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Aprendendo com Francisco

postado em Artigos


 

Revista IstoÉ

08/2013

Por Ricardo Amorim

 

Já não deve ser surpresa para ninguém que o crescimento da economia brasileira neste ano será medíocre. Com juros e desemprego em alta, inflação corroendo salários e investimentos minguando devido a incertezas econômicas e políticas, mesmo as atuais previsões de crescimento de 2% a 3% me parecem exageradas. Um crescimento mais próximo do pífio 0,9% registrado no ano passado é mais provável.

 

Em um ambiente econômico tão desfavorável, o que empresas e profissionais brasileiros podem fazer para se diferenciar e alcançar um desempenho melhor do que o da economia como um todo? Não sou particularmente religioso, mas a resposta veio do Papa Francisco.

 

Brasileiro nenhum gosta de receber lições de um argentino, mas o momento é de humildade. Esta foi exatamente a primeira lição de Francisco, a necessidade de humildade para reconhecer a situação com que vamos lidar e o que podemos mudar nela.

 

Com baixo crescimento, será fácil e justo culpar o governo por sua incapacidade de tomar medidas para reverter a situação, mas isto não garantirá o emprego de ninguém no final do mês. Façamos como Francisco. Desconfio que ele preferisse herdar uma Igreja que não estivesse envolvida em corrupção e acobertamento de casos de pedofilia, nem perdendo fieis na América Latina para os evangélicos, mas ele não pôde escolher. O que ele pôde e escolheu foi reconhecer publicamente os problemas na Cúria e fazer uma longa e revigorante visita ao maior país católico do mundo. Ainda é muito cedo para dizer se a estratégia vai funcionar, mas não é cedo para saber que se nada fosse feito, as dificuldades da Igreja só se agravariam.

 

Com impostos demais, mão de obra cara e mal preparada, sobra de burocracia e falta de infraestrutura, desculpas para justificar eventuais mal resultados, nossas empresas tem de sobra. Acontece que justificativas não mudam a situação. O que mudaria?

 

Francisco enfatizou, e demonstrou na prática, que é preciso aproximar a Igreja dos fiéis. Servir bem para servir sempre. Duas dificuldades vividas por empresas dos mais diversos setores da economia brasileira nos últimos anos foram o aumento da concorrência e a commoditização dos serviços e produtos. A competição ficou mais feroz e, com a disseminação e queda de custo de tecnologias antes acessíveis apenas aos líderes em seus setores, os diferenciais encolheram.

 

Para mudar esta realidade, precisamos oferecer serviços cada vez melhores, ainda que vendamos produtos. Isto mesmo. Cada vez mais, na decisão de compra de produtos pesam os serviços ligados a eles. Quer um exemplo? Os telefones celulares que uso são inferiores a outros disponíveis, mas o atendimento que recebo é tão superior que não mudo.

 

Outro exemplo? A uma quadra de onde moro, há uma padaria ampla e bem suprida, mas prefiro outra, a umas 30 quadras, pequena e apertada, mas onde o pão é bem mais gostoso.

 

Nos dois exemplos, os serviços de um único profissional – um profissional de atendimento e um padeiro – definem o que compro, impactando positivamente o resultado de suas empresas.

 

Humildade e melhores serviços, duas lições de Francisco para cada um de nós, as empresas e os governantes.

 

Ricardo Amorim

Apresentador do Manhattan Connection da Globonews, colunista da revista IstoÉ, presidente da Ricam Consultoria, único brasileiro na lista dos melhores e mais importantes palestrantes mundiais do Speakers Corner e economista mais influente do Brasil segundo o Klout.com

 
 





    Helcio Pacheco disse:
    1 de agosto de 2013 às 22:45

    Artigo conceitual om base economica, que desperta e aponta o retorno a base,que voce chama de humildade.
    Fazer mais , melhor e com menos, matematica simpes que jamais deu errado.
    Bom artigo.
    Abs,
    Helcio



