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Minha Rio+20.

postado em Artigos


Revista IstoÉ

05/2012

Por Ricardo Amorim

 

Um ano após a Eco-92, a Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente e o Desenvolvimento, recém formado, participei e tive a honra de ganhar um concurso de monografias com o tema A Tecnologia e o Meio Ambiente. Hoje, reli meu texto Desenvolver é Preciso, Destruir Não é Preciso. Fiquei chocado. Quase não avançamos nestes vinte anos.

 

À época, minha principal conclusão foi que os maiores desafios para o desenvolvimento sustentável não eram tecnológicos, mas políticos e econômicos. De lá para cá, o Protocolo de Kyoto, a única iniciativa concreta adotada, ruiu pois a maior economia do planeta, os EUA, não aderiu a ele.

 

Ponderei também que a questão ecológica precisa ser vista sob um prisma abrangente, incluindo também questões sociais. Caminhamos tanto nesta direção que a solução virou problema. O meio ambiente perdeu foco enquanto outros assuntos ganharam relevância, inclusive na agora Rio+20.

 

A nova ordem econômica empurrou para a direção contrária. A entrada da China na Organização Mundial do Comércio em 2001 deslocou o centro de gravidade da economia mundial para os países emergentes, permitindo que centenas de milhões de pessoas deixassem a pobreza. Apenas no Brasil, 57 milhões de pessoas emergiram às classes A, B e C. Na China e na Índia, os números foram muito maiores.

 

Do ponto de visto econômico e social, os avanços foram brutais. Em apenas uma década, o mundo ganhou um número de novos consumidores de classe média ou alta similar ao de todo o século 20. Novos consumidores, novos poluidores.

 

Já a questão ecológica, grave há vinte anos, hoje é exponencialmente pior. Ignorá-la significa condenarmos nossos filhos e netos a ajustes brutais de padrão de vida.

 

Uma vez que os desafios são políticos, assim também hão de ser as soluções. Urge encontrarmos pontos de interesses mútuos e dividirmos sacrifícios e ganhos. Países ricos tem de reconhecer que o grosso da destruição ambiental e da poluição planetária foi, e ainda hoje é, causada por eles. Grande parte do custo de recuperação ambiental é sua responsabilidade. Por outro lado, a maior parte do crescimento vem e virá de países emergentes, que precisam cobrir os custos para torná-lo sustentável.

 

O agronegócio e a indústria precisam assumir suas responsabilidades ambientais, mas os consumidores tem de aceitar que certas medidas ecologicamente necessárias tem custos expressivos que serão repassados aos preços dos produtos.

 

Governos devem incentivar formas sustentáveis de energia, mas os ecologistas, que se opõem à construção de usinas hidrelétricas, devem propor formas alternativas mais sustentáveis, e os consumidores precisam reduzir o desperdício no consumo de energia.

 

A questão ecológica não pode ser ignorada, mas tampouco pode impedir investimentos fundamentais para o desenvolvimento, como tem acontecido no Brasil. A infraestrutura do país sofre com a lentidão na análise de projetos e na liberação de licenças ambientais. Impactos devem ser devidamente considerados e corrigidos, mas é preciso rapidez e objetividade, sem vieses dogmáticos.

 

Tomo emprestadas as palavras que usei há vinte anos e que espero não voltar a usar na Rio+40: “Técnicos e cientistas tem demonstrado competência para desempenhar o seu papel. É preciso cobrar dos políticos a mesma competência.”

 

Ricardo Amorim

Economista, apresentador do programa Manhattan Connection da Globonews e presidente da Ricam Consultoria.





    Natil Bado disse:
    4 de maio de 2012 às 9:12

    Amigo Ricardo Amorim.

    Quero agradecelo por ter me enviado as suas materias,as quais tenho lido e gostado.
    Nesse caso,você esta com toda a razão,pois eu mesmo faço parte de um projeto de condução de residuos,e encontro todas essas dificuldades que você rela,principalmento no meio politico,que uza disso para afzer politica,e na pratica nada faz.

    Um bom fim de semana.

    Natil Bado



    Dario Menezes disse:
    4 de maio de 2012 às 9:36

    Muito bom Ricardo. O grande desafio da Rio+20 não é o de criar novos acordos mas sim de fazer cumprir os acordos vigentes.
    Abs

    Dario Menezes



    4 de maio de 2012 às 9:42

    Caro Ricardo,

    De novo, são estes tipos de posicionamento que corroboram para que pelos menos as pessoas possam entender melhor o problema global. Temos (todos) que dar nossa contribuição e não ficar esperando acontecer.
    + 1 X excelente posicionamento seu, parabéns!!!



