Feeds Ricardo Amorim Facebook Ricardo Amorim Twitter Ricardo Amorim Linkedin Ricardo Amorim Youtube Ricardo Amorim

O irresistível charme dos populistas

postado em Artigos


02/2017

Por Ricardo Amorim

 

 

As pessoas resistem a tudo, menos à promessa de uma vida melhor sem nenhum sacrifício. Populistas prosperam abusando da incapacidade da maioria – mesmo a maioria inteligente e bem preparada – de distinguir alguém capaz de expressar muito bem nossas raivas e frustrações de alguém que tenha a solução para elas.

 

Carismáticos, eles costumam estimular o culto a suas figuras messiânicas. Salvadores da pátria, eles vêm para resgatar cidadãos pobres, desprotegidos e  incapazes de construir seus próprios destinos das “forças opressoras” de lideranças políticas anteriores. Um bom teste para reconhecer um populista é verificar se surgiu algum movimento batizado em sua homenagem. Do Getulismo ao Peronismo, passando pelo Macartismo o teste continuou funcionando com o Kirchnerismo, o Chavismo ou o Lulismo e, mais recentemente, com o Trumpismo.

 

Populistas não se importam com ideologias políticas. Eles as manipulam em benefício próprio. O que os distingue de outros políticos e os une são tanto a capacidade de diagnosticar com precisão ímpar a dor de muitos, quanto a de prescrever tratamentos indolores, gratuitos e às vezes até agradáveis, mas tão eficazes quanto um tiro na testa.

 

O coquetel que salvaria o país e sua população oprimida é sempre o mesmo.

 

Comece sobretaxando produtos estrangeiros e/ou impedindo a entrada de imigrantes para “proteger os interesses nacionais e os empregos de seus cidadãos”.

 

Em seguida, aumente substancialmente os gastos do governo com políticas sociais, funcionalismo e/ou gastos infraestrutura. A população sentirá inicialmente que sua vida melhorou, apoiando o líder de plantão. Para garantir ainda mais apoio político e crescimento econômico, distribua isenções fiscais e cortes de impostos.

 

Para terminar, demonize minorias  que não o apoiem. Eles são os culpados pelas dores da população. Pior, não querem que a situação melhore para os demais. São eles que impedem o “progresso” que você, líder iluminado, quer trazer. Escolha seus demônios favoritos entre “as elites”, chineses, mexicanos, muçulmanos, judeus, homossexuais, negros, asiáticos, latinos….

 

Pronto. Pegue seu crachá do Clube dos Populistas e curta os anos iniciais de euforia com sua poção mágica. Inicialmente, os estímulos econômicos aceleram o crescimento e as políticas redistributivas aumentam ainda mais o bem estar de muitos, gerando confiança de que o país está no caminho certo, o que impulsiona ainda mais a economia.

 

Alguns anos depois – ou vários anos depois se as condições externas ajudarem – a conta inexoravelmente chega.

 

Sobretaxar produtos estrangeiros e proibir a entrada de imigrantes aumenta o preço dos produtos e os salários, alimentando a inflação. Isto causa elevações dos juros e redução do crédito, forçando consumo e investimentos a recuarem e piorando os resultados das empresas, o que as leva a demitir funcionários. O aumento do desemprego reduz ainda mais a capacidade de consumo da população, piorando o resultado das empresas e causando ainda mais desemprego, em um círculo vicioso.

 

Em paralelo, o aumento dos gastos públicos e a queda da arrecadação de impostos devido às isenções fiscais e agravada pelo enfraquecimento da atividade econômica provocam um aumento descontrolado do déficit das contas públicas. Isto mina a confiança de investidores e poupadores na capacidade do governo de honrar seus compromissos financeiros, causando fuga de capitais e uma crise financeira, aprofundando a recessão.

 

Para completar, neste momento, costumam vir à tona escândalos de corrupção causados pela relação distorcida entre o governo e o setor privado, à medida que o governo e seus governantes cada vez mais inserem seus tentáculos na economia diretamente ou indiretamente através de redefinições de regulamentações e políticas públicas.

 

Qualquer semelhança com o legado da “Nova Matriz Econômica” Dilmista não é mera coincidência…nem com o que está começando a ser construído pelo “Make America Great Again” de Donald Trump.

 

O tempo deixou claro que Lula e Dilma prestaram um desserviço ao Brasil e à própria esquerda que os apoiou. Ele fará a mesma coisa com relação a Trump, os Estados Unidos e as parcelas da direita que hoje o apoiam.

