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Robin Hood às avessas.

postado em Artigos


IstoÉ

23/07/2010

Robin Hood às avessas

Os impostos de todos os brasileiros podem aumentar para pagar mais a um grupo de marajás aposentados

Imagine que Robin Hood tivesse um ataque de loucura e resolvesse fazer tudo ao contrário: roubar dos pobres para dar aos ricos. Liberte sua imaginação. Robin rouba de todos e distribui para pouquíssimos. Que tal se ele roubasse de 200 e desse tudo para um único indiví­duo? Não sobraria nem picadinho de Robin Hood, certo?

Errado, principalmente se ele morasse no Brasil. Por aqui, Robin Hood às avessas não só está vivinho da silva, mas vai muito bem, obrigado. Responde pelo nome de Governo, sobrenome Previdência Social do Setor Público.

No ano passado, o déficit da previdência pública – a diferença entre o que os servidores públicos contribuíram e o que os aposentados do setor receberam em benefícios – atingiu R$ 47 bilhões, um déficit de R$ 50.146,00 por beneficiário. Representa 31 vezes mais do que nossos impostos tiveram de bancar por aposentado do setor privado.

Enquanto o valor máximo de aposentadoria no INSS – Regime Geral da Previdência Social, que regulamenta as aposentadorias dos pobres mortais do setor privado – é de R$ 3,4 mil, as aposentadorias e pensões no Judiciário e Legislativo superam R$ 13 mil por mês em média.

Se resolvêssemos pagar aos 27 milhões de aposentados as mesmas aposentadorias e pensões pagas aos nossos marajás do Legislativo e Judiciário, os impostos no Brasil aumentariam cerca de R$ 4 trilhões por ano para cobrir o buraco.

Todo o PIB brasileiro não seria suficiente para pagar tal gastança. Nem que transformássemos tudo o que é produzido no Brasil em impostos – não sobrando um mísero centavo – teríamos dinheiro suficiente para estender os atuais benefícios do setor público aos demais aposentados do País.

Ainda assim, nosso Robin Hood tupiniquim não se deu por satisfeito e resolveu que seus 937.260 amigos do rei ainda não são suficientemente bem tratados.

Há no Congresso uma Proposta de Emenda à Constituição, já aprovada na Comissão Especial da Câmara dos Deputados, que elimina a contribuição de 11% sobre as aposentadorias e pensões de inativos do setor público. Se aprovada, os impostos de todos os brasileiros aumentarão para que um grupo de 0,5% de privilegiados ganhe ainda mais.

Pensando bem, estou sendo duro demais com nossos bravos ex-servidores. Só porque os benefícios deles são mais de dez vezes maiores do que dos demais aposentados não é razão para que eles paguem esta contribuição de 11% sobre seus benefícios. Isto é puro preconceito!

Tenho uma proposta mais justa e equânime. Para que eles não sejam prejudicados, tenhamos um regime único de previdência para todos, independentemente de trabalharem no setor público ou na iniciativa privada.

A melhor solução seria estendermos a todos os aposentados as regras atuais do setor público, tanto com relação aos benefícios quanto à contribuição de 11% sobre eles. Para isto, bastaria que todo brasileiro trabalhasse três horas a mais por dia – para que nosso PIB crescesse o suficiente para ficar do tamanho da conta – e transferisse tudo o que ganhasse ao governo, sob a forma de impostos.

Outra saída, talvez mais simples, seria abolir a previdência pública e estender a todos as atuais regras e valores de aposentadoria do setor privado. Desta forma, o Robin Hood brasileiro não precisaria roubar dos pobres para dar aos ricos. Nem vice-versa.





    Carla Carvalho disse:
    14 de novembro de 2011 às 11:42

    Adorei a matéria. Isso é o que mais me deixa triste. Num país de terceiro mundo com políticos recebendo, amando salários que em nenhum outro lugar desse mundo se faz; só no BRASIL…
    Os políticos mais CAROS do mundo e mais safados também, claro que há excessões mas, é o mínimo do mínimo…Que DEUS nos ajude e que os brasileiros lutem por mudanças, urgente!
    Grande abraço Ricardo.



