Entrevista de Ricardo Amorim ao site Finanças Femininas sobre a economia brasileira

10/2014

Finanças Femininas

 
A enxurrada de opiniões e reflexões das mais diversas naturezas sobre a eleição presidencial nas redes sociais mostra claramente que não há outro assunto na mente dos brasileiros: afinal, como ficará o nosso país a partir do dia 26 de outubro? Não vamos aqui tratar de vertentes partidárias ou discutir o perfil de cada candidato. Mas como sempre falamos sobre educação financeira, nada mais propício do que abordar algumas questões sobre a economia do país em um contexto tão relevante como este.
O que está acontecendo com a nossa economia? Independente de quem obtenha a vitória nas urnas, quais serão os principais desafios para voltar a fazer o país crescer? Para tentar elucidar o que vem acontecendo com a economia brasileira, trazemos a avaliação do economista Ricardo Amorim, apresentador do Manhattan Connection e experiente palestrante sobre o tema.
 
Por que não estamos crescendo?
 
Se de 2004 a 2010 a economia do Brasil cresceu em uma média de 5% ao ano, o acumulado dos últimos quatro anos não chegou nem a 2%. Com esse resultado, o nosso país amarga a triste situação de ser o que menos cresceu em toda a América Latina nestes últimos quatro anos, segundo informações de Amorim.
De acordo com ele, existem alguns fatores conjuntos que levaram a essa situação. O primeiro deles é a infraestrutura. Segundo Amorim, nos últimos anos o Brasil cresceu usando a infraestrutura existente, mas não investiu em sua expansão. Um dos pilares para voltar a crescer é criar mecanismos que possibilitem este investimento.
Além disso, este crescimento aconteceu com o uso da mão-de-obra que estava disponível, mas de 2004 para cá o desemprego caiu de 12% para menos de 5%, ou seja, falta mão-de-obra disponível e é preciso aumentar a produtividade.
Ele pontua ainda que para conseguir alavancar a produtividade, é preciso investir em educação (para qualificar a mão-de-obra) e em máquinas e equipamentos. Para exemplificar a necessidade de uma mudança de postura quanto a estes dois pontos, ele dá dois exemplos. O primeiro é o caso da China, que cresce de 3 a 4 vezes mais rápido que o Brasil e investe, a cada ano, o equivalente a toda a infraestrutura que hoje existe no nosso país. Em outras palavras, a China investe “um Brasil” por ano para continuar crescendo.
Outro exemplo é quanto à produtividade. De acordo com o economista, um trabalhador americano hoje produz cinco vezes mais do que um brasileiro. Ou seja, em uma mesma função, um americano renderia o que cinco brasileiros fariam.
Para completar este cenário, aparecem as medidas adotadas pelo governo nos últimos anos que não tiveram um impacto positivo na indústria. Os reflexos foram sentidos em setores diversos, mas em especial, na indústria de energia, petróleo, mineração e o setor financeiro. Como resultado dos empresários desestimulados a aumentar os investimentos, houve redução da oferta em um momento que a demanda estava em alta, com a melhora do poder aquisitivo da população. Ao passo que os salários subiam e havia boa disponibilidade de crédito no mercado, faltava produto para ser consumido, o que levou ao aumento das importações e desequilibrou a nossa balança comercial.
Por último, mas não menos importante, com a falta de produto no mercado, os preços naturalmente sobem e o primeiro reflexo disso é o aumento da inflação. Para conter a disparada dos preços, os juros sobem, o crédito fica mais caro e o crescimento do país encolhe.
 
O que é preciso fazer para mudar este quadro?
 
A primeira medida, como vocês já devem imaginar, é conseguir controlar a inflação. Se o ritmo de alta se mantem, é preciso aumentar os juros e o crédito fica mais caro, o que consequentemente desestimula o consumo e leva a um crescimento menor da economia.
Para o próximo ano, se as medidas certas forem adotadas, os resultados ainda vão demorar um pouco para aparecer. Para conseguir baixar a inflação, é possível que os juros subam mais. Além disso, o economista aponta a necessidade de fazer um ajuste fiscal (que levaria a aumentar um pouco os impostos) e reduzir os gastos com o governo, ele salienta, no entanto, que as duas medidas são recessivas. É como recuar um pouco para conseguir dar um salto maior lá na frente.
Além disso, melhorar a qualidade da educação para que a mão-de-obra fique mais especializada e investir em modernização da indústria são pilares para voltar a incentivar a produção no país e estimular os empresários.
Para finalizar, ele ressalta que ainda que o contexto não seja otimista, este tipo de cenário gera medo. Por consequência, há uma retração e a concorrência diminui. É justamente ai que as oportunidades aparecem. Nas palavras dele, “a mãe das oportunidades são os problemas”.
A candidata Dilma Rousseff já admitiu que, caso seja reeleita, precisará adotar mudanças em relação à economia. Na outra ponta, Aécio Neves apoia-se justamente no fraco desempenho da economia para apresentar propostas de mudança aos eleitores. Independente de quem ganhar, a esperança é de que as medidas certas sejam tomadas de imediato para que, com o devido tempo de reajuste, o Brasil volte a crescer como crescia entre 2004 e 2010.
 
Ricardo Amorim é apresentador do Manhattan Connection da Globonews, colunista da revista IstoÉ,presidente da Ricam Consultoria, único brasileiro na lista dos melhores e mais importantes palestrantesmundiais do Speakers Corner e economista mais influente do Brasil segundo a revista americana Forbes.
Perfil no Twitter: @ricamconsult.
 
 

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