    Fernando Cardoso disse:
    4 de maio de 2012 às 9:43

    Ricardo,
    Parabéns por suas materias e pelos temas escolhidos, muito bem abordados, continue semeando suas palavras e fomentando as discussões através destes recursos que dispômos, a questão política será alcançada justamente desta forma,trazendo o maior número de pessoas à discussão.



    Carlos Bassi Neto disse:
    4 de maio de 2012 às 9:48

    Amorim, primoroso seu trabalho e esse artigo. Lembro as perguntas de Ignacy Sachs: quem está disposto a mudar de padrão de consumo? E o Estado? As empresas tem legitimidade nas ações sustentáveis? Espero que um dia nossas questões sejam apenas passado e que não tenhamos que pedir perdão aos nossos netos. Abs



    maria Zélia Dias Miceli disse:
    4 de maio de 2012 às 10:07

    Ricardo,
    Parabéns por seus artigos e pelos assuntos abordados,prossiga divulgando suas ideias e estimulando as discussões por meio destes veículos que temos, a questão política será atingida desta maneira, carreando número pessoas à interação.



    Eduardo Giudice disse:
    4 de maio de 2012 às 10:29

    Exelente Ricardo,

    Contudo, algumas nuvens “carregadas” ameaçam de alguma forma o Rio+20 – seu esvaziamento político. Não virão os chefes de estado dos EUA, Alemanha, França, Inglaterra…etc,etc. Sem as grandes figuras do mundo político/econômico estarem presentes, será mais um evento estéril. Provavelmente!



    Dalto Campos disse:
    4 de maio de 2012 às 10:40

    Ricardo, sou leigo no assunto, mas será que essa “sustentabilidade” não é apenas um mercado financeiro? ouço falar da sustentabilidade, mas não vejo diminuir os custos para sustenta-la, os gases que foram trocados a 20 anos atrás, hoje já se cogita serem renovados por um novo gás, pois já não tem mais a sustentabilidade necessária e eficácia, mas os parques industriais vão faturar muito com essa renovação. Qual a sua opinião?
    Um abração, Tchê!



    Luis Luzardo disse:
    4 de maio de 2012 às 11:08

    Excelente Ricardo !
    Tenho a impressão de que apenas os nossos filhos, nascidos a partir de 2000, é que realmente terão uma preocupação ambiental. Observo as escolas trabalhando muito bem os assuntos relativos à sustentabilidade. Mas quando olho para as empresas e governos tudo continua igual.



    Tiago Dumont de Rezende disse:
    4 de maio de 2012 às 12:02

    Acho difícil qualquer mudança nos próximos anos. Se não fosse a atual crise mundial, talvez estivessemos caminhando lentamente nesta direção. Mas a realidade é que os países em desenvolvimento como o Brasil não se comprometarão a grandes mudanças a custo do desenvolvimento que finalmente chegou e muito menos os países desenvolvidos a custo de uma recuperação mais rápida da atual crise (exceto talvez os países do norte da Europa). Salvo uma catastrofe ambiental inesperada de grande escala, isto aí vai ser empurrado para ser discutudo com seriedade para daqui pelo menos mais uns 10 anos.



    Wilson Sales disse:
    4 de maio de 2012 às 13:05

    Prezado.

    Como sempre meus cumprimentos.
    Dizia um grande professor que as questões mundiais estão relacionadas a diárias, passagens e hospedagens. Um grande tour, visto que encontros, conferências etc lotam as agendas dos líderes mundiais e dos seus assessores diretos. Dessa forma, é consenso entre vários observadores, pesquisadores e cientistas que não se deseja solucionar as questões cruciais para humanidade, porque tal medida esgotaria com o arsenal de desculpas, paliativos e outras pseudo soluções que estão nas mangas das camisas. Não existe interesse em mudanças, por parte de que manipula o poder. As medidas serão tomadas no tempo em que eles entenderem que devem ser tomadas e a humanidade que aguarde e se conforme, não temos poder para confrontar os poderosos, o mundo tem donos, e nós somos apenas passageiros.



    4 de maio de 2012 às 13:45

    Se o mundo continuar seguindo como está, num sistema baseado em um consumo linear, num planeta redondo,RIO + 40 não existirá. Estaremos todos mortos.

    Moro aqui no interior da Bahia, estamos passando por uma seca jamais vista.

    Em menos de 3 anos tivemos os piores terremotos, o 3º maior tsunami e o furação mais destruidor – katrina.



    Maria Christina Ferreira Lima disse:
    4 de maio de 2012 às 14:58

    Ricardo,
    Infelizmente se dependermos dos políticos brasileiros não teremos nenhum progresso neste ou em qualquer tema que apenas favoreça o povo.
    Se tiverem alguma vantagem, quem sabe…
    Mas acredito que pessoas como você que fala com milhões de outras ao mesmo tempo, faz a diferença. É um trabalho de formiguinha e todos juntos poderemos chegar lá.
    Um abraço e obrigada.



