de Ricardo Amorim - Economista Independente