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A revolução por trás do apagão de mão de obra.

postado em Artigos


Revista IstoÉ

09/2012

Por Ricardo Amorim

 
Mediando um painel em um evento com grandes empresários brasileiros, perguntei a eles qual o maior desafio para o crescimento de suas empresas nos próximos anos. A resposta veio em uníssono: a falta de mão de obra qualificada é, atualmente, seu maior desafio.
 
O apagão de mão obra não é novidade. À medida que o desemprego no Brasil começou a cair desde meados de 2004, a dificuldade das empresas em contratar bons profissionais tem aumentado e os salários e benefícios dos funcionários subido.
 
No mercado de trabalho, assim como em infraestrutura e câmbio, o Brasil viu-se forçado a lidar com as dores do crescimento. Nas décadas de 80, 90 e início do milênio, quando o Brasil sustentou uma taxa média de crescimento do PIB de apenas 2% ao ano, faltavam empregos. Desde 2004, a média mais do que dobrou, hoje faltam profissionais qualificados para as vagas existentes.
 
O aumento da remuneração dos trabalhadores consolidou e fortaleceu o mercado consumidor. Só que a elevação de salários e benefícios não veio acompanhada por igual aumento da produtividade dos trabalhadores, encarecendo produtos e serviços no país. Para piorar, o Real apreciou-se significativamente, colaborando para tornar nossos produtos e serviços ainda menos competitivos em relação aos estrangeiros.
 
Esta nova realidade tem trazido desafios às empresas e tornou uma eficaz gestão de recursos humanos mais estratégica do que nunca. Atrair e reter talentos nunca foi tão importante, dando início a uma revolução silenciosa, com implicações positivas substanciais sobre a estrutura da nossa economia. Por terem sido praticamente ignoradas até aqui pela maioria das empresas, três transformações merecem destaque.
 
Enquanto oportunidades profissionais brotam no país nos últimos anos, elas minguam nos países desenvolvidos. Isto provocou uma reversão na histórica perda de talentos que o país se acostumara. Atraídos por melhores oportunidades e remuneração, centenas de milhares de brasileiros que trabalhavam nos EUA, Europa e Japão retornaram ao país, eu entre eles. Além disso, o número de autorizações de trabalho para estrangeiros no país triplicou nos últimos cinco anos. Já há mais de 1,5 milhão de trabalhadores estrangeiros legais iluminando nosso apagão de mão de obra e hoje, quem diria, atraímos até imigrantes ilegais.
 
Em paralelo, um aumento da expectativa e qualidade de vida, somado a uma futura incapacidade do sistema público de previdência de honrar suas promessas, mais uma sustentada queda da taxa de juros no Brasil, reduzindo a rentabilidade de aplicações financeiras, forçam cada vez mais aposentados a complementarem suas rendas, voltando a trabalhar. Será que as empresas estão prontas para eles?
 
Por fim, no Brasil, a mão de obra era barata e a tecnologia cara. Não mais. Enquanto os salários vem subindo, o custo de máquinas e equipamentos vem caindo devido à produção chinesa e à apreciação do Real. Um forte processo de mecanização e informatização vem aí, com impactos muito positivos sobre a produtividade, mas exigindo trabalhadores ainda mais qualificados.
 
Por trás da escuridão do apagão de mão de obra, há uma revolução silenciosa que só começou.
 
Ricardo Amorim

Economista, consultor, apresentador do programa Manhattan Connection da Globonews, colunista da revista IstoÉ e presidente da Ricam Consultoria. Realiza palestras em todo mundo sobre perspectivas econômicas e oportunidades em diversos setores Único brasileiro na lista dos melhores e mais importantes palestrantes mundiais do site inglês Speakers Corner e economista mais influente do Brasil e um dos dez mais influentes do mundo segundo o site americano Klout.com.
 





