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Quem avisa, amigo é.

postado em Artigos


Revista IstoÉ

19/08/2011

Por Ricardo Amorim


No final do ano passado, em meu artigo Sementes da Nova Crise, alertei que a situação europeia pioraria, causando uma nova crise global. É hora de voltar ao assunto.

Como era de se esperar, ajustes draconianos na Grécia, em Portugal e na Irlanda impostos pela União Europeia e FMI causaram contração econômica e queda de arrecadação. Com maior risco de calote, as taxas de juros exigidas por investidores para financiá-los subiram a três vezes os níveis de 2005 em Portugal e Irlanda. Na Grécia, já são cinco vezes maiores.

Agora outros países dão sinais de fragilidade. Espanha, Itália e França também tiveram elevações de seus custos de financiamento. Na Espanha, um pacote similar aos oferecidos à Grécia, Portugal e Irlanda, cobrindo três anos de necessidades de financiamento, exigiria € 450 bilhões. Hoje, UE e FMI não dispõem de tanto dinheiro, mas talvez consigam o que falta através de um grande aporte da Alemanha.

O caso da Itália é mais complicado. Mesmo que o governo consiga implantar as duras medidas anunciadas – o que é incerto – dificilmente este pacote será suficiente. Se a taxa de financiamento da Itália, que tem a terceira maior dívida do planeta, continuar subindo, o país necessitará de uma fonte alternativa para cobrir os € 850 bilhões de suas necessidades de financiamento nos próximos três anos, recursos acima do que Europa e FMI podem suprir.

Em tese, haveria soluções para evitar o colapso ou, no mínimo, adiá-lo por anos. A criação do “bônus da Europa”, que substituiria dívidas nacionais por dívida conjunta de toda a Europa, é uma delas. Para aceitá-la, a Alemanha exigirá que países em crise cedam sua soberania fiscal para a União Europeia, algo inaceitável em vários deles.

Outra opção é intensificar a impressão de euros pelo BCE para compra de títulos dos países que não conseguem se financiar no mercado. Leva à maxidesvalorização cambial e forte aceleração da inflação. Inaceitável pela Alemanha.

Outra possibilidade seria uma megacapitalização do FMI pelos países emergentes, os únicos em condições de fazer isso, atualmente. Aí, o Fundo teria recursos para lidar com a crise. A arrogância europeia na substituição do presidente do FMI tornou esta alternativa improvável.

Sobra a opção do calote de um ou mais países da Europa. Se acontecer, causará perdas a todos os bancos europeus, forçando-os a contrair a oferta de crédito e exportar a recessão ao resto da Europa e, daí, a todo o planeta.

Ao contrário de 2008, países ricos não poderão estimular suas economias reduzindo impostos e aumentando gastos. Desta vez, a crise é fiscal. Tampouco poderão reduzir juros, já próximos de zero. Pelo menos por lá, é provável que esta crise seja pior que a de 2008.

Como em 2008, o Brasil será atingido pela queda na demanda e no preço de suas exportações. Como em 2009, a crise será menos profunda e duradoura do que no mundo rico. Como em 2010, uma vez passado o auge da crise global, o Brasil deve bater recordes de crescimento. Para aproveitar a bonança pós-crise você, sua empresa, sua cidade, seu estado e o país, precisam estar preparados. Caso contrário, correm o risco de se afogar na marolinha. Quem avisa…

 





    22 de agosto de 2011 às 17:36

    Caro Ricardo

    Não há saída. Os paises estão insolventes e terão que assumir perdas. Terão que ficar mais pobres. Vender os ativos que tiverem. Assumirem dívidas que para serem pagas deverão levar os países a reduzirem gastos. Ou seja, paises e população ficarão ( já estão) mais pobres. Bancos portadores de títulos desses países assumirão prejuizos, já que investiram no risco. Alguma ajuda da Alemanha deverá também ser considerada por ser a unica que se “salva” nessa selva. Eles não concordam mas estão no balile e terão que dançar. Ou seja, quer queiram ou não teremos que ter um banho de pobreza na Europa e segue a vida. Nos Estados Unidos o processo também é insustentável. Os Brics, puxados pela China, serão o motor propulsor da retomada. Talvez criemos um Fundo Monetário próprio formado pelas reseervas desses países e comprem ativos dos países “pobres”, para que eles aos poucos se recuperem. Temos 10 anos pela frente….



