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Resumo da palestra Agronegócio: Motor do Brasil

postado em Palestras


03/2014

Por Ricardo Amorim

Agronegócio: o motor do Brasil

 

Na última década, o mundo mudou muito mais do que a maioria de nós percebeu. Para aproveitar esta nova realidade precisamos, antes de mais nada, compreendê-la.

Desde o início do milênio, o centro de gravidade da economia mundial vem se deslocando dos Estados Unidos e Europa para os mercados emergentes.

Como tudo isto aconteceu? O Brasil se beneficiou de um forte crescimento na procura por matérias primas, um aumento significativo da oferta de capitais para financiar investimentos e consumo por aqui,u ma marcante atração de talentos do exterior – até nossos clubes de futebol já estão trazendo mais jogadores de fora do que exportando – e uma mãozinha de mudanças demográficas. Com isso, entre 2004 e 2010, o PIB brasileiro cresceu 2,5 vezes mais rápido do que nos 25 anos anteriores mesmo sem o Brasil resolver a maioria de seus problemas, como má qualidade de saúde e educação, impostos excessivos, infraestrutura precária, burocracia exagerada e corrupção. Em outras palavras, o Brasil foi temporariamente condenado a crescer. Entretanto, nos últimos 3 anos, o crescimento do PIB brasileiro se desacelerou à medida que dois fatores de produção antes amplamente disponíveis – infraestrutura e mão de obra – tornaram-se escassos.

Neste cenário, a importância do agronegócio para a economia brasileira cresceu ainda mais. No ano passado, o setor sozinho foi responsável pela metade do crescimento do país.
 

Chegou a nossa vez

Nas últimas décadas, os emergentes cresceram muito mais do que os países ricos. Desde a entrada da China para a Organização Mundial do Comércio em dezembro de 2001, mais de 3/4 do crescimento do mundo veio dos países emergentes e menos de 1/4 dos EUA, Europa e Japão. Isto deslocou as maiores oportunidades de negócios para cá. Neste cenário, o agronegócio brasileiro conseguiu expandir seu superávit comercial de US$ 9 bilhões em 2003 para US$ 83 bilhões no ano passado.
 

A vez do consumo de massa, saúde, educação, micro e pequenas empresas

Aumentos reais dos salários mínimo e programas do governo continuarão a expandir o poder de compra dos consumidores e regiões mais pobres do país, impulsionando nosso mercado. Só entre 2005 e 2012, 59 milhões de brasileiros (o equivalente a toda população da Itália) ingressaram nas classes A, B e C, ampliando exponencialmente o mercado consumidor brasileiro. No restante desta década, mais de uma dezena de milhões de novos consumidores devem emergir, sendo, de fato incorporados ao mercado. A expansão da classe média deve sustentar um crescimento acelerado dos setores de alimentos, educação, saúde, transporte e imobiliário. Além disso, como muitas vezes são as micro e pequenas empresas que atendem estes novos consumidores, foram elas que mais cresceram no país. Nos últimos 7 anos, a taxa de sobrevivência de micro e pequenas empresas no país foi mais elevada do que em quase todos países desenvolvidos.

 

Vendas movidas a crescimento de renda e crédito

Desde 2004, houve uma forte e sustentada expansão do crédito, que continuará nos próximos anos. Por isso, os setores mais dependentes de crédito – imobiliário, automotivo, de eletroeletrônicos e de turismo – cresceram mais do que a média da economia, assim como os setores de infraestrutura, petróleo e gás, por conta dos investimentos do pré-sal.

 

Viva o agronegócio, o interior e o centro-oeste!

A fome chinesa e indiana por alimentos e matérias primas brasileiras deve continuar por mais duas ou três décadas. Por isso, as cidades do interior devem continuar a crescer mais do que as capitais do estados e a região centro-oeste também deve continuar a crescer mais do que o resto do Brasil, como já vem acontecendo há mais de 10 anos. Neste cenário, o fluxo migratório no país inverteu-se e, nos últimos anos, houve mais gente saindo das capitais dos estados e mudando-se para as cidades do interior do país do que o inverso. Além disso, no ano passado, a geração de empregos nas cidades do interior foi quase o dobro da das capitais. Com as boas perspectivas para o agronegócio e as dificuldades de diversos setores da indústria manufatureira, este cenário deve se repetir em 2014.

 

Ricardo Amorim é economista, consultor, apresentador do programa Manhattan Connection da Globonews, colunista da revista IstoÉ e presidente da Ricam Consultoria. Realiza palestras em todo mundo sobre perspectivas econômicas e oportunidades em diversos setores. Único brasileiro na lista dos melhores e mais importantes palestrantes mundiais do site inglês Speakers Corner e economista mais influente do Brasil segundo o site americano Klout.com
 
 





    18 de março de 2014 às 22:25

    Ótima analise.



    Gabriela Martins disse:
    14 de abril de 2014 às 21:24

    Concordo que o agronegocio movimenta grande quantidade de dinheiro,com ciclo de produção, venda e recebimento relativamente curto. Contudo ninguém comenta sobre resultado financeiro líquido do setor. Efeito photoshop.



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