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Novo patamar do dólar. Será?

postado em Artigos


Revista IstoÉ

08/2013

Por Ricardo Amorim

 

Economistas, empresários e a mídia tem encarado os níveis atuais da taxa de câmbio como um “novo patamar”, segundo palavras até do ministro Mantega.

 

Desde que o regime de taxa de câmbio flutuante foi adotado em 1.999, são raros os períodos em que o dólar oscilou apenas dentro de bandas, sem tendência de alta ou baixa. Nestes quase 15 anos, isto ocorreu apenas duas vezes. Primeiro de maio de 2003 a abril de 2004, com o dólar entre R$ 2,80 e R$ 3,00; depois de maio a dezembro de 2012, com o câmbio entre R$ 2,00 e R$ 2,15. No total foram 20 meses, apenas 11% do período. Ciclos em que o dólar no Brasil subiu ou caiu foram oito vezes mais comuns.

 

Desde agosto de 2011, o real tem se desvalorizado. Este movimento se aprofundou a partir de março deste ano. Dois fatores externos causaram a desvalorização, intensificados por alguns fatores internos.

 

A desaceleração econômica na China reduziu a procura e o preço das matérias primas que exportamos, diminuindo a oferta de divisas no país.

 

Recentemente, o banco central americano, o FED, sinalizou que, com a economia americana em recuperação, vai interromper a injeção de enormes volumes de dólares, o que elevou a taxa de juros nos Estados Unidos, atraindo investimentos e fortalecendo o dólar.

 

A estes fatores externos somaram-se, em um primeiro momento, atuações do nosso Banco Central para enfraquecer o real. A seguir, vieram preocupações com o rumo da economia brasileira, com alta da inflação, crescimento decepcionante do PIB, medidas do governo para reduzir a rentabilidade de investimentos e manifestações nas ruas, criando incertezas políticas e econômicas.

 

Com tantas pressões, é bastante natural que o real tenha perdido valor. Enquanto a maior parte delas persistir, a tendência de desvalorização continuará.

 

O governo brasileiro adotou várias medidas para tentar reverter este quadro. A mais recente foi a promessa de venda de US$ 60 bilhões em derivativos cambiais nos próximos meses. Isto elevará a oferta de dólares no mercado brasileiro, mas isoladamente não será suficiente para estabilizar o real nos patamares atuais por períodos longos.

 

Em algum momento nos próximos meses, uma inversão de tendência da taxa de câmbio, com o real se valorizando, deve ocorrer porque os fatores externos que levaram à desvalorização do real estão mudando ou mudarão em breve. A queda do real e demais moedas dos emergentes foi consequência de surpresas positivas com o crescimento nos países ricos e negativas nos países em desenvolvimento nos últimos trimestres. Este desequilíbrio irá se corrigir de uma forma ou de outra.

 

A possibilidade otimista é que o crescimento dos países ricos estimulará as exportações e a recuperação dos emergentes, melhorando suas balanças comerciais e sua capacidade de atrair investimentos e fortalecendo suas moedas, incluído aí o real.

 

Pode, porém, ocorrer exatamente o inverso. O baixo crescimento e as moedas desvalorizadas dos emergentes reduziriam suas importações, abortando recuperações ainda incipientes nos EUA, Europa e Japão. O FED seria forçado a voltar a estimular a economia americana, expandindo a oferta de dólares no mundo, levando a cotação do dólar a cair.

 

Não planeje suas viagens, importações e exportações para os próximos anos, baseando-se nos atuais patamares do dólar. Quem fez isso no final de 2002 ou de 2008, quando o dólar chegou a atingir respectivamente R$ 4,00 e R$ 2,80, se deu mal. Desta vez, não deve ser diferente.

 

Ricardo Amorim

 

Apresentador do Manhattan Connection da Globonews, colunista da revista IstoÉ, presidente da Ricam Consultoria, único brasileiro na lista dos melhores e mais importantes palestrantes mundiais do Speakers Corner e economista mais influente do Brasil segundo o Klout.com

 
 





    Rodrigo disse:
    29 de agosto de 2013 às 23:15

    O mundo anda instável e imprevisível. A crise européia ainda pode revelar surpresas muito negativas e a recuperação americana não está sólida e o nosso grandioso Brasil ainda está infestado de corruptos que podem causar uma onda de protestos mais violentos e afetar atividade econômica no país. Acho q o dólar poderá oscilar muito e só cairá quando o Brasil voltar a ser atraente após lidar com os gargalos entre os quais esses gafanhotos de Brasília. Qualquer país padece no Terceiro Mundo quando falta inteligência e caráter em seus governantes.



    Bruno Pugliese disse:
    30 de agosto de 2013 às 1:03

    Ricardo com todo respeito, o dolar nos ultimos anos, ou melhor dizendo a força do real melhor dizendo, era surreal, o Brasil esta contaminado, e o problema é maior dentro do país que fora, sendo que fora aonde estou continua lutando contra os erros anteriores, virao novos erros, mas o vejo contaminado pelo otimismo brasileiro , que viveu em fantasia nos ultimos anos…



    30 de agosto de 2013 às 8:13

    Olá Ricardo, bom dia!

