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Brasil: uma nova cultura empreendedora?

postado em Artigos


04/2018

Por Ricardo Amorim

 

 
O Brasil foi contaminado por um forte surto de empreendedorismo. Nos últimos anos, com a crise econômica, milhões de brasileiros optaram por ter seus próprios negócios, movidos por necessidade e falta de alternativas, mas o crescimento do empreendedorismo no país começou muito antes.
 
De acordo com a OCDE, de 2005 a 2014 – portanto antes da crise – enquanto o número de empresas em atividade em Portugal caiu 1,3% a.a., na Espanha caiu 1% a.a., nos EUA cresceu apenas 0,4% a.a., no Brasil ele cresceu 5% a.a. Só em 2018, cerca de 2,5 milhões de novas empresas devem ser abertas no país. Isto aumenta a produtividade da economia, à medida que as novas empresas substituem e eliminam do mercado empresas menos produtivas. Enquanto na OCDE, em média 18% das empresas existentes foram criadas nos últimos dois anos, no Brasil 35% delas têm menos de dois anos.
 

 
Considerando-se o ambiente de negócios particularmente desafiador a novas empresas que existe no Brasil, com muita burocracia, impostos elevados, baixa disponibilidade e alto custo de financiamento, estes dados surpreendem. Ocorreu uma mudança comportamental da população brasileira, que está reconfigurando o mercado de trabalho no país.
 

 
A criação de novas empresas neste ano deve ser maior do que a criação de novos empregos formais e informais, que deve ficar próxima de 2 milhões. Deles, dois de cada três novos empregos, 1,3 milhão no total, devem ser de novos empregadores, trabalhadores por conta própria e em micro e pequenas empresas.
 
No ano passado, foi parecido. Enquanto o número de empregadores, funcionários por conta própria e trabalhadores sem carteira cresceu mais de 5%, o número de trabalhadores com carteira caiu 2%.
 
O Brasil juntou-se aos países desenvolvidos, onde há algum tempo tem aumentado o trabalho por conta própria, em função de novas tecnologias e contratos de trabalho mais flexíveis. Aqui, a Reforma Trabalhista deve impulsionar ainda mais esta tendência.
 
Por outro lado, se a vontade e coragem de empreender no Brasil cresceram, as ambições são, em geral, ainda muito baixas. De acordo com o Global Entrepreneurship Monitor, no Brasil só 4% dos empreendedores esperam criar 6 ou mais empregos nos próximos 5 anos. No México 10% deles têm esta ambição, nos EUA 34% e na Romênia, 40%.
 

 
Para piorar, nosso empreendedorismo é pouco inovador. Só 12% dos empreendedores brasileiros oferecem um produto novo ou pouco comum a seus clientes, contra 18% dos mexicanos, 37% dos americanos e 41% dos canadenses.
 

 
Isso sugere que, no Brasil, muitos empreendem por falta de oportunidades em empresas grandes, que exigem mão de obra mais qualificada. O fato de um em cada três trabalhadores brasileiros trabalhar por conta própria, o dobro que nos países desenvolvidos, reforça esta hipótese.
 
O crescimento do empreendedorismo no Brasil é uma boa notícia, mas a qualidade dos novos empreendimentos ainda precisa melhorar. Seria ótimo elegermos candidatos com projetos para qualificar a força de trabalho, que invistam mais e melhor em pesquisa e desenvolvimento, reduzam a burocracia – em particular a regulamentação ambiental e trabalhista e o código do consumidor – que aperfeiçoem a segurança jurídica e as leis de propriedade intelectual, de concorrência e falências, que reduzam a complexidade e a carga tributária e que facilitem o acesso a novos mercados, abrindo a economia brasileira. Aí, ninguém segura o Brasil.
 
Ricardo Amorimautor do bestseller Depois da Tempestade, apresentador do Manhattan Connection da Globonews, o economista mais influente do Brasil segundo a revista Forbes, o brasileiro mais influente no LinkedInúnico brasileiro entre os melhores palestrantes mundiais do Speakers Corner, ganhador do prêmio Os + Admirados da Imprensa de Economia, Negócios e Finanças, presidente da Ricam Consultoria e cofundador da Smartrips.co e da AAA Plataforma de Inovação.
 