 

Aliás, após o fracasso  retumbante do Lulismo, Chavismo, Kirchnerismo, se a esquerda mundial pudesse pensar em um plano perfeito para desmoralizar também a direita seria difícil pensar em um melhor do que eleger Donald Trump presidente americano.

 

Ele adota as mesmas políticas equivocadas da esquerda populista (protecionismo, desequilíbrio das contas públicas, capitalismo de compadrio), mas se você apontar que o rei está nu será acusado de esquerdista. Daí, os estímulos econômicos excessivos geram alguns anos de crescimento econômico acelerado e euforia, atraindo ainda mais apoio dos incautos, como nos anos Lula. Quando os desequilíbrios econômicos  inevitavelmente vierem à tona e causarem uma grave crise econômica, milhões de desempregados e uma enorme desilusão, a esquerda vai poder dizer que as propostas da “direita” não funcionam. Brilhante!

 
Ricardo Amorimautor do bestseller Depois da Tempestade, apresentador do Manhattan Connection da Globonews, o economista mais influente do Brasil segundo a revista Forbes, o brasileiro mais influente no LinkedIn, único brasileiro entre os melhores palestrantes mundiais do Speakers Corner e ganhador do prêmio Os + Admirados da Imprensa de Economia, Negócios e Finanças de 2016.

 

Quer receber meus artigos por e-mail? Cadastre-se aqui.

 

Clique aqui e conheça as minhas palestras.

 

Siga-me no: Facebook, LinkedIn, TwitterYouTube, Instagram e Medium.

 

 





    Romulo Castello disse:
    5 de fevereiro de 2017 às 21:24

    Ricardo, você quis dizer que a Hillary tinha a solução pras raivas e frustrações dos americanos e Trump é o apenas capaz de expressá-las? Por que então ela não as solucionou nos oito anos do governo do seu partido, do qual ela participou? Brincadeira né…



    Rafael disse:
    8 de fevereiro de 2017 às 10:37

    Concordo que às vezes existe muita emoção e falta de racionalidade nos programas populistas.



    Juan José Verdesio disse:
    8 de fevereiro de 2017 às 15:18

    Rómulo Castello: ele não diz isso. Todo mundo sabe que Hillary era uma candidata muito ruim. Eu aposto no bom senso e que ele caia por impeachment quando perca totalmente o apoio do Congresso. Afinal, mesmo muito imperfeita os EUA ainda tem uma democracia.



    Marinho disse:
    9 de fevereiro de 2017 às 19:10

    Não tinha visto a eleição de Trump desde essa perspectiva. Porém tem muito sentido a semelhança entre os governos populistas aqui do sul com o que ele pretende impor la no norte. Uma coisa a ser dia também é que ele tem intenções populistas porém cabe ao senado de lá decidir se tais políticas vão ou não à frente. Como disse o amigo acima, eles ainda tem uma democracia.



    Pedro disse:
    12 de fevereiro de 2017 às 13:47

    A máscara desses polulistas sempre cai, o pior é que a população nunca aprende e mesmo vendo os erros deles continuam a idolatra-los.



    20 de fevereiro de 2017 às 11:33

    E eles vem nos enganando há muito tempo, mas graças a tecnologia agora ficou “mais fácil” a farsa aparecer. Quem sabe o povo acorda!



    Jõao Carlos disse:
    21 de fevereiro de 2017 às 17:27

    Pior é que a população nunca aprende! sempre ferrados e felizes!



    Pietra disse:
    19 de abril de 2017 às 11:09

    Não tem jeito não, o povo nunca irá aprender, vemos isso acontecer todos os dias. Olha o que está acontecendo recentemente, e que está escancarado para todos nós sabermos (e isso é bom, pois temos mais informações do que está se passando “nos bastidores”), mas ainda vejo pessoas defendendo alguns políticos e dizendo que se esta pessoa se recandidatar a um cargo alto, talvez até ganhe, e se depender dela este político já ganhou….
    Falar o quê né!



    Osmar disse:
    4 de maio de 2017 às 14:07

    Será que o Bolsonaro se encaixa nesta lista? Parece que falta educação para a população mundial.



    Amanda Flores disse:
    15 de maio de 2017 às 1:22

    Esse negocio de vida fácil sem sacrifício não existe. As pessoas sempre querem o caminho mais facil, por isso que o Brasil esta como está.



Deixe seu comentário

Acompanhe Ricardo Amorim na mídia
Istoe

Artigos do Ricardo Amorim
/ LEIA

Manhattan Connection

Desde 2003, Ricardo é apresentador do Manhattan Connection, atualmente no canal Globo News
/ VEJA

Radio Eldorado

A economia pode ser um agente poderoso de transformação
/ CURTA


Opinião de Ricardo Amorim - Economista Independente