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Bolsa-Família, eleições e um país rachado

postado em Artigos


11/2014

Revista Istoé

Por Ricardo Amorim

 

2014-11-Artigo-Bolsa-Familia-Eleicoes-e-um-pais-rachado

 

O Brasil nunca esteve tão polarizado. As divisões nasceram com a estratégia de defesa do governo às acusações do Mensalão, caracterizando-as como uma tentativa golpista de uma suposta “elite branca” interessada em reverter conquistas do povo. As eleições as expuseram e aumentaram. 54,5 milhões de eleitores reelegeram Dilma Rousseff, mas 87,2 milhões – a soma dos votos em Aécio Neves, brancos, nulos e abstenções – não votaram nela.

 

As pesquisas eleitorais já apontavam rachas socioeconômicos e educacionais. Segundo elas, Dilma venceu entre eleitores que ganham até 2 salários mínimos e perdeu entre os demais; venceu entre os que têm até o ensino fundamental e perdeu entre os que cursaram ao menos o ensino médio.

 

O racha mais visível foi o geográfico. Dilma ganhou por 13,5 milhões de votos no Norte e Nordeste. No Sul, Sudeste e Centro-Oeste, Aécio ganhou por 10 milhões de votos.

 

O Bolsa-Família sozinho explica os resultados do segundo turno no Distrito Federal e em 22 dos 26 estados brasileiros. No Brasil, pouco mais de 25% das famílias recebem Bolsa-Família. Em todos os estados do Norte e Nordeste, a percentagem é maior, chegando a quase 60% no Piauí e Maranhão. Nestes dois estados, Dilma venceu com quase 80% dos votos válidos.

 
 

2014-11 Eleicoes x Bolsa Familia

 

 

No Sul, Sudeste e Centro-Oeste, a porcentagem das famílias que recebem Bolsa-Família é inferior menor, chegando a menos de 15% no Distrito Federal, em São Paulo e Santa Catarina. Aí, Dilma teve menos votos, não chegando a 40% deles.

 

Nos estados com mais de 25% das famílias recebendo Bolsa-Família, incluindo Minas Gerais, Dilma ganhou em todos menos Acre, Rondônia e Roraima. Dos estados onde menos de 25% recebem Bolsa-Família, ela só ganhou no Rio de Janeiro.

 

Então, afloraram preconceitos e distorções. Alguns no Sul e Sudeste creditaram a vitória de Dilma no Nordeste a supostas questões culturais, sem notar os resultados em áreas mais pobres de seus próprios estados. Por exemplo, Dilma perdeu em todo o estado de São Paulo, menos no Vale da Ribeira.

 

Alguns chegaram a sugerir que beneficiários do Bolsa-Família deveriam perder o direito ao voto enquanto estivessem no programa. Por este raciocínio, estudantes de faculdades públicas e usuários de hospitais públicos também não deveriam poder votar?

 

Muitos creditam o impacto eleitoral do Bolsa-Família a uma campanha para amedrontar seus beneficiários que o programa seria extinto se a Presidenta não fosse reeleita. Tais denúncias devem ser apuradas e punidas, mas para entender o impacto eleitoral total do Bolsa-Família é importante compreender seus múltiplos efeitos econômicos. Eles vão muito além da renda direta de seus beneficiários. Como o valor de cada benefício é baixo, ele é gasto integralmente, nada é poupado. Assim, a renda do Bolsa-Família impulsiona o consumo e a atividade econômica. Nas regiões mais pobres, onde mais gente recebe Bolsa-Família, o impacto é maior.

 

Em termos concretos, com o Bolsa-Família, mais gente comprou bolachas na mercearia do Seu Zé. Como vendeu mais bolachas, Seu Zé comprou uma TV nova. O dono da loja de eletroeletrônicos, que vendeu mais TVs, trocou de carro e o dono da concessionária de veículos comprou um apartamento novo. O Bolsa-Família não beneficia apenas famílias mais pobres, mas toda a economia de regiões mais pobres.

