Economista Ricardo Amorim aponta os desafios da abertura de capital em debate na Campus Party.

G1.com / Extra

20/01/2011

Rennan Setti

— O Facebook está sendo muito inteligente na maneira como está sua capitalização. Ele escolhe com cuidado quem compra suas ações, como fez por meio do Goldman Sachs. Não é qualquer um que pode comprar um pedaço da empresa, ela não está na bolsa de valores. Abrir o capital é necessário para conseguir dinheiro para projetos inovadores, mas também pode ser prejudicial à inovação. Vender para pessoas erradas pode causar problemas — disse o jornalista britânico em debate com executivos da Telefónica e com o economista Ricardo Amorim.

O Facebook está sendo muito inteligente na maneira como está sua capitalização. Não é qualquer um que pode comprar um pedaço da empresa, ela não está na bolsa de valores

Para Hammersley, a ambição do novo empresário da área de tecnologia “é criar um legado, não apenas lucro, como acontecia há 15 anos. Por isso, segundo ele, as start-ups de hoje resistem a vender seus negócios para grandes empresas.
— E elas estão certas. Há 15 anos, o sonho de qualquer jovem empresário era vender seu negócio para a Microsoft. Hoje já não é mais assim. Start-ups podem morrer ao serem compradas, e já vimos vários exemplos disso. O Delicious, por exemplo, foi assinado pela Yahoo, que fez isso com várias outras start-ups — afirmou — Atualmente há uma noção de que, ao vender sua pequena empresa, você estará praticamente vendendo sua alma. Até porque já é possível conseguir dinheiro de muitas outras formas, e começar uma empresa é muito barato. Portanto, se você é um jovem empreendedor de sucesso, tem dinheiro suficiente para tocar o negócio e faz o que ama, vale a pena vender seu legado para ter que entrar num terno e ter reuniões diárias com advogados e gerentes?
Para Leila Loria, diretora-executiva de novos negócios da Telefónica, as startúps resistem a abrir capital porque a “lógica do negócio de tecnologia é inversa à de Wall Street”.
— A área de tecnologia e de telecomunicações vive de projetos de longo prazo. Já Wall Street exige prestações de resultados a cada três meses. Isso gera um conflito. Por isso uma das propostas do nosso novo fundo de investimentos é que as start-ups entrem na lógica da indústria, não na dos private equity — afirmou, referindo-se ao fundo lançado na Campus Party voltado para o financiamento de empresas de pequeno e médio portes.
Para Ricardo Amorim, quando start-ups e médias empresas de tecnologia abrem o capital, é sinal de uma nova fase, mas que ainda é perigosa:
– A entrada na bolsa mostra que a empresa mudou de estágio. Significa que ela não é mais exclusivamente dependente de inovação, mas também de processos. Não é só causa, é também um reflexo de evolução. Mas a necessidade mútua de inovação e processo pode acabar matando a primeira.
Citando a Apple, o editor especial da “Wired UK” defendeu a inovação intensiva como a única maneira de sobreviver no cenário econômico global. Para o jornalista britânico, em vez de ter “90% de gerentes e 1% de engenheiros”, as companhias atuais devem se esforçar pelo contrário.
— Eu acho que as empresas devem ter seu quadro de funcionários formado 100% por pessoas inovadoras. Caso contrário, seu negócio pode estar fadado ao fracasso. Já que estamos no estande de uma empresa telecomunicações (da Telefónica), vamos citar o exmplo do Skype: ele está matando o negócio de vocês. Na internet, uma única pessoa pode ser mais forte do que 100 mil pessoas. Uma pequena empresa da internet pode focar em inovação durante todo tempo e com baixo custo, já que não precisa gastar milhões patrocinando a Campus Party, por exemplo, pagar impostos etc — afirmou Hammersley, que dará palestra aos campuseiros no sábado — E quando falo em inovação, acho que até os processos podem ser inovadoras. A Apple, por exemplo, inovou o varejo. A forma como ela vende seus produtos é diferente.

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