    Bruno disse:
    24 de setembro de 2012 às 9:13

    Ola Ricardo,

    Gosto muito dos seus textos e concordo com a maioria dos seus argumentos. Acho que sou um pouco mais otimista mas gosto da sua visao sobre os assuntos.

    Sobre mao de obra qualificada sempre fico com o pe atras quando vejo reclamacoes dos empresarios. No Brasil exige-se muito em termos de curriculo e os salarios sao ridiculos. Isso em todos os niveis, do tecnico industrial ao bacharel com varios titulos. Em meu circulo de amizades muitos ja sairam do pais ou estao disputando vagas no exterior. Alias, eu mesmo estou de ferias no BR.

    Eu concordo quando empresarios reclamam, por exemplo, do excesso de encargos trabalhistas e afins mas na minha cabeca o empresariado reclama demais! O cambio ta sempre desfavoral (independente do cenario), a mao de obra eh escassa (independente do salario baixissimo), os impostos sao muito altos (como se em outros paises fosse muito diferente), os juros sao altos (mesmo que isso beneficie aplicacoes de parte dos lucros da empresa)…

    Dizem que quem nao chora nao mama, mas o empresariado brasileiro ta demais!

    Abc,



    Paulo Kudler disse:
    24 de setembro de 2012 às 9:33

    A realidade que vivemos hoje decorrente dos governos miopes e sem compromissos com o desenvolvimento que temos nesse pais. Educação e infraestrutura nunca ocupam esforços planejados e continuos de nossos estados e ainda vamos sofrer muito para tê-los.
    Parabéns de novo pela matéria.



    24 de setembro de 2012 às 9:34

    Caro Ricardo. Nós que trabalhamos com a formação e especialização de mão-de-obra na área bancária, sentimos muito essa deficiencia da formação da mão-de-obra. Isso remonta desde do ensino básico, com a educação continuada até a popularização do “ensino supeiror”. O Governo Lula que deveria receber Premio Nobel de Marketing só queria numeros para mostrar, a qualidade pouco importa…. De outro lado o pouco incentivo a formação técnica.
    Temos oportunidades infindáveis e pouca gente capaz de ocupar essas vagas.
    O problema é que em menor grau o Governo do Marketing continua….



    Márcia Lima disse:
    24 de setembro de 2012 às 10:11

    Ricardo,

    Concordo que esteja acontecendo um apagão de mão de obra mas posso lhe dizer que o mercado de trabalho também não se preparou para prospectar corretamente os trabalhadores.
    Conheço inúmeros trabalhadores muito bem preparados mas que ainda não conseguiram ser absorvidos pelo mercado e inúmeras vezes ouvem que estão acima da necessidade da empresa.



    Orlando Santos disse:
    24 de setembro de 2012 às 10:13

    Concordo em parte do apagão de mão de obra no Brasil.
    Realmente os números mostram que existem vagas em aberto e as empresas buscam “talentos” externos.
    Trabalho em uma empresa onde o fato de trazer mão de obra qualificada justifica-se não pela falta mas sim pela imensa oferta no país de origem, desta forma ajudando o caos Europeu.
    Pois, pelo menos por aqui e algumas outras que conheço, é só pagar melhor, a níveis realistas que a mão de obra “aparece”.



    Paulo Kramer disse:
    24 de setembro de 2012 às 10:20

    Oi, Ricardo! Já repassei o art. p/ o antropólogo Roberto DaMatta e nossos contatos profissionais no Senai. Nos últimos dez anos, DaMatta e eu temos realizado várias pesquisas sobre educação profissional e ensino vocacional, publicadas em livros e monografias. Nosso estudo mais recente, ainda não publicado, teve como tema “Engenheiros e Engenharia no Brasil: mercado de trabalho, papel social, imagem e autoimagem profissional.”

