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Palestra: Índia deve ser a nova China para o agronegócio

postado em Entrevistas | Palestras


02/2017

InfoMoney

 

 
Em dez ano, a Índia se tornará para o agronegócio o que a China já foi. Foi o que destacou o economista e palestrante Ricardo Amorim, nesta segunda-feira (13), durante o primeiro dia do “Simpósio Internacional de Vitaminas e Tecnologias”, organizado pela empresa DSM, em Guarulhos (SP). Para dar suporte ao seu raciocínio, Amorim usou como argumento o fenômeno de um novo crescimento da classe média mundial, principalmente nos países emergentes. Segundo ele, a expansão da classe média acarreta diretamente em maior consumo de carnes, de proteína animal.
 
De acordo com Amorim, o papel de Índia como grande consumidor de produtos agrícolas será puxado pelo aumento de renda da população. “Hoje, a renda média do cidadão indiano é um quinto da renda do chinês”, disse. Amorim pontuou que, em um prazo de uma década, quando a China tiver consolidado seu salto de consumo, será a vez de a Índia carrear a demanda. “Ou seja, teremos aí mais uns 30 anos de forte demanda, sem contar outros países asiáticos.” Segunda ele, a Índia – mesmo com renda média inferior à da China – já mexe, por exemplo, com o mercado de açúcar. “Por quê? Porque se trata da fonte de energia mais barata que existe”, pontuou, ressaltando que “a importância do agronegócio na economia mundial será cada vez mais crescente”.
 
Agregar valor
 
Na avaliação de Amorim, para abocanhar mais mercados consumidores agrícolas, o Brasil tem que investir na agregação de valor da produção, processo que trará mais receita. “Temos, por exemplo, que transformar grãos em carnes, e assim por diante.” O palestrante chamou atenção para o fato de que a carga tributária que incide sobre os produtos industrializados é muito maior do que sobre as commodities, o que dificulta a verticalização das cadeias produtivas pelo agronegócio brasileiro. “E quanto mais básico o produto, mais peso tem a infraestrutura logística no seu preço, o que no nosso caso é negativo, em razão da deficiência do Brasil neste aspecto.”
 
Em sua exposição, Amorim destacou ainda, que os preços das commodities em reais estão em níveis elevados, e que este é um dos fatores que endereça certa valorização nos preços das terras agrícolas. No tocante ao cenário macroeconômico, ele acentuou que o Brasil está na antessala de uma virada de ciclo, com os investimentos retornando para o país. “O BC vai acelerar o corte da taxa de juros e o dólar apresenta um ligeira tendência de queda pelo fluxo de capital que está entrando e que deve ingressar no país.”
 
 





    Bernhard Smid disse:
    20 de fevereiro de 2017 às 7:04

    Prezado Amorim,

    A Índia é sem dúvidas um país muito interessante no comércio internacional. Não somente pelo fato de falar inglês (e não chinês), bem como haver proximidades com o Reino Unido.

    Entretanto, quando se fala sobre a competitividade do agronegócios indiano, deve-se observar que apesar do país ser muito barato em termos produtivos, ainda há muitíssimo a evoluir em termos de qualidade internacional. Isso faz com que alguns produtos estejam atrás em comparação com o Brasil e outros.

    A minha tese de mestrado foi sobre a Índia, pela Munich Business School (Alemanha). É interessante observar como a cultura indiana tem influenciado nos negócios. Neste sentido, vale uma análise, por exemplo, por que a Índia não está tão próxima do Reino Unido, já que eles poderiam se beneficiar do Brexit.

    Se de interesse, podemos mais conversar mais sobre a Índia e outros mercados. Esse é um tema que tenho muito interesse e que é de grande relevância na comercialização internacional de produtos e serviços.

    Saudações,

    Bernhard J. Smid



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