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A voz das ruas e o PIBinho

postado em Artigos


Revista IstoÉ

07/2013

Por Ricardo Amorim

 

A proporção alcançada pelo tsunami de protestos no país nas últimas semanas surpreendeu o Brasil e mundo. R$ 0,20 abriram a caixa de Pandora das indignações. Para desespero dos governantes, R$ 0,20 não conseguiram fechá-la.

 

As razões de fundo das manifestações ainda não estão claras, mas parecem passar por insatisfação com a classe política, má qualidade dos serviços públicos, corrupção, preços elevados, inflação crescente e, mais recentemente, queda da capacidade de consumo da população.

 

Ainda é muito cedo para saber a real dimensão histórica que as manifestações tomarão, mas paradoxalmente, algumas de suas consequências políticas e econômicas já são óbvias.

 

Os protestos já conseguiram conquistas importantes, incluindo reduções de tarifas de transporte, cancelamento de aumentos de pedágios, o fim da PEC 37, a primeira prisão de um congressista condenado por corrupção desde a redemocratização, a destinação dos recursos do pré-sal para educação e saúde e o Presidente da Câmara rapidamente pagando por passeio aéreo às custas da FAB. Mais importante, os administradores públicos sabem que seus atos e decisões estão sob o crivo da opinião pública.

 

Porém, tudo na vida tem dois lados. Refletindo uma forte aversão a políticos e partidos estabelecidos, os movimentos são politicofóbicos e partidofóbicos. O perigo é abrir espaço para falsos salvadores da pátria. Lembra-se da caça aos marajás?

 

Há ainda custos econômicos significativos. Muita gente tem evitado sair de casa ultimamente, o que reduz a atividade econômica.

 

Questionar-se a conveniência e o montante dos gastos com a organização de megaeventos esportivos é absolutamente legítimo. Por outro lado, tais eventos deveriam impulsionar o turismo no país antes, durante e depois deles e proporcionar à “marca” Brasil uma visibilidade positiva que impulsionasse negócios e desenvolvimento. Agora, até o super-homem, o ator Henry Cavill, teve medo de vir ao Brasil promover seu filme. Os ônus da Copa e das Olimpíadas já são garantidos, mas boa parte dos bônus tornou-se incerta.

 

Os protestos coagem administradores públicos a zelar pelo bom uso dos recursos, evitando desperdícios e desvios de verbas. Isto é ótimo. Entretanto, requisições como transporte público gratuito, elevação dos recursos para educação a 10% do PIB e outras sugerem uma crença de que, coibidas a corrupção e a má utilização dos recursos públicos, teríamos dinheiro para tudo. Infelizmente, isto não é verdade.

 

Temos, sim, de expandir e melhorar a eficiência dos investimentos em transporte público, saúde, educação, infraestrutura e segurança, mas respeitando nossas restrições orçamentárias. Aliás, qualquer choque de gestão pública no Brasil digno do nome deveria cortar os gastos públicos totais, permitindo a redução e eliminação de impostos. O Brasil tem hoje a terceira carga tributária mais alta entre 156 países emergentes.

 

Por fim, investimentos tem sido postergados em função das atuais incertezas econômicas e políticas. A expansão da oferta já não conseguia acompanhar o crescimento da demanda, gerando pressões inflacionárias. Menos investimentos são a última coisa que o país precisa. Não sei até que ponto os recentes PIBinhos colaboraram para os protestos, mas não tenho dúvidas que os protestos colaborarão para mais um PIBinho esse ano.

 

Ricardo Amorim

Apresentador do Manhattan Connection da Globonews, colunista da revista IstoÉ, presidente da Ricam Consultoria, único brasileiro na lista dos melhores e mais importantes palestrantes mundiais do Speakers Corner e economista mais influente do Brasil segundo o Klout.com

 
 





    5 de julho de 2013 às 8:28

    Muito bom e oportuno seu artigo. Penso que é legítimo o povo se insurgir contra esse governo gastador e corrupto. Também acho que já está virando baderna essas manifestações, principalmente pelo transporte gratuito. Grátis? todos iremos pagar. Aqui em Joinville já estão falando em IPTU progressivo para pagar essa reivindicação, ou seja, essa conta vai sair do bolso de alguém. Aí haverá passeadas para baixar o IPTU e assim por diante.

    Estou apreensiva em relação à economia, se o governo começar a atender imediatamente as reivindicações, a conta vai sair do nosso bolso, como sempre.