    Nossos resultados e as opiniões colhidas entre os empresários frequentadores das suas palestras são bem convergentes. Parabéns! E continue brilhando.
    Abraço do Paulo Kramer



    24 de setembro de 2012 às 10:44

    Ricardo, excelente artigo.
    Não somente o governo, mas também os empresários precisam mudar muito a cultura de que “Educação e Treinamento são despesas e não investimento”. Isto esta mais que comprovado nos países desenvolvidos, principalmente no Japão e na Coreia.
    Vemos empresas de grande porte com baixa produtividade e sem nenhum preparo dos funcionários em ferramentas básicas de Sistemas de Gestão, o que dirá das media e pequenas.
    Estou fazendo um trabalho voluntário de passar conceitos de 5S de uma forma lúdica e pratica em uma escola para alunos de 6º e 7º anos do ensino fundamental, com mudanças de atitudes e comportamento. O resultado esta sendo incrível. Assim como trabalhos realizados em grandes empresas, que iniciando com o 5S suas despesas e custos caíram rapidamente, reduzindo seus desperdícios e aumentando a produtividade.
    Portanto se uma ferramenta básica como 5S não existe nas empresas brasileiras, como podemos competir com empresas com ferramentas avançadas de Lean Six Sigma?
    Luiz Seixas



    Domingos Pascoal Pereira de Souza disse:
    24 de setembro de 2012 às 11:45

    O maior problema nosso, é que a nossa juventude, que deveria ser a maior força de trabalho em crescimento, não estÃO nem ai para o problema, eles não querem se comprometer de jeito nenhum e com nada, não sei de quem é a culpa, se dos pais que não quiseramm educar de forma comprometida, se os governos com estes abusos de corrupção,deixando eles acreditarem que o país não tinha mais conserto, ou se o problema é deles mesmo que não acreditam mais em nada; e tem ainda mias um proema, s universidades, principalmente algumas particulares que eu conheço, que são fábricas de diplomas.



    24 de setembro de 2012 às 12:39

    Ricardo,

    Concordo plenamente com sua matéria. Trabalho com terceirização de mão de obra e posso afirmar que ela está cada vez mais escassa no nosso País. Faltam pessoas qualificadas em todas as áreas e quando as encontramos, o candidato prefere receber o seguro desemprego do que arrumar um emprego fixo de imediato.
    A situação está cada vez mais grave.
    Parabéns pela matéria!

    Fernanda Alves



    Leandro Guimarães disse:
    24 de setembro de 2012 às 19:50

    Interessante, porque muitas empresas somente querem o funcionário qualificado e experiente, mas são poucas que querem oferecer a qualificação e treinamento para quem é ‘junior’ ou mesmo são receosas de remanejar funcionários.

    Muitas empresas perdem meses procurando por alguém “qualificado”, tempo suficiente muitas vezes para se oferecer a qualificação e treinamento para alguém que com certeza agarraria a função e prove que pode executar o trabalho melhor do que alguém que venha com a qualificação que se imagina.

    O que normalmente acontece é que diretores de RHs (inteligentes como portas) viram para seus diretores e dizem: “ta difícil de arrumar o profissional ideal”.

    O que falta infelizmente nas empresas é coração (o que move tudo) e bons profissionais de Recursos Humanos que não fiquem repetindo como papagaios o que dizem os manuais de RH, que os fazem acreditar que o ideal é o profissional que já vem qualificado quanto o que seria mais restável seria dar a qualificação.

    Enxergar o brilho e sensibilidade é o que as empresas e seus recrutadores mais carecem!!
    O resto, reclama…!



