Feeds Ricardo Amorim Facebook Ricardo Amorim Twitter Ricardo Amorim Linkedin Ricardo Amorim Youtube Ricardo Amorim

O país do caminhão-silo

postado em Artigos


 

Man Magazine

05/2013

Por Ricardo Amorim

O país do caminhão-silo

 

Nos últimos 10 anos, o crescimento médio do PIB no país foi 50% mais acelerado do que nos 25 anos anteriores, mas a estratégia de crescimento que permitiu este resultado chegou a seu limite.

 

O Brasil se beneficiou de uma forte elevação do preço de matérias primas que exporta e queda do custo do capital que importa, o que permitiu um boom de crédito e consumo no país.

 

Usando recursos ociosos – mão de obra desempregada e infraestrutura existente – crescemos a partir da expansão da demanda externa – causada pela fome chinesa por matérias primas – e interna, devido à expansão da renda e do crédito no país.

 

O problema é que não há mais nem mão de obra nem infraestrutura ociosas. O desemprego é o mais baixo da história e o uso da infraestrutura está no limite. Por conta de um sistema educacional ineficiente, o país não aumentou a produtividade da mão de obra, que ficou mais cara à medida que o desemprego caía e os salários subiam.

 

Da mesma forma, medidas do governo reduziram significativamente a lucratividade de vários setores, como o elétrico, financeiro e petrolífero, assustando empresários de todos os setores e levando-os a cancelar planos de investimentos.

 

Em paralelo, a baixa capacidade de execução do setor público de investimentos em infraestrutura impediram tais investimentos de se materializassem, particularmente no setor de transportes.

 

Resultado? As filas de navios e caminhões nos portos parecem não parar de crescer. No porto de Santos, as filas de caminhões chegam a 12km. Na prática, o Brasil tem transformado caminhões parados em filas no porto em silos. De meio de transporte os caminhões se transformaram em sistema de armazenagem.

 

Uma medida óbvia foi recém anunciada. Os portos do Rio de Janeiro, Santos e Vitória passaram a trabalhar de forma ininterrupta 7 dias por semana, 24 horas por dia. Isto não acontecia porque diversos órgãos públicos envolvidos no funcionamento dos portos apenas trabalhavam em horário comercial.

 

Esta medida não substitui investimentos em expansão e melhoria de nosso sistema de transporte portuário, mas mostra como, às vezes, desengargalar o país pode ser muito mais simples do que normalmente imaginamos.

 

Ricardo Amorim

Apresentador do Manhattan Connection da Globonews, colunista da revista IstoÉ, presidente da Ricam Consultoria, único brasileiro na lista dos melhores e mais importantes palestrantes mundiais do Speakers Corner e economista mais influente do Brasil segundo o site Klout.com.

 
 





    Mario Curi disse:
    16 de junho de 2013 às 1:31

    O que tem havido é um retrocesso na capacidade de armazenamento. Em Assis-SP., onde moro foi desativado a um grande silo da Ceagesp, e outro da Riograndense, além de vários particulares que faliram. Enfim estamos diminuindo capacidade de armazenamento em vez de aumentar.



    Maria Rita disse:
    21 de agosto de 2015 às 20:16

    Prevejo um final de ano de 2015 muito ruim pra toda a industria no geral. Bem como para o comércio, nas vendas de natal. As perspectivas para o ano que vem não são agradáveis e muitas empresas tenderão fechar as portas, infelizmente. O brasil está caminhando a passos largos para uma recessão nos próximos tempos. Torcerei para que esteja errada.

    Grande abraço!



Deixe seu comentário

Acompanhe Ricardo Amorim na mídia
Istoe

Artigos do Ricardo Amorim
/ LEIA

Manhattan Connection

Desde 2003, Ricardo é apresentador do Manhattan Connection, atualmente no canal Globo News
/ VEJA

Radio Eldorado

A economia pode ser um agente poderoso de transformação
/ CURTA


Opinião de Ricardo Amorim - Economista Independente