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Entrevista de Ricardo Amorim sobre o forte crescimento dos shopping centers no Brasil

postado em Entrevistas


 

Valor Econômico

07/2013

Por Adriana Carvalho e Roseli Loturco

 

Inaugurações são recorde em 14 anos

 

Se a indústria de shopping centers brasileira fosse uma cidade, poderia ser comparada a uma das dez maiores do país. O cálculo considera que a sua população economicamente ativa corresponde à metade da população total. Ou seja, como se fosse uma família de quatro integrantes, onde metade trabalha (pai e mãe) e metade não trabalha (os filhos pequenos).

 

Quem explica é o economista Ricardo Amorim, presidente da Ricam Consultoria: “Sabendo que os shoppings hoje empregam 877 mil pessoas no país, se o setor fosse uma cidade teria o dobro desse número em habitantes, o que corresponde a 1,7 milhão de pessoas. Com isso, ficaria entre as dez maiores cidades brasileiras”, diz Amorim.

 

Principais indicadores do ramo de shoppings

 

Além de representar uma parcela importante dos empregados do varejo, que hoje somam 6,8 milhões de pessoas em todo o país de acordo com os números da Pesquisa Anual de Comércio do IBGE, o setor vem se expandindo fisicamente e crescendo em faturamento de forma expressiva nos últimos dez anos.

 

Segundo dados da Associação Brasileira de Shopping Centers (Abrasce), o número desse tipo de centro de compras saltou de 325 em 2004 para 457 no final de 2012 e hoje já está em 462. Ao todo, em 2013, serão lançadas mais 41 unidades. É o maior número registrado nos últimos 14 anos e uma quantidade bastante superior à do ano passado, quando foram inaugurados 27 shoppings.

 

Para se ter uma ideia das dimensões dos números desse setor, os 462 shoppings ocupam, juntos, uma área construída de 28,9 milhões de metros quadrados, o equivalente a um quarto da extensão da capital francesa, Paris, ou a 47 vezes a fábrica da Fiat na cidade de Betim, em Minas Gerais. Quando se fala em termos de Área Bruta Locável (ABL), observa-se uma evolução significativa: o número praticamente dobrou nos últimos dez anos, passando de 5,6 milhões de metros quadrados em 2003 para 11,5 milhões de metros quadrados no final de 2012.

 

Os números também são vultuosos quando se trata de faturamento. Os shoppings vendem atualmente três vezes mais do que há dez anos: os R$ 36 bilhões de 2003 se transformaram em quase R$ 120 bilhões no ano passado, o dobro do faturamento registrado por outros setores importantes da economia como o farmacêutico. E a expectativa é de avançar mais. Segundo a Abrasce, depois de registrar crescimento de vendas de 10,65% em 2012, na comparação com 2011, o setor ainda espera faturar 12% mais neste ano.

 

É um desempenho notável quando comparado à evolução do Produto Interno Bruto (PIB) do país, que em 2012 fechou com alta de 0,9% e neste ano não deve ir além de 3%, segundo as projeções do mercado. E também muito significativo quando colocado lado a lado com os números de outros segmentos do varejo. O crescimento do faturamento dos shoppings foi praticamente o dobro do registrado pelos supermercados brasileiros, que no ano passado venderam 5,3 % a mais do que em 2011.

 

A explicação para esse desempenho do setor está principalmente no consumo, conforme analisa o presidente da Abrasce, Luiz Fernando Veiga. “O mercado de consumo está bastante aquecido, o país tem bons índices de emprego. Além disso, há mais facilidade de crédito e o poder aquisitivo da população está maior. Isso tudo levou a uma ampliação da base de consumidores, criou uma nova classe média”, afirme ele.

 

Veiga acrescenta que em 2014 o ritmo deve continuar veloz e que mais 32 shoppings deverão ser abertos. Atualmente, segundo a entidade, os shoppings recebem a visita de 398 milhões de pessoas por mês. Considerando que a população brasileira tem 190 milhões de habitantes, é como se cada cidadão fosse ao shopping duas vezes ao mês.

 

O aumento da base de consumidores, gerado pelo incremento da renda – a pesquisa Observador Brasil 2012, realizada pela Cetelem / Instituto Ipsos, mostra que só entre 2010 e 2011 cerca de 2,7 milhões de brasileiros entraram na classe C e que a renda média da população cresceu 20% -, e a expansão imobiliária tem trazido não só novos investimentos mas também novas empresas para o setor de shoppings.

 

Um exemplo é a 5R Shopping Centers, empresa que se dedica desde a prospecção até a administração de shoppings. Com apenas dois anos de vida, tem nove empreendimentos em andamento nos quais está investindo R$ 1,8 bilhão. Apenas dois deles estão em capitais. Os demais seguem a tendência do mercado de explorar novos mercados fora dos grandes centros. “Nosso objetivo é ir para cidades acima de 200 mil habitantes. Estamos focados em consumidores das classes C e B. Os empreendimentos são de médio e grande porte, com no mínimo 20 mil metros quadrados de ABL. Estamos nos dedicando a empreendimentos de uso misto, que unem o shopping com residências, escritórios ou hotelaria”, afirma Cesar Garbin, sócio e diretor de operações da 5R Shopping Centers.

 

Um dos primeiros a serem inaugurados, no primeiro semestre de 2014, deverá ser o Praça Rio Grande, no Rio Grande do Sul: o município, com cerca de 200 mil habitantes e a 300 km de Porto Alegre, vai ganhar um shopping com investimentos de R$ 120 milhões, 28 mil metros quadrados de ABL, 122 lojas, hipermercado e estacionamento para 1700 vagas. “Essa interiorização dos shoppings é um reflexo dos espaços cada vez mais ocupados nas cidades. Hoje a construção de shoppings no interior reflete não só o aumento do poder aquisitivo dessa população, mas também mostra que essas cidades estão sendo vistas como grandes alternativas de investimento imobiliário”, diz Claudio Felisoni de Angelo, presidente do Conselho do Programa de Administração do Varejo (Provar).

 

Apesar de tamanho vigor, os economistas alertam que se o crescimento da economia brasileira continuar se baseando fortemente no consumo, o desenvolvimento da indústria de shoppings, assim como o de outras que têm lastro nesse indicador, não se sustenta no longo prazo. “Até quando sustenta o crescimento nesse ritmo? O problema é que não se sustenta. O governo já vem há um bom tempo estimulando consumo e não a produção e uma hora isso se esgota”, alerta Ricardo Amorim.

 
 





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