 

Isto não significa que o programa não tenha defeitos graves. Em regiões onde salários e custo de vida são baixos, ele desestimula seus beneficiários a buscar emprego. Pior, ele não prepara as famílias para que deixem de  precisar do programa no futuro e tenham perspectivas melhores do que as que o programa pode lhes oferecer. O fato de que 56 milhões de pessoas, um em cada quatro brasileiros, necessitarem do Bolsa-Família para sobreviver é sinal de fracasso, não de sucesso. O programa tem de estar disponível para quem precisar, mas menos gente tem de precisar dele. Ele precisa tratar da causa dos problemas – a falta de preparação – e não apenas da consequência – a falta de recursos. A medida do sucesso do programa deve ser quantas pessoas saíram dele e não quantas entraram.

 

Isto me traz à segunda razão para as diferenças regionais na eleição. Nos últimos 4 anos, o Brasil ficou apenas em 161o lugar entre 182 países em crescimento do PIB. As regiões Sul e Sudeste, as mais industrializadas do país, cresceram ainda menos. A produção da indústria caiu e é hoje menor do que há 6 anos. Por consequência, regiões onde a indústria tem um peso maior têm ficado para trás.

 

É ótimo que Centro-Oeste, Norte e Nordeste tenham crescido mais rapidamente que o Brasil, mas se a indústria e as regiões Sul e Sudeste não se recuperarem, elas puxarão para baixo o desempenho dos demais setores e regiões. Isto já está acontecendo. Por isso, a economia brasileira estagnou neste ano. Centro-Oeste, Norte e Nordeste representam só 28% do PIB do país. Mal comparando e sem nenhum sentido pejorativo, o rabo não consegue abanar o  cachorro. Se queremos voltar a crescer, o país precisa superar suas diferenças e criar condições para que todos prosperem.

 

Ricardo Amorim

Economista, apresentador do programa Manhattan Connection da Globonews e presidente da Ricam Consultoria.

 
 





    marcelo disse:
    10 de dezembro de 2014 às 19:01

    o bolsa-família é como um antibiótico forte para um corpo adoentado se recuperar inicialmente… não é bom, mas é necessário…
    ao mesmo tempo, é o projeto mais capitalista q existe, pois estimula o consumo… não entendo como os eleitores de aécio disseram q o país se tornaria cuba, bolívia ou venezuela com um projeto tão capitalista como este…



    Oscar B. Mattos Junior disse:
    10 de dezembro de 2014 às 19:14

    Muito Bom o texto!!!



    Fausto Carvalho Pinto disse:
    11 de dezembro de 2014 às 13:59

    O Governo Brasileiro tortura o país o tempo todo ao desperdiçar o capital da PeTrobrás. É uma pena. o brasileiro torturado perde em atendimento hospitalar, saúde, educação, infra estrutura, e muito mais.



    sheila yared disse:
    12 de dezembro de 2014 às 15:09

    Os bolsa-família vivem de esmola e poucos crescerão,,,,,o problema são os milhões de empregados públicos com seus privilégios,,,,esses só sugam…



    Paula disse:
    14 de dezembro de 2014 às 21:05

    Gosto muito do que vc escreve.

    Obrigada



    14 de dezembro de 2014 às 21:10

    Enquanto os programas assitencias continuarem a ser um programa de governo ao invés de programa de estado, continuaremos a ter sérias interferências na avaliação dos beneficiários. Bolsa Família e outras bolsas, tem forte custo para o páis, precisam de critérios bem definidos. Não acredito que os brasileiros se neguem a apoiar os programas. O que precisa ter é controle efetivo para que o propósito do beneficio não seja desvirtuado.



    Antonio Castigli disse:
    15 de dezembro de 2014 às 8:58

    sou a favor do bolsa familha alias deve ser ampliado pra todos que tem direito, não pode um governo esplorar politicamente,o governo não é proprietario de nada o Brasil é de todos os Brasileiros,oque encomoda a sociedade são governos MENTIROSOS,sadicos, corruptos,sem carater,não saber pedir desculpa.



