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Negócio da China

postado em Artigos


06/2015

Por Ricardo Amorim

 

Negocio-da-China-2015-07

 

Mudanças ocorrem de várias formas. Adaptar-se a elas é essencial. Na economia, não é diferente. Considerando dados do Banco Mundial, neste milênio, países emergentes cresceram e contribuíram para o crescimento global quase três vezes mais do que países ricos. Chocante, não? Nunca antes na história deste planeta isso tinha acontecido. Por quê? Calma! Está tudo explicadinho aqui embaixo.

 

Graficos-Artigo-Negocio-da-China----DesenvolvidosxEmergentes-2016-01-

 

Talvez você não se lembre, afinal, já faz 15 anos que esta história começou. O Brasil ainda não era o país do surf, George W. Bush era o presidente dos Estados Unidos e o grande lançamento que gerava burburinho não era o iPhone, nem o iPad, mas o iPod, lançado só dois meses antes. No entanto, a entrada da China na Organização Mundial do Comércio, em dezembro de 2001, mudou a ordem econômica global e mudou-a a favor dos mercados emergentes.  O mundo virou de cabeça para baixo e nossa pátria e todo o resto do mundo emergente passaram a planar nos ventos que começaram a soprar lá do Oriente.
 
Separamos abaixo as consequências da entrada da China na OMC e seus impactos gerais:
 
Bom, mas e aí, o que tem muito na China? A pergunta não é difícil e nos ajuda a entender o cenário. Sim, isso mesmo, muito chinês! Para economistas, como eu, isto significa muitos braços para trabalhar e bocas para alimentar. Os chineses são muitos, são pobres e a saída de centenas de milhões deles do campo para a cidade nos últimos 10 anos fez com que aumentasse a demanda por alimento e por matérias-primas, como por exemplo, ferro, aço e cimento. O Brasil é um dos maiores exportadores mundiais de todos estes produtos.
 
Aumento da procura por Matérias-Primas
 
Nações e continentes exportadores de matérias-primas como o Brasil, a América Latina e a África passaram a vender mais caro o que fazem e exportam. O agronegócio brasileiro, por exemplo, que tinha um superávit comercial na faixa de dez bilhões de dólares nas duas décadas anteriores, alcançou, impulsionado pela entrada da China na OMC, um superávit comercial de noventa e três bilhões de dólares!
 
O mundo é inundado de produtos manufaturados
 
O estágio do processo de urbanização na China, com ainda 50% da população vivendo em áreas rurais, é o mesmo em que o Brasil estava no início nos anos 50. Os 400 milhões de chineses que saíram do campo para as áreas urbanas na última década, deixando para trás a agricultura de subsistência e expandindo a produção da indústria chinesa, adicionaram ao comércio mundial uma quantidade colossal de produtos manufaturados, barateados pelo baixo custo da mão de obra chinesa. Isto favoreceu países que importam estes produtos mais do que os exportam e hoje pagam muito menos por eles, como mais uma vez é o caso do Brasil, América Latina e África.
 
O mundo é inundado de dinheiro barato
 
Por quê? Como vimos antes, os chineses encheram o mundo de produtos baratos. Com isso, a inflação mundial caiu, o que permitiu que os juros caíssem também em todo o mundo. Para completar, a crise financeira global, juntamente com as dificuldades econômicas nos países ricos desde então, levou-os a reduzir ainda mais as taxas de juros, a ponto de a taxa média de juros básicos nos países desenvolvidos ser hoje de apenas 0,1% a.a. Vários destes países têm taxas de juros negativas. Isto mesmo, hoje, na Suíça, Dinamarca, Suécia, Alemanha, Finlândia, França, Bélgica, Holanda, Áustria e Japão, paga-se a quem tomar dinheiro emprestado para tentar incentivar empresas a investir e pessoas a consumirem para impulsionar a economia.
 