    André Padilha, DF disse:
    27 de fevereiro de 2012 às 10:17

    Não sou servidor público, mas em Brasília temos muitos servidores públicos. Mas, esses que ganham acima do teto do INSS não chega a 8% do total.
    Tirando as carreiras do Legislativo, Judiciário e categorias do Executivo, a maioria ganha de 1 a 3 salários mínimos. O governo está contando uma história falsa para achar culpados.
    Servidores públicos não tem CLT (FGTS, licença-prêmio, aviso-prêvio, participação dos lucos, não vender férias entre outros direitos trabalhistas).
    Tirar a aposentadoria sem trazer de volta a CLT tirada em 1988 não é fazer justiça.



    dirce bordin disse:
    28 de fevereiro de 2013 às 13:10

    Adoro você guri…uma das cabeças mais inteligentes deste nosso pobre BRASIL …..Brasis dos sem tetos…dos sem fome….dos sem educação…dos sem vergonha na cara…..aaiiiaiaiai me leva daqui com vc…..vou até pro afeganistão mas não quero mais viver neste país…ou melhor vou pro paraguai mesmo…..beijo querido!



    Andriw disse:
    28 de fevereiro de 2013 às 13:44

    É vergonhoso isso. É duro ver como o Governo é empenhado em falir o país. Para a nossa sorte, até nisso são incompetentes.



    flavia melo disse:
    28 de fevereiro de 2013 às 14:16

    Interessantíssimo o tema.



    Thiago disse:
    28 de junho de 2013 às 22:45

    Concordo em parte, pois os ditos “marajás” são minorias, pelo menos no executivo (que você fez questão de não salientar). Penso que em qualquer forma de carreira, pública ou privada, sempre existirá a cultura do benefício para os que mais produzem, tem responsabilidades, etc. Porém, como frisou, está conta não dá o resultado justo e desejado. Nada de programas, só servem para consertar o que não foi bem feito. Tem de haver uma quebra de paradigma no Brasil, em especial, quanto à previdência pública/privada.



    Jose disse:
    12 de junho de 2014 às 1:48

    Caro Ricardo, na maioria dos filmes de suspense o criminoso e sempre o mordomo e quando ha deficit publico o criminoso e sempre o servidor publico. E um estereotipo batido e demode. Os servidores que ingressam no setor publico tem o teto igualado ao setor privado. O servidor aposentado contribui com 11% mesmo depois de aposentado, o que nao ocorre no setor privado. Nao acho justo tambem outros pagarem a conta, no entanto e muito complicado chegar em uma partida ao 44 minutos do segndo tempo, no final do jogo, de mudar a regra do jogo, nao vale mais gol dentro da area, so de fora. Complicado isto. Haja instabilidade!!!



    Allan disse:
    17 de julho de 2014 às 23:26

    Excelente, Ricardo. Além do rombo da Previdência, e do efeito que tem sobre a economia, há um outro efeito das autarquias, sinecuras e cabides que compõem o funcionalismo e que é, em geral, negligenciado pelos comentaristas: o “brain drain” representado pelos concurseiros, gente, em geral bem preparada academicamente, inteligente e capaz, que abdica da oportunidade de se desenvolver na iniciativa privada, até mesmo como empreendedor, pela chance de ter um emprego com “estabilidade”. Isso é o mais trágico.



    Thomaz Raposo disse:
    18 de julho de 2014 às 15:39

    Onde está escrito quanto o INSS arrecada mensalmente e encaminha para o TESOURO pura e simplesmente. Para mim nunca estivemos deficitários e inclusive tenho a certeza que bancamos muitos “gastos” de forma indevida.



