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Entrevista de Ricardo Amorim à revista Living Alone: Por que tudo está tão caro no Brasil?

postado em Entrevistas


Revista Living Alone

03/2012

Por Kike Martins da Costa

 
 
LA : Os preços de produtos e serviços aqui no Brasil, particularmente em SP e RJ estão muito altos em relação ao que é cobrado pelos mesmos produtos ou serviços nos EUA e em vários países da Europa.
Na sua opinião, esses preços tão altos se devem mais à carga tributária, à sobrevalorização do real ou ao custo Brasil (burocracia, corrupção, entre outros)?

RA : Aos 3 fatores e a um 4º fator: menos competição e, por consequência, margens de lucro maiores no Brasil. De todos, a carga tributária elevada é o mais importante de longe, mas o efeito final é a soma dos 4.
 
LA : A questão da oferta e da procura, não é também determinante? Pois, mesmo com preços estratosféricos, as pessoas estão comprando loucamente carros, roupas, almoçando e jantando fora.
O consumo está em alta como nunca, não?

RA :  De fato, se ninguém tivesse dinheiro para pagar estes preços, as empresas seriam forçadas a baixá-los, mas enquanto nos EUA há alto desemprego, redução de oferta de crédito e queda de salários, no Brasil está acontecendo exatamente o contrário.

Por consequência, enquanto o poder de compra do americano está se reduzindo, o do brasileiro está se expandindo. Estamos vivendo um processo histórico de uma lenta e gradual mudança de papéis entre consumo e produção. Em meu artigo A formiga e a cigarra trocam de papéis, explico bem isto.
 
LA : Como explicar que os brasileiros são o povo que mais gasta nos Estados Unidos? Nós somos mais ricos que os ingleses, japoneses e alemães? Ou nós apenas ESTAMOS mais ricos? Esta farra tem data para terminar?

RA : Não apenas estamos ricos, mas a diferença de preços de alguns produtos do Brasil para os EUA é muito maior do que da Alemanha ou Japão para os EUA. Por consequência, o brasileiro compra mais do que o alemão e o japonês quando vai aos EUA, mesmo sendo menos rico.

 

LA : O índice Big Mac, da revista “The Economist”, diz que o nosso real está valendo algo entre 52% e 149% mais do que seria correto. Na sua avaliação, quanto deveria estar valendo hoje um dólar em reais se não fosse essa guerra cambial praticada por países como EUA e China?

RA : Taxas de câmbio flutuam e a ideia de uma taxa de câmbio correta é ilusória porque a taxa “correta” oscila constantemente em função de uma série de fatores. De fato, a guerra cambial é um dos fatores que explicam a força do Real, mas há outros tão ou mais importantes: os altos preços das matérias primas que exportamos, o fortalecimento da economia brasileira atraindo muitos investimentos nos últimos anos e nossas altíssimas taxas de juros, que também atraem mais investimentos.
Em resumo, tirando momentos de crise aguda, como nos últimos meses, quando o dólar se fortalece à medida que multinacionais são forçadas a repatriar capital para os EUA e, para isso, precisam comprar dólar, a tendência nos próximos anos será de um real cada vez mais forte.
Escrevi um artigo, chamado É Guerra!detalhando este processo.

 

LA : Que tipo de exemplos de produtos e serviços você pode citar que são muito mais caros aqui no Brasil do que lá fora. E que tipo de produtos ainda é vantajoso comprar e contratar aqui no país?

RA : Eletroeletrônicos, veículos e roupas são muito mais baratos nos EUA do que no Brasil. Por outro lado, a imensa maioria dos serviços, como cabeleireiro, babás, serviços domésticos, aluguéis e outros continua muito mais barato no Brasil, apesar das fortes altas dos últimos anos, que, aliás, devem continuar nos próximos.





    25 de junho de 2012 às 18:43

    O interessante que o setor de serviço é o que mais se expande por aqui, o que exemplifica que o preço alto é culpa da baixa competição também.

    enquanto brasileiro quiser que o governo resolva tudo e mantenha o dólar num patamar “ideal”, vamos continuar pagando cada vez mais para cobrir a gastança pública.



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