05/2026
Por Ricardo Amorim
Durante décadas, “paraguaio” era sinônimo de falsificado, barato, de baixa qualidade, aqui no Brasil. Só que o jogo virou. O Paraguai deixou de ser motivo de piada para se tornar destino de investimentos, crescimento e, talvez, o mais simbólico, fuga de talentos e capitais brasileiros. Sim, cada vez mais brasileiros vão para lá com suas empresas, seu dinheiro e sua qualificação. A pergunta é: o que o Paraguai fez de certo e nós não?
A virada não aconteceu por acaso. O Paraguai não resolveu todos os seus problemas – muito longe disso – mas conquistou o que poucos países da América Latina conseguiram manter por muito tempo: estabilidade das regras do jogo econômico.
Ao longo dos últimos anos, a economia do país se tornou mais previsível, com regras mais claras e menos mudanças bruscas. Em economia, previsibilidade cria confiança e confiança atrai investimentos financeiros, que por sua vez geram empregos e crescimento econômico.
Outro ponto central foi a atitude em relação ao ambiente de negócios no país. Enquanto o Brasil, geralmente, complica, o Paraguai simplifica. Os impostos por lá são muito mais baixos do que aqui, e o custo para abrir e manter uma empresa é significativamente menor. O resultado é simples: mais empresas, mais investimentos, mais crescimento econômico e maior melhoria da qualidade de vida da população. Não por acaso, o país vem crescendo cerca de 4% ao ano por duas décadas, aproximadamente o dobro do Brasil no mesmo período, com inflação mais baixa e contas públicas bem mais equilibradas.
Esse conjunto de fatores permitiu que o Paraguai conquistasse o grau de investimento, um selo que indica confiança para investidores internacionais, o mesmo que o Brasil perdeu, em 2015, no governo Dilma Rousseff, e não reconquistou até hoje. Atualmente, estamos dois degraus abaixo deles nessa classificação. Isso ajuda a explicar por que investidores estrangeiros hoje compram títulos da dívida paraguaia em moeda local, algo que, há poucas décadas, era impensável.
Talvez, o sinal mais forte dessa mudança seja outro: o comportamento dos próprios brasileiros em relação ao país. O Brasil já é o maior investidor estrangeiro no Paraguai e essa participação continua crescendo. Empresas e empreendedores brasileiros estão cruzando a fronteira em busca de um ambiente de negócios mais favorável para operar. Empregos e riqueza que poderiam ser gerados no Brasil, acabam sendo gerados em nosso vizinho.
Nada disso significa que o Paraguai virou um país perfeito. Ele ainda enfrenta problemas importantes, como alta informalidade, pobreza significativa e corrupção elevada. A diferença é que, ao contrário de muitos países da região, eles estão melhorando de forma consistente. Se mantiverem o ritmo dos últimos 20 anos, vão alcançar indicadores melhores do que os do Brasil nas próximas décadas.
A grande lição aqui é simples, mas poderosa. Crescimento sustentável não vem de soluções mágicas, mas de decisões consistentes ao longo do tempo: regras estáveis, gastos públicos sob controle e um ambiente que, ao estimular quem produz, gera riqueza para todos no país. Dinheiro vai para onde é bem tratado. Talentos são atraídos para onde encontram oportunidades.
Infelizmente, o Brasil tem feito exatamente o contrário disso e, por consequência, perdido capitais, talentos e riqueza.
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Ricardo Amorim, autor do bestseller Depois da Tempestade, o economista mais influente do Brasil segundo a revista Forbes, o brasileiro mais influente no LinkedIn, único brasileiro entre os melhores palestrantes mundiais do Speakers Corner, ganhador do prêmio Os + Admirados da Imprensa de Economia, Negócios e Finanças, presidente da Ricam Consultoria e cofundador da Smartrips.co.
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