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A tempestade e a bonança.

postado em Artigos


Revista MAN Magazine
Fevereiro/2012

Por Ricardo Amorim

 

O governo brasileiro projeta, atualmente, um PIB 4% maior em 2012 – até recentemente a previsão era 5%. Os economistas esperam, em média, crescimento de 3,3%; há pouco projetavam 4%. Infelizmente, todos, provavelmente, ainda exageraram no otimismo, talvez por muito.
 
Recessão na Europa, em 2012, é quase uma certeza. O cenário mais otimista é uma recessão branda. O cenário alternativo ̶ se os europeus forem incapazes de implementar uma resposta muito mais ampla e arrojada aos desafios atuais ̶ é uma crise crônica de proporções superiores às causadas pelo colapso do banco americano Lehman Brothers em 2008.
 
Se ocorrer uma sequência de calotes de países europeus, a probabilidade de uma crise financeira global é enorme, mas, desta vez, o arsenal de combate à crise nos países desenvolvidos está praticamente exaurido. Devido a problemas fiscais, Europa, EUA e Japão não poderão estimular suas economias aumentando gastos públicos e reduzindo impostos, como fizeram em 2009.
 
Também não terão como impulsioná-las reduzindo as taxas de juros, já muito próximas de 0% a.a.. O único instrumento de estímulo que sobrou é o menos eficiente: imprimir dinheiro. Seus efeitos colaterais – inflação e desvalorização cambial – são bem conhecidos dos brasileiros.
 
Mesmo que os calotes na Europa se limitem à Grécia e o continente tenha apenas uma recessão leve, a recuperação americana é frágil e a China vive um processo – cheio de riscos – de desaceleração de seu mercado imobiliário, o que indica que o crescimento global deve ser baixo, com impactos negativos no Brasil.
 
Em resumo, o momento sugere cautela, até porque após a tempestade vem a bonança. Depois de uma queda do PIB em 2009, o crescimento brasileiro em 2010 foi o mais elevado em mais de um quarto de século. É provável que a sequência se repita; decepção em 2012, crescimento acelerado em 2013, talvez recorde, e ainda forte em 2014, ano de eleições e Copa do Mundo.
 
Ricardo Amorim

Economista, apresentador do programa Manhattan Connection da Globonews e presidente da Ricam Consultoria.





    28 de fevereiro de 2012 às 11:05

    Como Paul Krugman escreveu hoje em um artigo, ou os países periféricos da zona do euro enfrentam as dores da deflação ou terão que deixar o euro. O que a Grécia se aproxima.



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