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    21 de abril de 2018 às 19:51

    Excelente artigo. Neste ano estou me aventurando no ramo da sublimação, estudando bastante e colocando em prática.



    Adriano Lopes disse:
    25 de abril de 2018 às 19:29

    Esperamos que o nosso Brasil cresça cada vez mais, acredito que somos o país do futuro.



    Isadora Mello disse:
    26 de abril de 2018 às 21:37

    Infelizmente não dar pra acreditar mais no brasil.



    Magali disse:
    30 de abril de 2018 às 11:42

    As pessoas estão a procura de melhor qualidade de vida, por isso estão tentando ser dono do seu próprio negócio.



    Erika disse:
    30 de abril de 2018 às 11:43

    Excelente conteúdo. Torcemos por um país melhor.



    Pereira disse:
    1 de maio de 2018 às 14:14

    Mesmo em meio a tanta burocracia, empreender ainda parece ser o melhor caminho em meio a essa crise política e econômica que persiste.



    Roger disse:
    2 de maio de 2018 às 21:37

    Post muito informativo .. Obrigado por compartilhar .. eu adicionei seu site à minha lista de sites favoritos e estarei
    de volta em breve.



    rodrigo dutra disse:
    3 de maio de 2018 às 1:36

    Empreender mostra nossa capacidade de superar o fracasso que nos foi imposto pela política de acabar com o empreendedor, loping perfeito para mostrar como somos bons e ao mesmo tempo ruins.



    8 de maio de 2018 às 2:13

    Acredito que nem todos servem ou estão prontos para serem “patrão”, mas sou totalmente a favor de cada um lutar honestamente por uma vida melhor.



    João disse:
    10 de maio de 2018 às 20:29

    Viva ao empreendedorismo e a busca por uma vida mais digna, em um país onde só querem lhe levar pra baixo, meu sinceros parabéns a todos os empreendedores que sobrevivem nessa selva de corrupção.



    17 de maio de 2018 às 14:59

    Ótimo Artigo vemos que em outros países esta tendência é muito forte e aqui no Brasil a pouco começou a crescer mas muitas empresas ainda tem dúvidas



    Renato Costa disse:
    18 de maio de 2018 às 5:50

    O problema mesmo é que aqui as pessoas empreendem por necessidade, como último recurso.
    A cultura mesmo ainda é conservadora: entre em uma empresa grande e trabalhe nela até aposentar.



    21 de maio de 2018 às 22:26

    Ótimo Artigo vemos que em outros países esta tendência é muito forte e aqui no Brasil …. empreender ainda parece ser o melhor caminho em meio a essa crise política e econômica que persiste.



    Helio disse:
    28 de maio de 2018 às 20:47

    As pessoas estão a procura de melhor qualidade de vida, por isso estão tentando ser dono do seu próprio negócio.



    Juliano Cornelio disse:
    21 de junho de 2018 às 18:22

    Excelente artigo! Além do crescimento do empreendedorismo por necessidade devido à crise que persiste, há ainda a urgência das universidades quebrarem seus muros e se aproximarem das empresas numa parceria, de fato, para a promoção da inovação e práticas empresariais.



    Paulo Codta disse:
    22 de junho de 2018 às 12:39

    Empreendedorismo em crescimento é realmente resultado. Porém sem uma base, conhecimento, pesquisa e estímulo, fica no meio do caminho. Boa comparação com Portugal.



    João Carlos disse:
    1 de julho de 2018 às 14:53

    Excelente artigo, obrigado por compartilhar.



    4 de julho de 2018 às 20:25

    Estou buscando me lançar nesse ramo de empreendorismo, tou estudando muito pra isso , mas sei que preciso agir! Esse artigo me ajudou muito e me motivou, obrigado por compartilhar !



    17 de julho de 2018 às 22:19

    Infelizmente não sei se o Brasil irá para frente nos próximos 4 anos!



    Maria Socorro disse:
    25 de julho de 2018 às 22:38

    O Brasil é o país do futuro.



    Carlos Macho disse:
    8 de agosto de 2018 às 11:05

    Interessante notar que as pessoas procuram desenvolver o próprio negócio. Resta saber se elas têm uma base para tal, caso contrário, podem acontecer frustrações.



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