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Matéria sobre palestra de Ricardo Amorim sobre perspectivas para o agronegócio

postado em Entrevistas


12/2014

Diário de Santa Maria

Por Juliana Colussi

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Ao associar a expansão do agronegócio a fatores sustentáveis, o economista Ricardo Amorim prevê que o setor seguirá impulsionando o país nos próximos anos. Apresentador do Manhattan Connection, da Globonews, e presidente da Ricam Consultoria, o especialista avaliou o atual cenário e as perspectivas durante o 4º Seminário de Tendências Econômicas, promovido pelo Sicredi, em Porto Alegre.
 
Mais crescimento
 
O fortalecimento do agronegócio é baseado em fatores sustentáveis. O primeiro é o aumento do consumo mundial de alimentos, especialmente da China e, ainda, da Índia. Os dois países têm gente saindo do campo, ganhando mais e, portanto, consumindo mais e plantando menos. Logo, esses alimentos virão de outro lugar. O Brasil está se beneficiando de um ganho de produtividade em várias culturas, expansão de áreas plantadas, e tem clima, terra e água invejáveis. Então, é possível vislumbrar que o agronegócio seguirá como um dos principais motores do crescimento do país.
 
Preços em queda
 
A desvalorização das commodities reduzirá a renda do agricultor e, com isso, a capacidade de investimentos. O primeiro impacto será a diminuição da própria produção. Embora houve queda de preço das principais commodities nos últimos meses, a taxa de câmbio subiu. Um movimento acabou compensando o outro.
 
Força industrial
 
A indústria relacionada com o setor vai bem melhor do que a indústria em geral no Brasil. Hoje, o nível de produção industrial é mais baixo do que há seis anos. A indústria do agronegócio vai melhor porque há um crescimento mais acelerado do setor e, também, pelo acesso facilitado a crédito para compra de máquinas e implementos agrícolas. A maior capitalização do produtor possibilitou as vendas desse segmento em um ritmo muito maior do que no passado. A indústria diretamente ligada ao agronegócio, seja de alimentos ou de máquinas, vai continuar a ter um desempenho melhor do que o resto da indústria brasileira.
 
Pactos comerciais
 
A Índia é hoje o maior consumidor mundial de açúcar, e o Brasil, o maior exportador. Com o tempo, creio que o consumo da Índia crescerá em outras culturas. O grande problema no Brasil é ter feito todos os acordos comerciais nos últimos anos a partir do Mercosul, em que nem sempre os interesses são iguais. A segunda dificuldade é o protecionismo de mercados, como o europeu. O Brasil deveria fazer acordos bilaterais, uma coisa que não vem acontecendo na política externa.
 
China quer carne
 
A recente autorização para o Brasil exportar carne para a China cria um potencial brutal, pois os números chineses são sempre muito grandes. Mas uma questão negativa foi a retração do mercado europeu, por conta da recessão econômica, e uma expansão do chinês. É muito bom pelo volume que o Brasil vende, porém, é ruim do ponto de vista das margens. Os europeus, no geral, preferem produtos com valor agregado mais alto, resultando em margens maiores para o nosso produtor.
 
Infraestrutura
 
A curto prazo, pouco irá mudar. Com os problemas envolvendo a Operação Lava-Jato provavelmente teremos impacto negativo nos investimentos em 2015. Boa parte das empreiteiras estará em condição mais difícil. A médio prazo, se mudar a lei e acelerar o ritmo de aprovação dos processos, conseguiremos atrair mais investimentos. Há interesse, fontes de financiamentos e projetos, mas eles demoram muito para se tornar realidade.
 
Novo governo
 
A senadora Kátia Abreu (PMDB-TO, cotada para assumir o Ministério da Agricultura) é intimamente ligada ao agronegócio. Conhece os problemas e as soluções. Mas a principal questão é a capacidade de execução, devido à formação díspar do governo. A Kátia e o Joaquim Levy (futuro ministro da Fazenda) têm linhas muito diferentes, por exemplo, de um Nelson Barbosa (Planejamento). Mesmo com possíveis conflitos, a escolha reconhece a importância do setor ao aparelhar a pasta com alguém de peso e força.
 
 





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