    Peço que você escreva um artigo sobre o Plebiscito. Eu preciso entender os prós e contra desse processo. Falam que é golpe do PT (prá variar), mas não compreendo muito bem o que está inserido no contexto de um plebiscito.

    Obrigada

    Maria de Fátima Moresco



    Jorge Lima disse:
    5 de julho de 2013 às 8:29

    Como na Ecologi, não existe almoço grátis. Tudo tem um custo mas, de bom grado, pagamos para reduzir as taxas de safadezilidade.



    Edmar disse:
    5 de julho de 2013 às 10:13

    Olá Ricardo!

    Muito bom seu artigo.

    Eu acho que ações simples resolvem a insatisfação pública. Se a classe política ao invés de buscar artifícios complexos como abrir a caixa de pandora da reforma política que demandará muito tempo para se concluir, baixar remunerações a valores razoáveis para nossa economia, cortar verbas absurdas como auxilio terno e moradia para parlamentares, ter um compromisso mais sério com o país, buscando reduzir ao máximo o desperdício de dinheiro público. Note que eu não estou falando de corrupção, apenas austeridade na operação básica. Tudo isso focado para gerar uma economia na máquina governo e repassar isso em redução de impostos, acho que faria uma grande diferença. Parece sonho, mas seria ótimo, um dia termos orgulho de nossos políticos que estariam fazendo bem ao nosso país ao invés de sangrá-lo.

    Da mesma forma que na minha visão é simples, me parece muito complicado com a ambição de alguns.



    Jocely disse:
    5 de julho de 2013 às 16:11

    Ainda vejo com desconfiança a súbita disposição dos congressistas para atender à pauta das ruas. O voto aberto, por exemplo, que desejamos, seria para toda e qualquer votação e não para casos específicos. Enquanto isso o planalto fala em corte de despesas na casa dos 15 bilhões. Que despesas são essas? Combustível para os aviões da FAB,além de outras mordomias? Enquanto isso temos que conviver com ônibus lotado.



    marcelo kutzke disse:
    5 de julho de 2013 às 22:00

    Gostaria de responder essas indagações para MIM… seus questionamentos são os meus e de inúmeros indivíduos pensantes que vagam nesse País…muitas vezes gostaria de ser um pescador em um lugar escondido e viver alheio a isso tudo. Marcelo Kutzke.



    6 de julho de 2013 às 23:36

    Amorim,estamos perto duma revolução.Estão somente procurando o momento para detonar a bomba.Acho que chegamos num ponto que não há retorno.Estão brincando com o povo.De que pré sal eles falam se o mesmo é utopia.A música de Vinícius de Moraes cai muito bem aqui:Era uma casa muito engraçada……….



    Luciana disse:
    9 de julho de 2013 às 5:41

    Oi Ricardo,
    Excelente artigo. O que mais me preocupa, alem de todos pontos levantados por você, tem sido a reação da nossa Dignissima…
    A impressão que dá é a de que ela estava esperando justamente o caos para colocar as estratégias esquerditas em ação. É verdade que os médicos cubanos são pagamento de uma dívida que Cuba não conseguiu cumprir? Plebiscito? Obrigar pessoas a trabalhar pro estado antes de se formar?
    E concordo com a Selma acima, era uma casa muito engraçada….



    Wilson Sales disse:
    10 de julho de 2013 às 8:32

    Não é o governo que deve dizer ao povo o que fazer, mas a sociedade é quem deve dizer ao governo aquilo que dejesa que seja realizado. Parece que os governantes ainda insistem em fazer ouvidos de mercador.



    10 de julho de 2013 às 9:03

    Caro Ricardo.

    Mais uma vez meus parabéns pelo conteúdo apresentado. Realmente o povo esta saturado com a classe política, a cada dia somos surpreendidos com fatos e dados que indicam que algo tem que ser feito de imediato para minimizarmos o caos.



    Ronaldo Buchaim disse:
    10 de julho de 2013 às 9:21

    Caro Ricardo, bom dia. Você acredita que o consumo doméstico no Brasil está perto da saturação? Poupança elevada, menos consumo, menos atividade econômica, menos PIB…
    Abraços,



    Renato Secco disse:
    10 de julho de 2013 às 10:45

    Amorim, muito boa abordagem.
    Cuidados dos oportunistas de plantão.
    A questão da agenda de país, prioridades e gestão, estão em aberto há muito tempo. Conquistas no período de FHC e Lulla, neste no primeiro mandato. No entanto, o grupo no poder focou em perpetuá-lo e não na agenda da terra brasilis.



