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A hora da verdade.

postado em Artigos


Revista IstoÉ
02/2012
Por Ricardo Amorim

 

A hora da verdade
 
Indicadores econômicos favoráveis no Brasil, EUA, China e até Europa alimentam expectativas de que a crise europeia e seus impactos globais ficaram para trás. Bolsas e matérias primas em alta e dólar em queda mostram que a esperança dominou o medo.
 
Podemos relaxar e gozar as alegrias da recuperação? Inegavelmente, duas medidas importantes foram tomadas para postergar o pior na Europa. O Banco Central Europeu ofereceu €450 bilhões em empréstimos de 3 anos ao custo de 1% ao ano aos bancos da região. Com este dinheiro, e recebendo taxas de cerca de 7%, eles voltaram a comprar títulos da Espanha e Itália, que antes não conseguiam se financiar. O BCE imprimiu ainda €200 bilhões, que injetados no FMI, financiaram parte dos pacotes de resgate à Grécia, Portugal e Irlanda.
 
Em resumo, a Europa adotou o caminho brasileiro da década de 80. Para evitar um calote, optou por rodar a máquina de imprimir dinheiro. As consequências inflacionárias e cambiais a médio e longo prazo nós brasileiros conhecemos bem, mas a curto prazo a Europa ganhou fôlego. Uma recessão branda na região é quase uma certeza em 2012, mas se ela não vier acompanhada de uma nova crise financeira global causada por calotes, a recuperação econômica nos EUA e China pode sustentar a economia global.
 
No entanto, os riscos ainda são muitos:
1. Eventual calote grego que atinja o FMI e o BCE limitará a capacidade de ambos de conseguir novos recursos para pacotes para Espanha, Itália e bancos europeus.
 
2. Tal calote grego criaria precedentes que podem levar Portugal também ao calote, gerando preocupações se Espanha e Itália seguiriam o mesmo caminho.
 
3. Possível saída da Grécia e, eventualmente, de outros países europeus da Zona do Euro, pode gerar crise financeira, jurídica e de confiança significativa.
 
4. A recuperação nos países ricos continua totalmente dependente do estímulo monetário de seus respectivos bancos centrais. Com o balanço do FED e do BCE atingindo 30% do PIB, preocupações com inflação e exaustão dos estímulos monetários são inevitáveis.
 
5. A fragmentação política europeia e situações econômicas díspares continuam gerando dificuldades de coordenação política e aprovação de medidas corretivas na União Europeia; eleições e polarização política nos EUA, idem.
 
6. Se a recuperação econômica na Europa e EUA não acontecer logo, o risco de revoltas sociais violentas crescerá bastante.
 
7. Idem no Oriente Médio, onde já começou a frustração com a democratização pós Primavera Árabe. Uma eventual quebra no fornecimento e alta significativa do preço do petróleo abortaria recuperações ainda incipientes nos EUA, Europa e Japão, grandes importadores de combustível.
 
8. Um eventual ataque militar ao Irã teria um impacto brutal sobre os preços do petróleo, gerando uma recessão global.
 
9. A atividade e os preços imobiliários estão em queda na China. Muitos acreditam que haja uma bolha imobiliária prestes a estourar.
 
Conclusão, é possível que forte crescimento do consumo nos países emergentes, inovações tecnológicas nos EUA e integração política e fiscal na Europa se materializem e garantam um crescimento global robusto em 2012. No entanto, como palmeirense, aprendi que quando tudo tem que dar certo para algo acontecer, é bom botar as barbas de molho.
 
Ricardo Amorim
Economista, apresentador do programa Manhattan Connection da Globonews e presidente da Ricam Consultoria.

 

 





    isabel molina disse:
    10 de fevereiro de 2012 às 7:34

    Suas análises abordam detalhes que na euforia das medidas não nos damos conta.



    Sylvio disse:
    10 de fevereiro de 2012 às 7:42

    Belo artigo, meu PARABÉNS é por saber que é Palmeirense.



