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Um país de analfabetos financeiros

postado em Artigos


05/2018

Por Ricardo Amorim

 

 

Em um país com tantos analfabetos funcionais, não surpreende que o analfabetismo financeiro tenha proporções epidêmicas. Não é surpresa, mas é grave.

 

Segundo o exame PISA, realizado entre estudantes de 15 anos de 15 países, os jovens brasileiros são os mais ignorantes em finanças. Até os peruanos, que são muito mais pobres que os brasileiros, estão à nossa frente. Os chineses lideram a pesquisa. Será coincidência que a renda per capita deles, que em 1980 era 6% da nossa, hoje seja maior do que a nossa? Isto mesmo, o chinês médio já ganha mais do que a maioria dos brasileiros.

 

 

Como era de se esperar, o estudo confirma que bons alunos em matemática, ciências e leitura tendem a conhecer mais também sobre finanças. Também não surpreende que países com renda per capita mais alta, melhor distribuição de renda ou um percentual maior da população com conta em bancos tenham resultados melhores no exame de finanças. O que chama a atenção é que, em todos os casos, os resultados dos estudantes brasileiros em finanças são ainda piores do que a renda per capita, a distribuição de renda ou o grau de bancarização sugeririam. Há, portanto, um problema específico no ensino de finanças básicas no país – que pode ser visualizado nos gráficos a seguir pela distância vertical entre a posição do Brasil e cada uma das linhas de tendência.

 

 

 

 

A ignorância financeira não é exclusividade dos jovens. Uma pesquisa do SEBRAE aponta que 77% dos empreendedores autônomos que faturam até R$81.000,00 por ano nunca fizeram um curso ou treinamento em finanças. 48% não fazem previsão de gastos, 50% ainda usam o caderno para anotar gastos, 39% não registram todas as receitas e 34% não acompanham, ou acompanham no máximo uma vez ao mês, o saldo de caixa.

 

No Brasil, cultura cigana e química orgânica, por exemplo, fazem parte do currículo escolar obrigatório; finanças básicas, não. Como fazer um planejamento de vida ou de negócios decente sem conhecer finanças básicas?

 

À luz da ignorância financeira que reina no país, fica fácil compreender como dezenas de milhões de brasileiros assumiram dívidas impagáveis, comprometendo seus futuros financeiros. A maioria ignora o efeito brutal dos juros compostos sobre dívidas e investimentos, ainda mais levando-se em consideração as enormes taxas de juros brasileiras. Por exemplo, considerando-se uma taxa de juros de 400% a.a. – próxima à praticada no cheque especial ou cartão de crédito – uma dívida de R$3.000,00 contraída para a compra de uma televisão em maio de 2015 teria se transformado em R$15.000,00 um ano depois, em R$75.000,00 dois anos depois e em R$375.000,00 hoje. Quem comprou uma televisão há três anos deve hoje um apartamento. Sabendo disso, será que tanta gente teria assumido dívidas como esta?

 

A mesma ignorância financeira explica por que políticos mal intencionados conseguem manipular os brasileiros com seu próprio dinheiro. O mesmo sujeito que paga alimentos muito mais caros no supermercado em função de impostos elevados para bancar o custo da máquina pública sente gratidão ao político do governo, que lhe transfere uma fração do que ele pagou em impostos, através do Bolsa-Família ou qualquer outro programa público.

 

A maioria não compreende que, se o total da arrecadação da Previdência pública é de R$550 bilhões e o total de benefícios pagos é de R$950 bilhões – como acontecerá neste ano no Brasil – os R$400 bilhões que faltam terão de sair de algum lugar – mais precisamente de saúde, educação, infraestrutura, segurança, etc… Mais difícil ainda compreender as consequências financeiras futuras de duas mudanças demográficas. As famílias têm cada vez menos filhos – reduzindo o número de pessoas que trabalharão e contribuirão para a Previdência no futuro – e as pessoas vivem cada vez mais – aumentando número de beneficiários da Previdência e o tempo que eles receberão os benefícios da Previdência. Adivinhe o que isso fará com o rombo da Previdência?