    José Luiz A. Machado disse:
    28 de dezembro de 2014 às 16:30

    Concordo com as manifestações. E, esse problema crescerá rápidamente com sequelas sociais. É visivel o olhar diferente que ja existe hoje dos nordestinos sobre os sulistas, infelizmente.



    Carlos Eduardo de Souza disse:
    28 de dezembro de 2014 às 20:23

    O cientista político Alberto Carlos de Almeida que foi ao Connection logo após as eleições deixou claro que os eleitores votam em quem acreditam representa-los. Muitas pessoas não conseguem entender o benefício de resgatar famílias da faixa da miséria e torna-las consumidores do “mínimo”, como o senhor explicou. Não entendem também que injetar recursos no Norte e Nordeste é uma forma de reduzir problemas sociais no estado de São Paulo. Agora, o Bolsa Família precisa ter meio e fim. Assim como a roubalheira generalizada que se tornou o Brasil que não é exclusividade de um único partido. Com raras exceções, hoje, que está/tem poder está tungando. E não são apenas o Executivo e Legislativo.



    antonio braga disse:
    29 de dezembro de 2014 às 7:58

    Só se faz economia e/ou racionamento de despesas com dinheiro em caixa ou no bolso. Agora, sem reserva, estando com o caixa a zero, aí é administração do caos. Para gerenciarmos uma crise, torna-se imperativo banir do sistema econômico-financeiro todo tipo de: TAXAS, SOBRETAXAS, IMPOSTO SOBRE SERVIÇO, COTAS EXTRAS, PACOTÃO, COFINS, CPMF, TAXA DE EMBARQUE, TAXA DE UTILIZAÇÃO PORTUÁRIA, BITRIBUTAÇAO!!! Com essa dinheirama toda recolhida aos cofres públicos, IMPEDE AOS CONTRIBUINTES DE TOMAR QUALQUER MEDIDA PARA INCENTIVAR A PRODUÇÃO, SERVIÇOS – -POIS TODOS SEM FÔLEGO NADA PODEM FAZER!! Levando-se em conta que esse mar de dinheiro recolhido aos cofres públicos não servem a utilidade que são destinados , ou seja: TEM PASSAGEM EFÊMERA PELOS COFRES, QUE SEMPRE ESTÃO ABERTOS AOS MARAJÁS DO PLANALTO. EM MEIO A ESSA CRISE TODA, AINDA APARECE A QUADRILHA DO PETROLÃO, E DEPOIS QUAL SERÁ??? É Bandeira Vermelha para o Consumo de Energia, é plano e pacote + medida provisória para todo lado!! O interessante é que o P.T. não sabe de nada, além do mais nunca revelarão o PLANO DE ASSALTO E ROUBALHEIRA A POPULAÇÃO. A atual situação do nosso querido País é por demais preocupante, uma vez que os investidores do exterior reservam o direito de ressarcimento de prejuízos orçados em bilhões de dólares! Quem vai pagar essa conta???…???….



    Murilo disse:
    29 de dezembro de 2014 às 8:05

    Ótimo artigo!



    Maria Goretti Juliano Massuda disse:
    29 de dezembro de 2014 às 8:21

    Muito abrangente e interessante sua análise. Desprovida de viés político até.Realmente a “bolsa família” é um mal necessário, mas deve ser temporário.A Oposição perdeu porque falou, e falou e falou sobre a corrupção. Conquistou as mentes de muitos brasileiros. Praticamente 50% deles.Porém, se quiser vencer as próximas eleições terá que se reinventar. Certamente terá que falar aos corações e estômagos desses outros brasileiros, já que eles acreditam que a corrupção e a má condução da Economia não lhes diz respeito.



