Feeds Ricardo Amorim Facebook Ricardo Amorim Twitter Ricardo Amorim Linkedin Ricardo Amorim Youtube Ricardo Amorim

Entrevista de Ricardo Amorim sobre como promover a recuperação da economia reduzindo os gastos públicos

postado em Entrevistas | Palestras


01/2016

Revista CRECI-RS

 
S‹o Paulo, 26 de Maio de 2011. Ricardo Amorim, economista e articulista do programa Manhattan Conection, da Globo News.

Foto: Ricardo Corrêa

 

O economista, presidente da Ricam Consultoria e apresentador do programa Manhattan Connection, Ricardo Amorim, proferiu a palestra “O cenário econômico e os reflexos no mercado imobiliário”, durante a Convensi – Convenção Anual do Sistema COFECI-CRECI. Antes de subir ao palco, ele conversou com a reportagem da Revista CRECI-RS sobre os desafios e projeções para o futuro.

 

Recentemente em uma palestra realizada em Porto Alegre, tu afirmaste que Porto Alegre seria uma das primeiras cidades a sair da crise. O que sustenta essa sua afirmação?

 

O cenário atual se divide em dois segmentos. O primeiro é a falta de crédito, em que a pessoa quer comprar e não pode. O outro é a falta de confiança, em que a pessoa pode comprar e está com medo. Isso criou um desequilíbrio em que a procura passou a ser menor do que a oferta. No caso do mercado de Porto Alegre, como o ritmo de expansão de oferta já é limitado naturalmente devido à dificuldade de aprovação, o desequilíbrio não é tão grande como em outras praças e é isso que faz com que haja uma recuperação um pouco mais rápida.

 

E nas demais cidades do Rio Grande do Sul?

 

Aí, é mais igual o tempo de recupera­ção. Falando em região metropolitana, pegando como exemplo Canoas, se sobra muito imóvel em Porto Alegre, mexe com o mercado em Canoas, porque o cara pode comprar e construir em um e/ou no outro. Já o impacto disso em Caxias do Sul é diferente, porque é um mercado diferente, com outras características e realidade.

 

E devido a toda esta situação de oferta e procura, este ano é um momento de mais dificuldade para o corretor de imóveis?

 

Sim

 

E tu acredita que 2016 será o ano da retomada?

 

Eu acho que é muito provável. A questão é: quando em 2016? Eu aposto no segundo semestre, porque é provável que haja uma retomada da economia. Essa retomada da economia pode acontecer em dois cenários diferentes. Para começar, temos que explicar por que a economia vai tão mal. A gente tem dois problemas: um político e um econômico, e um alimenta o outro. A crise política gera incerteza, insegurança que gera menos investi­mento, menos consumo e agrava a crise econômica. Já a crise econômica é formada por três grandes pilares: contas externas muito ruins, déficit na balança comercial, inflação muito alta e com as contas públicas em péssima forma, e isso precisa ser solucionado.

 

E isso vai se fazer da seguinte maneira: a alta do dólar gerará um aumento nas exportações e, por consequência, as contas externas melhorarão; por sua vez, a alta dos juros tira a capacidade de consumo das pessoas e faz com que as empresas não possam remarcar tanto os preços e aí a inflação vai cair; a única coisa que sobrou e ainda não está resolvida são as contas públicas, que dependem da vontade política. Ou o governo encontra formas de colocar as contas públicas em ordem para o dinheiro voltar, empresas investirem e com isso irá gerar emprego, retomar a confiança e investi-lo no mercado imobiliário. Em paralelo, a queda da inflação colabora com a queda dos juros, juros mais baixos, mais venda de imóveis. Se isso não acontecer a Dilma vai cair e se ela cair, assume alguém com mais força para fazer as mudanças que são necessárias. Num cenário ou no outro a situação do final do ano será melhor do que a atual.

 

Como economista, qual a medida que tu sugere que o corretor de imóveis adote para enfrentar este momento?

