Desde 2004, as vendas do varejo cresceram mais do que a produção industrial e este quadro deve se repetir em 2015. A competição externa mais aguda na indústria explica porque seu desempenho tem sido sistematicamente inferior ao do varejo. Infraestrutura ruim, impostos altos demais, legislação trabalhista engessada, burocracia excessiva, baixa qualificação da mão de obra prejudicam tanto o varejo quanto a indústria, mas a indústria sofre mais as consequências, porque é mais exposta à competição de empresas estrangeiras, particularmente as chinesas, desde 2002, e as americanas e europeias, desde 2009. Em outras palavras, o consumo cresceu muito no Brasil nos últimos anos, mas boa parte dele foi suprido por empresas estrangeiras.
Em 2006, o Brasil chegou a ter um superávit comercial de US$20 bilhões em produtos manufaturados. Nos últimos 12 meses, tivemos um déficit de US$ 120 bilhões. Por isso, mesmo com o crescimento do consumo e vendas do varejo, a produção da nossa indústria é menor hoje do que era há seis anos. Felizmente, as regiões mais dependentes da renda do agronegócio, mineração e programas sociais – Centro-Oeste, Nordeste e Norte – têm um desempenho melhor do que a economia brasileira como um todo, mas nas regiões mais industrializadas – Sul e Sudeste – o desempenho da economia é ainda pior do que o do PIB brasileiro, que nos últimos quatro anos já foi o que menos cresceu em toda a América Latina.

Indústria brasileira vive sua maior oportunidade de desenvolvimento desde a década de 70, afirma Ricardo Amorim
04/2026 Por Ludmila Souza – Rede 98 No encerramento do evento Imersão Indústria 2026, o economista Ricardo Amorim afirmou que o Brasil vive um momento decisivo