    Felisberto Cerqueira Filho disse:
    29 de dezembro de 2014 às 9:35

    A pergunta que não quer calar: o PT ficará eternamente no poder com essa política assistencialista de compra indireta de votos? Estamos condenados a conviver com o PT eternamente?



    Sergio Oliveira disse:
    31 de dezembro de 2014 às 3:33

    ALGUMA COISA A VER COM O BOLSA FAMÍLIA?
    VOZES DA SECA
    A letra de “Vozes da Seca”, de Luiz Gonzaga e Zé Dantas, composta em 1953

    Seu doutô os nordestino têm muita gratidão
    Pelo auxílio dos sulista nessa seca do sertão
    Mas doutô uma esmola a um homem qui é são
    Ou lhe mata de vergonha ou vicia o cidadão
    É por isso que pidimo proteção a vosmicê
    Home pur nóis escuído para as rédias do pudê
    Pois doutô dos vinte estado temos oito sem chovê
    Veja bem, quase a metade do Brasil tá sem cumê
    Dê serviço a nosso povo, encha os rio de barrage
    Dê cumida a preço bom, não esqueça a açudage
    Livre assim nóis da ismola, que no fim dessa estiage
    Lhe pagamo inté os juru sem gastar nossa corage
    Se o doutô fizer assim salva o povo do sertão
    Quando um dia a chuva vim, que riqueza pra nação!
    Nunca mais nóis pensa em seca, vai dá tudo nesse chão
    Como vê nosso distino mercê tem nas vossa mãos

    Destacando:
    Mas doutô uma esmola a um homem qui é são
    Ou lhe mata de vergonha ou vicia o cidadão

    Dê serviço a nosso povo, encha os rio de barrage
    Dê cumida a preço bom, não esqueça a açudage
    Livre assim nóis da ismola, que no fim dessa estiage
    Lhe pagamo inté os juru sem gastar nossa corage



    Alfredo Avelino Ayres disse:
    9 de janeiro de 2015 às 21:43

    Nos Sudeste e Sul, a indústria recebeu incentivos, vindos da redução do IPI, (linha branca e automotivos). Não fosse isto a recessão já teria batido na porta e com força. As demissões nas montadoras certamente terão um efeito dominó. Vai acontecer agora o que teria acontecido em fins de 2013.



    LUIZ DARBRA disse:
    10 de janeiro de 2015 às 20:26

    Caro Ricardo. Não voto no PT mas reconheço uma importância do Bolsa-Família. Sou do segmento de autopeças e sei que o montante de dinheiro que passou a circular em pequenas cidades ajudou muito não só a mercearia do Seu Zé como também a oficina do Seu Chico. Aprecio muito seus comentários. Abraços.



    Rafael morais disse:
    12 de janeiro de 2015 às 20:32

    Olá Ricardo, já venho acompanhando suas matérias desde 2012. Sempre me surpreendo com sua visão macroeconômica. Parabéns pelo trabalho. Ainda vou te ver como ministro!



    Cristina disse:
    12 de janeiro de 2015 às 21:40

    Concordo com tudo…triste realidade!!! Mas é isso mesmo.



    Regina Eunice da Silva disse:
    18 de janeiro de 2015 às 12:46

    Caro Ricardo. A meu ver esse programa dá certo como? Tenho 1 salário 1 pouco maior do que a bolsa família (sou F.Pública) e ainda assim não dá para atravessar o mês, dependendo dele.Como alguém, mesmo sabendo que esse benefício é 1 esmola. não se toca que está sendo enganado?Só nos primeiros dias do mês de janeiro/l5, já estamos sentindo o drama, no mercado, e, principalmente na conta de luz? Desculpe-me.É só 1 desabafo.abc.



    Leonardo Carvalho disse:
    23 de janeiro de 2015 às 9:51

    Ótima análise sobre o tema, com imparcialidade e clareza.



    Heloisa Cyrillo disse:
    26 de janeiro de 2015 às 15:26

    Excelente artigo. Objetivo, equilibrado e didático.