 

Bom, o mercado imobiliário tem um princípio de venda com o qual eu não concordo, que investir em um imóvel é sempre um bom negócio e é o investimento mais seguro. Mas quando o investimento é mais seguro? Quando ninguém quer comprar. O corretor tem que mostrar que a razão pela qual a pessoa tem que comprar um imóvel hoje é que ninguém está comprando. As pessoas ganham dinheiro quando a maioria não quer comprar, é uma oportunidade única.

 

Conselhos de Classe são autarquias federais e hoje está em discussão a implantação do Regime Jurídico Único. Tu considera esse novo modelo o mais adequado ou o que está vigente?

 

Eu acho que o problema não está no modelo, e sim na aplicação e na melhoria da gestão.

 

Uma das questões do Regime Jurídico Único é tornar os colaboradores de Conselhos em servidores públicos com todos direitos e deveres. Em contrapartida, um dos grandes problemas da economia é a previdência?

 

Você acabou de chegar no porquê tenho dúvidas. A única forma da gente fazer isso é mudar o regime jurídico dos servidores públicos. Em outras palavras, não acho que devam existir dois regimes. As regras de previdência deveriam ser as mesmas do FGTS. Só isso resolve o déficit do Brasil.

 

Se Ricardo Amorim assumisse a presidência ou o Ministério da Fazenda, além da reforma da previdência, quais medidas seriam adotadas para tirar o Brasil do buraco?

 

O ajuste que falta é o de contas públicas; mostrar que a mentalidade do Brasil em relação a contas públicas mudou. Eu criaria uma lei que força o governo a diminuir os gastos, estabelecendo que os gastos do governo não podem crescer mais do que 2% menos do que o crescimento do PIB nominal. Seria uma lei parecida com a lei de responsabilidade fiscal. Se fizer isso vai colocar as contas em dia e vai passar a tratar o dinheiro público como sendo de todos, hoje parece que é dinheiro de ninguém e todo mundo quer receber benefício do governo. Tem que mudar a mentalidade de que a solução dos problemas brasileiros passa pelo governo, para que o governo pare de atrapalhar a economia.

 

Tu considera que existe esperança para o Brasil?

 

Sem dúvida nenhuma, há um ano criei a página no Facebook #TemJeitoSim, um resposta à desesperança. Ali, junto casos de gente que está se dando muito bem apesar da crise. O que eu quero mostrar é que a crise do País não tem que ser a crise de cada um de nós; muita gente se dá bem apesar da crise; tem gente que se dá bem pela crise porque aproveita situações criadas pela crise. A crise é importante para o Brasil, pois o País vive uma crise moral, e se não fosse isso as pessoas não iriam para as ruas, não mudaria a legislação e criaria a nova lei de combate à corrupção, a Dilma continuaria tomando as decisões que nos levaram para a crise. Não fosse a crise econômica, não estaríamos ajustando as contas públicas, as contas externas.

 

Crise não é agradável, mas força a gente a fazer a lição de casa que não se faz quando as coisas estão tranquilas. Então a crise não é o problema, é o sintoma de todos os problemas e que nos faz resolver os problemas. O que espero é que aprendamos a lição, pois nunca devemos desperdiçar uma boa crise, senão viveremos outra.

 
 





    Lena disse:
    26 de janeiro de 2016 às 17:39

    Antes da reforma da previdência social urbana(INSS-superavitária) é preciso estudar/analisar, pois TODOS que comentam sobre o tema não tem conhecimento real da situação, exceto ANFIP. Reforma é preciso urgente no regime próprio e dos congressistas(com déficit estrondoso que ninguém comenta).



