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Entrevista de Ricardo Amorim sobre razões dos juros elevados no Brasil.

postado em Entrevistas


Jornal O POVO

03/2013

Por Bruno Cabral

 

Por que, apesar de o Brasil experimentar a menor taxa básica de juros da história (pelo menos até a reunião do Copom), os juros ao consumidor ainda estão entre os mais elevados do mundo? assim como os juros cobrados por empréstimos para pessoa física?

Ricardo Amorim – É bom lembrar que apesar das taxas de juros básicas brasileiras serem as menores da nossa História, elas ainda estão entre as mais altas do mundo. Da mesma forma, apesar das taxas de empréstimos para pessoas físicas no Brasil ainda serem altíssimas, elas são as menores da nossa história.
No Brasil, temos uma confluência de fatores que explicam taxas de juros tão elevadas, começando pelo gasto público excessivo, que força o governo a tomar muito dinheiro emprestado no mercado, aumentando a procura por dinheiro e, por consequência, tornando a taxa de juros elevada.
Em segundo lugar, vem a carga tributária elevada sobre operações de crédito em geral e sobre os lucros bancários. Em ambos os casos, quem acaba pagando a conta dos impostos são os tomadores de empréstimos.
Em terceiro lugar, o Brasil é o país com o maior nível de depósitos compulsórios sobre depósitos entre as maiores economias mundiais. Quanto mais elevados os depósitos compulsórios, menos dinheiro os bancos tem disponível para emprestar e mais caros ficam os empréstimos.
Para completar, com uma grande concentração de mercado em poucos bancos, a competição é limitada, permitindo que os bancos tenham margens maiores do que em vários outros países.

 

Apenas a inadimplência justifica essa taxa elevada? Quais outros fatores contribuem para o valor dessas taxas?
Ricardo Amorim – A inadimplência elevada completa o quadro, mas ela não é o único fator a explicar os juros elevados no país, nem sequer o principal.

 

Há risco de uma bolha de crédito no país? Quais os sinais da formação de uma possível bolha?
Ricardo Amorim – Qualquer país que, como o Brasil, vive um processo de forte e sustentada expansão creditícia, corre o risco de passar por uma bolha de crédito, mas isto é completamente diferente de dizer que há uma bolha de crédito prestes a estourar. Na realidade, o total de crédito ao setor privado no Brasil, que está em 55% do PIB, ainda é pelo menos quatro vezes menor do que países onde houve estouro de bolhas de crédito recentemente, como a Espanha e os Estados Unidos.

 

Ricardo Amorim é apresentador do Manhattan Connection da Globonews, colunista da revista IstoÉ, presidente da Ricam Consultoria, único brasileiro na lista dos melhores e mais importantes palestrantes mundiais do Speakers Corner e economista mais influente do Brasil segundo o Klout.com.





    silvia disse:
    16 de março de 2014 às 23:33

    Parabéns muito bem colocadas as respostas.



    Bela Pele disse:
    4 de maio de 2015 às 22:36

    Perfeita entrevista. Praticamente atemporal.



    Maycon disse:
    18 de dezembro de 2015 às 10:09

    Não dá mais pra se viver no país, os juros são elevadíssimos e a inadimplência está cada vez mais alta, eu quando tiver a primeira oportunidade estarei mudando de país.



    Laiane disse:
    18 de dezembro de 2016 às 23:18

    Excelente artigo! Embora seja de 2013, parece que a “coisa” está ainda pior! Uma pena que nosso país seja assim…e é difícil ver perspectiva positiva de mudança.



    Flora disse:
    12 de julho de 2017 às 20:03

    Excelente artigo! Embora seja de 2013, já estamos em 2017 e a “coisa” está mais pior ainda! Uma pena que nosso país esteja dessa maneira é difícil ser positivo dessa forma e acreditar na mudança.



    Ismael disse:
    13 de julho de 2017 às 18:53

    Excelente artigo! Gostei da posição do entrevistado. Simples e direto.



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