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Prepare-se para a próxima crise global enquanto é tempo.

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Sementes da nova crise

Calote de um país europeu pode mudar todas as previsões de bons ventos para a economia brasileira .
Em março, neste mesmo espaço, afirmei que a zona do euro se despedaçaria ou a crise da dívida pública europeia pioraria muito, provavelmente ambos. Comentei que a Grécia era só o começo. Agora, quando a crise atinge em cheio a Irlanda, forçando-a a aceitar um pacote financeiro de quase R$ 200 bilhões da União Europeia e do FMI para evitar um calote de sua dívida, é hora de retomarmos o assunto.

Neste momento, as economias desenvolvidas – com exceção das exportadoras de matérias-primas, Austrália, Canadá e Noruega – têm um desempenho econômico e uma situação fiscal frágeis. Para estimular suas economias, os outros países ricos reduzem taxas de juros praticamente a zero, imprimem dinheiro como nunca antes e desvalorizam suas moedas. Assim, estimulam seus consumidores a gastar e aumentam a competitividade de suas exportações. Além disso, estão tentando acelerar a inflação para aumentar a arrecadação de impostos, facilitando o pagamento da dívida. Qualquer semelhança com o Brasil da década de 80 não é mera coincidência.

Acontece que os países da zona do euro não controlam suas políticas monetária e fiscal. As taxas de câmbio e juros básicos são as mesmas para todos. Países em dificuldades não conseguem ter juros tão baixos nem taxa de câmbio tão desvalorizada como necessitam. Mesmo adotando medidas duras – aumento de impostos, cortes de serviços públicos, aposentadorias e salários de funcionalismo –, sem conseguir estimular seu crescimento econômico, Grécia, Irlanda, Portugal, Espanha e Itália estão em situação cada vez pior. Preocupados, investidores internacionais exigem juros mais elevados para financiá-los, o que acaba tornando a situação insustentável.

Um a um, estes países têm de escolher entre calote da dívida – como na Argentina em 2001, com o PIB encolhendo mais de 10% no ano seguinte – ou perda de soberania na política econômica, em troca de um pacote de salvamento do FMI. Grécia e Irlanda já fizeram a segunda opção. Portugal tomará o mesmo caminho em breve.

A seguir é que a coisa fica complicada. A Espanha, cujo PIB não cresce há nove trimestres, dificilmente terá tal escolha. A dívida espanhola é muito maior do que as de Grécia, Irlanda e Portugal somadas. É improvável que a União Europeia e o FMI tenham recursos suficientes para um pacote tão grande. Mesmo que se consiga evitar o calote espanhol, será ainda mais difícil impedir o colapso seguinte, o da Itália.

Em 2008, falou-se em um tsunami no mundo e marolinha no Brasil. Em 2010, nem a marolinha da crise europeia atingiu o Brasil. Um calote espanhol e/ou italiano mudará radicalmente este quadro. A primeira consequência seria uma crise bancária em toda a Europa. Os maiores credores dos países europeus em dificuldades são os bancos alemães e ingleses. O calote desencadearia perdas de centenas de bilhões de dólares, interrompendo a oferta de crédito e tragando as poucas economias europeias supostamente sólidas para o buraco. Com a crise se generalizando na Europa, só um milagre impediria que ela atingisse o Brasil e o resto do mundo.

Ponha as barbas de molho e acompanhe o noticiário europeu. Em 2011, o lucro da sua empresa, seu emprego e seus investimentos dependerão mais disso do que de qualquer outra coisa.

Revista IstoÉ





    13 de dezembro de 2010 às 10:58

    É praticamente um holocausto financeiro !! Provavelmente a bolha deixada por Lula estourará e aí a explosão será devastadora pois o Brasil não figura nesse grupo dos Europeus.



    eduardo disse:
    18 de dezembro de 2010 às 8:24

    Prezado Ricardo,

    Por favor, informe suas análises com mais frequencia. Ajude esse pobre trabalhador que passa o dia enfurnado na fábrica, sem tempo para avaliar as noticias como vc pode fazer.
    Vai, quebra o galho aí !
    Em abril vc disse pra sair fora mas nao deu uma unica deixa de quando retornar .. sair é facil, mas saber a hora de entrar é mais dificil .. resultado : eu por exemplo, sai na hora certa com meus imensos 30.000,00 que estao na poupança ate hoje por falta de conhecimento sobre a possibilidade dos 55.000 do ibovespa baixarem ainda mais ou não. Como eu, deve haver mais bobalhoes … Dá uma ajududinha ai pô !
    De qualquer forma, obrigado pela dica (ou melhor, meio-obrigado pois vc só sugeriu a saida, mas nao sugeriu a re-entradaa !)quando sair)



    Paulo Souza disse:
    20 de dezembro de 2010 às 10:08

    Ricardo,
    Bom dia
    Com esta crise européia que se anuncia, não podemos ter um efeito reverso, com a queda das nossas exportações de alimentos, fazendo a oferta interna aumentar, os preços cairem e o grande vilão da inflação do final deste ano que foram os alimentos ser domado ?
    Tks,



    Allan Galvao disse:
    23 de agosto de 2011 às 11:07

    Olá Ricardo.

    Gostaria de sugerir um tema para seus textos, como sempre muito bons!
    Em meio às tendências tenebrosas que estão por vir a se realizar, seria muito bom vc dar dicas de como proteger nossas finanças. Tendências, dicas, investimentos, etc..
    Estamos no mato sem cachorro e precisando de indicações de direções prováveis. Confio em suas previsões e conhecimento técnico, por isso, agradeceria muito se viessem textos neste sentido.

    Grande abraço.

    Allan C. Galvão.



    LAMARTINE KLAY disse:
    16 de agosto de 2012 às 15:46

    Poucas vezes vi uma análise tao suscinta e tão verdadeira. PARABENS. E vamos botar a barba de molho ou………………



    14 de março de 2016 às 18:05

    Como disse o Francisco Sales, o primeiro comentário, é um verdadeiro holocausto financeiro, infelizmente ele estava certo ao escrever, porém, o que houve foi que todo o problema político está estagnando a gestão financeira do país e estamos as portas de entrar num 3º ano de recessão…



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