    25 de setembro de 2012 às 11:17

    Prezado Ricardo:
    Admiro muito seu trabalho nos disitintos médios. Agora você tocou num assunto que era uma “tormenta” que estava se prevendo. Outra coisa importante é o desprezo que se tem com executivos com mais de 65 anos (eu estou nessa categoria) joga-se fora anos e anos de experiência apenas porque a pessoa tem essa idade. Trabalhei 50 anos da minha vida em Finanças.inclusive fora do país
    (USA,Espanha, Argentina e Inglaterra) porem nada disso conta, então quer disser que para ser Presidente do Brasil também tem que ter um limite de idade??Existem Bancos que aposentam seus executivos quando chegam a certo limite de idade independetemente de que a pessoa esteja produzindo plenamente. Depois reclamam da falta de mão de obra! Ridiculo, não é?
    Grande abraço
    Alberto



    Margareth disse:
    25 de setembro de 2012 às 14:59

    Ricardo gosto muito dos seus artigos, e concordo que o mercado esta em franco crescimento e que carece de educação e infraestrutura para sustentar seu crescimento de forma saudável, porém, até hoje não vejo os empresários trabalhando, de forma efetiva, politicamente para fortalecer estes pilares que darão sustentação ao país e aos seus negócios.
    Reclamação sobre a necessidade e investimentos particulares em pessoas qualificadas podem ajudar empresas e setores em particular, mas o buraco é mais embaixo e precisamos urgente de empresários que ao invés de serem coniventes com um sistema que faz de conta que faz, faça o sistema fazer o que tem que ser feito.
    Enquanto isto nós profissionais pagamos caro com nossos “ bons salários”, muito bem tributados, para estarmos preparados e qualificados a altura que o mercado precisa. E as empresas também pagam muito bem para oferecer benefícios (saúde e educação), com uma carga tributária bem considerável para ter o básico, que deveria ser ofertado pelo governo.
    Forte abraço,
    Margareth



    Átila Castro Alves disse:
    26 de setembro de 2012 às 12:41

    Ricardo, creio que esse “apagão de mão de obra” é relativo. Acontece em algumas áreas, ms outras não! TI, por exemplo, que é minha área, os profissionais são disputados a tapa… mas em BH, por exemplo, é muito difícil um profissional de TI ganhar muito mais que 4 mil CLT! Isso equivale a 2 mil dólares. Isso é um salário alto? 26 mil ou 28 mil dolares/ano? Nos países ricos, isso não é… Meus conterrâneos valadarenses, iam para os EUA e ganhavam mais que isso, lavando pratos lá, nas épocas douradas. Aqui em BH, em TI, é meio que tabelado os salários! Poucas empresas saem desse “cartel” de baixos salários!
    Porém há áreas no Brasil que sobram mão de obra e faltam empregos. Por exemplo, tenho contato com alguns biólogos recém formados que não conseguem arrumar emprego (que não seja dar aula de biologia). Exige-se muita experiência, mas não dão espaço para o recém formado ganhar essa experiência (eu passei por isso em 2004 qdo me formei)!
    Então acho q há áreas que realmente falta mão de obra, mas altos salários? Talvez em RJ e SP! E outras áreas e ótimos profissionais são desperdiçados, talvez porque realmente é baixa a demanda no país ou falta de investimento para melhoria (em pesquisa tecnológica, etc) nessas áreas!
    No mais, parabéns pelo trabalho! Acompanho e concordo com muita das coisas q vc fala! Espero q essa piora da Europa (que vc tanto anuncia e eu concordo com seus argumentos) não leve nosso Brasil a recessão!



    27 de setembro de 2012 às 9:30

    Bom dia Ricardo,

    Estive em uma conferência em NYC no último dia 20/09 e tratamos exatamente deste assunto: como o Brasil vai enfrentar o problema de um human capital tão fraco. Construção de escola sem professor e investimento em ensino superior fraco em detrimento ao técnico de qualidade são as realidades nacionais. Fica a esperança que a Presidenta tenha alguma coisa na cabeça além de laquê para mudar a situação e pensar a longo prazo. Um grande abraço saudoso, Márcio, Campo Grande, MS



