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Resoluções de Ano Novo

postado em Artigos


01/2015

Revista IstoÉ

 

2015-01-Resolucoes-de-ano-novo

 

Todo fim de ano, bilhões de pessoas em todo o planeta decidem mudar. Infindáveis resoluções são tomadas. Faremos um regime rígido, frequentaremos a academia e ligaremos mais para nossos pais. A estas alturas, a maior parte destas resoluções já caiu por terra.

 

E as do governo brasileiro? Assim que reeleita, a Presidenta mudou o discurso, reconheceu que nossa obesidade fiscal já não nos deixa caminhar e prometeu combatê-la.

 

O governo moderaria sua alimentação e se exercitaria mais. Para não deixar dúvidas quanto à seriedade do compromisso, Joaquim “Mãos de Tesoura” Levy foi chamado para personal trainer e nutricionista.

 

Levy anunciou a nova meta de peso: um superávit das contas públicas desconsiderando gastos com juros da dívida de 1,2% do PIB e prometeu o fim da contabilidade criativa. Com o ministro Mantega, as calorias de chocolate, churrasco e cerveja não contavam. Para chegar lá, o governo teria de emagrecer uns R$ 70 bilhões. No ano passado, mesmo com arrecadação recorde, nosso setor público gastou mais do que arrecadou desconsiderando os gastos com juros pela primeira vez em 17 anos.

 

Para afinar a cintura governamental e permitir que o Brasil voltasse a caminhar em 2015 e correr nos anos seguintes, Levy prometeu pôr a tesoura para funcionar. À elevada carga de impostos que pagamos não correspondem serviços públicos em quantidade e qualidade condizentes, sinal evidente de que gordura para se cortar nos gastos públicos há de sobra.

 

Para fazer isso, o ministro Nelson Barbosa anunciou a revisão da fórmula de reajuste do salário mínimo. Aí, entrou em ação o inimigo número um das resoluções de Ano Novo: a própria pessoa que as tomou, no caso a Presidenta Dilma. Uma coisa é prometer emagrecer, outra é manter a boca fechada para que isso aconteça.

 

Ao desautorizar seu ministro, a Presidenta pareceu não estar disposta a fazer os sacrifícios que o objetivo exige. Não há nada de errado em não concordar com esta medida em si. Dado o fim, é prerrogativa da Presidenta escolher os meios para alcançá-lo. Alguém que decide se exercitar mais pode preferir correr ou nadar.

 

O problema é que, desde então, as medidas de ajuste têm sido concentradas em aumentos de impostos. Dos R$46 bilhões anunciados, só R$18 bilhões viriam de cortes de gastos e o Congresso ainda pode reduzir este número. Os outros R$28 bilhões sairão do nosso bolso, não do bolso do governo. O aumento do imposto de renda reduzirá o quanto teremos para gastar e ainda pagaremos mais pela gasolina, veículos, produtos importados, cosméticos e crédito. Em resposta a sua obesidade, o governo nos pôs de regime. Ao invés de apertar o próprio cinto e cortar gastos, ele aperta o nosso e aumenta impostos.

 

Além das medidas já anunciadas, cerca de R$25 bilhões em ajustes adicionais serão necessários. Para o bem da economia brasileira, espero que eles venham de cortes de gastos públicos.

 

Mau desempenho e desequilíbrios macroeconômicos pioraram as expectativas, causando a estagnação da economia brasileira em 2014. As expectativas de crescimento para este ano são parecidas. No entanto, ao contrário do que aconteceu nos últimos quatro anos, podemos terminar o ano melhor do que começamos. Medidas corretas aumentariam o otimismo de consumidores e empresários, levando-os a consumir e investir mais. O país voltaria a crescer e o crescimento poderia acelerar-se nos anos seguintes. Para isso, Presidenta, não basta contratar o personal trainer. É preciso fazer o que ele propõe.

 

Ricardo Amorim

Economista, apresentador do programa Manhattan Connection da Globonews e presidente da Ricam Consultoria.

 
 





    Eduardo Castanho Fº disse:
    24 de janeiro de 2015 às 20:53

    só com o aumento dos juros básicos já se come uma boa parte dessa arrecadação.



    26 de janeiro de 2015 às 7:44

    Além da economia nos gastos públicos, o que poderia ser feito é um combate agressivo à corrupção o que deixaria entrar e devolveria mais dinheiro mas nada é feito agora o que me impressiona é o montante de dinheiro que o BNDS DOA, esta é a palavra certa, DOAR. São bilhões e bilhões DOADOS, para ter uma idéia só uma grande empresa do ramo frigórifico já fora DOADOS mais de R$ 30.000.000.000,00, realmente isso não entendo (mas entendo é claro).



