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A hora e vez das micro e pequenas empresas.

postado em Artigos


Revista IstoÉ
27/05/2011
Por Ricardo Amorim

A hora e vez das micro e pequenas empresas

Nos últimos 12 meses, dois milhões de empregos foram criados pelas micro e pequenas empresas no Brasil

Com uma carga tributária de dar inveja a governos socialistas, uma burocracia capaz de tirar do sério monges tibetanos e taxas de juros que assustariam até o Mike Tyson, o Brasil tem um longo histórico de repressão aos empreendedores.

Não que nós brasileiros tenhamos algum defeito de fabricação que nos impeça de empreender. Pelo contrário. O jeitinho brasileiro nada mais é do que uma mutação de empreendedorismo que não teve como aflorar.

Com a legislação e a economia jogando contra, só um louco para abrir uma empresa no Brasil. Ainda na primeira metade desta década, quando o mar econômico já estava bem menos revolto que no período hiperinfl acionário, metade das empresas montadas no País morria antes de completar seu segundo ano de vida.

Enquanto isso, nos EUA, quem quisesse montar uma empresa encontrava legislação favorável, crédito farto e uma cultura que, ao contrário da brasileira, valoriza as tentativas, mesmo as malsucedidas. Não por acaso, os EUA se tornaram a meca do empreendedorismo.

Gradualmente, tudo começou a mudar. Na virada do milênio, estourou a bolha da Nasdaq, destruindo o sonho de milhares de empresas que queriam se tornar a próxima Microso . Com elas foram embora milhares de chineses e indianos, que chegaram a ser 40% dos funcionários das empresas pontocom do Vale do Silício, na Califórnia. Sem empregos e oportunidades, eles fi zeram as malas e foram empreender em seus países.

Em 2008, a explosão da bolha imobiliária e a consequente crise financeira complicaram mais a vida dos que tentavam montar um negócio nos EUA. De lá para cá, estima-se que a mortalidade das empresas americanas em seu primeiro ano de vida, tradicionalmente próxima a 15%, dobrou.

Enquanto isso, nosso manco capitalismo tupiniquim começou a funcionar aos trancos e barrancos, alimentado pela fome asiática por nossas matérias-primas e, nos últimos anos, depois que os bancos centrais dos países ricos inundaram o mundo de dinheiro, por uma ampla disponibilidade de capitais.

Com maior penetração nos principais focos recentes de crescimento brasileiro, nossas micro e pequenas empresas (MPEs) começaram a florescer. Nos últimos 12 meses, quase 80% dos 2,5 milhões de empregos criados no Brasil vieram delas. São principalmente elas que atendem os 55 milhões de brasileiros que emergiram das classes D e E nos últimos cinco anos. MPEs têm maior presença no interior, que, na carona do agronegócio, vem crescendo mais do que as capitais.

As MPEs concentram-se nos setores de varejo e serviços, que têm liderado nosso crescimento.

Até o crédito, antes desconhecido pelas MPEs, começou a dar as caras.

Como consequência, a mortalidade de nossas empresas nos seus dois primeiros anos despencou para 22% e é hoje inferior à das dos EUA.

Tudo isto sem que nossas mazelas estruturais fossem resolvidas. Isto me faz pensar no que aconteceria se o governo parasse de atrapalhar: acabasse com a burocracia para abertura e fechamento de empresas, reduzisse impostos e cortasse gastos, permitindo que os juros caíssem. Até você iria se tornar um empresário, não iria?

Ricardo Amorim é economista, apresentador do programa “Manhattan Connection”, da Globonews, e presidente da Ricam Consultoria





    Carlos disse:
    31 de maio de 2011 às 11:18

    O Brasil e os empresários crescem, há muito tempo, apesar do governo…



    31 de maio de 2011 às 11:21

    Muito boa esta abordagem do “jeitinho brasileiro”.
    Nem todos são empreendedores – empresários. Temos cientistas, artistas, médicos, excelentes técnicos, … Mas os que tem esta vertente, e se lançam, deveriam ser celebrados como heróis.. Como diz o Roberto DaMatta sobre o o “axioma Shakespeariano”: a vida é um palco onde não escolhemos a hora de encenar, e não tem jeito, agora é a nossa vez, e tem que dar um jeito. Poderia ser mais facilitado para os brasileirinhos.
    Parabéns pela abordagem simples e corajosa.



    31 de maio de 2011 às 11:36

    Dilma faria bem se revisse o limite do Simples, como ela prometeu que faria na quarta antes da eleição. Há certamente diversas empresas qeu não crescem pois temem sair do regime fiscal do simples… esse cenário é ainda pior para aquelas que geram mais empregos, pois é sobre esses que incidem os maiores impostos. Se você gera pouco emprego, crescer e sair do simples é até vantajoso, mas se gera muitos, é impensável. Essas distorções precisam ser revistas! Estranhamente depois de eleita o que a presidente fez foi pedir a recriação da CPMF. Uma vergonha. Abs. Carlos Lavieri



    31 de maio de 2011 às 11:52

    Como estudante de Jornalismo, devo dizer que o texto é muito bem construído, claro, objetivo, uma colocação positiva como esta, nos deixa esperançosos com o futuro, e evidentemente não poderia deixar de expor minha fortíssima admiração pelo Economista Ricardo Amorim, é impressionante como ele sabe passar questões um tanto complexas para a maioria da população, de forma agradável, esse é um dos motivos pelo qual o Manhattan Connection sempre está em minha agenda de fim de semana.



