Feeds Ricardo Amorim Facebook Ricardo Amorim Twitter Ricardo Amorim Linkedin Ricardo Amorim Youtube Ricardo Amorim

Aposentando a máquina concentradora de renda.

postado em Artigos


Revista IstoÉ

23/06/2011

Por Ricardo Amorim

 

Aposentando a máquina concentradora de renda

Desde 1994, com a queda da inflação, a distribuição de renda no Brasil está melhorando substancialmente. Só nos últimos 5 anos, 45 milhões de brasileiros – mais do que toda a população da Espanha – deixaram as classes D e E. No mesmo período, 55 milhões entraram nas classes A, B, C. Em outras palavras, o Brasil ganhou uma Itália de consumidores de classe média e alta neste período. Se mantivermos o ritmo de melhora de distribuição de renda dos últimos 15 anos, antes do final desta década, a distribuição de renda no Brasil será melhor do que nos EUA.

Razão para comemorarmos, certo? Ainda não. Recentemente, a inflação subiu e, para não provocar uma desaceleração mais brusca do crescimento econômico, o Banco Central foi relativamente leniente. Além de outros efeitos nocivos, esta opção retarda e pode até reverter o processo de redistribuição de renda no Brasil de várias formas.

Não foi coincidência que o país teve as maiores taxas de inflação do planeta e uma das piores distribuições de renda do mundo. Quem mais sofre com a inflação é quem não tem conta bancária para proteger seu dinheiro da corrosão inflacionária, exatamente os mais pobres.

Em particular, a recente alta inflacionária foi liderada por uma elevação significativa do preço dos alimentos, que também atinge particularmente os mais pobres, que gastam uma parcela mais significativa de sua renda com comida.

Ao optar por não combater a inflação de forma mais dura agora, o Banco Central, provavelmente, terá de agir com mais rigor no futuro. Como com qualquer doença, quanto mais demoramos para tratá-la, maiores as doses necessárias de remédios e seus efeitos colaterais. No caso, o remédio é a elevação da taxa de juros, que, além de frear a atividade econômica, também funciona como um mecanismo concentrador de renda. Enquanto os mais pobres, normalmente, tem dívidas, cujo financiamento fica mais caro com a alta dos juros; os mais ricos tem aplicações financeiras, cuja rentabilidade sobe junto com os juros.

Para reacelerar o processo de redistribuição de renda no Brasil, além de parar de titubear no combate à inflação, o governo precisaria, apenas, de mais duas medidas.

Primeiro, aumentar investimentos em educação básica. Além da própria inflação, as raízes de nossa má distribuição de renda estão na péssima distribuição de oportunidades educacionais. Crianças sem acesso a educação de qualidade transformam-se em trabalhadores desqualificados, com baixa produtividade e baixos salários.

Além disso, o governo deveria reduzir seus gastos. Assim, diminuiria sua necessidade de financiamento, permitindo que os juros caíssem. Permitiria também a redução de impostos, que, no Brasil, penalizam os mais pobres com uma concentração de impostos sobre consumo. Enquanto aqueles com maior renda conseguem poupar parte dela, os mais pobres gastam tudo que ganham e, às vezes, até mais do que ganham em consumo.

O Brasil não chegou a uma das piores distribuições de renda do planeta por acaso. Já passou da hora de aposentarmos nossa máquina concentradora de renda.

Ricardo Amorim

Economista, apresentador do programa Manhattan Connection da Globonews e presidente da Ricam Consultoria





    Carlos Haddad disse:
    29 de junho de 2011 às 14:21

    Ricardo, excelente artigo!!
    O que me chamou muito a atenção nesta semana, foram os indicadores do endividamento da população. Acho que atingiu 40% do volume de salário+previdência…

    O que me entristece é que boa parte do endividamento dos mais humildes é para bens que custam quase o dobro no Brasil (carro popular, eletrônicos etc)

    Um abraço,
    Carlos Haddad



    Antônio Carlos G. Martinez disse:
    29 de junho de 2011 às 15:08

    Presado Ricardo,

    Mais uma vez vc nos presenteia com um comentário, dentro da realidade, pois sempre os poderosos do poder (Camâras > Dep/Senado), ficam se destraindo como investir os polpudos salários, coisas infelizmente dos nossos politico partidários, e não enxergam o que não querem ver, tempo e acessores é o que não falta para estes Srs, eles deviam, ou melhor devem estar junto aos setores que controlam as finanças e exigir transparência , para que seja dado as devidas importâncias na hora certa,

    Parabéns,

    Forte abraço,

    Antônio Carlos Martinez



    grasiela disse:
    29 de junho de 2011 às 16:26

    Ótima matéria!concordo plenamente que precisamos investir muito e urgente em educação básica, mas qdo isso vai iniciar! é td tão enrolado!!!



