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Matéria sobre palestra de Ricardo Amorim sobre os desafios da transição de um modelo econômico focado em consumo para um focado em produtividade

postado em Palestras


Revista Dealer

11/2013

 

Os desafios da transição de modelo de desenvolvimento

Mesmo com a certeza de que o setor automotivo vai crescer mais que o PIB, o economista Ricardo Amorim indica serviços e peças como caminhos ainda mais rentáveis para o Concessionário.

 

Para dar ao setor automotivo uma ideia do cenário econômico em que terá de realizar seus negócios no futuro imediato, o economista Ricardo Amorim, palestrante convidado pelo Itaú, fez uma análise dos rumos da economia brasileira ao participar do 23º Congresso Fenabrave. Apontou, ao Concessionário, como melhor opção, buscar o seu diferencial na venda de serviços, argumentando que a infraestrutura ruim das cidades brasileiras vai continuar ajudando o setor a vender peças.

 

Reconhecido internacionalmente como economista e palestrante de renome, Amorim destacou o fato de o setor ter passado por uma mega transformação nos últimos anos, com coisas boas e outras ruins, devendo cuidar agora de interromper a queda brutal das margens de lucro, o que reconheceu depender do apoio do governo no sentido de direcionar corretamente a economia nacional. Como alento, disse que o País está em melhor situação que os Estados Unidos, quando se fala em idade média da frota de veículos leves: 11,4 anos nos EUA e 8 anos no Brasil.

 

As manifestações de rua, que têm ocorrido em todo o País, foram lembradas como uma reação de insatisfação com o descaso a que setores primordiais como transportes, saúde e educação foram relegados nos últimos anos, inclusive quando o Brasil se destacava do ponto de vista econômico. Como agravante, a incômoda situação de terceiro no mundo em carga tributária. “E estamos em primeiro lugar entre os emergentes em carga tributária, que aqui é realmente pesada. O brasileiro paga imposto de país rico e recebe benefício de país pobre”.

 

Segundo Amorim, para desenvolver e desonerar de forma substancial a economia é preciso atacar a burocracia, que implica em muita perda de tempo e dinheiro dos brasileiros, e a corrupção. “Estamos falando em algo em torno de R$ 100 milhões. Com isso, poderíamos dobrar o que é investido em infraestrutura”, acrescentando que um melhor direcionamento dos impostos arrecadados (IPI, IOF, IR…) também poderia ajudar nessa tarefa.

 

Ao comentar que o ex-presidente Lula tem a certeza de que mudou todo o Brasil, Amorim disse que foram os chineses que viraram o mundo de cabeça para baixo no dia em que deixaram o campo e foram para a cidade. O palestrante exemplificou com o consumo anual de cimento entre as duas nações: 361 kg/per capita no Brasil ante 1.600 kg/per capita na China (dados de 2011). As centenas de milhões de chineses e indianos pobres comendo cada vez mais asseguraram ao País o segundo lugar na cadeia de agronegócios, perdendo apenas para os Estados Unidos. “Ou seja, as oportunidades estão aí, o que significa que, para o Brasil não crescer, temos de nos esforçar muito, mas está ocorrendo”.

 

A crise no exterior continua a preocupar. Os recuos e avanços das economias americanas e europeias e o risco de a economia brasileira se tornar lanterna entre os emergentes foram destacados por Amorim, que disse temer pelo destino da Alemanha nas eleições de setembro. Os Estados Unidos promoveram uma inundação de dólares pelo mundo, mas o palestrante entende que o Brasil precisa se preparar para a invasão de produtos americanos e de empresas, além de profissionais.

 

O crescimento do agronegócio também está mudando o perfil do comprador de veículos, levando a um avanço da frota automotiva muito maior no interior que nas áreas urbanas. Sem falar no fato de que 49 milhões de brasileiros entraram na classe em que se compra veículos. “Temos 57 milhões de brasileiros que querem comprar carro. O preço do carro subiu, mas o salário mínimo subiu muito mais”.

 

Amorim entende que o crescimento acelerado pelo qual o País passou se deve, sobretudo, à sua própria gente. “Mas não dá mais para crescer colocando mais gente para trabalhar. Precisa ganhar produtividade. Precisa melhorar a infraestrutura. Crescemos usando a infraestrutura que estava aí. Mas agora ou investe na infraestrutura ou o crescimento terá de ser menor. Daí os ‘pibinhos’ que o País está registrando.”

