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Em palestra, economista Ricardo Amorim chama atenção para mudança do centro de gravidade da economia mundial e para necessidades de reformas econômicas no Brasil.

postado em Palestras


Diário ABRAAP
25/11/2011

 

SEMINÁRIO DA FUNDAÇÃO CEEE ANALISA CENÁRIOS.

 

As tendências econômicas e políticas para 2012 foram o centro das palestras e debates do 13º Seminário Econômico Fundação CEEE, realizado no dia 22 de novembro, em Porto Alegre. Um público de 500 pessoas acompanhou as apresentações de especialistas sobre a formação de uma nova ordem econômica mundial, a recente elevação da nota de crédito soberana do país e as perspectivas de solução da crise na zona do euro.

 

Na abertura do evento, o presidente da Fundação CEEE, Claudio Ceresér, disse que a atual conjuntura é de bastante incerteza, devido às oscilações do mercado financeiro nos últimos anos. “Encontrar caminhos para administrar as mudanças na economia é o desafio para os fundos de pensão e demais segmentos empresariais”, disse. Com o seminário, uma das ações do Programa de Educação Previdenciária, a Fundação CEEE aproxima seu público das questões econômicas e políticas que são de fundamental importância para o desenvolvimento da sociedade. O evento teve como mediador o jornalista Sidney Resende, da Globo News, e reuniu participantes da entidade, conselheiros, representantes das patrocinadoras, empresários e lideranças políticas.

 

O economista Ricardo Amorim falou sobre a configuração de uma nova ordem mundial, traçando um paralelo comparativo entre os países ricos e emergentes. Enquanto os países desenvolvidos amargam com a crise iniciada em 2007 e que se arrasta com reflexos até hoje e com perspectivas nebulosas para o futuro, o Brasil e os demais emergentes, em especial China e Índia, crescem. “O que estamos vendo é uma mudança no centro de gravidade da economia mundial, com os emergentes mais estáveis e os países ricos mais instáveis”, afirmou. Nos países ricos, a população está endividada e sem crédito, enquanto nos emergentes há uma crescente população urbana, ávida por consumir.

 

Com a dependência de commodities dos emergentes como o Brasil e produtos de alta tecnologia cada vez mais baratos produzidos na China, o mundo realmente mudou. Enquanto os consumidores da Europa e Estados Unidos se endividaram, o Brasil se tornou a terceira nação que mais cresceu no mundo, entre as 30 principais economias. O PIB brasileiro praticamente dobrou a partir de 2004, com uma média de 4,9% ao ano, contra a média de 2,5% nos dez anos anteriores.

 

Entretanto, Amorim disse que haverá reflexos da crise e a economia brasileira não crescerá mais do que 1% em 2012. “O Brasil não resolveu nada dos seus principais problemas nem fez reformas estruturais que poderiam torná-lo um grande país”. Para Amorim, “o maior desafio atual é mudar a mentalidade interna e promover planejamento de longo prazo, considerando que já passamos por muitas crises”.





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