    Valmor disse:
    10 de fevereiro de 2012 às 7:51

    Informações relevantes, sempre evidenciando o futuro da economia global. Que nosso País possa construir mecanismos de defesa, para continuar com o cresciemnto econômico e social. Parabéns e obrigado..!!!



    10 de fevereiro de 2012 às 8:01

    Bom dia Ricardo,

    Mais uma vez parabens pela competente analise.
    O que também chamou a atenção foi descobrir sua preferencia no futebol. Que pena!



    Romário Almeida disse:
    10 de fevereiro de 2012 às 8:06

    Muito bom!!! Seus comentários são sempre ganhos de conhecimento.



    Douglas Castro disse:
    10 de fevereiro de 2012 às 8:08

    Belo artigo… De fácil compreensão, curto e muito rico…



    10 de fevereiro de 2012 às 8:15

    Inegavelmente a analise é abrangente e, como sempre, competente. Muito bom! Felizmente, mesmo que seja no curto prazo temos uma luz no fim do tunel.



    Wilson Sales disse:
    10 de fevereiro de 2012 às 8:24

    Ricardo.

    A economia mundial depende de muitos interesses divergentes para se estabilizar. Sinto que não há determinação daqueles que motivaram a crise financeira para que o mundo volte a se equilibrar. E mais, acredito em uma grande depressão mundial, pois estamos caminhando para o caos e depois teremos uma nova ordem social, política, econômica e financeira. Não é teoria da conspiração é a guerra contemporânea para a eliminação dos concorrentes e a dominação do mercado mundial.



    Fábio S. Figueiredo disse:
    10 de fevereiro de 2012 às 9:00

    Ricardo, parabéns pela clareza com a qual consegue expor temas áridos como este.



    Wilson Sales disse:
    10 de fevereiro de 2012 às 10:35

    Ricardo,

    Vale recordar que foi dito que “… Os BRICS não colocarão em risco a hegemonia norte-americana e inglesa..”
    (a hegemonia, no singular, pq eles se consideram unos)



    Domingos Guerra disse:
    10 de fevereiro de 2012 às 11:34

    Claro, preciso, cirúrgico. Parabéns (só o time você precisa trocar). Abraços



    Marcos Pico disse:
    10 de fevereiro de 2012 às 13:27

    Ricardo,
    Ainda que o dólar esteja em movimento de declínio, está um pouco distante do observado no ano passado, quando suas habilidades de gurú da economia previram que chegaríamos a um patamar de R$ 1,50. O que o gurú tem para esse ano ? Chegaremos novamente aos R$ 1,50 ?



    Gorette Brennand disse:
    10 de fevereiro de 2012 às 13:31

    Ótimo artigo, “A hora da verdade”…Oscila entre a esperança e o medo! Esses sentimentos impregnam e traduzem ameaça do mundo que vivemos. Apesar disso, atiramo-nos ao mundo… Abraço



    Luiz Eduardo Sampaio disse:
    10 de fevereiro de 2012 às 14:26

    Interessante considerar variáveis que, se vistas de forma integrada, demonstram que a ‘crise’ não está afastada, quem sabe apenas dormente, oxigenada, sobretudo aqui no Brasil, à exemplo desta entrada de recursos externos na Bolsa. É aguardar a hora para ver(dade). Abraços.



    10 de fevereiro de 2012 às 14:57

    Como sempre, artigo muito interessante, qualitativo e imprevisível. A imprevisibilidade atribuo ao time de escolha, pois haja barba…



    Rogerio disse:
    10 de fevereiro de 2012 às 15:06

    Obrigado pelo artigo …
    E muito bom saber das melhoras agora que estou indo morar la por um tempo



    Jurandi Orlandi disse:
    10 de fevereiro de 2012 às 15:06

    De pleno acordo. Alem disso vejo variaveis culturais, historicas e politicas muito limitantes para que tude de certo conforme acordado



    Jurandi Orlandi disse:
    10 de fevereiro de 2012 às 15:10

    De pleno acordo. Ainda considero variaveis culturais, historicas e politicas, que colocam a possibilidade de dar tudo certo estatiticamente pouco provavel



    10 de fevereiro de 2012 às 15:10

    Amorim,
    Adoro ler seus artigos. Sorte daqueles que podem usufruir de leitura tão direta, bem redigida e fácil de ser entendida, mas de conteúdo excelente e de ponta. Parabéns! Que possamos receber sempres suas atualizações e comentários… Abraço.



