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A China é aqui.

postado em Artigos


Revista IstoÉ

04/03/2011

A China é aqui

Nos EUA, são vendidos hoje cinco vezes menos imóveis do que há quatro anos. No Brasil, é impossível ir a uma cidade e não encontrar um mar de canteiros de obras

Há mais de 30 anos, a China cresce a um ritmo de quase 10% ao ano, causando inveja e alterando toda a ordem econômica global.
No Brasil, a crescente importância da economia chinesa é visível a olhos nus. Examine os produtos à sua volta neste exato momento e encontrará as inevitáveis etiquetas de made in China. Desde 1999, a corrente de comércio – soma de exportações e importações – entre Brasil e China saltou de US$ 1,5 bilhão para mais de US$ 55 bilhões. 

De carona na fome chinesa por nossas matérias-primas e na sua oferta abundante de capitais baratos para financiar investimentos e consumo no País, o Brasil dobrou seu ritmo de crescimento nos últimos sete anos para cerca de 5% ao ano. As regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste têm sustentado taxas de expansão bem maiores. Vários setores, em particular o imobiliário, o automotivo e o agronegócio crescem em ritmo de dar inveja até aos chineses. 

Este crescimento acelerado colocou o Brasil em posição de destaque. Na última década, o País passou de quinto a segundo maior exportador do agronegócio no mundo, multiplicando por seis o superávit comercial do setor, passando de US$ dez bilhões a mais de US$ 60 bilhões. O crescimento do interior do País não deixa nada a dever ao dragão asiático. 

No setor automotivo, a história não é diferente. De 2003 para cá, as vendas de automóveis no País aumentaram quase 150% – sustentando uma média anual de crescimento de quase 14% –, passando de 1,4 milhão a 3,5 milhões de unidades. O Brasil pulou de oitavo para quinto maior mercado de automóveis no planeta. Se o crescimento continuar parecido até a Copa do Mundo, teremos o terceiro mercado mundial de automóveis. Ainda assim, o número de automóveis por habitante no Brasil será três vezes menor do que nos EUA.
Quem você acha que continuará crescendo? 

A importância do Brasil para as montadoras é também cada vez maior. Há anos, a Fiat já vende mais automóveis aqui do que na Itália. Talvez ainda neste ano, a Volkswagen venda mais automóveis no Brasil do que na Alemanha. Para a GM, o Brasil já é o terceiro mercado consumidor. Aliás, o primeiro é a China – que você achava ser o país da bicicleta – onde a venda de automóveis era 1/10 da dos EUA há dez anos, mas há dois anos tem superado o tradicional país do automóvel. 

A mesma coisa acontece no setor imobiliário. Enquanto a contração nos mercados americano, europeu e japonês parece não ter fim, o mercado brasileiro vive o melhor momento da história. Nos EUA, são vendidos hoje menos imóveis do que há 50 anos, cinco vezes menos do que há quatro anos. No Brasil, é impossível ir a uma cidade e não encontrar um mar de canteiros de obras. A alta de preços dos imóveis ao longo dos últimos anos foi causada pela abundante oferta de crédito e consequente multiplicação dos compradores. 

Aliás, é a expansão de crédito e renda nos países emergentes, onde o endividamento ainda é baixo, que deve manter esse quadro inalterado na próxima década, apesar de inevitáveis solavancos ao longo do caminho. 

Você anda preocupado com as recentes manchetes comparando a alta de preços de imóveis no Brasil com a bolha imobiliária americana? Saiba que o crédito bancário ao setor imobiliário no Brasil não chega a 4% do PIB, 30 vezes menor do que nos EUA e 45 vezes menor do que na Suíça. Durma tranquilo em seu apartamento novo.





    Marcos G. Atchabahian disse:
    11 de abril de 2011 às 16:04

    Ricardo, nós nos conhecemos em uma palestra que fizemos na Bahia a 3 anos atrás ( sou revendedor de material de construção ).
    Eu assisto seu programa todos os domingos e também leio todos os seus textos. Gosto muito dos seus comentários, sempre muito claro e objetivo.
    Parabéns e sucesso.
    Abs Marcos



    rachel disse:
    11 de abril de 2011 às 16:13

    Recentemente li um artigo seu sugerindo se manter longe da renda variavel. Esse posicionamento permanece o mesmo?
    Att



    igor cornelsen disse:
    11 de abril de 2011 às 16:28

    O que preocupa é o preço das coisas no Brasil.
    A bolha está no valor do real.
    O preço do metro quadrado de imóveis comerciais, em prédios de mesma qualidade, não deveriam custar mais caro no Rio ou São paulo do que em Manhattan.
    Casas de praia no Brasil não poderiam custar muito mais do que na Flórida.
    Um Big Mac no Brasil não deveria custar muito mais do que em qualquer outro canto do planeta.
    Distorções desta natureza podem durar enquanto o preço das commodities agrícolas estiverem inflados no mercado mundial. No dia que sofrerem uma correção o déficit em conta corrente vai assustar, e o mercado voltar ao normal.
    A China não é aqui.
    Na China o capital estrangeiro vai investir na produção. No Brasil ele vem comprar ativos.
    Compra de ativos não gera crescimento, mas pode inflar bolhas, a pior delas é a da cotação da moeda.