 

Em resumo, se queremos construir um país melhor e mais próspero, precisamos avançar a passos largos e rápidos na educação financeira de todos os brasileiros. Educação financeira tem de ser uma parte importante do currículo escolar obrigatório. Sozinhas, políticas públicas não vão resolver o problema. É do interesse de todas as empresas investir para que seus funcionários tenham melhores conhecimentos de finanças e tomem melhores decisões em suas vidas pessoais e pelas próprias empresas. Principalmente, é responsabilidade de cada um de nós buscarmos fontes de educação financeira para nós mesmos e nossos filhos.

 

Ricardo Amorimautor do bestseller Depois da Tempestade, apresentador do Manhattan Connection da Globonews, o economista mais influente do Brasil segundo a revista Forbes, o brasileiro mais influente no LinkedInúnico brasileiro entre os melhores palestrantes mundiais do Speakers Corner, ganhador do prêmio Os + Admirados da Imprensa de Economia, Negócios e Finanças, presidente da Ricam Consultoria e cofundador da Smartrips.co e da AAA Plataforma de Inovação.

 

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Ricardo Amorim destaca as oportunidades para a avicultura brasileira

postado em Palestras


05/2018
Revista Feed & Food
Por Jéssica Nascimento

 

 

Superar desafios é o que a avicultura brasileira mais tem feito nos últimos anos. Foi essa determinação que permitiu o setor conquistar seu espaço no mercado internacional como o terceiro maior produtor mundial de carne de frango, produzindo mais de 12 milhões de toneladas anualmente. E para continuar garantindo a presença do produto avícola do Brasil na mesa de consumidores pelos cinco continentes, o setor precisa se renovar constantemente de modo a aumentar a eficiência produtiva para atender as demandas globais.

 

Apesar das dificuldades continuarem existindo na atividade, o economista Ricardo Amorim, presidente da Ricam Consultoria, espera melhoras significativas para os negócios nos próximos anos. Isso porque o Brasil sempre viveu momentos de crescimento econômico depois de grandes crises, sendo o mínimo de 5% nas últimas décadas. “No ano passado o país cresceu duas vezes mais que o previsto. Se o ritmo continuar o mesmo, neste ano deverá crescer 4%. Não há o que impeça o Brasil de crescer. Já estamos colocando a casa em ordem, recuperando o consumo”, frisa.

 

Sobre o poder de aquisição, Amorim destacou o retorno do fenômeno da nova classe média, que ocorreu mundialmente em 2014, o que implicará no aumento do consumo de carne de frango. “Nos últimos 15 anos, a renda per capita global quintuplicou. Mais do que isso, a cada U$ 4 excedentes, U$ 3 foram gerados por países emergentes, como China, Indonésia e Brasil. Regiões que aumentam o consumo de alimentos, principalmente de proteína animal, ao elevar seu poder aquisitivo”, destaca. E para atender a essa demanda, o país conta com 40% da área mundial disponível para plantio, o equivalente ao território de 33 países europeus.

 

Considerando todos esses fatores, o economista destaca que o Brasil possui as melhores oportunidades para a avicultura. “Estamos na hora certa, pois nunca se gerou tanta riqueza como nos últimos 15 anos. No lugar certo, já que são nos países emergentes que esse crescimento vem ocorrendo. E no setor certo, considerando que a demanda por proteína animal tem aumentado significativamente”, frisa. Agora, acrescenta Amorim, basta identificar o que é preciso fazer de diferente para se fortalecer na atividade, pois cada um cria sua oportunidade, seja melhorando o produto, os processos, buscando novos mercados ou inovando. “Nenhum resultado é alcançado sem muito esforço e trabalho. Tem que fazer acontecer”, afirma.