    Mauricio disse:
    22 de agosto de 2011 às 17:38

    Ricardo, para um brasileiro que está tentando começar a vida nos Estados Unidos, será que o seu conselho é justamente aquele que eu não queria ouvir: volta pro Brasil? Um abraço, parabéns pela qualidade do seu trabalho!!



    PAULO CARDOSO disse:
    22 de agosto de 2011 às 17:52

    Você é feio, mas não é burro. Excelente artigo!



    22 de agosto de 2011 às 18:21

    Caro Ricardo

    Meus parabéns pela sua descrição clara da real situação enfrentada pelos países europeus.
    Continue registrando suas opiniões, para nós que não dominamos o assunto é sempre bem vindo recebermos informações relevantes, coma as que você tem publicado.
    Marcius Vitale



    Pimentel disse:
    22 de agosto de 2011 às 18:30

    Ricardo, como vai? Seu artigo me remete às palestras que fizemos no Circuito Aprosoja no MT há pouco mais de um ano. Apesar da volatilidade e como em 2008 o melhor lugar para estar é o da produção agrícola que vai ver as commodities cairem em US$ mas compensadas por CBOT, NY etc. Os intermediários por outro lado devem sofrer mais. Coops , Tradings , etc. Embora já mais precavidas com as suas exposições em futuros, elas não podem zerar posições pois elas fazem parte dos seus negócios. As tradings são muito alavancadas e isso pode se manifestar em algumas quebras como vimos no passado. Vamos apertar o cinto e aproveitar as oportunidades que om certeza devem surgir, mas o tabuleiro do jogo vai mexer bem,, sobretudo porque conforme o seu artigo…não há solução fácil, mas apenas medidas cautelares a tomar. Forte abraço Pimentel



    22 de agosto de 2011 às 18:39

    Ricardo

    Excelente o seu artigo e sua capacidade de observare analisar as megatendencias

    Mas e agora 2011 , como sera a Marola ? O dolar vai continuar a derreter ? ate quando



    klaus Gama disse:
    22 de agosto de 2011 às 18:48

    Prezado Ricardo,
    Agradeço pela informacao e gostaria de acrescentar que pelo panorama
    haverá grande possibilidade de calote por parte de um ou dois países
    ate que surjam mecanismos econômicos emergenciais por parte de
    um suporte global. O Brasil terá problemas de demanda mas poderá
    buscar ações corretivas no aumento de Negocios com a China e ate
    mesmo a Alemanha porém as relações externas devem alcançar um
    plano mais consistente neste Governo, a condição ainda e favorável
    mesmo com a perda de parte do entusiasmo de investidores internacionais.
    Vamos torcer por uma chacoalhada na competênciado governo nas relações externas.
    Abracos



    Ricardo disse:
    22 de agosto de 2011 às 19:00

    Obrigado, Ricardo de eu estar em sua lista de e-mails
    Na verdade ainda nao li tudo, vou sair, mas na volta leio com prazer, gostaria de falar e comenar com voce, adoro muito poder ajudar – se for em ideias- e voce acata-las e ajudar-me a coloca-las a funcionar ao mundo Brasil- Global- Com Pao de Acucar.
    Pois acucar adoca e o Pao e o alimento necessario a todas as mesas.
    Um abraco
    do
    Ricardo.H.Palaia.



    grasiela disse:
    22 de agosto de 2011 às 20:11

    Ricardo, como entendo pouco de economia, gosto muito de ler seus artigos!!! quero ser mais uma leitora acreditando q para o nosso mercado a crise não venha!!!! obrigado pela amizade…boa semana!



    Fábio Garcia disse:
    22 de agosto de 2011 às 21:13

    Ricardo,

    Notadamente uma mgnífica análise e avaliação do atual e futuro cenário europeu!
    Forte abraço.



    BlackWizardX disse:
    22 de agosto de 2011 às 23:26

    Foi como ver na televisão o que se passava, mas como uma reprise, pois tua analise antecipada estava certíssima. A queda da bolsa, a não sustentação do dólar e os tamanhos dos débitos. Parabéns pela visão global antecipada e correta!



    Vagner disse:
    23 de agosto de 2011 às 7:19

    Olá Ricardo, gosto das suas análise, acho você sempre firme e convicto em suas opiniões e levo sempre em consideração seus comentários, mais o que você acha sobre o euro, se realmente isso acontecer seria o fim da moeda?