    27 de setembro de 2012 às 19:54

    Ricardo, boa noite,
    Da enorme quantidade de emails que recebo diariamente, os seus recebem um destaque especial pela qualidade dos seus comentários. Trabalho há 14 anos com uma consultoria de Gestão Estratégica de Pessoas e desenvolvimento de lideranças para as maiores empresas do Brasil e algumas do mundo. Nestes anos temos identificados muitas razões para a escassez de mão de obra e principalmente para a dificuldade de reter talentos nas empresas e posso te afirmar que uma das principais razões para os elevados indicadores de turnover é a falta de aderência entre o discurso das empresas (e de seus Diretores) e a prática de valorização das pessoas que trabalham nelas. Fala-se muito mas faz-se pouco em termos de uma gestão mais preocupada com as necessidades dos trabalhadores, e quando algo acontece no cenário econômico que pode trazer preocupação ao fluxo de caixa, o primeiro lugar onde os cortes são feitos é no RH e seus subsistemas. Enquanto esta cultura continuar prevalecendo teremos uma enorme dificuldade de manter equipes de alta performance sustentáveis e inovadoras, e isto continuará gerando altos custos. Pessoas entregam números, números não entregam pessoas. Empresários aprendam isto rapidamente, pois caso contrário o cenário tende a piorar.
    Parabéns pelo ótimo trabalho Ricardo.
    Um cordial abraço.



    maria Zélia Dias Miceli disse:
    4 de outubro de 2012 às 16:00

    Em paralelo, um aumento da expectativa e qualidade de vida, somado a uma futura incapacidade do sistema público de previdência de honrar suas promessas, mais uma sustentada queda da taxa de juros no Brasil, reduzindo a rentabilidade de aplicações financeiras, forçam cada vez mais aposentados a complementarem suas rendas, voltando a trabalhar. Será que as empresas estão prontas para eles?

    Ricardo, num próximo artigo explore mais esta ideia.

    Abraços. Maria Zélia Dias Miceli



    Marcos A. Da Rocha Vieira disse:
    1 de novembro de 2012 às 23:59

    Necessário se faz, de fato e urgentemente, que as empresas,invistam em capacitação, quer seja através de convênios com instituições públicas e privadas – Sistema S, Universidades, etc. – quer através de sua estrutura de gestão de pessoas, unindo teoria e prática, abrigando em seus quadros um determinado número de trainees, assistidos, orientados e remunerados. Ao empresário não cabe mais a postura de esperar que a oferta de mão-de-obra qualificada lhes caia no colo, numa iniciativa do poder público ou de outras esferas, tipo SENAI, SENAC, SEBRAE, IFAL, etc..



    gilmar denck disse:
    6 de novembro de 2012 às 15:02

    Complicado é trabalhar com a visão em torno da relação de capital financeiro X capital humano. Ricardo Amorim, acredito que o grande X da questão você relatou no texto. Precisamos sim melhorar os ganhos dos funcionarios e colaboradores, entretanto é imprescindivel buscar o aumento da produtividade que pague os custos envolvidos e envolventes. Um companheiro acima, disse que empresariado de um modo geral chora muito e paga pouco, contraponho convidando o amigo a ser empresario e viver neste mar de felicidade que é ser empresario. O mercado está aberto e sedento de novos empresarios, nem desculpa de falta de recurso existe mais, pois governo federal e estaduais estão repletos de incentivos a novos empreendimentos, com taxas subsiadas e prazo perder de vista. Seja Bem vindo e tome o lugar dos chorões.



    Rick Becker disse:
    25 de novembro de 2013 às 13:56

    Concordo com o apagão de mão de obra. Contudo, fala-se apenas no apagão operacional. A “maquinização” de todos os setores trouxe ao Brasil, máquinas “Made in Qualkerlocal”, menos Made in Brazil. Sim, nada se produz aqui pois até para produzir aqui, não temos competência. Portanto, se você é um operador de XYZY em uma indústria automobilística, é especialista nisso. Se é demitido e só precisa saber trabalhar com uma QSWZ, ferrou.

