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Matéria sobre participação de Ricardo Amorim em painel sobre negócios inclusivos no Fórum Humanidades 2012.

postado em Entrevistas | Palestras


Portal Sebrae

06/2012

Por Vanessa Brito

 

Negócios inclusivos são novo conceito de mercado do século 21.

Modelos de negócios para a nova economia, que não visam apenas no lucro, mas também objetivam resultados socioambientais foram tema de debate no Humanidade 2012.
 
Rio de Janeiro – Negócios inclusivos ou sociais são aqueles situados na base da pirâmide, constituída por comunidades excluídas ou pouco participantes do mercado, caracterizadas por baixa ou pouca renda. Esses empreendimentos são geralmente iniciados por pessoas que conhecem as necessidades dessas comunidades. Surgem de iniciativas da sociedade civil e de pessoas engajadas na promoção da cidadania e melhoria de vida dessas populações. Nem sempre contam com parceria de instituições públicas e privadas. Negócios inclusivos ou sociais constituem novo conceito de mercado e econômico, que nada têm a ver com filantropia e responsabilidade social corporativa.

 
“A base da pirâmide é a melhor parte para se pensar negócios sustentáveis. São negócios que devem estar no centro das estratégias das empresas”, afirmou Ricardo Amorim, jornalista e moderador do seminário Empreendedorismo Social – modelos de negócios para a nova economia, realizado, na tarde de sábado (16), no evento Humanidade 2012, no Forte de Copacabana. Foram palestrantes e debatedores do seminário: Carmen Correa, da Fundação Avina; Luiz Ros, do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID); Margot Brandenburg, da Fundação Rockfeller; e Vishnu Swaminathan, diretor da Ashoka.
 
Experiências desenvolvidas em diversos países pelas instituições e entidades presentes no debate foram citadas. O seminário contou com a participação da plateia, composta majoritariamente por jovens. É preciso construir mudanças e inovações para se chegar ao conceito de mercado inclusivo, disse a representante da Avina. “São iniciativas rentáveis economicamente, mas que também geram impactos positivos sociais e ambientais”, esclareceu.
 
Carmen citou como exemplo uma comunidade indígena de mulheres da Guatemala que produz artesanato e acessa mercado, gerando resultados econômicos que melhoram a qualidade de educação de seus filhos, suas casas, etc . Incubadoras de negócios inclusivos constituem plataforma importante para apoiar o desenvolvimento dessas comunidades, segundo ela.
 
A América Latina vivia momento oposto ao atual na época da realização da Rio 92, de acordo com o representante do BID. Os anos 80 foram a década perdida, sem crescimento econômico, e a Rio+20 acontece exatamente no período em que a democracia se consolidou na América Latina. A região é hoje um dos melhores mercados com expectativa de crescer, ao contrário dos países ricos, destacou Ros.
 
Novos negócios

Nos últimos 20 anos, o mundo dos negócios mudou e continua em franca mutação, alertou o diretor da Ashoka. Colaboração é a palavra-chave da nova economia, segundo Vishnu. “Todos devem fazer parte da economia e do mercado. Precisamos produzir negócios que geram produtos e serviços para beneficiar as pessoas”, ressaltou. É preciso inovar. Os empreendedores sociais sabem o que as comunidades precisam, o que geralmente empresas e poder público não sabem, segundo Vishnu.
 
Sem inovação não há negócio sustentável e é preciso desenvolver metodologias para medir os impactos sociais e ambientais, além dos econômicos, enfatizou o diretor da Ashoka. Essa organização civil internacional não depende de políticas públicas dos países para atuar e interage diretamente com as comunidades para realizar iniciativas que correspondam ao que querem as populações. Há situações em que a carência é tão grande, que não se deve pensar em negócio inclusivo. Só a partir de certo patamar, em que as pessoas estão mais preparadas para empreender, é possível atuar para desenvolver um negócio social, disse ele.
 
A parceria com o poder público pode ser importante para incluir milhões de pessoas, defendeu o representante do BID. Ele citou o Programa Bolsa Família do governo brasileiro, que beneficia milhares de famílias graças à capilaridade da estrutura pública e estatal.
 
Marco legal

Não há notícia de marco legal para negócios sociais na maioria dos países. Na Colômbia e no México ocorrem debates promovidos pelos governos na base da pirâmide para levantar quais são as necessidades das comunidades e iniciativas a serem implantadas. No Brasil o primeiro seminário de negócios na base da pirâmide foi realizado na capital paulista, no ano passado.
 
Os negócios inclusivos ou sociais são muito novos, observou o diretor da Ashoka. Existe ainda certa dificuldade em definir esses novos modelos de negócios, que não visam grandes margens de lucro, que objetivam o atendimento de mais pessoas e gerar resultados sociais e ambientais. Para a representante da Fundação Rockfeller, o programa brasileiro Bolsa Família não se trata de ação em prol de negócios inclusivos, mas de iniciativa de transferência de renda, que pode criar condições para o estabelecimento de negócios sustentáveis na base da pirâmide.
 
A juventude atual está mais consciente das questões socioambientais e pode se tornar importante protagonista da nova economia. Para Amorim, ou se agrega mais gente ao mercado ou a economia vai estagnar. A grande oportunidade para a nova economia está na base da pirâmide. “Se o Brasil mantiver a tendência dos últimos anos, em 2014 terá melhores índices de distribuição de renda do que os Estados Unidos”, observou.
 
A representante da Avina concluiu o debate dizendo que é necessário financiamento para desenvolver os negócios inclusivos e capacitação dos empreendedores sociais para que eles possam crescer e se consolidar no mercado e garantir benefícios para as comunidades de baixa renda.





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