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Entrevista de Ricardo Amorim à Você SA sobre perspectivas para a Bolsa.

postado em Entrevistas


Revista Você S.A
08/2012

 

 

1) Como avalia o desempenho que a bolsa está tendo este ano e quais são as suas projeções para este ano?
Como já era de se esperar, dadas as perspectivas de agravamento da crise europeia e, por consequência, seus impactos globais, as bolsa, no Brasil e em todo o mundo, tem tido um desempenho bastante fraco, com muita instabilidade e retornos negativos. Até que a crise europeia chegue a seu auge, o desempenho das bolsas no mundo deve continuar a ser ruim, seguido de uma recuperação muito forte após um eventual colapso, similar ao que ocorreu em 2008, quando a Bolsa caiu mais de 50% e 2009, quando subiu mais de 100%.
 

2) Quais setores ou papeis têm chances de ter melhor desempenho no atual cenário?
Os papeis e setores mais defensivos com fluxos de receitas mais estáveis e, idealmente menos endividamento tem desempenho melhor em mercados com mau desempenho, em particular o setor de energia elétrica, o setor de telecomunicações e papeis voltados a consumo doméstico como CCR, AMBEV e Natura.
 

3) Momentos como o atual, de queda da bolsa, são interessantes para o investidor pessoa física? Por que?
As melhores oportunidades de investimento surgem após grandes quedas, quando as ações ficam muito baratas. Entretanto, com a exceção de alguns setores específicos – particularmente construção e siderurgia – até agora, tivemos apenas quedas limitadas. Em resumo, a maioria das ações está relativamente baratas, mas ainda não estão uma barganha, o que provavelmente acontecerá em breve à medida que a crise se agrave na Espanha e na Itália e suas consequências globais também.
 

4) Embora não exista uma receita simples, quais as orientações básicas que podem ser dadas aos investidores pessoas físicas para avaliar quais os momentos mais propícios para entrar e para sair da bolsa? É interessante avaliar a linha do tempo de evolução da bolsa para fazer essa análise?
Não há uma receita de bolo pronta para bons investimentos em Bolsa, mas há algumas regrinhas que ajudam. A primeira é que as melhores compras acontecem quando todos estão muito preocupados e as melhores vendas quando todos estão animados. A segunda é que quanto menor atenção dada pela mídia à bolsa ou quanto mais negativa a cobertura da mídia para a Bolsa, maior a oportunidade de compra. Por outro lado, quando o bom desempenho da Bolsa é capa da Veja ou de uma empresa é capa da Exame, normalmente é hora de sair da Bolsa ou vender ações daquela empresa.
 

5) Como avaliar quando a bolsa está barata ou está cara? Da para mensurar, dizer algo como, a partir de determinado índice a Bovespa está muito desvalorizada ou valorizada? Da mesma forma, como fazer essa avaliação em relação aos papéis individualmente ou a carteiras?
Há vários indicadores para dizer se a Bolsa ou ações específicas estão baratas. Pessoalmente, ao longo de mais de duas décadas de experiência com investimentos acionários, aprendi que os mais eficientes são os que relacionam o preço atual à capacidade de geração de lucro das empresas ajustada pelo ciclo econômico. Em outras palavras, quando menos anos de lucro de uma empresa você pagar para comprar uma ação, maior a probabilidade de que o preço desta ação suba no futuro. Baseado neste índice, as ações da Bovespa estão, em média, pouco mais de 10% abaixo de sua média histórica – o que indica que estão baratas – mas, em momentos extremos chegam a ficar mais de 50% abaixo da média histórica – o que indica que ainda podem ficar bem mais baratas antes de sustentarem uma recuperação sustentável.
 

6) Para qual perfil de investidor pessoa física a bolsa é adequada? Qual a recomendação básica sobre qual porcentagem das economias pessoais uma pessoa deve colocar na renda variável e por quanto tempo ela deve deixar o capital investido?
Há diferentes perfis de investidores em Bolsa de valores. Há aqueles que buscam lucros rápidos em função de oscilações de curto prazo. Eu e a maioria de meus clientes temos um perfil diferente. Buscamos lucros significativos em períodos de alguns ou às vezes muitos anos. Em ambos os casos, a porcentagem de investimentos colocados em Bolsa depende de vários fatores, incluindo potencial necessidade deste capital em um futuro próximo – quanto maior, menos deve ser investido em Bolsa – horizonte de investimento – quanto mais longo, mais pode ser investido em Bolsa e, o mais importante – capacidade concreta e psicológica de se lidar com grandes oscilações negativas do investimento ao longo do tempo. Caso você não seja capaz de suportar que seu investimento esteja temporariamente abaixo do valor que investiu, às vezes bem abaixo, a probabilidade de que você saia do investimento após grandes baixas que muitas vezes são o melhor momento para compra e não venda de ações cresce e, junto com ela, cresce a probabilidade que você perca dinheiro investindo em ações.
 

7) Em momentos de crise como o atual, fala-se muito em investir em carteiras ou papéis de empresas que são boas pagadoras de dividendos. O que vc pensa a respeito?
De fato, empresas que são boas pagadoras de dividendos tem desempenho melhor do que as que não pagam dividendos em momentos de mau desempenho do mercado acionário como um todo. No entanto, esta estratégia só faz sentido se a opção for manter os investimentos em Bolsa ininterruptamente, isto é, não aumenta-los após grandes quedas, quando a Bolsa está barata, e reduzi-los após grandes altas, quando a Bolsa está cara. Além disso, como a Bolsa brasileira vem tendo um desempenho fraco há mais de dois anos, muita gente já comprou ações de empresas que são boas pagadoras de dividendos neste período, elevando seu preço e reduzindo sua perspectiva de desempenho daqui para frente.
 

9) Como explicar didaticamente ao leitor o que são dividendos e o que é considerado um bom pagamento de dividendos, ou seja, como mensurar o que é um bom pagamento de dividendos?
Dividendos são uma parcela dos lucros das empresas que, ao invés de serem investidos no próprio negócio, são repassados aos investidores. Há dois parâmetros interessantes a acompanhar relativos a eles. O primeiro, conhecido no jargão dos investidores como dividendd yield é o percentual de dividendos em relação ao preço da empresa. O segundo, conhecido como pay out, representa o percentual dos dividendos em relação ao lucro das empresas. Há uma série de estudos internacionais, considerando dados desde 1870, mostrando que quanto maior o dividend yield e quanto menor o pay out, melhor tende a ser o retorno de quem investe na ação.
 

10) Você poderia me enviar ou me dizer como posso elaborar uma tabela com os melhores desempenhos de dividendos de papeis da Bovespa?
Normalmente, eles são calculados a partir do preço de cada ação no momento e a projeção de lucro das analistas para aquela ação. Analistas de bancos costumam publicar estas projeções.
 

11) Em um cenário de queda de juros, os investimentos em renda fixa perdem importância e tornam a renda variável mais interessante?
Sim. Quanto mais baixa a taxa de juros, mais interessante em termos relativos os investimentos em ações. A gradual queda da taxa de juros a partir 2002 explica em grande parte o bom desempenho da Bolsa brasileira desde então. Como ela deve continuar ao longo desta década, este deve ser um dos fatores a impulsionar a nossa Bolsa ao longo desta década.





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