    Sam de Mattos, Jr. disse:
    6 de fevereiro de 2015 às 15:41

    O aparelhamento do Estado por um Governo Populista e fortemente centralizado no Executivo está tomando o Legislativo e o influenciando o Judicial, anulando-se o equilíbrio dos Tres Poderes. Em principio isso é um método semelhante (em versão tropicália/tupiniquim) ao Nazismo, onde a propaganda e demonização de Etnias e Classes, unidos à propaganda e oratória bombástica, seduziu a trôpega Alemanha de Republica Weimar ao III Reich. No final da II guerra creio ter sido Churchill que disse: “Nunca tanta gente, deveram tanto a tão poucos”. Sobre o atual Desgoverno do Brasil, faço uma parodia ao bordão, dizendo: “Nunca Tanta Gente, Roubou tanto de tão poucos.” Eles sugam – além do estagio anêmico -, a pequena classe media ainda existente no Brasil, enquanto enriquecem a si próprios.



    Almir disse:
    9 de fevereiro de 2015 às 15:48

    Muito bom esse artigo, realmente explicou muito bem a realidade do país.



    ELIANA disse:
    20 de fevereiro de 2015 às 20:07

    Ótimo artigo, sou nordestina e gostei muito da parte no texto em que você diz” que o importante não é o numero de pessoas que entram no programa bolsa-família e sim o numero dos que saem”.



    Douglas disse:
    13 de março de 2015 às 18:49

    A divisão do país pode ser benéfica para todos… por isso é algo que deve ser estudado e pensado sim… mas não dividir territorialmente… como é dividido na Coréia… e sim uma divisão governamental… pq não ao invés de um… elegessemos dois presidentes? Cada um cuidando de uma metade do país… pois temos um país do tamanho de um continente… muito grande para apenas uma pessoa comandar e dar conta disso… seria uma alternativa que agradaria a todos… petistas e tucanos… de esquerda e de direita… e principalmente nordestinos e sulistas ☺



    Rhuan disse:
    16 de março de 2015 às 0:35

    Condordo com você Ricardo. Porém, afirmar que “O Brasil nunca esteve tão polarizado” é um exagero ao meu ver.
    O Brasil sempre foi polarizado. Sul, Sudeste e Centro-Oeste sempre foram o “centro das atenções” e Norte e Nordeste sempre foram os “deixados de lado”.
    Um dos grandes desafios do nosso país é tornar o Brasil verdadeiramente um ÚNICO PAÍS.



    Renato Avelino disse:
    8 de abril de 2015 às 0:10

    Vocês também já pensaram em ir ao Nordeste e abrir empresas para dar emprego as pessoas? Já ouviram falar em mínimo existencial? Já pensaram em ceder um quarto da casa de vocês para que elas saiam do Nordeste e venham trabalhar no Sudeste? Se todas as repostas forem negativas, por favor, apenas calem a boca se não puderem exercer a democracia conscientemente.



    Corvo disse:
    27 de abril de 2015 às 19:15

    A partir do momento que a compra de votos foi legalizada no Brasil com o bolsa família o PT se alocou no poder eternamente não tem agenda alguma o programa é apenas dar dinheiro sem controle para quem quiser.Qualquer imbecil iria querer 300 reais na conta todo mês de graça mesmo que não precisassem, se tiver que doar um voto que não vale nada por isso ( como o PT fazendo terrorismo eleitoral falando que o bolsa esmola iria acabar caso Aécio vencesse)



    Clique aqui disse:
    7 de maio de 2015 às 21:59

    Realmente, enquanto os programas assitencias continuarem a ser um programa de governo ao invés de programa de estado, continuaremos a ter sérias interferências na avaliação dos beneficiários. Bolsa Família e outras bolsas, tem forte custo para o páis, precisam de critérios bem definidos. Não acredito que os brasileiros se neguem a apoiar os programas. O que precisa ter é controle efetivo para que o propósito do beneficio não seja desvirtuado.