    Fernando Dória disse:
    1 de agosto de 2013 às 22:55

    Grande Ricam! Brilhante analogia.
    Como humilde telespectador e admirador, não saia do M. Connection.
    Vc é a cara da rationale que ainda produz nesse país..
    Saudações cá de cima
    Aju/Se



    Bernadete Regis disse:
    1 de agosto de 2013 às 23:21

    Excelente artigo. Você consegue dar o seu recado de uma maneira simples, clara, sucinta e objetiva – como o faz papa Francisco. Aliás, para mim você está quase lá, é um competentíssimo cardeal!
    Quanto ao seu texto, eu faria uma alteração no quinto parágrafo trocando “…eventuais mal resultados…” por “…eventuais maus resultados…”, lembrando que “mal” é contrário de “bem” e “mau” é contrário de “bom”.
    Abraço



    Flavio Musa disse:
    2 de agosto de 2013 às 1:57

    Excelente, Ricardo, sua análise, metáforas e parábolas.
    Eu penso que houve (e ainda há) muita falta de humildade de nossos industriais há duas décadas ou mais, quando a globalização levou muitos de nossos concorrentes a se unirem em empresas maiores ou serem por elas absorvidas buscando capital suficiente para investir em tecnologia e em unidades de enorme produção, competindo no mundo e não entre si em seus mercados, como continuaram fazendo por aqui.
    Há cerca de 15 ou mais anos uma empresa do “Arranjo Produtivo” de cerâmica de revestimento de Sta. Gertrudes levou alguns contêineres até a China e tentou lá estabelecer uma filial. Teria de fazer “joint venture” com empresas chinesas, não aceitou e vendeu o lote por lá. Naquela época o produto chinês era de péssima qualidade e nada competitivo. 5 anos depois uma só indústria do mesmo produto aberta em Guangzhou, com tecnologia italiana e totalmente automatizada, baixo teor de mão de obra, produzia mais que o dobro de todo o tal “Arranjo Produtivo” em que nossas tupiniquins continuavam a competir entre si.
    A meu ver isto se aplica a todas as filiadas à possante FIESP.
    Tudo bem que há os entraves e “custos Brasil”, mas se tivessem tido humildade e formado grandes conglomerados competitivos globalmente não precisariam continuar “de pires na mão” esmolando ajudas do governo.
    Abraço,
    Flavio.



    Alexandre disse:
    2 de agosto de 2013 às 8:07

    Perfeito Ricardo!
    Parabens pelo texto.
    No Brasil de hoje vejo uma grande inversao de valores, onde quem poupa eh taxado de sovina e quem nao admite pagar 30 reais num unico temaqui eh tratado como inferior.
    Iniciativas como o BoicotaSP sao louvaveis e necessarias.
    Observo la nos comentarios dos internautas que o que mantem muitos dos precos em patamares escandalodos, eh uma nova classe media que so porque tem dinheiro pra pagar, critica quem acha os precos abusivos e irreais.
    Esta mesma “nova classe emergente” eh que sustenta empresas quem vendem carro coreano por 120 mil, temaqui por 30 reais, pao na chapa com pingado por 15 reais e por ai vai.
    Acabei de voltar da Europa e o pouco tempo que fiquei por la (2 semanas) me deu a certeza do absurdo em que vivemos.

    Grande abraco
    Alexandre Iadocicco



    ALAN FREITAS disse:
    3 de agosto de 2013 às 23:01

    Concordo plenamente. Se o Brasil fosse um paciente e os governantes os responsáveis por curá-lo, esses “doutores” não usariam as hipóteses de diagnóstico para tentar ver algo iminente. Ou seja, em vez de agir na promoção da saúde, na prevenção propriamente dita, esse paciente Brasil iria parar na UTI. Grandes problemas deveriam ser solucionados quando ainda eram pequenos.



    Paulo custodio disse:
    4 de agosto de 2013 às 12:22

    A maior dificuldade hoje é a qualificacão da maode obra, criou se a mentalidade de que os trabalhadores estão fazendo favor em prestar servicos, e nao que seja obrigacao deles, que eles estao sendo pagos para prestar bons servicos.



