Feeds Ricardo Amorim Facebook Ricardo Amorim Twitter Ricardo Amorim Linkedin Ricardo Amorim Youtube Ricardo Amorim

Entrevista do economista Ricardo Amorim à Revista Vero sobre a recuperação da economia brasileira

postado em Entrevistas | Palestras


06/2016

Revista Vero

Por Gabriela Ribeiro

 

DSCF9592

Foto: Jonas Tucci

 

Um dos economistas mais respeitados do país, Ricardo Amorim acaba de lançar o livro “Depois da Tempestade”, no qual relata o que podemos esperar do atual cenário político e econômico. Mais: a partir de agora, ele também assina uma coluna na VERO.

 

Um Bom Tempo. Disso é o que o Brasil vai precisar para se recuperar da atual crise econômica, certo? Errado. Pelo menos de acordo com um dos mais respeitados economistas do país, que também é apresentador do programa Manhattan Connection, presidente da RICAM Consultoria e único brasileiro na lista dos melhores palestrantes do mundo, Ricardo Amorim. No seu primeiro livro, “Depois da Tempestade”, lançado no mês passado, ele mostra como chegamos à mais profunda recessão em um século e como a recuperação está vindo com força total. “É natural as pessoas ficarem para baixo, mas, assim como a vida, a economia é cíclica. Vem aí uma surpresa positiva, e vai acontecer mais rápido do que as pessoas imaginam”, conta.

 

Quanto tempo levou para escrever o livro?

 

O processo inteiro levou um ano. A ideia inicial era escrever o livro do zero, mas, quando parei para pesquisar o material, ler os artigos que escrevi nos últimos sete anos, mudei de ideia. É muito fácil, hoje, depois que deu tudo errado na economia, falar. Então, peguei esses textos, em que eu já falava o que não estava certo, e comecei a atualizá-los. Descobri que, desde o segundo ano do primeiro mandato da Dilma, eu dizia “ou muda a rota, ou vai dar problema”, mas ela não mudou. Eu acreditava, desde dezembro de 2014, que ela fosse cair. Mas é claro que não sabia exatamente quando, então, este último mês foi a maior correria para conseguir lançar o livro no “timing” certo.

 

É o seu primeiro livro. Por que agora?

 

Porque o Brasil está vivendo um momento histórico, cheio de oportunidades e, principalmente, de mudanças, que podem ser temporárias ou permanentes. A primeira delas está na forma como o Judiciário brasileiro atua. Hoje temos alguns dos empresários mais poderosos do país presos, e políticos importantes no mesmo caminho. A segunda é a mudança na postura do brasileiro, que passou a cobrar mais. O que eu quero é exatamente estimular as pessoas a não perderem isso, a cobrança precisa ser mantida. Outro motivo é acabar com o que chamo de “derrotismo”. É natural as pessoas ficarem para baixo, mas, assim como a vida, a economia é cíclica. O que eu tento mostrar é que, todas as vezes que tivemos ciclos muito agudos e negativos, logo na sequência a gente teve uma recuperação econômica muito boa. Em outras palavras, quanto mais profunda a recessão, mais forte a economia fica depois.

 

Então, a pior parte já passou?

 

Acho que sim! Meu ponto é que vem aí uma surpresa positiva. E vai acontecer mais rápido do que as pessoas imaginam. Alguns dos principais problemas, como as contas externas e a inflação, serão resolvidos ainda neste ano. Nas contas públicas, era necessário reduzir gastos e aumentar receitas, o que o governo Temer já falou que vai fazer. Foi neste ponto que a Dilma empacou, ela não estava conseguindo, pois não tinha apoio político no Congresso. Agora, se ele colocar isso em ordem, a confiança volta, as empresas voltam a gerar emprego e a investir no Brasil. Pelas sinalizações até agora, parece que ele já tem o apoio suficiente.

 

E isso é em curto prazo?

 

Sim, acredito que no segundo semestre já começa a melhorar. Para ano que vem, a expectativa dos economistas é que o PIB cresça 0,5%. Eu acho que vai ser mais de 2%. Em longo prazo, acredito que a média de 2018 e 2020 seja 4%, que é bem mais do que o projetado. Se nesse meio-tempo a gente melhorar nossa infraestrutura, qualificar a mão de obra, investir em automação e melhorar o ambiente de negócio, pode sustentar o crescimento por muito mais tempo. Se não fizermos, daqui a três ou quatro anos, a coisa pode ficar ruim de novo.

 

Algumas das primeiras medidas do Temer, como a escolha dos ministros, foram muito criticadas. Ele errou?

 

Do ponto de vista político, o fato de não ter mulheres no ministério foi um erro grave, primário. Está mais do que óbvio que há mulheres capazes de ocupar esses cargos no Brasil. O que acho que ele fez, que pode dar certo: escolheu um cara notável, o Henrique Meirelles, que sabe o que tem que fazer para a economia melhorar. Os outros foram escolhidos para dar condições para o Meirelles trabalhar, ou seja, ele montou um ministério para conseguir apoio e aprovação das medidas necessárias.

 

E como novo colunista da Vero, o que os leitores podem esperar?

 

Não quero determinar como ninguém pensa. Mas tenho, sim, a intensão de fazer as pessoas pensarem sobre assuntos importantes, a chegarem às próprias conclusões e, com isso, tomarem decisões melhores. A VERO atinge um público que tem capacidade intelectual de impacto grande. E o que quero é impactar.

 

E o sucesso nas redes sociais, já se acostumou?

 

Para falar a verdade, é chocante. No LinkedIn cheguei a 300 mil, sou o mais seguido no Brasil e em países onde a língua nativa não seja inglês. Na sede da rede social nos Estados Unidos, eles me apelidaram de Kim Kardashian do LinkedIn (risos). Fico lisonjeado.

 
 





Deixe seu comentário

Acompanhe Ricardo Amorim na mídia
Istoe

Artigos do Ricardo Amorim
/ LEIA

Manhattan Connection

Desde 2003, Ricardo é apresentador do Manhattan Connection, atualmente no canal Globo News
/ VEJA

Radio Eldorado

A economia pode ser um agente poderoso de transformação
/ CURTA


Opinião de Ricardo Amorim - Economista Independente