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“A reforma da Previdência é inevitável, vai acontecer com ou sem o Temer”, diz Ricardo Amorim

postado em Entrevistas


10/2017

Gauchazh

Por Erik Farina

 

Foto: Ricardo Correa

 

Enxergar através da névoa política que embaça o Brasil talvez seja a mais ingrata das tarefas dos economistas. E poucos são tão desafiados a traduzir Brasília para empresários quanto Ricardo Amorim, apontado pela revista Forbes como uma das pessoas mais influentes do país. Nesta entrevista, Amorim defende mudanças na Previdência e elenca as razões pelas quais o Brasil não deve esquecer dos erros que o levaram à crise. Aos entusiastas dos primeiros sinais de recuperação econômica, alerta: a bolsa pode até estar fervendo, mas ainda haverá um longo inverno até que a economia deslanche. Isso se não surgir um Donald Trump tupiniquim em 2018:

 

– O risco de uma guinada do Brasil para o radicalismo existe.

 

Ricardo Amorim: economista, 46 anos. Estrategista de investimentos, debatedor do programa Manhattan Connection, da GloboNews, e autor, entre outros livros, de Depois da Tempestade (2016). 
 

O governo celebra a baixa inflação e a interrupção das altas de desemprego como indicadores de que a economia se recupera. Mas a população reclama não sentir um ganho no poder de compra e nem perceber a abertura de tantas vagas. Quando vamos sentir que o país saiu do buraco?
 

Há uma diferença entre a economia estar boa e estar melhorando. A economia melhora em cima de uma base péssima. Isso aponta para um presente e um futuro melhores do que o passado. No caso dos empregos, houve criação de vagas no primeiro semestre, muitos sem carteira assinada, mas ainda assim se criou emprego com carteira. Acontece que a taxa de desemprego ainda é muito alta – e nem contempla os brasileiros que desistiram de buscar vagas após um longo período de procura, e que, aliás, voltarão a procurar à medida que a economia melhore. Serão necessários muitos e muitos meses com criação de centenas de milhares de empregos para resolver esse problema. Isso não vai ser resolvido rapidamente. Sobre a inflação: as pessoas precisam entender que, quando a inflação cai, ainda assim significa que os preços ficaram mais altos. Se, em paralelo, não houver aumento de salários, não haverá aumento de poder aquisitivo. Agora, em alguns casos, está, sim, havendo aumento de poder aquisitivo. Em 12 meses, os preços dos alimentos caíram 5%, o que significa que quem gastava R$ 100 para comprar uma cesta de alimentos gasta agora R$ 95.

 

A alta recente na Bolsa de Valores, que atingiu pontuação recorde em setembro, materializa o discurso de que a economia está entrando nos eixos?
 

É um engano achar que, se a bolsa subiu muito e chegou a um nível alto, a economia tem de estar muito bem. O que acontece é o contrário: as grandes altas ocorrem antes de a economia ficar muito bem, na expectativa do futuro. Desde a virada do milênio, as maiores viradas da bolsa se deram em 2003, 2009 e neste ano – todas ocasiões em que a economia teve desempenho muito fraco, alguns com queda do PIB, mas com expectativa de melhora. Sim: o mercado está dizendo que há uma expectativa de que a recuperação econômica que aconteceu até agora vá se fortalecer e se acelerar daqui para a frente.

 

A euforia dos investidores sinaliza que o mercado está do lado de Michel Temer?
 

O mercado nada mais é do que a soma das posições de todos os seus agentes. Há gente no mercado que, sim, apoia o Temer, mas há gente que é contrária. E há gente que é neutra. Não há, ao contrário do que as pessoas imaginam, essa coordenação, por que há milhões de pessoas investindo em determinados ativos, e cada uma tem uma opinião. A média dessas opiniões é o que o mercado acaba refletindo.

 

Em seu livro mais recente, Depois da Tempestade, o senhor analisa os erros que nos levaram à recessão mais profunda dos últimos cem anos. Quais lições ficaram?
 

Acho que a grande lição que a população brasileira aprendeu é que ela precisa cobrar e monitorar a classe política. Caso contrário, os políticos trabalham para eles, e não para nós. Eles tratam o Brasil como se fosse deles, não se portam apenas como meros servidores nossos, que é o que são. E vão continuar a agir assim se não forem cobrados. Quando o são, aí a postura muda. Infelizmente as lições econômicas são mais sutis e complicadas do que a maioria das pessoas consegue entender – e, em vários casos, quer entender. Por exemplo, se alguém disser “Vou tomar medidas para proteger o emprego na indústria do país, limitando a entrada de produtos importados e de pessoas de fora para trabalhar aqui”, na linha do que Trump está fazendo. Muitos vão achar uma maravilha, mas o efeito real será o contrário: quando se limita a entrada de produtos de fora, a competição cai e os preços aumentam, e o resultado são produtos e serviços piores e, em alguns casos, mais caros. Aconteceu nos EUA, quando o governo George W. Bush (2001–2009) resolveu proteger a indústria do aço, inclusive contra a indústria brasileira, que era mais competitiva, e impôs uma série de sanções para a importação. O resultado foi que ele levou a indústria automotiva americana a pagar muito mais caro pelo aço, em meio a uma crise gravíssima.