    WILLIANS FERREIRA disse:
    27 de janeiro de 2016 às 14:00

    Caro Ricardo, analisando sua entrevisto “otimista” para o nosso país, penso que este suposto otimismo só poderá se concretizar no momento em que o povo vá para as ruas de verdade e utilize a força do voto agora, já, nas ruas e reivindiquem o direito de corrigir o erro das urnas não deixando margem para a Dilma e sua corja dizer que respeita o resultado das urnas e que impeachment agora seria golpe. Quer dizer que pode se eleger por quatro anos, roubar tudo que pode nos primeiros seis meses e ficar o restante todo ainda roubando?
    O povo precisa se mobilizar e tirar esta corja de ladrões e bandidos do poder. Me perdoe, não há adjetivos mais adequados ao que fizeram com o Brasil nos últimos anos.
    E penso que precisa ser o povo porque os que se posicionaram como oposição, infelizmente se acovardaram embaixo da mesa da tal presidente. E pelo amor de Deus, nunca, nunca presidentA, por favor.
    Estes aí roubam e mesmo que existam leis, estas não são cumpridas e se são, com pouquíssimo tempo estes estão nas ruas, ou devolvidos ao poder, ou ainda recebendo salários que nos envergonham. Afinal, os advogados que hoje os defendem estão mais bem armados que o próprio bom senso e as próprias leis.
    Políticos deveriam ser “contratados” após serem eleitos pelo voto, porém, antes de se candidatarem deveriam sim passar pelo crivo de um headhunter, após terem estudado no setor ao qual se candidata, montar um curriculum como qualquer cidadão, ou seja, teria que ter méritos para se candidatar e somente após isto ele se tornaria elegível pelo povo, através de projetos concretos e não de politicagem e jogos de interesse que claramente se tornam um jogo de favores onde um monte de bandidos se aliam para roubar, extorquir, limpar os cofres do dinheiro que não é deles e, voltando, quando são condenados, não devolvem e nunca irão devolver.
    Nosso país é repleto de leis e muitas mais são criadas dia a dia, porém, os advogados são criados ainda melhor para se esquivar delas e deixar o povo sem ter a quem reclamar.
    Nós precisamos em nosso país, é de vergonha na cara, primeiramente do povo que precisa, mesmo a contragosto dos políticos, estudar, se informar para ter opinião e discernimento, sem deixar se vender no momento do voto.
    O que esperar de um país onde cortar “gasto” público significa cortar 30% de verba de educação? Educação pública é gasto?
    O que esperar de um país onde o modal de transporte está ancorado no rodoviário, ou seja, em borracha, montadoras, petroleiras (caminhões) e um jogo de interesses invejáveis a qualquer máfia mundial?
    Porque não se explora e exija de verdade o transporte ferroviário, a cabotagem a cargas lacradas com destino longo e fixo? Nosso país proporciona e propicia isto? Por que não?
    Por que somente a bitola de nossos trilhos tem que ser diferente da grande, mas da grande maioria de ferrovias do mundo e da América Latina, inclusive dentro do próprio Brasil onde não há consenso? Por que isto?
    Infelizmente Ricardo, tenho que discordar de você quando se fala que este país tem jeito a curto prazo (2016) sem uma transformação cultural, sem que a seriedade, a ética e o bom senso sejam pontos primordiais e indiscutíveis.
    Cortar custos é fazer como a Europa fez quando estavam em crise: passagem de transporte público para somente o titular ir e voltar e nem para os familiares diretos era concedido; Um único carro oficial, usado por escala, para uma quantidade específica de políticos; Redução de salários; Dedicação política por ideologia e não por este irresponsável custo que estes políticos que aí estão, causam ao Brasil.
    Ricardo, sinceramente meu caro, você, Ricardo Amorim, na boa mesmo, cá entre nós, diante do que você conhece pelo mundo afora, você acredita piamente que o Brasil tem jeito com este cenário de pessoas que governam para si próprias, olhando os próprios e únicos interesses deles e seus correligionários (gangue), em vez de olhar para um único foco que é a Nação Brasileira? Você realmente acredita?
    Repense meu caro, porque sabemos que não mesmo e nem precisa me responder isto.