    FERNANDO MOURA disse:
    26 de janeiro de 2015 às 8:07

    RICARDO, O GOVERNO PARA GANHAR AS ELEIÇÕES DIZ UMA COISA E DEPOIS FAZ OUTRA . CORTAR OS GASTOS PÚBLICOS ACABAR COM A FARRA DA GASTANÇA ? DUVIDO MUITO QUE ISSO VENHA A ACONTECER, E VAI SOBRAR SEMPRE PARA NÓS BRASILEIROS QUE TEREMOS QUE PAGAR MAIS IMPOSTOS .

    FERNANDO MOURA.



    Jefferson Queiroz disse:
    26 de janeiro de 2015 às 9:27

    Nos assusta a falta de responsabilidade do governo, que neste momento crítico, não olha para o próprio umbigo.

    Como um bom gestor em momentos de crise que consegue visualizar soluções e agir com coerência e responsabilidade, está seria uma ótima oportunidade para reformas.

    Mas diante de tudo, acho que a conta será só nossa.



    26 de janeiro de 2015 às 9:30

    Excelente artigo! Parabéns Ricardo!



    Antonio Raphael Dechichi disse:
    26 de janeiro de 2015 às 9:44

    Após vários anos com a economia maquiada pelo Governo do Brasil, entramos de vez em uma recessão política econômica com uma dívida interna praticamente impagável. Além disso, o nosso “glorioso Governo” não teve a capacidade de planejar nada para o País, gerando um colapso no abastecimento d’água e uma eminente crise do fornecimento de energia elétrica. Salve o Brasil!!!!



    Erivaldo Santos Correia disse:
    26 de janeiro de 2015 às 10:54

    Excelente posicionamento. Nestes 12 anos de aberrações do Poder Executivo, tenho vergonha de dizer que sou brasileiro!



    Erivaldo Santos Correia disse:
    26 de janeiro de 2015 às 10:56

    Excelente posicionamento. O que esperar governo? Só decepções!



    Arthur Vitorio da Costa Januario disse:
    26 de janeiro de 2015 às 10:58

    Sr. Ricardo, sou assinante do seu feed noticias do face e assino receber seus artigos por email, sou do interior de Alagoas, to me formando agora em 2015 em eng. civil, tenho 28 anos e tenho uma familia tradicional no comercio de Uniao dos Palmares,interior de algaoas, uma loja de confeccao que revende mercadorias de SP.
    Depois de me apresentar, eu gostaria de saber qual a sua opiniao em relacao as usinas sucroalcooleiras que movimentam praticamente todo meu estado e que nos, os que n fazem parte deste grupo seleto e hierarquico, n entemos, nem temos uma opiniao, nem uma visao macro da real situacao na qual nos encontramos hj.
    Gostaria de entender o pq de falencia e estagnacao dessa insdustria que movimentava tanto e hj tao sofrida.



    Ronaldo Saunier Martins disse:
    26 de janeiro de 2015 às 11:12

    Ricardo,
    Essa do Joaquim Levy (mãos de tesoura/facão ou coisa que o valha),
    de personal trainer e nutricionista
    foi sensacional. Penso que essa academia de 48 meses não deverá durar mais do q



    26 de janeiro de 2015 às 11:41

    Querer obrigar a população a fazer um regime à base de pão e água é uma imposição muito dura, para um governo que parece não estar disposto a fazer qualquer tipo de sacrifício dietético.

    Mas o pior, é que eu acho que só vamos ter o pão (se tivermos), pois a água anda escassa !

    Parabéns por mais este esclarecedor e lúcido artigo.

    Philippe



    marisa mendes disse:
    26 de janeiro de 2015 às 12:52

    Não é preciso acrescentar mais nada ao óbvio. Mas eu diria que estou enojada, embasbacada, emputecida e indignada contra essa sra (?) que nos jogou no fundo do poço e agora , sem sequer se desculpar pela total incapacidade, continua a enfiar os pés pelas mãos. Não posso deixar de lhe desejar a pior sorte do mundo, que nem de leve chegará à sorte cruel que ela impôs a milhões de brasileiros inocentes… ou seja , os que não votaram nela…



    Sebastiao Gil disse:
    26 de janeiro de 2015 às 20:45

    Parabens Ricardo, uma pena que nossa presidente não quer perder quilinhos.



    Anelise disse:
    27 de janeiro de 2015 às 7:57

    Parabéns pela sua abordagem comparativa entre a obesidade do governo e o regime a nós imposto.Entretanto como todo regime imposto, ele tende em um determinado momento fracassar quando não mais surtir os efeito a que foi proposto.
    Abraços,
    Anelise.



    Raquel Hilst disse:
    27 de janeiro de 2015 às 14:12

    Muito bom o artigo, muito bem explicado.