 



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Em homenagem ao mês da indústria, AAA participa de evento da FIEMS sobre tecnologia e inovação

postado em Palestras | Vídeos


05/2018

Globo

 

 
 



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Brazil: a new enterprising culture

postado em In English


05/2018

By Ricardo Amorim

 

 
Brazil was contaminated by a strong strain of entrepreneurship. In the last few years, thanks to the economic crisis millions of Brazilians opted for having their own businesses, driven by need and lack of alternatives. But the expansion of entrepreneurship in the country started long before.
 
According to the OECD, from 2005 to 2014 – therefore before the crisis – whereas the number of active companies dropped 1,3% a.a. in Portugal and 1% in Spain, and in the US it increased only 0.4% a.a., in Brazil it grew 5% a.a.. In 2018 alone, about 2.5 million companies will have been started in the country. This increases the productivity of the economy, since new companies replace and eliminate less productive ones from the marked. Whereas an average 18% of companies existing in the OECD were created in the last two years, in Brazil 35% of them are less than two years old.
 

 
Considering the business environment which exists in Brazil, particularly challenging to new businesses – with lots of bureaucracy, high taxation, low availability and high cost of financing, the figures are surprising. A change in behaviour took place in the Brazilian population which is reshaping the labour market in the country.
 

 
The creation of new businesses this year will be more than the creation of new formal and informal jobs, which is to be close to 2 million. Of this total, 1,3 million – or two out of three new jobs – will be created by new employers, self employed workers and micro and small businesses.
 
Something similar happened last year. Whilst the number of employers, self employed and informal workers increased 5%, the number of officially registered workers dropped 2%.
 
Brazil goes the way of developed countries, where self-employment has been growing for some time in view of new technologies and more flexible labour contracts. Here, the Labour Reform is expected to foster this trend even further.
 
On the other hand, if the willingness and courage to enterprise have grown in Brazil, ambitions are still rather shallow. According to the Global Entrepreneurship Monitor, only 4% of entrepreneurs in Brazil expect to offer 6 or more jobs in the coming 5 years. This compares to  10% in Mexico, 34% in the US and 40% in Romenia.
 

 
To make things worse, our entrepreneurship is little innovative. Only 12% of Brazilian entrepreneurs offer their clients a new or uncommon product, as compared to 18% of Mexicans, 37% of Americans and 41% of Canadians.
 

 
This suggests that many entrepreneurs go it alone in Brazil for lack of opportunities in large companies which require more qualified labour. The fact that one in each three Brazilian workers works for himself, twice as many as in developed countries, endorses this hypothesis.
 
The growth of entrepreneurship in Brazil is certainly good news, but the quality of the new enterprises still has to improve. It would be excellent to elect officers bringing plans to qualify the workforce, to invest more in research and development, to reduce bureaucracy – particularly the environmental legislation, the labour and the consumers codes – capable of improving legal certainty and the laws on intellectual property, free competition and bankruptcies, of reducing the complexity and size of the tax burden, and of facilitating access to new markets, opening up the Brazilian economy. If that comes, there’ll be no holding Brazil back.
 
Ricardo Amorim is the author of the best-seller After the Storm, a host of Manhattan Connection at Globonews, the most influential economist in Brazil according to Forbes Magazine, the most influential Brazilian on LinkedIn, the only Brazilian among the best world lecturers at Speakers Corner and the winner of the “Most Admired in the Economy, Business and Finance Press”.
 
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Translation: Simone Montgomery Troula
 
 



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Brasil: uma nova cultura empreendedora?

postado em Artigos


04/2018

Por Ricardo Amorim

 

 
O Brasil foi contaminado por um forte surto de empreendedorismo. Nos últimos anos, com a crise econômica, milhões de brasileiros optaram por ter seus próprios negócios, movidos por necessidade e falta de alternativas, mas o crescimento do empreendedorismo no país começou muito antes.
 
