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República de bananas ou de inovadores?

postado em Artigos


Revista IstoÉ

01/2014

Por Ricardo Amorim

 

O termo República de Bananas nasceu para menosprezar países da América Central dependentes deste produto e, como consequência, facilmente manipuláveis política e economicamente. Bananas e outras commodities são produtos ou serviços com pouco ou nenhum diferencial, e que por isso podem ser substituídos pelo produto ou serviço oferecido pelo vizinho com facilidade. Cada vez mais, profissionais também têm virado commodities.

 

A aceleração e a rápida disseminação dos avanços tecnológicos têm colaborado para uma commoditização generalizada. No passado, uma empresa que lançava um novo produto desfrutava de uma vantagem competitiva significativa em relação aos concorrentes por mais tempo. Hoje, na maioria das vezes, concorrentes conseguem lançar produtos similares ou melhores em prazos cada vez mais curtos. Um exemplo é a indústria de celulares. Em poucos anos surgiram novos líderes, e líderes pioneiros sumiram ou encolheram substancialmente.

 

Para evitar a commoditização de seus produtos, as empresas tentam, com níveis de sucesso variáveis, diferenciar produtos muito parecidos, usando detalhes técnicos, cores e formas distintas.

 

A menina dos olhos dos pregadores da inovação é provavelmente a Apple. Com produtos de uso fácil e design arrojado, a Apple transformou aparelhos eletroeletrônicos em objetos de desejo e status. Ainda assim, a própria Apple tem sentido cada vez mais a mordida da concorrência, que não só copia suas inovações, mas acrescenta outras.

 

Inovar sempre é preciso; hoje, ainda mais. De 2004 a 2010, a economia brasileira expandiu-se a um ritmo médio de 5% a.a. incorporando mão de obra ao mercado de trabalho e usando mais a infraestrutura existente. De lá para cá, estes fatores produtivos se esgotaram e nosso ritmo médio de crescimento desceu para 2% a.a. Para crescer de forma acelerada já não basta colocar mais gente para trabalhar. O desafio agora é produzir mais sem mais gente. Em resumo, não só está cada vez mais difícil manter diferenciais em relação à concorrência, mas sem estes diferenciais, as empresas instaladas no Brasil estão condenadas a crescer menos.

 

A solução é inovar. Pode ser na forma de atender o cliente. Seja um produto ou um serviço, toda empresa oferece uma solução para uma necessidade de seu cliente. Como melhor suprir esta necessidade? Mude a forma de encarar seu próprio negócio. Por exemplo, em 1987 a Brasilata, uma empresa de embalagens, implantou um programa pedindo sugestões de melhorias a todos os seus funcionários, que passaram a ser vistos como “inventores”. Em 2008, cada inventor propôs, em média, 145 melhorias.

 

Está pensando que esse papo de inovar vale só para as empresas, não para você? Pense mais um pouco. A alta dos salários nos últimos anos levará as empresas a substituir funcionários por máquinas, agora mais baratas, o que somado a um crescimento econômico mais lento deve elevar a taxa de desemprego.

 

Qual o seu diferencial? O que você faz melhor do que os outros? O que o torna único aos olhos de quem o contrata? Por exemplo, segundo meus clientes, no meu caso é a capacidade de transformar conceitos econômicos complexos e que parecem distantes do dia a dia das empresas em algo simples e que as ajuda a desenvolver estratégias que as tornam melhores do que seus concorrentes. Descobriu o seu? Não? Então, pesquise, prepare-se, estude, vá à luta e arranje um bom diferencial. Você não quer virar banana, quer?

 

Ricardo Amorim

 

Apresentador do Manhattan Connection da Globonews, colunista da revista IstoÉ, presidente da Ricam Consultoria, único brasileiro entre os melhores e mais importantes palestrantes mundiais segundo o Speakers Corner e economista mais influente do Brasil segundo o Klout.com

 
 





    Julio Lima disse:
    17 de janeiro de 2014 às 13:17

    Inovar requer uma mudança não apenas na forma de pensar, mas principalmente na maneira e técnica de interpretar, coisas, pessoas e situações…os três pilares mais dinâmicos e mutáveis que existem.



    Reinaldo de Oliveira disse:
    18 de janeiro de 2014 às 8:19

    Um dos nossos grandes problemas esta na educação, nossas escolas formam pessoas para um mundo de 30 a 40 anos atras.



    Tatoilhabela disse:
    18 de janeiro de 2014 às 10:38

    Como sempre, muito claro e objetivo. O seu diferencial é o que me faz lê-lo.



    Carlos Kadosh Benaim disse:
    18 de janeiro de 2014 às 12:29

    Grande Ricardo!Que bom ter um brasileiro como vc.Eu estava um pouco perdido com um pequeno negócio que iniciei há 18 anos.Estou bastante preocupado com a concorrência,é claro, e com seu artigo me levantou os ánimos.VC me dei uma boa ideia.
    Muito Obrigado,Garoto!!!!



    Jocedilma disse:
    18 de janeiro de 2014 às 13:40

    Acredito, mas ainda existem tipos de trabalho que não poderá ser substituido por máquinas. O problema é que o desemprego aumentará, o que não poderia acontecer.



    Helcio Pacheco disse:
    18 de janeiro de 2014 às 13:42

    Ricardo, vamos inovar no nosso negocio.



    rafinha disse:
    18 de janeiro de 2014 às 20:57

    maravilhoso este post



    Fernando Leal disse:
    19 de janeiro de 2014 às 17:57

    Dos muitos problemas em serviços públicos, um é raramente comentado, a commodite funcionario público. Questão para debates críticos de especialistas.