    Em contrapartida, esquecemos que as ofertas de empregos na área estratégica e de planejamento de empresas está escasso. As empresas “Fazejam” e não planejam, então, que venha um engenheiro alemão para conduzir o planejamento das empresas, esquecendo que aqui temos também cabeças-pensantes que conhecem muito bem as estratégias de mercado.

    Apagões são vários. Desde energia elétrica, política e mão de obra. Falta apagar o “Ordem e Progresso” da bandeira, ou traduzi-lo para o inglês.



    Alice disse:
    10 de março de 2014 às 16:50

    Precisamos sim de pessoas mais educadas, mais conscientes do significado da palavra trabalho, qualificação,deveres,comprometimento, ética, caráter, e não me refiro só a profissionais qualificados mas principalmente a mão de obra que é o ingrediente principal das MPs e que elas próprias são obrigadas a treiná-los e pagar a conta sozinhas por isso. Enquanto o governo e o SEBRAE vangloriam-se como se fossem eles os bem feitores pelo crescimento de empregos com registro em carteira.
    Só nós sabemos o que pagamos pelo lindo sonho dourado de abrir o próprio negócio. Quem sabe a Alemanha da uma mãozinha por aqui, uma assessoria de como tratar as MPs e as EPPs. Obrigada pela oportunidade.



    Karla de Abreu Lima disse:
    10 de março de 2014 às 18:01

    Ricardo, aprecio muito seus comentários e de tudo que falastes
    tenho para concluir que sim, há uma revolução silenciosa…
    Abs.



    Renato Bernardo disse:
    24 de março de 2014 às 23:26

    Rick Becker concordo com você. Outra questão é sobre a moda do RH estratégico, não que eu não acredite no potencial de transformação do setor, pelo contrário, acredito que um RH consolidado e atuante é essencial para se alcançar os objetivos estratégicos de uma empresa, porém o que podemos esperar deste setor se ele raramente possuí um plano de carreira funcional? Se não englobam as práticas de gestão que cascateiam? Por ser enxergado, ainda, como um prestador de serviços internos e diga-se de passagem muito mal remunerado (inicialmente ao menos)? Onde fica a retenção de talentos do RH estratégico?
    Este setor, na maioria das vezes é responsável pelo processo de atração/captação de talentos, outras empresas especializadas no processo recrutamento também o fazem da mesma forma que os anteriores: precariamente . Sobre estes processos eu me questiono sobre os seguintes itens: por que continuamos esperar que alguém do perfil que procuramos se cadastre em um portal de R&S? (diga-se de passagem geralmente é extremamente maçante). Os processos seletivos de Trainees, que parecem ser os mais moderninhos na realidade são os mesmos processos caretas de seleção (só que com uma plataforma web aqui e outra ali). Cadê as empresas mapeando potenciais talentos nas universidades? Criando valor para suas marcas para os futuros líderes que dirigirão suas cias? No nosso quadro atual até entendo a posição estratégica de uma empresa em contratar um gestor estrangeiro e não acredito que seja porque este teve mais educação que um brasileiro (ser brasileiro não é sinônimo de educação precária), mas acredito que isso implica que a empresa não necessitará se envolver muito com o desenvolvimento deste profissional, já que no país de origem, provavelmente, ele esteve sob a mira de empresas que de fato pensavam a longo prazo.
    A área de TI no Brasil sofre muito com este apagão e claro, todos amam direcionar a culpa para o governo e falta de educação, mas só um instante, anualmente milhares de jovens finalizam cursos de bacharelado/Tecnólogo e etc., porque será que não escolhem TI se a área é promissora, a remuneração é relativamente boa e o custo da formação não é elevado?
    Reclamar de falta de mão de obra é fácil mas colocar em prática a capacidade de influenciar a sociedade ao seu redor de forma positiva parece uma tarefa impossível para as empresas atualmente, até faço um apelo para as empresas que falam que possuem compromisso social só porque ajudam uma ou outra instituição carente: vocês podem fazer muito mais e no final o retorno será positivos para vocês mesmos. Bom, acho que devemos parar de reclamar e parar de encarar as coisas como se estivéssemos em um túnel quase sem fim, nosso país é jovem e cheio de talentos desperdiçados! É chegada a hora das empresas saírem desta bolha narcisística que se enfiaram e começarem a encontrar soluções lá fora, no mundo real, o qual não é o mesmo de 10 anos atrás, diferente das empresas que pouco mudaram.