    8 de junho de 2015 às 15:49

    infelizmente, se tivesse mais oportunidades no país para estudo e trabalho, não seria necessário esse “programa”.



    Moacyr disse:
    1 de julho de 2015 às 2:21

    Que tal uma outra versão: o dono da mercearia não trabalha com estoque em espera, nem ele nem ninguém no mundo, logo ele vai ter que aumentar o pedido de bolachas. Só que, assim como todos os empresários deste país, tem uma enorme desconfiança que o imposto sobre as bolachas possa aumentar amanhã pela manhã. Então, o preço de prateleira sobe no nível da incerteza. Isso ocorre com o vendedor de televisores, com o dono da concessionária e com a construtora. Coeteris Paribus. Para ajustar a capacidade de consumo das famílias na mesma ordem de grandeza do nível de incerteza, uma vez que governo não produz só arrecada, que tal uma “revisão” tributária? O que me assusta é a ala produtiva da sociedade concordar com esta visão torpe de que a produção cresce na razão da capacidade da intervenção de governo, enquanto que tudo que se viu na história da humanidade é exatamente o oposto. O resto é só pano de fundo para desviar a atenção do cerne do problema.



    Chico B disse:
    1 de julho de 2015 às 11:44

    Excelente comentário, de um excelente economista. O problema é que quando a parte politica é maior que a parte economica, veja Grecia, Venezuela, Argentina, o resultado não vai ser positivo. Alguem tem de pagar pela festa e esse alguem é o povo.



    Carlos disse:
    26 de julho de 2015 às 1:21

    Realmente poderiam existir mais oportunidades nesse país, mas sem entrar na meritocracia agora, pois esse é um assunto longo, nem todos tem as mesmas oportunidades para poder ter a meritocracia, eu entendo esse lado também.

    Mas, o fato é que não precisaria de “programas” como esse se fosse desse jeito que falo.



    26 de julho de 2015 às 1:25

    Se o bolsa esmola acabasse queria ver, muito vagabundo não iria ganhar dinheiro sem fazer nada, afinal quem não quer 300 reais na conta a mais de GRAÇA SEM FAZER NADA.

    PT e o seu terrorismo para a compra de votos que valem mais que uma calça para um a jovem de 16 anos. (Uma calça para uma jovem de 16 anos é mais de 300 reais Pfffff)



    Douglas Moura disse:
    5 de agosto de 2015 às 20:08

    Gostei do artigo. Quando critico o bolsa-família muitas pessoas me atacam falando que esse beneficio ajuda diversas famílias necessitadas.

    Mas sinceramente não é isso que vejo, claro que existem famílias que precisam e estão sendo beneficiadas, porem eu acredito que o governo deveria ensinar a população a pescar e não dar o peixe para ela…



    Carlos disse:
    1 de setembro de 2015 às 22:14

    Programas de bolsas existem há mais de 15 anos no país. Depois de 2006, pra se reeleger e abafar os escândalos do mensalão, o bandido do Lula aumentou discaradamente o número de beneficiários. Isso e os aportes do tesouro ao BNDES vão quebrar o país. As contas não fecham, país não é competitivo e a nação é estado-dependente. Então, o processo de Cubanização, caso a justiça não acabe logo com a causa do nosso câncer (PT), se concluirá.



    elton silva disse:
    11 de outubro de 2015 às 22:36

    ótimo artigo já mandei para todos os meus amigos…



    Silvana disse:
    27 de outubro de 2015 às 8:31

    Afirmar que o recebimento de um valor irrisório como o do Bolsa Família faz com que uma pessoa não trabalhe é de uma subjetividade sem tamanho. Além desta afirmação não ter embasamento algum, é de um preconceito enorme. Me diga como uma família consegue sobreviver com uma bolsa cujo valor mal permite a sua alimentação. Outra falha do artigo (e também dos comentários) é não citar em momento algum que para receber o benefício, a família precisa ter o filho frequentando a escola. Sem contar o empoderamento feminino, promovendo a igualdade de gênero, uma vez que o valor é dado às mães.