Esse movimento foi muito bom para países que precisavam atrair capital externo para financiar consumo e investimento. Ou seja, estamos falando de quem? De países emergentes. Olha o Brasil aí!
 
Nos últimos quinze anos, os fatores citados acima levaram à queda do crescimento médio dos países ricos. Na média, cresceram 1,7% aa, o que, na prática, é pouco mais do que a metade da taxa média de crescimento que eles tinham sustentado nos 30 anos anteriores. Já nos países emergentes, a taxa média de crescimento dobrou.
 
A sequência é simples, mais crédito, consumo e crescimento em países emergentes. Não é por acaso que o Brasil cresceu entre 2004 e 2010, muito mais do que em qualquer outro período após a redemocratização no final dos anos 80.

 

Graficos-Artigo-Negocio-da-China----Crescimento-Medio-Anual-2016-01-

 

Apesar de toda a discussão atual sobre crise na China, o país continua a ser a segunda grande economia que mais cresce no mundo, superado apenas pela Índia – que, aliás, lá pelo final desta década ou início da próxima, começará a causar uma nova rodada de impactos na economia global, similares aos causados pela China desde 2001 e que também deve durar cerca de duas décadas.

 

De qualquer forma, por conta da desaceleração recente da economia chinesa, o crescimento nos países emergentes e no mundo desacelerou-se um pouco, mas continuou a ser o mais rápido que qualquer outro período da história do planeta, com exceção do período entre 2002 e 2010. Já no Brasil, por razões particulares, as coisas mudaram bastante e não foram para melhor (e nem estamos falando do 7×1!). Para o Brasil voltar a aproveitar os fatores que impulsionaram nosso crescimento até 2010 e continuam a impulsionar o da grande maioria dos outros países emergentes e voltar a crescer como na década passada, basta colocarmos a casa em ordem, ajustando as contas públicas, controlando a inflação e tomando medidas que estimulem a competitividade e a produtividade no país, mas isso foi assunto de outro post.

 
Ricardo Amorim é apresentador do Manhattan Connection da Globonews, presidente da Ricam Consultoria, o brasileiro mais influente no LinkedIn, único brasileiro na lista dos melhores e mais importantes palestrantes mundiais do Speakers Corner e o economista mais influente do Brasil segundo a revista Forbes.
 
 





    Sueli campante disse:
    11 de julho de 2015 às 19:59

    Excelente! Artigo muito bom, esclarecedor e de fácil compreensão.



    Rosana Rocha disse:
    11 de julho de 2015 às 20:04

    Ricardo, andei lendo e ouvindo horrores sobre o brics evo comunismo como a nova ordem mundial.
    Vc pideria escrever algo sobre isso?
    Agradeço imensamente.
    Abraços, Rosana



    aldanita disse:
    11 de julho de 2015 às 22:27

    Gostei muito mas preciso de mais esclarecimentos. Aguardo proximo post. Obrigada



    Muito bom, clareza na elucidação disse:
    12 de julho de 2015 às 11:43

    De maneira clara e com dados precisos nos mostra os comos e os porquês dos acontecimentos



    Derik disse:
    20 de julho de 2015 às 16:06

    Demorou um pouco pra entrar na crise de 2009, e está demorando mais ainda pra sair. Era melhor tomar de 10×0 da alemanha 🙁



    Danilo disse:
    22 de julho de 2015 às 23:28

    A China invadiu o mercado brasileiro não só com manufaturados, também com muitos conjuntos e produtos industriais, o custo Brasil e a concorrência com os chineses estão acabando com toda a indústria de base brasileira



    31 de julho de 2015 às 9:06

    Além da mão de obra barata que para mim não é uma conquista, ainda é valido obter mercadorias da china para revenda, existem muitos produtos otimos de lá de qualidade.



    Fábio disse:
    30 de agosto de 2015 às 15:10

    A questão não é a qualidade dos produtos e nem o preço baixo quando se compra da China. O pior é financiar o comunismo totlitário deles.