    Lúcia Carvalho disse:
    21 de abril de 2014 às 17:12

    A desqualificação da mão de obra no Brasil é culpa dos próprios empresários, que querem empregados de ponta sem pagar nada por isso. Se essa mentalidade não mudar, estaremos em breve importando mão de obra de outros países. Oitenta por centro dos nossos comerciários, são analfabetos funcionais.



    Rodrigo disse:
    30 de maio de 2014 às 21:45

    O empresários buscam a mão de obra qualificada de jovens recem-formados pra pagarem um salário ridiculo, dando a desculpa que eles nao tem experiencia. Eles ganham cargo de gerencia depois de 2 anos em funções de base com aumento de 100 reais por mês. Quando chega a época de receber o dissidio, sao mandados embora e são substituidos por colegas com mais ou menos o mesmo tipo de experiencia. O governo deixou as faculdades de fundo de quintal prosperarem para aumentar o numero de diplomados e as emrpesas darem desculpa de que um diploma de UniXYZ nao vale nada; mas vai no escritorio da empresa e vc vai ver inumeros formados pela UniXYZ trabalhando la por salarios ridiculos.



    Gustavo Cerqueira disse:
    31 de maio de 2014 às 11:53

    Governos populistas e corrupto como o que temos não tem interesse em formar um povo educado e preparado pois pessoas esclarecidas sabem escolher melhor seus governantes.



    Alexandre Alves Gomes disse:
    15 de junho de 2014 às 18:00

    Olá Ricardo.
    O Aécio e seu pupilo Armínio, tem uma solução, simples e certeira: aumentar o desemprego. Dessa Forma, haverá uma melhor oferta de mão de obra e consequentemente uma seleção dos mais preparados. É o tal de exército de reserva de trabalhadores que Max falava. Ah, tem mais a tal de austeridade fiscal, que na verdade é arrocho em cima dos trabalhadores, juntamente com o aumento da taxa de desemprego, vai proporcionar custos mais baixos de mão de obra. Simples não. É assim que a cartilha neoliberal prega. Na época do FHC para a disputa de poucas vagas de garis no RJ, havia uma fila de milhares de trabalhadores. Olha, tem muita gente por aí que esqueceu o sofrimento do povo brasileiro e só pensa em números.



    Luiz Guedes disse:
    16 de junho de 2014 às 10:50

    Ricardo ,
    Trabalho numa empresa importadora de insumos cosméticos e farmacêuticos , um campo que sofreu pouca crise nesses últimos anos. Temos sérios problemas de repor vagas para vendedores consultivos , pois os candidatos sempre estão aquém das exigências ou os salários nunca condizem com as necessidades dos indivíduos.



    Carlos Eduardo Fermino disse:
    22 de julho de 2014 às 14:44

    As empresas de tecnologia que estão iniciando não podem pagar os altos salários para profissionais bem qualificados, tanto pelo alto salario quanto pelo alto imposto, neste caso, só se beneficiam com essa revolução silenciosa quem está consolidado no mercado, quem está começando só tem a perder!



    José Waisel disse:
    23 de março de 2015 às 12:39

    Monteiro Lobato já dizia que a máquina irá libertar o homem do esforço físico, ou seja do trabalho mecânico, elevando os homens a um trabalho mais intelectual, mais criativo, de maior valor para todos.



    Marco disse:
    27 de junho de 2016 às 12:30

    Somente com educação de qualidade conseguiremos melhorar e qualificar a nossa mão de obra.



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