    Sabemos que grandes e bons repórteres que falam as verdades verdadeiras mesmo, são afastados e jogados lá pelos cantos onde a população, o público de canais abertos não os assistiram nos horários das madrugadas e assim vão se calando os que tem um pouco de brio.
    Isto que está aí é um total absurdo mundial, repugnado por qualquer pessoa/cidadão de países de primeiro mundo.
    Bancos tripudiam extorquindo os clientes PF e PJ, sem que haja uma intervenção séria e honesta. (27/01/2016 – Juros de cartão de crédito a 430% a.a.) Só aqui é que isto pode assim, na cara dura mesmo.
    Salários e investimentos da Polícia Federal são claramente, mas não divulgados pela mídia aberta é óbvio, principalmente no momento em que esta está descobrindo as falcatruas da gangue petista e seus aliados sejam lá de que partido forem, porque partido neste país é pior que Igreja. Se abrem e se proliferam como ratos e todos, todos perdem suas verdadeiras ideologias.
    EUA com dois partidos políticos bem definidos em suas ideologias e Brasil com 35 partidos onde as ideologias ninguém mais sabe onde foram parar.
    EUA com imposto de 6,5% e atendimento com serviços públicos invejáveis e desejados por qualquer cidadão do mundo, e Brasil com 71%, e vergonha em todos, todos os setores.
    Somente isto penso que já dá para ver que aqui meu caro, choque cultural intenso e imediato para ver se em duas gerações algo muda para melhor, senão, como diz o personagem da escolinha e a ti com todo respeito, “não me venha com chorumelas”(rsrs).
    Me perdoe, mas não me considero pessimista de forma alguma, afinal sou empreendedor nato, tenho meus negócios, mas infelizmente em nosso país, não temos mais orgulho de nada aqui porque ao sermos empreendedores, termos nossas empresas e nossos negócios, a única coisa que gostaríamos como empresários, é que já que está claro que estes políticos que aí estão só se interessam por eles mesmos e suas gangues, que a grande, mas a grande maioria mesmo não tem mérito algum para estar no cargo que estão, inclusive os contratados do governo, e se posicionando e tratados como autoridades.
    Nosso grande desejo como empresários seria que eles levantassem os braços como se rendendo pela incapacidade e deixassem a iniciativa privada, as industrias sérias, o comércio, enfim, darem as diretrizes do que tem que ser feito, e assim ouvissem, colocassem em prática e nos deixarem trabalhar em paz, com competência, porque isto nós empresários temos que ter ou morremos mesmo, sem dó, porque além de concorrência comercial, industrial e de negócios inclusive vindos de países de primeiro mundo, competentes, sérios e focados, temos ainda que concorrer com um governo incompetente, corrupto e formado por um bando de ladrões, quando não, bandidos claros. Sim, porque ladrão e bandido são duas criaturas bem diferentes, e nós temos das duas laias bem definidas, nos assaltando e nos matando dia a dia.
    Pior do que ter governo que não faz nada, é ter governo que atrapalha.
    Eu não sou pessimista, mas creio muito nos fatos e estes meu caro, estão aí, escancarados para quem quer ver, somente para quem quer ver mesmo. Menos para a imprensa aberta que encoberta tudo (quanto o governo gasta com a mídia?) da maioria que vota e que não tem discernimento porque, novamente, Educação neste país não é e por um bom tempo, não será prioridade se depender destes aí.
    É lamentável Ricardo.
    Grande abraço



    Hamilton Barbosa disse:
    27 de janeiro de 2016 às 21:00

    O caminho para retomada da economia e com redução de gastos do governo e não criar mais nenhum imposto para o consumidor poder voltar a consumir.



Deixe seu comentário

Acompanhe Ricardo Amorim na mídia
Istoe

Artigos do Ricardo Amorim
/ LEIA

Manhattan Connection

Desde 2003, Ricardo é apresentador do Manhattan Connection, atualmente no canal Globo News
/ VEJA

Gazeta do Povo

Em 2017, Ricardo iniciou uma parceria com a Gazeta do Povo. Clique e confira.
/ VEJA

Radio Eldorado

A economia pode ser um agente poderoso de transformação
/ CURTA


Opinião de Ricardo Amorim - Economista Independente