    Fabio disse:
    20 de julho de 2014 às 19:19

    Caro Ricardo, de fato o problema da previdência é um dos mais sérios que temos, se não o mais, em termos fiscais e que atrapalha as demais áreas, porém esta equiparação que vc propõe de limitação da aposentadoria dos Serv. públicos ao teto da previdência do INSS já foi feita em nível Federal e em alguns Estados, a exemplo de SP há 1 ano. Ocorre que leva anos p fazer efeito. Complicado, porque mudaram tarde, nisso já se aposentaram centenas de milhares antes dos 50 anos, um absurdo, pois os que ingressaram de 10 anos p cá a regra já é bem diferente.



    leonardo disse:
    19 de outubro de 2014 às 17:17

    Acompanho sempre.
    Excelente texto.



    Margareth Alvesv disse:
    20 de outubro de 2014 às 4:17

    O problema é nivelar todos por baixo. A propria Dilma admitiu que 67% dos beneficiário do inss recebem salário mínimo. Imagine o todos os aposentados indigentes no Brasil. Não sou servidor público e vou me aposentar pelo inss. Reformas na previdência devem ser melhor estudadas. As questões de pensão por exemplo que seguem regras de 100 anos atrás, quando as mulheres nao trabalhavam e os casamentos eram indissolúveis. Para pensionistas não tem tempo de serviço nem fator previdenciário. Regras que prejudicam quem trabalhou, pagou e deveria ter uma aposentadoria digna.



    rodriog l costa disse:
    17 de junho de 2015 às 12:52

    Faça um novo texto e explique em detalhes e gráficos quanto cada um dos tipos de sistemas gastam. seria muito interessante.

    Obrigado



    Marcello disse:
    17 de junho de 2015 às 18:35

    Caro Ricardo, seu texto é raso e desinformativo. Imagino que sua intenção seja boa, pois parto deste princípio com todos, mas é difícil para mim acreditar que você não conheça a história, as alíquotas de contribuição, a composição dos fundos de aposentadoria, o orçamento dos ministérios que custeiam seus aposentados, etc. Nos comentários acima, você poderá encontrar informações importantes para corrigir seu texto e informar seus leitores. Do jeito que está, seu texto confunde quem não conhece o assunto e irrita quem conhece.



    Sheila disse:
    26 de agosto de 2015 às 8:28

    Normal… Estou cansada de tudo isso. As vezes penso em botar meu filho numa mochila e sair do país… Haja coragem, mas acho que aquilo que não tem remédio, remediado está…



    Evandro Francisco gomes dos santos disse:
    2 de fevereiro de 2016 às 9:12

    isso é convesa pra encher lingüiça o governo faz o que quer com a camada mais pobre ainda mais com essa atual desaadiministração .



    Evandro disse:
    2 de fevereiro de 2016 às 15:21

    Eu sou servidor público há 13 anos. Troco a minha aposentadoria por FGTS de todos esses 13 anos. E quero de volta os 11% que sempre paguei. Não quero aposentadoria.

    Sei que ninguém vai fazer isso porque o dinheiro da previdência vai para tudo nesse país, não só para os aposentados.

    Brasília foi construída com dinheiro da previdência.

    É por essas que a conta não bate.

    Sua forma de analisar a questão foi muito simplista. Antes fosse assim tão óbvio.



    George Antonio disse:
    2 de fevereiro de 2016 às 17:46

    Adoro o Brasil, só sairia daqui pra morar na suiça sendo herdeiro de banqueiro. O problema “mor” de Pindorama é Brasilia, esse modelo imbecil de centralização que só serve para gerar corrupção. (opa quase deu rima!)

    PS – O autor foi simplista, e até errôneo.
    Se é para acabar com o problema, acabe-se com a previdência oficial, ou que pelo menos ela não seja obrigatória.



    15 de setembro de 2016 às 16:10

    O Brasil está passando por um momento de vergonha! Vergonha nacional e internacional! E nós, os empreendedores somos os mais prejudicados, tanto da parte do governo quanto do povo. Ninguém quer saber que nós estamos gerando emprego, e ainda segurando a barra nessa crise, suportando milhares de famílias! O governo não quer saber de nada não! Pior ainda, nunca vi um país que cujo papel principal é fazer o povo se virar contra os próprios patrões!!! VERGONHA! Ricardo, como sempre, excelente material!



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