    Meu avô sempre diz: se é ruim com os EUA comandando o mundo, imagina se fosse a China!



    Amir disse:
    30 de agosto de 2015 às 15:17

    Enquanto a China importa produtos brutos brasileiros (Ex: petróleo), o Brasil importa manufaturados que geram empregos lá.

    De fato somos um país atrasado…



    10 de setembro de 2015 às 17:31

    Artigo bem interessante, estava conversando com um grande amigo meu sobre tudo isso. Sou seu fã e grande admirador de seu trabalho.



    Gilmar Ferraz disse:
    27 de setembro de 2015 às 7:25

    Não consigo parar de ler seus artigos Ricardo, virei seu fã e estou lendo sem parar. Parabéns!



    Eduardo Castanho Fº disse:
    11 de outubro de 2015 às 20:57

    prezado,
    resolvendo as três coisas que vc. colocou ninguém tem dúvidas de que o país engrena. como fazê-las?



    Lígia Marina de Brito disse:
    12 de outubro de 2015 às 14:05

    Artigo que nos dá uma injeção de ânimo.O país precisa disso! Nós precisamos de outros olhares!



    Alex Antunes disse:
    24 de dezembro de 2015 às 18:32

    De maneira clara e com dados precisos nos mostra como e os porquês dos acontecimentos. Parabéns



    7 de fevereiro de 2016 às 10:47

    O cenário do mercado chinês vem mudando não está conseguindo mais o crescimento de outros tempos e infelizmente que deverá pagar o pato é o Brasil dependente de exportações para o mercado chinês



    João Silva disse:
    2 de abril de 2016 às 21:07

    Parabéns pelo artigo, Ricardo. Muito esclarecedor!



    Jessica Lara disse:
    16 de abril de 2016 às 14:41

    eu sempre gostei de trabalhar com produtos da china e ate mesmo comprar pelo uso pessoal,ultimamente a receita federal esta pegando pesado nos impostos.



    26 de agosto de 2016 às 14:31

    importar da china pela internet ou por redirecionamento tem dado problema muitos impostos



    Valmira disse:
    12 de fevereiro de 2017 às 11:45

    Excelentes dicas!



    Maria disse:
    12 de fevereiro de 2017 às 11:46

    Gostei muito do artigo. Muito bom!



    Ana Luiza disse:
    12 de fevereiro de 2017 às 11:48

    Muito esclarecedor o seu artigo. Obrigada por compartilhar.



    Vall Santos disse:
    12 de fevereiro de 2017 às 11:49

    Parabéns pelo artigo. Informações muito relevantes!



    Ana Maria disse:
    12 de fevereiro de 2017 às 11:51

    Excelentes informações!



    21 de fevereiro de 2017 às 10:53

    Mesmo que seja mão de obra barata pelo menos estão gerando empregos lá na China, e aqui no Brasil que os empregos estão desaparecendo e ainda importamos os produtos de lá, assim fica difícil, pois os produtos daqui são caríssimos por causa dos impostos.



    21 de fevereiro de 2017 às 10:57

    Lá aumentam os empregos devido a mão de obra barata, já aqui além dos impostos altíssimos o ainda importamos os produtos diminuindo os postos de trabalho formais. Onde vamos chegar?



    César disse:
    18 de março de 2017 às 16:32

    A china é uma grande potência e se destaca bastante na importação de produtos.



    3 de abril de 2017 às 15:47

    Excelente artigo. A China passou os EUA como potência econômica, mesmo adotando ainda um regime fechado (comunista).



    Importador disse:
    18 de abril de 2017 às 21:33

    A china é sem dúvidas uma grande potência econômica, principalmente na importação de produtos.



    Importador disse:
    18 de abril de 2017 às 21:35

    Excelente artigo! Considero a China uma grande potência! A importação de produtos e fabricação de produtos eletrônicos são seus principais ativos.



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