 
Ter entendido algumas dessas lições nos vacina contra outras crises?
 

Todas as economias do mundo, não só a brasileira, passam por altos e baixos. Uma das coisas que a história mostra é que, depois de grandes afundadas, como a que o Brasil teve nos últimos três anos, as recuperações são sempre mais fortes do que se imaginava. Do ponto de vista do crescimento, neste ano e nos próximos, já entramos no processo de recuperação. Mas isso é diferente de criar políticas que gerem desenvolvimento a longo prazo. Essas passam por reduzir o custo de produzir no Brasil, diminuir o peso do Estado, a burocracia, e melhorar a educação e a infraestrutura. Isso é o que vai trazer empregos, salários e condições de vida melhores para todos. E isso passa pelas reformas. Só que, como um doente que precisa de tratamento que cause efeitos colaterais duros, a nossa população, por não entender como esse processo funciona, muitas vezes reage dizendo “Não, eu não quero fazer o tratamento”. O resultado é que a gente está postergando medidas necessárias.

 

É por isso que os ciclos no Brasil parecem fugir da normalidade, vivendo-se alguns anos de bonança para logo em seguida se esbarrar em uma nova crise?
 

Normalmente, no Brasil e no mundo inteiro, os momentos de alta são mais longos, e os de baixa, mais curtos, embora às vezes mais intensos. Esse último ciclo (de recessão) no Brasil foi exceção: o mais longo e profundo de 117 anos. Agora, o fato de esses ciclos acontecerem não impede que a gente tome medidas para que os momentos de crescimento sejam mais duradouros e acelerados, e os de queda, menores. Isso se faz aumentando a produtividade da economia, acabando com entraves que nos impedem de crescer, como a burocracia e o alto custo do Estado. A gente precisa melhorar a produtividade das pessoas, o que só se faz com investimentos melhor direcionados na educação, e também avançar em equipamentos que ajudem as pessoas a produzirem mais. Ou seja, tecnologia, máquina, equipamento, hardware, software. Se a gente for capaz de resolver isso, vamos gerar um país muito mais próspero e rico.

 

O senhor costuma mencionar a lição da Coreia do Sul, que nos anos 1950 investiu pesado em educação e, anos depois, ultrapassou o Brasil em PIB per capita. O Brasil gasta pouco em educação ou gasta mal?
 

O Brasil não gasta pouco em educação; fundamentalmente, gasta muito mal. Gastamos em educação universitária por aluno o equivalente ao que gastam os países mais desenvolvidos, mas sem ter a mesma qualidade. Por outro lado, gastamos pouquíssimo com a educação básica, e o resultado é que os alunos saem muito mal preparados da escola. E quando chegam à universidade, mesmo gastando muito com Ensino Superior, não conseguimos fazer com que se formem realmente preparados. Uma das principais lições coreanas é que eles fizeram justamente o contrário. Inicialmente, investiram pesado em educação básica de qualidade e, com isso, levaram uma geração muito bem preparada às universidades. O nível da educação superior melhorou, passou a gerar melhores centros de pesquisas e empresas que são líderes em setores como os de automóveis e celulares.

 

No Brasil, desenvolvemos um processo que alimenta a má distribuição de renda. Como a maioria tem uma educação básica de péssima qualidade, há uma massa enorme que se encaixa em um certo tipo de emprego, que é limitado tanto em quantidade de opções quanto em salários. E acaba havendo pouca gente bem preparada com salários muito altos.

 

Por que o Brasil não segue o exemplo coreano? 
 

Por uma opção muito clara. Na Coreia, para cada 10 won (moeda sul-coreana) gastos pelo governo, 5,5 vão para crianças de até 15 anos, e o principal gasto é com educação. Apenas 4,5 won são gastos com com coreanos acima de 65 anos – o principal foco é a aposentadoria. No Brasil, a cada R$ 10 gastos, R$ 9 vão para quem tem mais de 65 anos, por conta de um regime de aposentadoria excessivamente generoso. Por isso, os coreanos geram crianças melhor preparadas. Resultado: ao longo de duas gerações, a Coreia do Sul, que tinha uma renda per capita que há 60 anos era a metade da brasileira, hoje tem uma renda per capita quatro vezes superior à brasileira. Olha só o que isso gera: a Coreia gasta, proporcionalmente, metade com aposentadoria do que o Brasil, mas mesmo assim o valor da aposentadoria dos coreanos é o dobro da dos brasileiros.

 

Isso torna inadiável uma mudança na Previdência?
 

A reforma da Previdência é fundamental. Há duas coisas que estão acontecendo e vão continuar: aumento da expectativa de vida e queda de expectativa de natalidade. Ou seja, há menos gente trabalhando para pagar por mais gente aposentada. Se não passarmos a trabalhar por mais tempo ou reduzirmos os valores dos benefícios, não vai sobrar dinheiro para mais nada no Brasil. Alias, a gente está caminhando rapidamente para isso. Neste ano, o gasto total com todos regimes de Previdência no país será da ordem de R$ 950 bilhões. As contribuições só bancam R$ 550 bilhões. Os outros R$ 400 bilhões saem de gastos que poderiam ir para saúde, educação e infraestrutura.