    Heloi T Santos disse:
    10 de julho de 2013 às 11:47

    A voz das ruas não foi e não será pautada pelos anseios da classe conservado comandada pela mídia.
    O que o povo quer é melhorar as condições de vida, avançar, jamis um retrocesso ao modelo neo liberal que levou o Brasil a bancarrota.



    Alessandra disse:
    10 de julho de 2013 às 12:00

    Ricardo,
    estamos vivendo um momento único, e o maior benefício é incluir a política nas famílias e rodas de conversa de TODAS as esferas sociais. Mas precisamos nos organizar, fazer uma pauta de solicitações com ordem de prioridades e agir de forma civilizada. Principalmente através do voto. Em 2014 teremos eleições e podemos iniciar as mudanças mais necessárias. E penso que, todo político precisa ter estudo comprovado, principalmente em administração pública.



    10 de julho de 2013 às 12:03

    Game over! Essa é a sensação que se percebe da voz da rua. As pessoas não se sentem representadas por estes que estão no poder e não na gestão do país. Sinto que as pessoas clamam por políticos competentes com vontade política para resolver os vários problemas (saúde, segurança, educação, mobilidade urbana, infraestrutura, etc) que não são problemas de difícil solução mas que exigem competência e vontade de fazer, o que não se encontra hoje naqueles que estão no “poder”; governar para o país e não para os companheiros; a questão é muito mais qualitativa do que quantitativa. Acham que mais dinheiro resolve, mas não resolve. Mais dinheiro para estes que aí estão significa mais problemas.
    O dinheiro do pré-sal para a educação e saúde? Quanto? Quando?
    E se não houvesse o pré-sal?
    Um dos prováveis efeitos positivos das recentes manifestações do ponto de vista externo, é mostrar que o Brasil não está no caminho certo e deve corrigir o rumo. Tomara que elas continuem pacificamente, pois parece que não entenderam as vozes das ruas; talvez seja preciso desenhar.



    Fabio disse:
    10 de julho de 2013 às 15:03

    Concordo com voce Ricardo, não existe mágica o mesmo povo que aplaudiu a copa e as olimpiadas hoje questiona, contudo não adianta chorar o leite derramado, que se levante no país,sem querer ser utópico, uma nova força politica, desporvida de conchavos e de vicios históricos, descompromissada e ao mesmo tempo compromissada, inovadora mas ao mesmo tempo, cuidadosa e criteriosa, e acima de tudo, COMPETENTE. Que nossa população que sempre adorou tem um Messias, um salvador, foi assim com o Lula, aprenda que milagre só Deus faz, e Deus não é politico, quem irá governar o Brasil e mudar este quadro, será alguém diferente, mas ao mesmo tempo igual, alguém que está perto de nós, alguem real e não um “ser mitologico”!



    10 de julho de 2013 às 21:34

    Ola Ricardo, vejo quje as manifestações são muito mais pela melhoria dos seus politicos. Mas acho que ainda teremos muita luta pela frente, pois o Brasil tem uma diversidade social muito grande e alinhar isto em necessidades é difícil, inicialmente. Melhorias tributarias, economicas e sociais são fundamentais, mas a sociedade precisa tam´bem aprender estas coisas.



    Ricardo Mohylovski disse:
    11 de julho de 2013 às 13:56

    O que estes protestos têm de incomum é que ninguém sabe, nem a classe política, qual é a liderança formal do movimento.As redes sociais tiveram papel importante no recrutamento da população.O protesto é apartidário e conforme uma senhora relatou na praça da Sé: -“Não adianta ficar em casa só reclamando, nós temos que tomar alguma ação”. O sociólogo polonês Balmann descreve muito bem a nossa realidade: poder líquido, relações líquidas, necessidades líquidas.
    O Brasil está deixando de ser denso e se tornando mais sútil. O bolsa família não vai reverter a situação de impopularidade do governo. E a Dilma está com o ar de insegurança cada vez mais notório no semblante. Estamos entrando na época da Desobediência Civil, de Henry David Thoreau.