    Eleonora D lopes disse:
    27 de janeiro de 2015 às 18:53

    Como sempre comentários simples, claros e totalmente verdadeiros, sem deixar nenhuma dúvidas para os leigos como eu.
    Obrigada



    Mara disse:
    29 de janeiro de 2015 às 23:32

    Quem não reconhece seus erros está condenado a repeti-los. As providências do governo não são nada promissoras. Tudo indica que para sairmos bem de 2015 teremos que continuar a utilizar os aeroportos.



    Luiz Alberto Prandini disse:
    1 de fevereiro de 2015 às 21:28

    Este governo vai nos colocando cada vez mais na posição a que chegou o povo grego. Vamos ver quando esta Nação “cordial” vai reagir como aqueles. A diferença é que os gregos se sublevaram contra credores externos e nós devemos o mesmo fazer contra sugadores internos.



    flavio netto disse:
    10 de março de 2015 às 11:51

    Ricardo Amorim, antes de qq outra coisa, quero lhe parabenizar pelo profissional que é, nos ajudando de maneira simples e objetiva a entender o que acontece com nossa economia. Agora, gostaria de lhe fazer uma pergunta. É possivel hoje, no governo Dilma ou outro que vier caso ocorra Impeachment, o Bloqueio do dinheiro como o Collor fêz ? Suponhamos que o governo não consiga a arrecadação necessária. É possível ?
    Att



    Suely Silvestre disse:
    10 de março de 2015 às 14:41

    Parece que a presidente levou ao pé da letra a recomendação



    Lucas disse:
    10 de março de 2015 às 20:31

    Todas as medidas que estão sendo tomadas neste pequeno espaço de tempo, afetando de forma tão significativa a população, poderiam ter sido tomadas ao longo dos últimos 4 anos. Esperamos que as medidas tomadas por Levy venham a, pelo menos, terminar o ano melhor do que estamos começando.



    22 de março de 2015 às 8:35

    Pensando ainda no Governo como uma empresa, nao adianta também só atacar custos!, precisamos aumentar ” receita”; uma saida seriam as “ppps”, pergunto: como fazer isto se os presidentes de todas as grandes empresas do País estão presos?



    26 de março de 2015 às 10:25

    […] Federal para julgar políticos envolvidos na Operação Lava-Jato.   Para piorar, enquanto o governo pede sacrifícios à população e aumenta impostos, o Congresso expande os benefícios dos congressistas e aumenta os salários da […]



    jose sales disse:
    5 de abril de 2015 às 19:42

    mantendo gordura localizada e perdendo musculos.



    Neida Mosimann disse:
    16 de abril de 2015 às 16:08

    Caro Amorim,
    texto bom e humorado, sem perder a seriedade.
    E já que tratou de “regime”, quero comentar aqui o notável emagrecimento da presidente, que pode ser para justificar uma possível renúncia por motivos de saúde. Seria uma saída quase honrosa…
    Apenas uma teoria, claro!



    Ana Maria Ferraz da Silva disse:
    23 de abril de 2015 às 11:29

    Concordo com sua análise e também com a opinião do senhor Manoel Duarte Junior, sobre essa verdade incômoda e terrível, que o governo se esforça por driblar e ignorar, que é o incontornável prejuízo da corrupção aos pobres bolsos e vidas dos brasileiros.



    Marcelo Miranda disse:
    1 de julho de 2015 às 17:15

    A pergunta é: qual o caminho para parar o “obeso mórbido”? Não venham com “as urnas”: respeito a democracia e não acho que haja coisa melhor. O que me assusta é não ver reação “de peso” (sem trocadilho) de lado algum. Politicamente, a oposição não se mexe. E um Junho com manifestações como aquelas parece estar num passado distante.



    Sam de Mattos disse:
    3 de setembro de 2015 às 12:38

    Estamos sob um Desgoverno sórdido, incapaz e esquizofrênico: Ainda não sabemos se a nossa economia é Capitalista ou Socialista. Sim, sim, os Anões Mentais tentam fazer uma simbiose das duas. Mas o Axioma de Colbert é irredutível, o básico da economia é “oferta e demanda”. Ponto. Creio que de modo “Latrocrata”, tupiniquim e com viés “eleitoreiro” tentamos emular o modelo Chinês, que parecia desafiar o Princípio de Colbert, com sucesso. O que aconteceu na China foi um abuso dos princípios de ingerência a economia, não com ajustes pontuais e ocasionais Keynesianos, mas com interferência maciça. Funcionou bem por algumas décadas e agora as bolhas estão estourando. Quando o Mantega começou a comprar dólares para segurar o Real, continua e frequentemente, eu ri muito. Lembrei-me até do Juca Chaves quando dizia: “Agua de morro abaixo, fogo de morro acima…” Sim: Também a “Lei de Oferta e Demanda”, – ninguém segura.



    José Renato disse:
    30 de dezembro de 2015 às 11:57

    Infelizmente estamos virando mais um ano e esse texto continua descrevendo perfeitamente nosso cenário atual.



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