Entrevista de Ricardo Amorim sobre perspectivas para mercado de bebidas

08/2014

Revista Confenar

 
1 – A Copa do Mundo trouxe muitos frutos para o mercado de bebidas. Na sua opinião, qual é a principal lição que o evento deixa para os revendedores?
A importância de aproveitar grandes eventos. A Copa já passou, mas a Olimpíada vem aí e o Brasil tem se candidatado a sede de vários outros grandes eventos globais. São oportunidades a serem aproveitadas.
 
2 – Quais serão os principais desafios a partir de agora para o mercado de bebidas?
Continuar crescendo em ritmo acelerado, mesmo com o resto da economia tendo um desempenho fraco. O principal desafio, provavelmente, é lidar com um cenário onde o número total de pessoas empregadas no pais vem caindo há vários meses. Aliás, este também é um desafio para toda a economia brasileira.
 
3 – Este é um ano atípico no País. Depois de sediar o principal evento esportivo do mundo, o Brasil entra no período pré-eleitoral. Como você acha que a disputa presidencial pode afetar o mercado?
O impacto no mercado de bebidas provavelmente será positivo, por conta do grande número de comícios da campanha eleitoral. Para a economia como um todo, o efeito é negativo porque a incerteza eleitoral leva à postergação de investimentos e compra de produtos mais caros, como carros e imóveis.
 
4 – Muita gente achou que a Copa daria errado. E o evento foi um sucesso. Agora, as especulações afirmam que o mercado deve desacelerar. Você acredita nessas previsões ou veremos um movimento parecido com o da Copa?
As expectativas com relação à Copa eram tão ruins que a realidade acabou surpreendendo positivamente. Excesso de pessimismo sempre gera oportunidades, pelo menos em alguns nichos, como realcei em um artigo recente “Doze Razões de Otimismo com a Economia Brasileira.”
 
5 – Apesar das previsões pessimistas, o comércio e o consumo continuam crescendo. Quais as estratégias que as distribuidoras podem criar para manter o crescimento de vendas?
Principalmente, focar em regiões e nichos que crescem mais. De uma forma geral, locais mais pobres e mais dependentes do agronegócio tem crescido mais do que regiões mais ricas e dependentes da indústria.
 
6 – Você acredita que esta seja uma boa hora para investir e expandir os negócios para quem trabalha no mercado de bebidas? Em qual região brasileira vale a pena apostar?
As regiões Norte, Centro-Oeste e Nordeste tem crescido mais rapidamente que o Sul e o Sudeste e o interior dos estados tem crescido mais do que as capitais. Isto deve continuar, o que cria grandes oportunidades, mas também grandes desafios logísticos para as distribuidoras.
 
7 – O que você acha que pode acontecer com o mercado a partir do ano que vem, com o novo desenho governamental que as eleições trarão?
Acredito que independentemente de quem ganhar as eleições, as políticas de governo terão de mudar para estimular mais a produção e não apenas o consumo. A forma como isto acontecerá, na prática, dependerá de quem ganhar as eleições.
 
8 – O Brasil agora se prepara para receber uma Olimpíada. Qual o legado que o evento pode deixar no País? Você acredita que ele terá a mesma força da Copa do Mundo? Como as empresas podem se aproveitar da Olimpíada para gerar lucros e investimentos?
A Olimpíada terá um impacto em todo o país menor do que a Copa, mas terá um impacto concentrado no Rio de Janeiro e entorno, onde ele será bem maior do que o da Copa, tanto em termos de ampliação de infraestrutura urbana, quanto de atração de turistas e geração de negócios.
 
 

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