    Paulo Duarte disse:
    23 de agosto de 2011 às 10:34

    Caro Ricardo,

    Parabéns, sempre, pela lucidez, clareza e objetividade.
    Recentemente, num encontro promovido pela Fundação Dom Cabral, em Bhte, vc nos brindou com uma palestra brilhante.
    Naquela ocasião, como participante, lhe pedi para esboçar uma “visão” sobre aquele momento e o mercado de café, devido aos reconhecidos baixos estoques mundiais, crescimento do consumo no Brasil, e etc…
    Como médio produtor, volto a lhe indagar: quais as prováveis consequências do momento atual(no mundo), sobre a demanda, comercialização, e preços do Café, de qualidade superior e de qualidade inferior, ambos em fase final de colheita no Brasil? Os preços se sustentarão?
    Forte Abraço! Paulo Roberto Duarte



    23 de agosto de 2011 às 15:35

    Parabéns Ricardo,

    Recado dado,ordem do dia LIQUIDEZ,e capacidade de entrar sempre olhando a agilidade de sair ou mudar de posição.
    Mudanças a todo momento,saber conviver com isto,resumindo,analise de risco na ponta do lapis
    abraço e obrigado



    Heraldo Barbosa disse:
    23 de agosto de 2011 às 18:57

    Muito bom o seu feeling. Ja lhe venho acompanhando ha tempo.
    Não tem medo de dizer a sua verdade, como a maioria que não
    quer desgostar ninguem e tome melaço para engolir a pilula.
    Estou louco para comprar uma casa nas ilhas gregas, por favor
    me avise quando chegar a hora…



    Valéria R Olson disse:
    23 de agosto de 2011 às 21:33

    Paulo Cardoso , discordo , Ricardo Amorim alem de inteligente , é bonito , e concordo , excelente artigo!!!



    Rodrigo Vitor disse:
    24 de agosto de 2011 às 14:15

    concordo desde a materia em q a bolsa chegaria em 200mil pontos foi o unico erro por enquanto mas o resto acertou tudo parabens



    Juliana disse:
    24 de agosto de 2011 às 21:26

    Caro Ricardo,
    Adoro seu trabalho! É brilhante… É possível termos uma idéia de quando o calote ocorrerá?



    Antônio Carlos G. Martinez disse:
    26 de agosto de 2011 às 15:18

    Fantástico,

    Como sempre somos surpreendidos pela qualidade de uma resenha, consistente e objetiva, lamento que artigos deste nivel não tenham uma maior divulgação entre os nossos jovens, na faixa de 17 aos 35 anos,

    Forte abraço,

    Antônio Carlos Martinez



    Antônio Carlos G. Martinez disse:
    26 de agosto de 2011 às 16:19

    Presado Ricardo,

    Mais uma vez agradeço por estar cadastrado em seu e-mail, pois toda vez que somos aquinhoado por seus comentários , despertamos com um alerta buzinando, parabéns é pena que artigos como os seus, não tenham um alcance á um maior número de pessoas, principalmente aos mais jovens,

    Forte abraço,

    Antônio Carlos Martinez



    Arthur Tadeu Faria da Veiga disse:
    4 de outubro de 2011 às 15:31

    Caro Ricardo,
    Gostaria de parabenizá-lo pelas suas análises sobrias e desprovidas de componentes ideológicos.Sou professor de História e com frequência repasso suas reflexões aos meus alunos.Sua independência nos seus artigos demonstram que, apesar de tudo, existe vida inteligente na nossa mídia. Um grande abraço e parabéns.



    vera regina disse:
    9 de novembro de 2011 às 17:15

    É…parece que pela sua opiniao bons ventos terá o Brasil. Acompanho seus comentários, e estou apostando no que você indica. By the way, v. é profundo,elegante, responsável e muito bonito!



    Eduardo Nunes Pereira disse:
    23 de novembro de 2011 às 8:45

    Bom dia Ricardo,

    Já li alguns de seus artigos falando sobre estar preparado. Em se tratando de profissionais liberais o que seria estar preparado? Já como investidor, estou com quase 90% de meu patrimônio físico em ações PM do começo de 2010/2011, o que é estar preparado? Vender com prejuízo e esperar dias melhores?
    Obrigado.
    Eduardo.



    são jorge disse:
    24 de julho de 2014 às 12:53

    Análise sempre precisa!!



    Sheila disse:
    26 de agosto de 2015 às 8:27

    O nome disso é: saber analisar e planejar. Claro que depois não pode ficar só no papel!



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