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E agora, Obama?

postado em Artigos


Revista Istoé

11/2012

Por Ricardo Amorim

 

Para alegria geral da maioria dos brasileiros, latino-americanos, europeus, chineses, árabes e, desconfio, até marcianos, o presidente Barack Obama se reelegeu.

 

A vitória não foi consequência do sucesso econômico da primeira gestão de Obama – que, aliás, não aconteceu – mas das muitas gafes de seu adversário e, na última hora, da chegada do furacão Sandy à costa leste americana. Obama não derrotou Romney no campo político, mas no carisma pessoal.

 

Em sua primeira campanha eleitoral, Obama vendeu esperança: “Yes, we can”. Agora foi bem mais sóbrio, dizendo que ninguém poderia resolver em apenas quatro anos todos os problemas econômicos que herdou do governo Bush. Verdade, mas exatamente o contrário do que ele mesmo dizia em 2008.

 

São mais quatro anos para ele tentar, mas o desafio continua hercúleo. Esperemos que Obama tenha aproveitado bem a noite de núpcias da reeleição, porque a lua de mel já foi cancelada. No dia após à eleição, tivemos as maiores quedas das Bolsas de Valores americanas neste ano. Investidores estão preocupados com as dificuldades que ele enfrentará para desarmar o que nos EUA apelidou-se de abismo fiscal e para elevar outra vez o teto da dívida pública americana.

 

Na última vez que os congressistas americanos aprovaram o aumento do limite da dívida, permitindo que o governo se endividasse ainda mais, eles também programaram uma série de ajustes fiscais para evitar que as contas públicas ficassem descontroladas, levando os EUA a uma crise similar à vivida pela Europa. Estes ajustes entram em efeito a partir de 1º de janeiro. Para acomodar demandas de Democratas, várias isenções de impostos criadas pelo Presidente Bush deixarão de existir. Para satisfazer os Republicanos, vários programas do governo vão passar por cortes significativos.

 

Somando aumentos de impostos e cortes de gastos públicos, mais de US$ 600 bilhões serão retirados dos bolsos dos consumidores americanos, praticamente garantindo uma recessão em 2013, se efetivamente implementados.

 

Obama tem até o final de 2012 para desarmar esta bomba-relógio e elevar novamente o teto da dívida pública americana. No início deste ano, o governo foi autorizado a expandir sua dívida em US$ 2,1 trilhões, podendo chegar até US$ 16,4 trilhões. Até o fim do ano, o novo teto deve ser atingido, exigindo nova elevação.

 

A negociação será difícil. O partido de Obama, os Democratas, tem maioria no Senado, mas é minoria na Câmara dos Deputados. Sem o apoio de mais de uma dezena de deputados Republicanos, Obama não conseguirá nem desarmar o abismo fiscal, nem elevar novamente o teto da dívida.

 

O problema é que os Republicanos opõem-se radicalmente a qualquer aumento de impostos, fundamental para os ajustes necessários. O mais provável é que, no último minuto, Republicanos e Democratas se entendam e um acordo seja alcançado, mas tal acordo está longe de ser uma certeza. Mesmo que acabe acontecendo, antes disso o mundo deve viver semanas de grandes preocupações e incertezas quanto ao futuro da economia americana. Como se já não bastassem a crise europeia, a desaceleração da economia chinesa e um eventual conflito bélico com o Irã…

 

Boa sorte, Obama. O mundo vai precisar.

 

Ricardo Amorim

 

Economista, consultor, apresentador do programa Manhattan Connection da Globonews, colunista da revista IstoÉ e presidente da Ricam Consultoria. Realiza palestras em todo mundo sobre perspectivas econômicas e oportunidades em diversos setores Único brasileiro na lista dos melhores e mais importantes palestrantes mundiais do site inglês Speakers Corner e economista mais influente do Brasil e um dos dez mais influentes do mundo segundo o site americano Klout.com.

 





    Giancarlo disse:
    19 de novembro de 2012 às 17:22

    Ricardo,

    “O problema é que os Republicanos opõem-se radicalmente a qualquer aumento de impostos, fundamental para os ajustes necessários.”



    P Costa disse:
    22 de novembro de 2012 às 7:30

    Excelente análise, como de costume. Permito-me acrescentar que um acordo entre os partidos que evite a queda iminente no abismo não vai significar que não haverá “queda no abismo”. Uma coisa é assinar acordos, outra coisa é EXECUTÁ-LOS! O melhor que poderia ter acontecido a Obama seria ter perdido as eleições.



