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Consultor econômico Ricardo Amorim ressalta riscos da decisão do Banco Central de cortar os juros em entrevista ao jornal Brasil Econômico.

postado em Entrevistas


Jornal Brasil Econômico
14/10/2011
Por Elaine Cotta

 

Crise pode ajudar Brasil a ter juros mais baixos

 

A crise dos anos 1990 obrigou o Brasil a implantar o sistema de metas de inflação que, apesar das controvérsias em relação ao seu cumprimento, foi um grande avanço para um país que viveu por mais de uma década — os anos 1980 e início dos 1990 — na hiperinflação. E não é diferente no turbulento cenário atual. O avanço, desta vez, pode ser o fim de uma outra “anomalia” da economia: uma taxa de juros que está entre as maiores do planeta.
 

Só que mais do que aproveitar a nova fase da crise mundial para reduzir os juros básicos (Selic), como já indicou a própria presidente Dilma Rousseff, o Brasil precisa criar condições para sustentar o novo patamar por um período prolongado. E a resposta para isso, mais uma vez, é o mercado interno. “O que diferencia o Brasil de outros países nesse momento é a força do seu mercado interno”, disse ontem, em Curitiba, a presidente, complementando que o governo pretende transformar em consumidores 16 milhões de pessoas por meio dos programas de combate à pobreza, como aconteceu nos últimos anos, quando o Brasil ganhou cerca de 25 milhões de novos consumidores.

 

E essa é a tese — a de estimular o consumo — que Dilma tem defendido em suas recentes passagens pelos Estados Unidos — quando discursou na Organização das Nações Unidas — e pela Europa quando fala da crise internacional.
Em mais de uma oportunidade, a presidente afirmou que o estímulo à economia, e não as medidas de arrocho é que devem ser adotadas, pois foi o crescimento do mercado interno que ajudou o país a superar a crise de 2008 e que ele será, novamente, o alicerce para proteger a economia num eventual arrefecimento da crise atual.
 

HISTÓRIA RECENTE
Crise pode ajudar Brasil a ter juros mais baixos
 

Nos anos 1970, o Brasil viveu fase conhecida como o “milagre econômico”, quando as taxas de crescimento chegaram a 10% ao ano. Mas o preço foi alto: os anos 1980, de hiperinflação, ficaram conhecidos como “a década perdida” da economia brasileira.
Tenta-se agora, caminho inverso, com crescimento dentro do permitido e preços sob controle.
 

Juro em queda
 

A decisão do Banco Central de cortar a taxa de juros de 12,5% para 12% na última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) — e que deve se repetir na semana que vem  — contou e ainda conta com apoio da presidente Dilma, que é economista de formação e tende a rejeitar as teorias conhecidas como ortodoxas, que recomenda medidas de restrição econômica em momentos de crise como o atual — e que foram aplicadas em países como o Brasil nos anos 1980 e 1990 e que estão sendo adotadas pela Europa.
 

“No Brasil, criou-se a cultura de que é a Selic elevada que controla a inflação, mas o governo, por meio das recentes medidas de controle do crédito mostrou que existem outras alternativa”, afirma o economista Antonio Corrêa de Lacerda, para quem o país está no caminho certo, apesar de ainda existirem gargalos “imensos” a serem eliminados.
 

Entre eles estão a indexação da economia, o custo da dívida pública (que é pressionado pelo juro alto), a carga tributária e o câmbio, que tiram competitividade do país. “Com juro menor, as empresas investem mais e o país cresce mais. E não o inverso, como pregam os adeptos da ortodoxia econômica”, diz Lacerda.
 

Mas essa análise não é unânime. Há quem diga que há um limite para a queda dos juros, que passa, entre outros itens, por um aumento na taxa de investimentos. “Será tão mais benéfico quanto mais longo for o período de convalescença do paciente”, compara o diretor- executivo da Fitch Ratings no Brasil, Rafael Guedes, explicando que, se essa queda dos juros não for acompanhada por mudanças estruturais na economia, a redução não se sustentará depois que a crise passar.

 

Pior, pode acabar forçando o Banco Central a elevar o juro a um nível maior do que o atual. “Se a crise sematerializar rapidamente, terá sido uma decisão brilhante”, o presidente da Ricam Consultoria, Ricardo Amorim, ao comentar a decisão do Banco Central de cortar os juros com base na expectativa de que o epicentro da crise ocorra entre seis e nove meses — prazo em que a variação da taxa de juros gera efeitos na economia. Mas, se os países da União Europeia conseguirem postergar ações mais efetivas, os problemas inflacionários surgirão.

 

“Com certeza, o BC terá que subir o juro para níveis mais altos do que os anteriores para dar conta não só do que não foi resolvido com o juro atual, mascom o que se acumulará
por causa desse estímulo adicional”, disse.





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