A tomada de três pinos, a Olimpíada, a corrupção e a gastança pública

08/2016

Por Ricardo Amorim

 
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Pelo menos até agora, e apesar de problemas com filas, transporte e alimentação, a Olimpíada no Rio de Janeiro transcorreu muito melhor do que os mais pessimistas temiam.
 
A alegria e simpatia dos cariocas e brasileiros cativou a maioria dos estrangeiros. Isto não significa que algumas incongruências brasileiras não tenham causado situações embaraçosas ou desconfortáveis.
 
Um bom exemplo é a venda de adaptadores para nossas tomadas de três pinos no mercadinho da Vila Olímpica exclusivamente em pacotes de dez unidades por R$200,00 cada.
 
Além de precisar comprar algo que só serve no Brasil, os atletas não têm a opção de comprar um único adaptador e ainda são forçados a pagar o dobro do preço usual.
 
Mas por que temos a tomada de três pinos no Brasil? Pasme, mas a corrupção e a farra com o dinheiro público têm muito mais a ver com ela do que você imagina. Para bancar a gastança, os impostos no Brasil são muito altos, diminuindo o que sobra para as compras dos brasileiros e aumentando os custos para as empresas.
 
Além disso, para financiar gastos públicos exagerados, o governo toma muito dinheiro emprestado. Como a oferta de poupança no Brasil é baixa e a demanda grande, em função da ampla necessidade de financiamento do setor público, o custo do dinheiro no país, isto é, a taxa de juros, é muito elevada, penalizando mais uma vez empresas e consumidores.
 
Para completar, salvo durante crises de confiança no país, juros elevadíssimos atraem muitos capitais estrangeiros, causando uma ampla oferta de dólares por aqui, tornando a moeda americana no Brasil mais barata do que deveria ser. Isto barateia produtos importados, o que seria bom para nossos consumidores, mas dificulta a vida do produtor nacional.
 
Assim, altos impostos, juros elevados e uma taxa de câmbio excessivamente apreciada – causados, entre outros fatores, por gastos públicos excessivos – tornaram a indústria brasileira pouco competitiva. Ao invés de lidar com as causas da baixa competitividade – o excesso de gastos públicos, a burocracia, a má qualificação da mão de obra, a falta de infraestrutura adequada e o baixo grau de automação – o governo Lula tentou proteger nossa indústria artificialmente, aumentando tarifas de importação e criando a tomada de três pinos. Assim, eletrodomésticos e eletroeletrônicos comprados no exterior ficaram mais caros ou não funcionariam no Brasil. Rapidamente surgiram os adaptadores, gerando um custo desnecessário para nossos consumidores.
 
Pelo menos, a indústria saiu fortalecida, certo? Não. Seis anos depois, nossa indústria encolheu e, com frequência, o produto nacional tem pior qualidade e é mais caro do que no exterior.
 
Ricardo Amorim, autor do bestseller Depois da Tempestade, apresentador do Manhattan Connection da Globonews, único brasileiro entre os melhores palestrantes mundiais do Speakers Corner e o economista mais influente do Brasil segundo a revista Forbes.
 

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