    Abraço,

    Igor



    heverton disse:
    11 de abril de 2011 às 16:29

    bom saber que escolhi o pais certo



    11 de abril de 2011 às 16:50

    PARABÉNS, MUITO BEM COLOCADO



    Martin Clemesha disse:
    11 de abril de 2011 às 16:54

    Gostaria de sugerir como tema para o próximo texto, a competitividade do Brasil no cenário global e algumas idéias para aumentá-la. Tenho muitos clientes alertando para a dificuldade de competir com os produtos industrializados importados que muitas vezes chegam ao país com custo extremamente competitivo e níveis de qualidade cada vez melhores.



    LUIZ EDUARDO disse:
    11 de abril de 2011 às 17:09

    Oxala não acabemos entregando o ouro para os grandes especuladores internacionais, por falta de dicernimento em fazer as reformas que são necessarias, ao inves de ficar achando que o mundo pertence ao Ministro da fazenda e o PT.



    Rosy França disse:
    11 de abril de 2011 às 18:24

    A informação é necessária aquela maioria que ainda acha que o Brasil não cresceu, e que ainda somos explorados aos moldes de Portugal. A grande novidade é exatamente o poder de crescimento encontrado no Brasil no momento atual. As chances de crescer ainda são enormes, em relação aos países citados no artigo. Há uma pitada de magia com relação às construções e tudo que dela decorre, desde a cadeia produtiva, a satisfação pessoal, unida a sensação de bem estar a muito ansiada pelos brasileiros. Concordo durma bem, em seu apartamento novo.



    Júlia Dimianos disse:
    11 de abril de 2011 às 19:47

    Seus comentários e opiniões, são sempre diretos e objetivos, e acima de tudo nos transmitem muita segurança. Obrigada!!! Sucesso para você é o que desejo!



    lucas mendes disse:
    11 de abril de 2011 às 19:55

    Ja mandou para os companheiros leais Diogo e Caio? Esta otimo , abracos
    Lucas



    MARCOS PESQUEIRA MENDONÇA disse:
    13 de abril de 2011 às 7:45

    Ricardo,

    Muito pertinente os seus comentários – esse comparativo mostra dois pontos importantes para mim – não tinha a dimensão exata das proporções:
    1 – MERCADO AUTOMOBILÍSTICO: A importância do mercado brasileiro no caso das empresas automobilísticas – a Fiat vende mais aqui do que na Itália? Surpresa para mim. E a Volkswagem vai na mesma? Puxa, quem diria.
    2 – MERCADO IMOBILIÁRIO: A comparação do mercado imobiliário e o grau de financiamento – com certeza é um ponto que nos deixa um pouco menos preocupado com o Brasil E também não fazia idéia de quanto caiu o mercado imobiliário nos EUA.

    O conservadorismo do nosso mercado financeiro no que tange a financiamento à população – que sempre foi muito contestado mas agora parece fazer sentido. As altas taxas cobradas, medidas restritivas do governo como altos compulsórios parecem ter dado uma certa consistência nos resultados finais do MERCADO FINANCEIRO. Se antes éramos ridicularizados agora passamos a ser….respeitados. Que mudança.

    Mas Ricardo, como destravar o processo de investimento em infra estrutura? Imagino que a questão seja muito menos técnica e mais política. Acredito que se apresentarmos o panorama atual de aeroportos, portos, estradas, linhas de trem, hospitais, etc a um grupo de estudantes de economia ou administração, tenho certeza que eles chegariam a um plano mais consistente do que o governo tem produzido. E não seria necessário um trem bala – apenas um trem de alta velocidade (não precisamos de super velocidade). Com o dinheiro do “troco”, mais uns 200km de metro em SP e RJ.

    Como caminhar para frente? Ontem escutei na CBN uma rápida entrevista com o Fernando Henrique que procura dar uma luz aos partidos da oposição de como poderão se posicionar como protagonistas nos próximos anos. Será que vamos conseguir?

    Abraços,

    Marcos Mendonça



    Joao Nunes Pimentel disse:
    18 de abril de 2011 às 23:26

    Ricardo.
    Assisti sua palestra em Florianópolis,quando a convite da Shell.Até hoje comento com meu presidente,vc agradou quase mil pessoas que lá estavam.
    O cenário nacional e internacional que vc.comenta é muito consciente.
    Parabens.Aprendi pedir informação para vc.
    Saúde e Paz.



    Philippi Coutinho disse:
    3 de julho de 2014 às 19:55

    Realmente é possível dormir tranquilo, quando lemos a sua opinião em relação ao mercado imobiliário e de certo modo a economia. Parabéns !



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