    Rosy França disse:
    30 de junho de 2011 às 11:55

    Também fico triste, com a realidade brasileira. Saber que não se pode fazer a cesta básica como se deve, deixa qualquer um de alerta. É claro! que tem coisa errada. E naturalmente quem acredita no País da Maravilha é exatamente a maioria que esta sendo trapaceada na informação. A outra parte que pensa que esta sendo beneficiada, cala por conveniência mas, esta caminhando para o precipício. E nós educadores e porta voz diplomados. Assistimos a desvalorização da educação de uma maneira perplexa. Um País sem educação valorizada é uma porta para o crime. E se o crime impera, a segurança jurídica e comercial fica frágil. É triste mesmo, comprar um carro pelo preço de dois e ainda ficar feliz. É triste mesmo, em um País com tantas terras, comprar um apartamento medíocre em Caruaru/PE por R$500.000,00 mil reais. Adivinha para quem estão sendo feito as caixas de fósforos para quem não pode comprar. Finalmente são vendidos a especuladores e alugados por quantias absurdas.



    Joamir Bisterzo disse:
    1 de julho de 2011 às 6:35

    Ricardo, excelente artigo, já passou da hora de haverem mais investimentos em educação e também do governo rever as contas e diminuir as despesas públicas, acho que somente assim o Brasil poderia se aproximar de países de primeiro mundo, melhorando a renda, consequentemente diminuindo a pobreza. Agora o que me surpreende também que tenho ouvido e lido muito sobre este tema, mas acho que nossos governantes não porque eles não fazem ou não têm interesse!!



    gilmarcos gomes disse:
    22 de setembro de 2012 às 13:54

    Rick:Você se esqueceu de mencionar o FATOR PREVIDENCIÁRIO, que deixou os velhinhos na pior queda de renda da história receente do Brasil varonil.
    Foi a maior sacanagem, exclusivamente com o pessoal da iniciativa privada.
    HAY GOBIERNO ? SOY CONTRA.



    Ednaldo da Silva Barbosa disse:
    10 de junho de 2014 às 14:26

    Sabem nada inocentes! No primeiro parágrafo ele diz um fato. “Se mantivermos o ritmo de melhora de distribuição de renda dos últimos 15 anos, antes do final desta década, a distribuição de renda no Brasil será melhor do que nos EUA.” No último parágrafo ele diz o que quer você guarde em sua memória. “O Brasil não chegou a uma das piores distribuições de renda do planeta por acaso. Já passou da hora de aposentarmos nossa máquina concentradora de renda.” Quanto ao investimento em educação chega a ser piada a comparação de antes com o agora.



    Ulisses Lucas Camargo disse:
    13 de novembro de 2015 às 14:14

    Pessoas mais pobres, país mais pobre.
    Pessoas endividadas, país endividado.
    Não existe dinheiro publico, existe apenas o nosso dinheiro.



    17 de janeiro de 2016 às 17:06

    Pois é após uma época que parecia que o pais ia decolar com uma melhor distribuição de renda e hoje tudo volta atrás, devido a corrupção desse atual governo principalmente na petrobrás o que afastou os investidores estrangeiros do nosso país. Hoje cada vez mais quem tinha conseguido mudar de classe esta voltando para suas classes de origem é triste isso.



Deixe seu comentário

Acompanhe Ricardo Amorim na mídia
Istoe

Artigos do Ricardo Amorim
/ LEIA

Manhattan Connection

Desde 2003, Ricardo é apresentador do Manhattan Connection, atualmente no canal Globo News
/ VEJA

Radio Eldorado

A economia pode ser um agente poderoso de transformação
/ CURTA


Opinião de Ricardo Amorim - Economista Independente