    Helio Lima disse:
    11 de julho de 2013 às 15:18

    Otimo artigo. Faço uma sugestão:
    Reforma politica( do estado brasileiro )
    Não importa muito o sistema eleitoral, se os politicos não mudarem a atitude.
    A primeira reforma, seria reduzir o numero de deputados federais, deputados estaduais, e vereadores.
    Diminuir o numero de cargos chamados de confiança, sem concurso publico, nas esferas do executivo federal, judiciario e legislativo.Assim como nos estados e municipios….
    Ai entao veremos se os politicos querem de verdade fazer uma reforma politica…



    24 de julho de 2013 às 10:11

    Olá Ricardo, estamos vivendo extremos. Como nunca antes na historia deste pais fizemos reinvidicações por coisas tão banais (R$ 0,20) ainda não sabemos bem o que somos, o que podemos fazer e qual será o resultado disto tudo. Com certeza o povo nas ruas sabe que “tem valor” – ainda não sabemos como tirar proveito disso. Mas acho que já aprendemos uma lição e os governantes também – vai todo mundo pensar 2 vezes antes de subir no avião da FAB. Abs. Claudio Silveira



    Nilo Lima disse:
    24 de julho de 2013 às 11:03

    Ótimo artigo. É inevitável que o impacto na política econômica do país irá sofrer. O investimento interno será afetado e também o investimento externo. Infelizmente enfrentaremos em 2014 um ano muito ruim. Agora é a hora de poupar e mentar os pés no chão. Todo cuidado é pouco.



    ivone moreira disse:
    25 de julho de 2013 às 20:59

    O QUE ME PREOCUPA, É A REAÇÃO OU MELHOR A ATITUDE QUE DILMA IRÁ TOMAR, ORQUESTRADA PELO LULA. QUAL A MANOBRA ELEITOREIRA QUE IRÃO FAZER PARA PERMANECEREM NO PODER.



    Rodrigo disse:
    25 de julho de 2013 às 21:29

    Fala Ricardo! Parabéns pelo artigo. Concordo com vc que o dinheiro da roubalheira nao seria suficiente para sanar todos os problemas do país. Mas acredito que é um passo importante. O outro passo, seria reduzir a carga tributária. Todo mundo sabe que as vezes com uma carga tributaria menos elevada o governo arrecada mais dinheiro, pois há menos sonegadores, etc, etc etc… Concordo com a Selma Bruscatto que disse que estamos na beira da revolução. O perigo é justamente algum oportunista como o caçador de marajás citado por vc ou um falso Robespierre de meia tigela se aproveitar da situação. Abraço!



    PAULO CESAR BASTOS disse:
    27 de julho de 2013 às 18:33

    Para um desenvolvimento verdadeiro e ao alcance de todo o povo brasileiro é preciso que todos os níveis de poder ouçam o que clama a rua e mostra o cartaz exigindo uma gestão eficiente e eficaz. Fazer o máximo e gastar o mínimo, maximizando o investimento e minimizando a despesa administrativa. Economia é a base da prosperidade. Óbvio e elementar, mas é preciso começar, agora e já. É isso aí.



    Luiz Atílio Silvério de Freitas disse:
    4 de agosto de 2013 às 18:39

    Ricardo.
    Não sei como a história irá relatar esse momento do Brasil, um aspecto certamente será ressaltado. Elegemos um “poste” gerente, mas essa pseudo qualidade dela foi anulada pelo cabresto recebido de seu antecessor.,vamos entrar na maior crise da história moderna, por um motivo muito simples provamos como é bom viver sem inflação, moeda estável e bom nível de emprego.



    4 de agosto de 2013 às 21:59

    Olá Ricardo tudo bem?

    Acredito que a expressão latina “panis et circenses” pode ser utilizado tranquilamente neste momento que estamos passando no Brasil. O governo abriu a porta do cofre dando crédito, subsidiando a compra de imóveis, carros, eletrodomésticos e ainda o dinheiro mais abençoado para boa parte dos brasileiros o “Bolsa Família”. Conheço famílias que só conseguem viver e comer graças ao bolsa família.
    Lembrando: “Não dê o peixe, ensine a pescar”
    Investimento em educação,saúde, transportes, infraestrutura, ufa…Aja investimento.
    E como atrair investidores com a quantidade de impostos que temos no brasil.
    A sra. Dilma já não é mais tão popular como era em seu início de mandato.
    Abraço!



    Sandra Ribeiro disse:
    7 de fevereiro de 2014 às 23:16

    Você é um cara de postura administrativa, adoro seu conceito e análise em co-relação à economia . Daria um ótimo governante. Meu voto é seu! Parabéns, sempre me dou bem em economia graças à sua ajuda. Fica com Deus.



    Paulo Farias disse:
    11 de março de 2017 às 22:59

    A verdade é que falta muita coisa nesse País. Mas o principal é a dignidade que passa longe do Brasil!

    Vamos continuar sofrendo com a inflação e o aumento dos impostos enquanto o povo não acordar e reivindicar o seu direito!!



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