    Natil Bado disse:
    22 de novembro de 2012 às 8:07

    Ricardo Amorim,
    Parabéns pelo belo posicionamento dos fatos, que sirva de exemplo para nós brasileiros.



    22 de novembro de 2012 às 8:57

    Ricardo,

    Como sempre mais uma vez seus comentários são corretos e como dizemos “vamos cruzar os dedos” para que a economia brasileira seja a menos afetada principalmente em função da nossa dependência com os USA aliado ao protecionismo já conhecido. Como sugestão acho importante numa próxima oportunidade na sua coluna fazer uma análise sobre “pros e Cons” em relação ao Brasil.

    Abraço – Parabéns – Márcio



    Nestor Hopf disse:
    22 de novembro de 2012 às 8:59

    Ricardo, mais uma vez muitíssimo oportuno e realista seus comentários. Congratulações!
    Sobre a reeleição presidencial, desconfio que para os norte americanos republicanos o Obama deverá ser tão difícil de engolir quanto o Lula foi para a aristocracia brasileira, pois, afinal de contas, ele agora é que é “O Cara”!



    Marcio Andrade disse:
    22 de novembro de 2012 às 9:15

    Qual a melhor estratégia a ser adotada por Obama para elevar o teto da dívida? Aceitar as condições dos Republicanos como no governo passado e se tornar refém novamente ou expor os republicanos como responsaveis pela manutenção da crise econômica ou outro tipo de estratégia? Os Republicanos vão trucar será que Obama recua ou chama seis? Seu posicionamente ditará oque acontecerá com o mundo!



    Ricardo Foster disse:
    22 de novembro de 2012 às 9:19

    O que dizer da zona do Euro, então?
    Uma única moeda, com diferentes situações fiscais e monetárias, diferentes autoridades tomando decisões diferentes?????



    Daniel disse:
    22 de novembro de 2012 às 11:02

    O que ocorre é que já tem muito grande empresário mudando a sede da empresa dos EUA. Para países com impostos menores como Singapura. Se Obama aumentar ainda mais, haverá uma grande fuga de capital do país.



    luiz oliveira disse:
    23 de novembro de 2012 às 15:58

    Ricardo,
    Infelizmente a campanha republica nao conseguiu penetrar no publico que decidiu a eleicao. Na realidade o Obama teve 10 milhoes de voto amenos comnparado com 2008. A America tem um infrastura economica muito grande mas o crescimento do PIB foi muit pouco. Como disseste a America pode esta bem perto de torna-se na Europa com um outra recessao que nao sera bom para o mundo de negocios.



    Paulo Sérgio Jouclas disse:
    23 de novembro de 2012 às 19:15

    Boa análise Ricardo. Levemente critica à Obama, como se este tivesse que ter feito em 4 anos, um super milagre para desarmar todas as bombas violentas que Bush filho armou para os USA.
    Vamos esquecer a batalha inglória do “Medicare”, o salvar a quebradeira de bancos e empresas com os colossais empréstimos do governo (reparou na recuperação da GM?, ter retirado o País di desastre do Iraque, catapultado Bin Laden. Daria para ser melhor? Daria. Mas quem estaria à altura do desafio?
    A curiosidade me pede para solicitar a você que faça um simulado dos USA nos próximos 4 anos com Mitt Romney na presidência.
    Veja, o mundo está repleto de bombas para explodir e Obama provavelamente até aceitará ajuda de republicanos, atualmente, para conseguir governabilidade e poderá ir a um Tea Party, mesmo correndo o risco de ser envenenado. Irã não é tudo. E a posição de Israel no conflito da Faixa de Gaza? E seus Secretários de Estado agora? Uff não entendo mesmo por que Obama topou se candidatar.



    Thaïs Sá P. Oliveira disse:
    25 de novembro de 2012 às 11:34

    Sempre que leio suas análises me sinto mais segura em relação ao que se pode esperar tanto do ponto de vista econômico, quanto político.



    Antonio Junior disse:
    2 de dezembro de 2012 às 17:35

    Parabéns, me acostumei a ler e respeitar muito as informações que você passa, pois além de tudo são muito claras.



    Guga Bianco disse:
    9 de dezembro de 2012 às 18:47

    Se podemos ajudar?
    Lógico que sim.



    30 de abril de 2017 às 13:12

    Vamos ver agora na gestão do Donald Trump.



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