 

Para reverter essa situação, o palestrante defende estímulos à produção, expansão do crédito, corte de custos por parte do governo, colocar ordem na casa e não dificultar a entrada de investimento estrangeiro, estabelecendo regras claras para isso. Pelos dados que levantou, o mercado brasileiro automotivo ainda está com um desempenho melhor que o mercado lá fora e, dirigindo-se aos participantes do Congresso Fenabrave, disse ter a certeza de que o crescimento do setor será maior que o PIB brasileiro. Além disso, Amorim ressaltou, mais uma vez, que se o governo brasileiro não fizer a lição de casa, não atacar os problemas que têm de ser atacados, o crescimento dos cinco anos passados, dificilmente vai se repetir nos próximos cinco anos.

 

Sobre o programa Inovar-Auto (de incentivo à inovação tecnológica no setor automotivo), o palestrante disse estar certo trazer a produção para o Brasil, mas a forma prevista está errada. Também se mostrou preocupado com um acordo da Europa e Estados Unidos, que irá impor restrições ao mercado automotivo nacional de forma brutal. Amorim acha ter chegado a hora de o País parar de distribuir bondades em seus acordos no Mercosul, fazendo valer regras duras e evitando o protecionismo, que considera sempre péssimo para a nação.

 

Antes de encerrar, o palestrante lançou um alerta sobre os riscos que envolvem o crescimento chinês (estouro da bolha imobiliária com consequências no regime político e queda da expectativa de vida por conta da poluição). “Temos de torcer para que uma coisa ou outra demore ao menos 10 anos, pois se acontecer antes disso, o problema também será nosso”. E sugeriu aos presentes que criem um diferencial importante no setor de serviços “servindo bem para servir sempre”.

 





    Robson silveira disse:
    18 de novembro de 2013 às 1:07

    Devemos considerar que os baixos índices de desemprego estão concentrados no setor de serviços pressionando a inflação por não existir concorrência externa – não se importa eletricista, encanador, pedreiro, cabeleireiro, etc. – já a indústria enfrenta três problemas, a carga de impostos, os importados e o custo da mão de obra disputado com o setor de serviço. Portanto a produtividade tem efeito apenas no médio prazo com ações conjuntas de governo e empresas.



    27 de novembro de 2013 às 10:15

    Bom dia Ricardo. Realmente precisamos urgente de um visionário diferenciado , para que o Brasil consiga uma porcentagem de crescimento satisfatória.



    Gustavo Silva disse:
    27 de novembro de 2013 às 11:47

    Se não controlarmos a entrada de produtos “baratérrimos” chineses, a produção nacional cairá e teremos mais desemprego na indústria, forçando alguns profissionais a preencher esta lacuna no setor de serviços (eletricistas, encanadores, etc). Não há como trabalhar 16, 18 horas como estes por se portarem, desta forma, a milênios. QUALIFICAR nossos profissionais em todos os âmbitos, trazendo competitividade aos nossos produtos é algo primordial. Uma pena que, o perfil profissional de nossa população, é de “ensino de pai p filho” e há muita oposição, se comparada a outros países desenvolvidos, a potencialização de recursos humanos, novos aprendizados e mudanças. Confiemos e trabalhemos para melhorar este “raio x”.



    Luciano Prestes Molinari disse:
    23 de dezembro de 2014 às 0:22

    O Brasil de hoje é diferente do Brasil de 2009. O Mundo inteiro buscou inovar e evoluir, caso dos chineses. Hoje, o que temos são medidas paliativas para tapar buracos aqui e ali. Esquece esse negócio de mão de obra qualificada, pois nem o governo muito menos as empresas públicas tem mão de obra qualificada. Quem dera hoje, as empresas poderem pagar uma boa mão de obra qualificada, e mais: pra quê pagar mão de obra qualificada ? não há mais “espaço” para isso no país. A indústria saturou e não é mais competitiva. Aliás, a indústria no Brasil vai “deixar saudades”, pois tende a “sumir” aos poucos, mas rapidamente com fusões, vendas e o pior dos cenários, o fechamento. O comercio, com o poder de compra diminuindo, vai sofrer mais ainda, e arriscaria dizer que haverá dois cenários: um varejo voltado ao “luxo” com produtos exclusivos e de alto valor agregado, voltados para poucos, e o outro comércio, na outra extremidade, com produtos populares de baixo custo e valor agregado – tipo “compra da China e vende aqui”. Restará os serviços, que também já estão saturados. Quem oferecer por menos, quase de graça, terá a principal vantagem “competitiva”. Inovar é para poucos e quem sabe, Economias Criativas tenham a tendência de se dar bem em determinadas regiões. Parabéns pela matéria, e minha admiração por você.



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