    10 de fevereiro de 2012 às 16:10

    2012 será o fim do mundo se os consumidores fizerem greve nos emergentes, Anonymous gerirem a internet e a rainha Elizabeth reinar na Europa do Euro.
    Palmeirenses uni-vos por uma Itália sem calote!!!



    Wilson Sales disse:
    10 de fevereiro de 2012 às 16:12

    Ricardo,

    Insisto em dizer que a sociedade ainda não se deu conta da dimensão do caos que o mundo está passando.
    Os pobres gritam e não são ouvidos, os emergentes indicam caminhos nem sempre convergentes e os “ricos” fazem grandes encontros e discutem soluções que passam longe do que realmente tem que ser feito. Quando isto tudo explodir, todos irão se perguntar o porque do caos. Como no caso do desabamento dos edifícios, no centro do Rio, ninguém sabia de nada…



    Roberto disse:
    10 de fevereiro de 2012 às 18:14

    Valeu Ricardo,
    Como sempre muito prudente e consistente em suas análises. Realmente toda cautela é necessária e, acredito que todo Europeu deveria torcer para o Palestra. aja sofrimento…Abraços.



    David Martins Zini disse:
    11 de fevereiro de 2012 às 7:51

    Ricardo parabéns pela analise, como sempre muito assertiva e completa, porém gostaria de ver o que nos brasileiros podemos esperar do que esta acontecendo em nosso pais? Onde existe de fato uma inflação muito maior da que o governo mede, pois as classes C e D passaram a demandar outros produtos que nao compunham o pacote de produtos e serviços dos índices e agora percebem que seus salários nao são suficientes para manter. Veja as greves que estao estourando e os movimentos de sindicatos dês funcionários públicos se manifestando para exigir aumentos acima da inflação oficial.



    Tiago Veloso disse:
    11 de fevereiro de 2012 às 10:51

    Seus comentários econômicos são sempre oportunos e nos dão uma visão real da situação.
    Felicitações de um Cruzeirense!



    11 de fevereiro de 2012 às 13:43

    O melhor dos texto do Ricardo está na brilhante capacidade de sintese que este incrível economista é capaz de fazer e fazer repetidas vezes!! Ler o “Ricardo” informa, orienta e situa. Parabéns sempre!!



    Ana Cristina Burjack disse:
    12 de fevereiro de 2012 às 13:54

    Ricardo,
    Parabens pelo artigo, como sempre, de forma clara e simples, aborda temas complexos tornando-os inteligiveis a todos.
    Parabens também pelo time, sou simpatizante do Palmeiras, ainda não escolhi um time para torcer porque abomino a atitude das torcidas organizadas, e por esta razão evito me envolver com qualquer time de futebol.



    13 de fevereiro de 2012 às 14:12

    Caro Amorim, como sempre perfeito.
    Gostaria de acrescentar que o que tem acontecido mostra que o mundo tem que fazer mudanças profundas, não somente nas questões políticas ou financeiras, mas humanitárias. Se não, podem até haver melhoras, contudo, ficaremos sempre correndo atras do “rabo”. O homem precisa mudar seu conceito do que é ser feliz.
    Abraço Palmeirense.



    Carlos Nascimento disse:
    23 de maio de 2012 às 19:18

    Grande Ricardo,
    adorei o artigo e fico com um pouco mais de esperança, pois estou justamente num momento de investimento em Portugal, no meio de toda esta confusão. Forte abço e saudosas lembranças da nossa época de jogadores amadores de badminton..rs



    Eduardo Santos disse:
    4 de junho de 2012 às 13:13

    Parabéns pelos ótimos artigos!!! Sempre muito úteis e esclarecedores… já pensou em administrar a nossa Sociedade Esportiva Palmeiras???

    Abs.,

    Eduardo



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