    Natil Bado disse:
    20 de janeiro de 2014 às 8:00

    O artigo é muito bom,mais o brasil esta muito atrasado,não tem cultura de ser inovador,não investe em eduçação,não investe em novas tecnologias.
    Precisamos avançar muito,alem disso não se faz as reformas necessárias,para dar fôlgo a industria e comercio.

    Mai vamos ter fé.
    Natil Bado.



    Gui Bamberg disse:
    20 de janeiro de 2014 às 11:37

    Excelente é óbvio, como todos os seus artigos, Ricardo. Mas, veio num momento muito oportuno e é ai que Você também faz a diferença. Abs e obrigado.



    20 de janeiro de 2014 às 17:33

    Caro Ricardo, parabéns mais uma vez pela abordagem. Quando as empresas montam seus modelos de competências e biscam que todos os seus lideres sigam os mesmos moldes ao invés de promover o melhor aproveitamento de cada um, ou seja, o seu diferencial, buscam levá-los a “normalidade” e isto não promove o destaque e diferenciação.

    Um abraço

    Hugo Nisembaum



    Luiz Oliveira disse:
    23 de janeiro de 2014 às 15:16

    obrigado pelo seu artigo Ricardo!caiu como uma bomba na minha vida! antes de transformar o mundo, transfome a si mesmo! Voce e essencial Ricardo Amorim! um dia, num governo decente e bem intencionado, voce sera nosso Ministro da Fazenda, ou quem sabe, nosso Presidente da Republica!



    26 de janeiro de 2014 às 10:48

    Perfeito comentário. Constato, porém, que nosso país tem lacunas a preencher, num nível mais baixo da economia, que talvez não exija os mesmos conceitos da economia globalizada. Precisamos de pessoas preparadas como vc., que olhem um pouco mais para a base dos empreendedores, com linguagem adequada e eficaz.



    26 de fevereiro de 2014 às 14:40

    Ricardo, é redundante parabenizá-lo por mais este artigo. Mas é necessário fazê-lo! Parabéns!

    Em seu artigo você toca num ponto interessante da Inovação. Que inovar é buscar alternativas para a melhora da acareação com a concorrência e sua diferenciação para com o mercado objetivado.

    E para chegarmos no ponto do raciocínio inovador, se faz necessário termos – no tocante ao país todo – uma cultura de educação de excelência. O quê em nosso Brasil não existe. Nosso sistema de educação foi “abandonado” há 30 ou 40 anos atrás. Sem mestres devidamente qualificados e escolas com infraestrutura adequada, não conseguiremos ter essa cultura de inovação enraizada tanto nos operadores de máquinas e serviços, como nos gestores de companhias. Ainda vemos pelo Brasil afora, empresas trabalhando como os nossos avós. Assim, continuaremos atrasados.



    Rodrigo disse:
    6 de março de 2014 às 16:58

    Muito pertinente o artigo. Eu avalio que no Brasil não é apenas a cultura de inovar que é necessária, mas a de estar aberto a comprar inovação também!
    Enfrentamos isso em nossa empresa, quando propomos inovações aos nossos clientes, eles adoram, mas não querem pagar mais por isso. Temos o custo gerar inovação, mas a remuneração disso não está à altura. Em síntese, o mercado quer é comprar bananas mesmo!!



    Maria Célia Navarro Exel disse:
    28 de julho de 2014 às 15:57

    Idéias perfeitas. Fantástico! Dureza é tirar esse partido do poder.



    28 de julho de 2014 às 16:31

    Essas inovações citadas no artigo são em sua maioria incrementais, assim como o próprio termo indica, são compostas de pequenas melhorias e adições; estas inovações são sim absorvidas e potencializadas rapidamente pela concorrência devido ao pequeno porte e relativa simplicidade.
    Já as inovações radicais, apoiadas em pesquisas mai profundas e propriedade intelectual registrada, são mais duradouras e lucrativas; mas quem no Brasil está interessado em inovação radical, inovação real?
    A maioria ou não alcança o potencial de uma eventual inovação ou se sentindo ameaçado pela mesma, impede o seu desenvolvimento.
    Se tiver alguém aí realmente interessado, pode pesquisar no meu blog que tem várias relacionadas com transporte; grande montadoras internacionais apresentaram praticamente os mesmos conceitos que eu coloquei no meu blog poucos meses depois, eu não acredito em coincidências e vocês? Além disso estou a disposição para novos desafios! Abs



    30 de julho de 2014 às 0:07

    De fato, a análise é muito pertinente!



    24 de abril de 2015 às 11:06

    […] não por universidades de ponta. Assim, o país conquistou a liderança global em tecnologia e inovação. O planejamento e implementação que culminaram com a conquista da Copa levaram mais de uma […]



    10 de junho de 2015 às 8:54

    Acho que a maioria de nós somos todos manipulados pela máquina da mídia e que nem sempre somos ouvidos ou opinamos sobre alguma coisa, então, não há o que dizer sobre nada.



    Marcos GF disse:
    26 de setembro de 2016 às 14:02

    Ricardo. vejo o momento muito oportuno e é ai que Você também faz a diferença….Um dos nossos grandes problemas esta na educação, nossas escolas formam pessoas para um mundo de 30 a 40 anos atras.. .Abs e obrigado



    5 de novembro de 2016 às 17:26

    A manipulação e a falta de educação de qualidade são os nossos principais problemas.

    Sorte de quem tem cultura e busca conhecimento e aprende a se desvencilhar disso tudo.

    Ótimo artigo Ricardo!



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