    31 de maio de 2011 às 12:24

    Caro Ricardo,
    Antes de ir direto ao assunto, desejo cumprimentá-lo, uma vez mais, pela sua excelente mediação no debate sobre “Educação” que tivemos no nosso Congresso de RH.
    Quanto ao seu artigo “A hora e a vez das micro e pequenas empresas”, achei excelente. Suas ideias me pareceram muito alinhadas com as do “Movimento Brasil Eficiente”.
    Gostaria de prosseguir os contatos para futuras oportunidades de interação.
    Um forte abraço.
    Nicolino Eugenio
    FEBRABAN – Federação Brasileira de Bancos
    11-3244-9806 / 11-8585-6511



    31 de maio de 2011 às 12:27

    Ricardo voce é o proprio descomplicometro,que consegue sintetizar em termos claros e objetivos tudo aquilo que pensamos e sentimos sobre Economia e que temos medo de expressar por causa do Economês.Parabens e grato pelo envio.Abraços, Ibrahim



    Cassya Santos disse:
    31 de maio de 2011 às 14:05

    Moro nos EUA,trabalho com Importação/Exportação e estou tentando fazer uma ponte comercial entre aquele País e o Brasil.
    As complicações começam na alfândega, que taxa até amostras sem valor comercial.
    Empreendedor já enfrenta uma série de dificuldades e quando quer trazer mercadorias de outros Países, aí sim é que o bicho pega.
    Bem,vou pagar para ver!
    Obrigada pelo artigo.
    Sds, Cássya



    31 de maio de 2011 às 16:42

    Ricardo, apenas para complementar as suas propsições, veja o que está em movimento para descomplicar a vida das MPE:

    Aumento do teto da receita bruta para enquadramento no Simples Nacional, parcelamento especial para débitos de tributos, inserção de novas categorias no sistema especial de tributação, acabar com a cobrança antecipada de ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Prestação de Serviços), criação do Simples Rural. Essas são algumas das alterações para a Lei Complementar 123/06, conhecida como Lei Geral da Micro e Pequena Empresa, propostas no Projeto de Lei Complementar (PLP) 591/10. O projeto, que está tramitando no Congresso Nacional, foi apresentado a empresários na tarde desta segunda-feira, 31, em um seminário realizado na Assembleia Legislativa da Bahia, em Salvador.

    Isabel Ribeiro – Sebrae-Ba



    31 de maio de 2011 às 17:31

    É, me tornaria,mas pena que o governo mesmo pensando no próprio umbigo consegue ser incompetente. Se as cargas tributárias fossem diminuidas junto com a burocracia, estes ratos se encheriam mais ainda de dinheiro. Estes delinquentes não tem capacidade de enxergar mais que 1 palmo a frente nem pensando em como melhorar a qualidade das picaretagens.



    Sergio Calabria disse:
    5 de junho de 2011 às 13:55

    Ricardo. Como voce diz em suas palestras este é o Pais da vez nas proximos é lamentavel que grande parte de empreendedores tenham que depender do Governo e do orgãos governamentais no ambito Municipal, Estadual e Federal, pois isto trava qualquer iniciativa e tudo funciona sío se tiver o JEITINHO $$$$$$$, pagando propina a torto e a direita, e muita vezes nós ficamos ainda na mão, já tive duas oportunidades de tornar-me pequeno Empresario e tive que recuar, para nao ter que ficar pagando propina e manter um bando de vagabundos do Municipio, o pior é não ter a quem recorrer, pois não para saber que é correto e quem é sem vergonha. É muito dificil ser Empresario neste pais em todos os sentidos, e sei que os grandes tambem pagam seu preço e suas propinas para crescer.



    9 de novembro de 2011 às 15:27

    Ricardo, concordo com sua análise, no Brasil do puchadinho como fala Eike Batista, Sou detentor de uma patente, que está aprovada na esfera do conhecimento, reconhecidamente pela comunidade acadêmica como uma Inovação; e encontro dificuldades para inserí-la no contexto empresárial, por se tratar de novidade, e os empresários do ramo, teriam que readequar suas indústrias para a produção deste novo produto. Então após uma avaliação concluo que as inovações estão diretamente proporcionais a novos empresários empreendedores que estariam investindo em algo novo, como fala o Clemente Nobrega, Inovação é dinheiro Novo. Estarei presente no Meeting ABC, grato pela atenção.



    Sheila disse:
    26 de agosto de 2015 às 8:26

    Tenho pensado em abrir negócios caseiros como brigadeiro gourmet, cupcakes etc. Mas tenho um medo danado em relação a fiscalização sanitária e essas coisas. O país é muito burocrático. Alguém tem ideia de como funciona? Porque se for pra abrir alguma coisa, quero que seja muito bem feito e planejado!



    Roberto disse:
    22 de maio de 2016 às 15:33

    Se tornar um micro empresário é uma alternativa para o momento atual da nossa pátria, muitos tem medo por essa crise politica, mas são nesses momentos que as oportunidades surgem.

    Belo post



    Ana disse:
    4 de novembro de 2016 às 20:26

    Realmente, abrir negócio no Brasil, principalmente de pequeno porte, é coisa de louco mesmo. Mas mesmo com tudo jogando contra ainda vale a pena tentar, pois essa é a melhor maneira de contornar a situação atual do país.



    Ana Paula disse:
    26 de novembro de 2016 às 19:08

    O Brasil possui uma das maiores cargas tributárias do mundo. Realmente abrir empresas não é para qualquer um. Tem de ser empreendedor nato ou querer muito!



    Felipe disse:
    6 de dezembro de 2016 às 9:12

    Eu assisti a uma palestra do Ricardo no RD Summit 2016, foi incrível ver a visão dele para a crise atual que passa o Brasil. Acredito que é na crise que surgem grandes oportunidades!!!



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