    Além dos fatores que enfatizou acima, Eu acho que existe um interesse na desvalorização do Real por conta da Copa do Mundo que virá no ano que vem.

    Eles tem que fazer isso paulatinamente para não sofremos com essa desvalorização.

    O Brasil é muito caro, estive recentemente nos Estados Unidos e nosso custo de vida é mais caro que o dos norte americanos, isso desestimula a vinda de estrangeiros para o Brasil.

    Foi o que aconteceu na Copa das Confederações e se eles não intervirem será assim na Copa do Mundo, meu humilde ponto de vista.

    Acredito ainda que a partir de 2015 teremos o enfraquecimento do dólar diante ao real.

    Abraço e parabéns pela matéria.



    Rodrigo Leandro Guzzo disse:
    30 de agosto de 2013 às 8:42

    Bom dia Ricardo, Achei interessante sua análise, mas muito vaga, pois não mostra uma tendencia muito clara ou defendida por vossa pessoa. Acredito que o dólar no fim do ano deva ficar num patamar entre 2,20 a 2,30 porque o Brasil precisará cumprir com as metas e isso faz com que o dólar venha para um patamar um pouco abaixo, e o FED fará sim um corte nos aportes de dólar no mercado americano, o que por outro lado, buscará um fortalecimento do dólar. O maior problema que eu vejo é essa corrida mundial por uma moeda forte, que seja confiável e segura nesse momento de turbulências diversas que o mundo está passando, e a unica que o povo busca é o dolar. Abraço e parabéns pelas suas análises e comentários.



    30 de agosto de 2013 às 10:18

    Muito boa a matéria!



    jose costa gonçalves disse:
    30 de agosto de 2013 às 11:08

    Bom dia Ricardo, Acredito também que esta alta tem muito de especulação, interesses são muito fortes neste mercado.Apostaria dolar a 2,25 no final do ano.Abraços



    JulioK disse:
    30 de agosto de 2013 às 11:57

    Ricardo,

    Minha expectativa vai para o “inverso”, no médio prazo.



    Carlos disse:
    30 de agosto de 2013 às 14:35

    Pelos comentários que li acima e que ando vendo na TV e lendo nos jornais, é que ninguém sabe o que vai acontecer com o dólar, pois cada um fala uma coisa. Já que todo mundo fala, eu vou falar também. Acredito que somente após as eleições saberemos o rumo que o dólar vai tomar. Esse filme nós já vimos.



    igor cornelsen disse:
    30 de agosto de 2013 às 15:45

    Nos últimos meses a media de exportações anda girando em torno de US 20 bilhões. O déficit em conta corrente chegou até a ultrapassar US 9 bilhões na sua última estatística mensal. Esta disparidade entre exportações e déficit em conta corrente é insustentável. Cedo ou tarde a cotação do real vai ser corrigida significativamente, ou o PIB vai se contrair para resolver o desequilíbrio da economia brasileira. Este não é bem um problema econômico, é de simples aritmética.



    30 de agosto de 2013 às 16:01

    Ola Ricardo, bela explanação, mas vejo uma questão mais interna do que externa,pois os países são ricos e algum momento irão se levantar, agora ou mais tarde. O dia que tivermos uma economia organizada, segura, e com sequencia de indices respeitáveis, é que podemos sim ter uma certa tranquilidade. Pois se não é isto, a politicagem toma conta e espanta investimentos, estabilidade, etc



    luiz carlos disse:
    1 de setembro de 2013 às 18:46

    a fraqueza da moeda esta diretamente ligada a incompetência governamental de nossos políticos,é fácil adivinhar que o governo vai gastar mais e mal o ano que vem, e é necessário culpar alguém que não esteja no comando aqui, logo culpa-se os EUA, pelo nossos erros, afinal fica mais dificil fazer protestos nos EUA,logo nossa moeda é um reflexo de nosso governo, ou seja, vale apenas alguns centavos de dolar



    rondon disse:
    2 de setembro de 2013 às 18:13

    O pessoal ta esquecendo que o dolar a 2.80 alguns anos atras, nao eh os mesmos 2.80 de hoje, ja que houve inflacao em dolar no periodo. Quem acha que “vai bater 2.80 e voltar” entao corrija esses valores para 3 e alguma coisa e voltar. Quando se fala em 2002 quando o dolar bateu 4, nao eh o mesmo 4 de hoje, eh algo para 5, ou 6. E quem garante que o clima politico + freada da china + recuperacao dos EUA + surpresas na eleicao nao façam o dolar a voltar a um valor muito acima?



    Lucas Andrade disse:
    14 de março de 2016 às 17:57

    E atualmente com a instabilidade política, é provado que o grau especulativo está influenciando fortemente a alta ou a baixa do dólar, câmbio e a bolsa.



    27 de junho de 2016 às 14:42

    Ótima explicação, bons tempos quando o dólar estava nesse patamar.



    26 de abril de 2017 às 23:57

    Tá difícil viajar para o exterior com essa alta do dólar.



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