    Ronaldo Saunier Martins disse:
    4 de maio de 2012 às 17:52

    Ricardo,
    É importante que pessoas, economistas como você instiguem sempre a questão do debate sobre sustentibilidade, meio ambiente.
    Uma ação coordenada pode trazer consciencia a humanidade sobre o meio ambiente, recursos naturais.
    Recente alguem disse que o maior problema não será o efeito estufa ou o desmatamento da Amazônia, mas o lixo doméstico.
    Quando iremos assumir nossa responsabilidade nesse contexto ?
    Ronaldo



    Sebastião Menezes Gil disse:
    4 de maio de 2012 às 18:42

    Parabéns, é uma pena que as idéias não mudaram nesse período. Ninguém quer perder, repartir, e também novos lideres aparecem. Hoje o mundo tem mais confrontos ideologicos, religiosos, disputas. Herdeiros de ditaduras continuam mais alienados. A luz do final do túnel está nos países desenvolvidos e subdesenvolvidos, mas quem está enchergando ela?



    José Maria Vilar da Silva disse:
    5 de maio de 2012 às 11:36

    Caro Ricardo,

    Tive o prazer de participar de dois eventos com você, em Maceió e Natal, onde neste últimos tivemos a oportunidade de almoçar juntos.

    Acompanho de há muito a pertinência e lucidez dos seus artigos, inclusive deste último, com o qual concordo plenamente.
    Por incrível que possa parecer, buscar o equilíbrio parece ser cada vez mais difícil.Posições radicais de parte a parte não nos levarão a lugar algum, inclusive no que diz respeito à questão ambiental x crescimento econômico. E nossa classe política precisar acordar também para isso.

    Um grande abraço.

    José Maria Vilar
    Natal/RN



    Rossi disse:
    6 de maio de 2012 às 13:47

    Grande Ricardo!

    Seu pensamento está alinhado com os maiores pensadores brasileiros sobre o contexto em que estamos vivendo. Vale apena você se unir ao Abramovay, André Trigueiro (Globo News) e Sergio Besserman para contribuir ainda mais à humanidade. Grande abraço. Rossi



    6 de maio de 2012 às 13:54

    A grande temática de toda discussão será o que será do Brasil no contexto global. Pois, no que tange aos temas internos estamos aquem da realiadade. Parece que vivemos sob a édige do retrocesso e, para que essa situação se inverta é bem provável que tenhamos de reinventar a roda. Será que nossas autoridades públicas não se tocam que estamos atrasados por demais.E, que no ambito da da educação temos que dar um salto qualitatívo e, não quantitativo. Vi as Escolas da maior metropoles do país com medo de crianças… Pais que expancam professores, alunos que batem em professores E, no resto do país??? Como podemos colher frutos de civilidade deste modo. Só nos impõem garganta abaixo as verticalizações de ordens pública sem o papel de reeducar o cidadão mirim. Os Filhos do futuro ainda precisam aprender a guardar um papel de bala. Agora, enquanto tivermos imbecis que arremessam um colchão nos corregos e, valas de vias públicas. O que podemos esperar de uma nação dessas… Como tirar sacolinhas de supermercados, uma vigarice em nome da preservação. Temos sim uma oportunidade de poder expressar nosos temas. O Brasil, ainda tem solução. Samos grande físicamente. Temos climas favoráveis, terras ricas e, férteis. Potencial hidrico, Uma nação jovem que o mundo não tem. Somos capaz de produzirmos nas quatros estações do ano. Potencial mineral. Auto-suficiente em petroleo. Temaos capacidade de produzirmos alimentos para o mundo. Não podemos vê a Rio+20 com pernas de pavão. Precisamos beijar as mãos calejadas do homem da roça e, nos ajoelharmos aos pés de produtores de bananas ou de batatas. Assim, podemos ver os pés encaliçados de quem produz com as próprias unhas e, ainda assim enrriquece essa nação. Tudo posso naquele que me fortalece “biblico” Agora, se não começar agora fazer algo para mudar tudo que precisa ser consertado. Nem Deus nem o homem salvará a hipocrisia dos nossos comandantes em chefe. Afonso S. Lopes…Consultor de imóveis em S.Paulo 11-9904-0509



    Adelson Rodrigues disse:
    8 de junho de 2012 às 14:00

    Muito Bom .Estou aprendendo e entendendo muita coisa nesses comentarios do Ricardo .Leio todos os seus comentarios ,acredito que são de grande valor .



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