    Claudio Lopes disse:
    4 de agosto de 2013 às 19:57

    Ricardo entre outras sugestões do Papa Francisco foi a do diálogo e o que vemos é que este governo não dialoga com ninguém, e é mais fácil ver o saci pereré do que ver humildade em político, principalmente para reconhecer os erros que estão escancarados na sua cara.Eles não dialogam com os setores produtivos e nem com a população, e vem criando medidas paliativas setoriais que não resolvem os problemas, pelo contrário, os disfarça temporariamente e agrava o problema maior que é o crescimento pífio na nação. Certa vez pude ver um líder religioso dando um conselho para um empresário da área cultural, que ao ser perguntado o que ele deveria fazer para seu projeto ser um sucesso o líder disse, trabalho, trabalho, trabalho e humildade, humildade e humildade.
    O dono do conselho foi o médium Chico Xavier.
    Um grande abraço,
    Claudio Lopes



    Celso Casé disse:
    4 de agosto de 2013 às 23:33

    Ricardo,

    Sempre dizem que o salário no Brasil é caro. Não é o que sentem os assalariados.
    E mesmo o Brasil sendo a 6ª ou 8ª economia do mundo, pagar uma refeição cotidiana em euro, libras não é nada barato, comparado com o Real.
    Você poderia comentar o custo da mão de obra e o poder de compra dos assalariados de classe média dos países do primeiro mundo comparado com o Brasil?



    5 de agosto de 2013 às 10:39

    Humildade! Quase utópico.
    Tenho forte convicção que qualidades humanas, valores éticos e morais possam determinar a conduta e a forma de se fazer “Economia”; humildade é uma delas.
    Pela falta de humildade, hoje o Brasil carece de crescimento econômico e, principalmente e mais grave, desenvolvimento econômico.



    Rosy Andrade disse:
    5 de agosto de 2013 às 11:37

    Concordo com você Ricardo Amorim. A humildade tem salvado muita gente da forca. Francisco deu uma grande lição ao mundo usando uma das mais belas e estratégias de enfrentamento a Hulmidade. A humanidade, seja de católico ou de protestantes, está sendo atacados por problemas políticos, econômicos, fome, corrupção, falta de saúde e segurança, e tantos outros. Um homem perturbado pode influenciar não só economicamente como politicamente a segurança de um povo. A fé historicamente foi responsável por grandes transformações econômicas no mundo. A prova disso foi o longo passeio em carro aberto pelas ruas do Rio de Janeiro. Isso significa: que é necessário olhar os problemas de frente para então removê-los. Se o governo tenta enganar o povo deve de qualquer maneira ver pelo ângulo mais elucidativo possível. Caso contrário, sofrera as penas terríveis da omissão. Melhor enfrentar o obvio do que tentar esconder o que já foi visto. Parabéns!Papa Francisco. Esperança e um alerta para todos.



    Jaime Greene disse:
    5 de agosto de 2013 às 11:51

    ESpetacular, simples e ao ponto.

    parabéns. Gostaria de continuar a receber seus artigos.

    atenciosamente,

    Jaime Greene



    Haroldo Bezerra disse:
    5 de agosto de 2013 às 11:51

    Grande Ricardo:
    É por aí mesmo.
    O papel do Governo é diminuir os gastos e manter a ordem, deixando o resto com o mercado.
    Se não vem os milicos com Joaquim Barbosa,por ORDEM e PROGRESSO nessa
    bagunça



    Luiz Eduardo disse:
    5 de agosto de 2013 às 11:57

    Excelente artigo.