    Silvana disse:
    27 de outubro de 2015 às 8:49

    Filhos frequentando a escola significa melhoria das condições de vida de toda a família no futuro. Mães e mulheres com poder de decisão dentro da família mudam a lógica perversa do machismo arraigado nas entranhas do país.



    Edsa Mello disse:
    28 de outubro de 2015 às 1:15

    Eu tenho dito há anos que o bolsa-família promove crescimento econômico. É o melhor investimento que se fez nos últimos anos, em termos de retorno financeiro para o governo e de melhoria nas condições de vida das famílias mais pobres. Só para lembrar, o valor é ínfimo, é preciso que a renda familiar seja muito baixa e é preciso que as crianças estejam na escola e vacinadas.Só dá mesmo para complementar a alimentação. Nos países desenvolvidos, há sempre um bolsa família para socorrer aqueles que, trabalhando ou não, não conseguem obter o mínimo necessário. Na França, há o RMI, renda mínima de inserção social que completa o orçamento das famílias pobres, além de uma espécie de salário família que varia de acordo com uma combinação entre renda familiar e número de filhos. Nos estados Unidos são vários os programas que complementam a renda familiar das famílias pobres, além de outros programas de inserção social. O objeto desses programas é o de permitir que as pessoas possam ter o mínimo necessário para serem capazes de sair da pobreza, pela educação e pelo trabalho. Aqui, a questão da educação, apesar de esforços do governo e outras instituições, enfrenta resistência das pessoas. Viver na eterna pobreza não amedronta muitos que assim vivem. E muitos, como aqueles nos assaltam nas ruas, vêem outras formas de compensar a renda familiar e, para eles, bolsa-família é totalmente dispensável. A noção de valor da educação é inexistente. Alguém já me disse que ao ver professores quase miseráveis dando aula, ninguém se sente atraído pelo estudo. Acho que não, é uma questão cultural e moral. Quanto ao que você disse sobre a indústria, gostaria de ver esse país, um dia, com uma mentalidade realmente capitalista. O industrial está sempre esperando por subsídios dos governo e, aí sim, ao contrário do bolsa-família, vejo que é uma verdadeira aberração. Programas governamentais de incentivo a geração de indústrias em setores considerados de interesse, até se admite, mas ter como prática habitual o incentivo a todo e qualquer industrial, ou seja o capitalista, é inviável porque, ao contrário da música de Luis Gonzaga citada pelo leitor acima, não vai matar o industrial brasileiro de vergonha, mas certamente já o viciou. Compare os dividendos anuais distribuídos pelas 500 maiores empresas do mundo com o das 100 maiores brasileiras. É vergonhoso. Na hora do pires na mão do financiamento estatal, todos são pobres; na hora de distribuir os lucros, todos ficam ricos.



    Wellington Goncalves disse:
    28 de outubro de 2015 às 9:18

    Caros amigos, nunca fui a favor dessa “bolsa família”, pois o intuito dela é eleitoreiro. Sou a favor sim, de estimular o emprego.Dar condições para o cidadão se tornar empresário e construir empregos em todos os setores. Lembrem-se do “new deal” feito nos Estados Unidos em uma época que o país estava quebrado, até hoje se nossos governantes fizerem isto, sairíamos desse lodaçal.



    Marcelo Souza disse:
    24 de fevereiro de 2016 às 9:11

    Infelizmente e 2014 para ca, as coisas somente estão ficando pior. O PT cada vez mais atolado em investigações, porem se valem de que foram eleitos pelo povo e dali não vão sair ate terminar o mandato.



    Jessica Lara disse:
    16 de abril de 2016 às 14:53

    Forma de manipular a população se houvesse uma facilitação maior por parte do governo para que as pessoas se capacitassem e se tornassem empresarios seria o ideal mas o que eles querem é manipulação e poder.



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