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Dois pesos e duas medidas

postado em Artigos


01/2018
Por Ricardo Amorim

 

 

O Brasil criou o péssimo hábito de não tratar a todos da mesma forma. Pior ainda, o costume ficou tão arraigado que já nem nos chocamos mais que alguns recebam tratamento de primeira classe enquanto a maioria é tratada com desdém. Enquanto funcionários públicos se aposentam com aposentadoria integral, a maioria dos brasileiros tem de se contentar com uma fração disso. Enquanto a Justiça para a maioria dos brasileiros é uma, para aqueles que gozam de foro privilegiado, é outra. Enquanto juízes e legisladores gozam de auxílio-paletó, auxílio-moradia, auxílio-isso, auxílio-aquilo a maioria dos brasileiros nem sabe o que é isso. Enquanto funcionários públicos têm estabilidade de emprego garantida, os brasileiros que pagam seus salários através do pagamento de  impostos podem ser demitidos a qualquer momento.

 
O mais novo caso em que os mais fracos receberam tratamento de cidadãos de segunda classe no Brasil refere-se ao Refis, o programa de refinanciamento de dívidas do governo federal. Como é de conhecimento geral, o Congresso Nacional aprovou um projeto que beneficia grandes empresas com o  parcelamento de dívidas tributárias com a União. Na sequência, o mesmo Congresso Nacional aprovou por unanimidade um projeto que estende o mesmo benefício aos pequenos negócios, nos mesmos parâmetros do que foi concedido às grandes empresas. A diferença é que o governo federal sancionou o projeto que concede os benefícios às grandes empresas, mas vetou aquele que concederia os mesmos benefícios às micro e pequenas empresas.
 
A justificativa para o veto presidencial foi que este projeto pioraria a situação já precária das contas públicas. A justificativa é verdadeira, mas é inaceitável que ela não tenha sido considerada no caso das grandes empresas e ganhe uma importância desproporcional no caso das micro e pequenas empresas. Além de não ser isonômico, este tratamento diferenciado é injusto e contraproducente. As micro e pequenas empresas, deixadas de fora do Refis, são responsáveis por mais da metade dos empregos no país e são mais vulneráveis que as grandes a uma crise econômica das proporções da que atingiu o país nos últimos anos.
 
Além disso, em um país em que a carga tributária é uma das mais elevadas entre os países emergentes e, ainda assim os serviços públicos deixam muito a desejar, fica claro que o problema essencial das finanças públicas não é falta de receitas, mas a corrupção e o excesso de gastos e desperdícios, incluindo, aliás, os diversos casos em que alguns recebem privilégios que não são estendidos a todos os brasileiros.
 
Seria bom se o Congresso Nacional começasse a reverter este quadro, derrubando o veto presidencial e garantindo que as pequenas empresas recebessem o mesmo tratamento que as grandes. Imagine o país que poderíamos construir se todos aqui fossem tratados da mesma forma.
 
#refispropequeno
 
Ricardo Amorimautor do bestseller Depois da Tempestade, apresentador do Manhattan Connection da Globonews, o economista mais influente do Brasil segundo a revista Forbes, o brasileiro mais influente no LinkedInúnico brasileiro entre os melhores palestrantes mundiais do Speakers Corner, ganhador do prêmio Os + Admirados da Imprensa de Economia, Negócios e Finanças, presidente da Ricam Consultoria e cofundador da Smartrips.co e da AAA Plataforma de Inovação.
 
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    25 de janeiro de 2018 às 22:55

    O que mais me causa indignação é essa pouca vergonha de justamente aqueles que nos afundam (políticos), terem TANTAS mordomias, e CONTINUAREM tendo essas mesmas mordomias mesmo após elas terem sido levadas ao conhecimento do público! Esperava, no mínimo, que essas mordomias (auxílios, etc, etc), acabassem! Mas parece que é mais fácil que acabem com o povo a que o povo se una e acabe com eles!



    30 de janeiro de 2018 às 23:16

    Excelente artigo, como sempre no país dos burocratas tudo é engessado e desigual. A reforma tributária é algo de extrema urgência a ser tratada, impacta o desenvolvimento tanto do trabalhador quanto do empregador.



    31 de janeiro de 2018 às 6:26

    Como sempre conteúdo muito bom, e informativo. Obrigado por compartilhar conosco.



    Juliane disse:
    1 de fevereiro de 2018 às 20:33

    Infelizmente isso ainda acontece muito no Brasil. Belo artigo.



    Londrinense disse:
    16 de fevereiro de 2018 às 15:21

    Adoreiiiiiiii.

    Conheci seu blog por uma amiga…. Voce é bem detalhista nas materias.. parabens..

    gostei…

    Obrigado por compartilhar conosco.

    beijosssssssssssss



    16 de fevereiro de 2018 às 17:43

    Parece que Politico aqui no Brasil pode fazer o que quiser que não vai pra Cadeia…
    É julgado, condenado, mas continua livre pra ir e vir.
    É um absurdo!



    Rogério disse:
    18 de fevereiro de 2018 às 23:55

    Ricardo Amorim sempre trazendo matérias relevantes, não é à toa que é reconhecido internacionalmente. Obrigado pelas lições. Quem não viu o post “Que venha 2018”, veja, excelente.



    Magali disse:
    26 de fevereiro de 2018 às 14:31

    Conteúdo muito bom e muito informativo.



    Migli disse:
    1 de março de 2018 às 18:08

    Com certeza nós brasileiro criamos o péssimo hábito de não tratar a todos da mesma forma é hora de repensar nossas atitudes se quisermos um país melhor. Excelente Artigo!



    Lucas Lopes disse:
    5 de março de 2018 às 15:06

    Concordo com tudo o que escreveu. Se todos aqui fossem tratados da mesma forma o país era outro. O que mata esta pátria é a extrema corrupção e a impunidade. Me recordo muito bem, de quando Dilma lançou o slogan ”Pátria Educadora”, uma de suas primeiras medidas foi cortar verbas da Educação. Escola pública está um caos e o analfabetismo funcional no Brasil, está igual a conta bancária dos políticos;só cresce… Muito bom artigo!



    Andre Esteves disse:
    6 de março de 2018 às 21:31

    Informação relevante! Ótimo Artigo!



    SEOPA disse:
    27 de março de 2018 às 17:55

    Toda as Instituições nesse País carecem de reformas URGENTES!!



    Rodrigo Silva disse:
    8 de abril de 2018 às 16:24

    A reforma tributaria é de extrema urgência! Excelente artigo.



    joao Silva disse:
    10 de abril de 2018 às 15:02

    Excelente artigo!!!



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