    Paulo Dutra disse:
    5 de agosto de 2013 às 14:19

    Ricardo,
    Parabéns: absolutamente todos os seus artigos tratam do óbvio… mas o óbvio, infelizmente para a maioria dos brasileiros, está tão distante da realidade!
    Mais uma vez acerta com perfeição: os brasileiros precisam enxergar que qualidade e investimento em qualidade jamais podem ser tratados como supérfulos. Estamos a caminho de “apagões” nos alicerces de nossa sociedade: “apagão” de infraestrutura, “apagão” de educação e cultura, “apagão” de mão de obra e “apagão” na qualidade que envolve tudo isso.
    Parabéns novamente: espero que ecoe muito seu artigo.



    5 de agosto de 2013 às 16:48

    Caro Ricardo você mais uma vez tocou no ponto exato: A Empafia do PT. Estamos acima de qualuqer suspeita, somos os maores e, logicamente os melhores… E 11 anos depois ainda fazem comparações com a era FHC….
    As coisas mudaram e o PT não percebe que hoje temos um Argetino humile….



    maria beatriz travassos helou disse:
    5 de agosto de 2013 às 18:06

    como sempre,sao otimos acompanho todos os seu artigos a anos e onde esta o programa manhattan connection que nao esta sendo passado domingo , adoro .



    Nelson Herbst disse:
    5 de agosto de 2013 às 18:40

    A prestação de serviços está cada dia mais empobrecida, me parece que em todas as áreas de produtos e serviços. Pior para quem acha normal, ou para aqueles que não se importam e não sabem o que ou quanto estão perdendo. Para mim, segue sendo uma tremenda oportunidade de sair lucrando, fazendo melhor.



    Sandra Mara disse:
    5 de agosto de 2013 às 18:43

    Bem colocados os comentários do Sr. Ricardo além da fluência e excelente comunicação.
    Obrigada.



    5 de agosto de 2013 às 21:44

    Parabens, pela visão, e sem dúvida que este papa é muito mais atual em todos os sentidos do que a imagem do que parece, ou parecia ser, para todos e serve como exemplo.



    Ibaney Chasin disse:
    7 de agosto de 2013 às 6:25

    Realmente: no Brasil, só recorrendo a Deus, ou ao seu representante eventual!



    7 de agosto de 2013 às 11:02

    Eu tive a oportunidade de acompanhar a entrevista do papa no fantastico,realmente temos que fazer a diferenca no atendimento,melhores servicos e humildade



    Damaris Amaral da Silva disse:
    7 de agosto de 2013 às 11:04

    Excelente mas preocupante



    Ricardo Caiuby de Faria disse:
    7 de agosto de 2013 às 11:31

    Ricardo,

    Muito bom o seu artigo.
    Sugiro também, se me permite, aprofundar nos escritos do Papa Francisco.
    Já sairam dois pequenos livros dele.
    Um abraço
    Ricardo Faria



    Taís Carvalho disse:
    7 de agosto de 2013 às 23:28

    Caro, Ricardo.

    Excelente artigo, concordo plenamente, hoje não se vende o produto somente, mais do que isso,se vende o serviço, que de preferência deve surpreender o consumidor e não apenas satisfaze-lo.

    abraços,
    Taís Helena Carvalho



    Renato disse:
    8 de agosto de 2013 às 10:49

    Concordo com seu ponto de vista, moro nos USA e vejo a diferenca de servicos / precos a cada vez que vou ao Brasil, e cada vez que gosto de um servico tendo a fidelizar !!!



    8 de agosto de 2013 às 14:35

    Realmente as palavras do Papa Francisco: Fé, Esperança e Amor, colocando no caso levantado:
    O que nos falta é Esperança; reconhecer e aceitar o desafio; Fé: acreditar que é possível realizar; Amor:se empenhar com paixão
    A formula foi dada, é ter a humildade de aceitar, assim como ele que ficou com a humildade do Papa argentino e Deus brasileiro.



    Thiago disse:
    17 de agosto de 2013 às 18:41

    Viva o Papa!



    lucas disse:
    17 de agosto de 2013 às 19:22

    Parabéns, excelente artigo! Sempre acompanho as suas opniões bem fundamentadas no programa Manhattan connection



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