De acordo com a OCDE, de 2005 a 2014 – portanto antes da crise – enquanto o número de empresas em atividade em Portugal caiu 1,3% a.a., na Espanha caiu 1% a.a., nos EUA cresceu apenas 0,4% a.a., no Brasil ele cresceu 5% a.a. Só em 2018, cerca de 2,5 milhões de novas empresas devem ser abertas no país. Isto aumenta a produtividade da economia, à medida que as novas empresas substituem e eliminam do mercado empresas menos produtivas. Enquanto na OCDE, em média 18% das empresas existentes foram criadas nos últimos dois anos, no Brasil 35% delas têm menos de dois anos.
 

 
Considerando-se o ambiente de negócios particularmente desafiador a novas empresas que existe no Brasil, com muita burocracia, impostos elevados, baixa disponibilidade e alto custo de financiamento, estes dados surpreendem. Ocorreu uma mudança comportamental da população brasileira, que está reconfigurando o mercado de trabalho no país.
 

 
A criação de novas empresas neste ano deve ser maior do que a criação de novos empregos formais e informais, que deve ficar próxima de 2 milhões. Deles, dois de cada três novos empregos, 1,3 milhão no total, devem ser de novos empregadores, trabalhadores por conta própria e em micro e pequenas empresas.
 
No ano passado, foi parecido. Enquanto o número de empregadores, funcionários por conta própria e trabalhadores sem carteira cresceu mais de 5%, o número de trabalhadores com carteira caiu 2%.
 
O Brasil juntou-se aos países desenvolvidos, onde há algum tempo tem aumentado o trabalho por conta própria, em função de novas tecnologias e contratos de trabalho mais flexíveis. Aqui, a Reforma Trabalhista deve impulsionar ainda mais esta tendência.
 
Por outro lado, se a vontade e coragem de empreender no Brasil cresceram, as ambições são, em geral, ainda muito baixas. De acordo com o Global Entrepreneurship Monitor, no Brasil só 4% dos empreendedores esperam criar 6 ou mais empregos nos próximos 5 anos. No México 10% deles têm esta ambição, nos EUA 34% e na Romênia, 40%.
 

 
Para piorar, nosso empreendedorismo é pouco inovador. Só 12% dos empreendedores brasileiros oferecem um produto novo ou pouco comum a seus clientes, contra 18% dos mexicanos, 37% dos americanos e 41% dos canadenses.
 

 
Isso sugere que, no Brasil, muitos empreendem por falta de oportunidades em empresas grandes, que exigem mão de obra mais qualificada. O fato de um em cada três trabalhadores brasileiros trabalhar por conta própria, o dobro que nos países desenvolvidos, reforça esta hipótese.
 
O crescimento do empreendedorismo no Brasil é uma boa notícia, mas a qualidade dos novos empreendimentos ainda precisa melhorar. Seria ótimo elegermos candidatos com projetos para qualificar a força de trabalho, que invistam mais e melhor em pesquisa e desenvolvimento, reduzam a burocracia – em particular a regulamentação ambiental e trabalhista e o código do consumidor – que aperfeiçoem a segurança jurídica e as leis de propriedade intelectual, de concorrência e falências, que reduzam a complexidade e a carga tributária e que facilitem o acesso a novos mercados, abrindo a economia brasileira. Aí, ninguém segura o Brasil.
 
Ricardo Amorimautor do bestseller Depois da Tempestade, apresentador do Manhattan Connection da Globonews, o economista mais influente do Brasil segundo a revista Forbes, o brasileiro mais influente no LinkedInúnico brasileiro entre os melhores palestrantes mundiais do Speakers Corner, ganhador do prêmio Os + Admirados da Imprensa de Economia, Negócios e Finanças, presidente da Ricam Consultoria e cofundador da Smartrips.co e da AAA Plataforma de Inovação.
 
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