 

Os trunfos de Temer para aprovar a reforma da Previdência seriam sua base de apoio no Congresso e uma aparente indiferença com o “custo político”, por não estar preocupado com reeleição. O final do mandato de Temer em 2018 sepultaria as chances de termos uma reforma mais profunda no curto prazo?
 

A reforma da Previdência é inevitável, vai acontecer com ou sem o Temer. Aliás, provavelmente teremos várias reformas da Previdência ainda, da mesma forma que essa não é a primeira. Tivemos reforma no governo Fernando Henrique e no governo Lula, mas, em cada uma dessas reformas, o que se vende são expectativas que não têm como serem cumpridas. O processo demográfico brasileiro, aliás, no mundo inteiro, garante que, se tentarmos manter as regras atuais, não vamos receber nada, porque o dinheiro vai acabar. Para mim, isso fica claro quando a gente vê que os mesmos grupos que se opõem à reforma da Previdência quando estão na oposição passam a apoiá-las quando se tornam governo. Uma das coisas que nós, brasileiros, precisamos saber é que não vamos receber o que a Previdência atualmente nos promete. Isso é importante inclusive do ponto de vista individual: precisamos fazer nossa própria previdência com um plano privado ou de outras formas.

 

As mudanças encampadas pelo atual governo, como a limitação de salários e benefícios aos servidores públicos, costuma encontrar enorme resistência das categorias atingidas. Como lidar com isso?
 

Em qualquer país, há dificuldades em acabar com benefícios exagerados. E a razão é simples: o grupo que vai perder o privilégio vai fazer o possível para que isso não aconteça. A única forma de esse privilégio acabar é que o grupo beneficiado faça uma pressão ainda maior. Por que isso não acontece? Por que as perdas são sempre concentradas. Quando você vai acabar com privilégios de qualquer grupo, pode ser de legisladores, juízes, funcionários públicos ou militares, esse grupo se une e se defende. Quem perde são poucos, que perdem muito, e quem ganha são muitos, mas ganham menos. É exatamente porque ganha menos que a sociedade não se mobiliza. Isso vale para tudo. É como o caso da educação: vai tirar dinheiro das universidades públicas para que a qualidade das escolas públicas possa melhorar. E mais uma vez a gente vai ter de lidar com um grupo que não quer que isso aconteça. Tem de ter coragem para fazer isso.

 

A um ano para a corrida presidencial, há grande interrogação sobre quem serão os candidatos e quais as suas reais chances. O que esperar da disputa pelo Planalto?
 

O fenômeno de enorme incerteza nos processos eleitorais não é apenas brasileiro. Nos EUA, Bernie Sanders, que é um socialista declarado, quase levou a indicação dos Democratas, e teve um cara que era quase carta fora do baralho que não só levou a indicação republicana como ganhou a presidência: Donald Trump. Na França, um cara que criou um novo partido ganhou a eleição (Emmanuel Macron) – e, diga-se de passagem, os extremismos estavam bem presentes. Há um movimento global de insatisfação com os políticos tradicionais, que abre um espaço gigante para novas pessoas ocuparem esse espaço. Isso pode ser uma tremenda oportunidade.

 

Ou um tremendo risco. Uma oportunidade para ter gente vinda do setor privado, que implante um modelo de gestão no setor público, que seria um enorme ganho para o país. E um risco porque é aí que pintam os falsos salvadores da pátria. É bom lembrar que Fernando Collor foi eleito (em 1989) num contexto parecido com o atual, em que a corrupção corria solta. Ele teve um discurso moralista de combate à corrupção, mas o que se viu foi o contrário. Esse risco está presente, já apareceu nas eleições municipais. Há candidatos explorando a mesma coisa agora. Sendo franco, acho que a chance de algum candidato tradicional ganhar a eleição no Brasil é muito baixa. Se algum lugar tem motivo para buscar políticos novos, fora do espectro tradicional, esse lugar é o Brasil.

 

Os escândalos de corrupção e o desencanto da população com a classe política ampliam as chances de vitória do radicalismo – de direita ou de esquerda?
 

O risco de uma guinada do Brasil para o radicalismo existe, como tem acontecido no mundo todo. A França bateu na trave, e poderia ter elegido tanto um populista de direita quanto um de esquerda. No Brasil, há candidatos com os dois perfis. Mas acho pouco provável que um deles vença. A não ser que fique um populista de esquerda contra um populista de direita no segundo turno, Lula ou Ciro Gomes contra Bolsonaro – é o único caso em que vejo um desses três ganhando a eleição. Isso porque, assim como aconteceu na França, quando se tem eleições em dois turnos, o mais provável é que o político mais populista perca para um candidato mais ao centro, pois este tende a atrair os apoios, na comparação com qualquer um dos dois extremos.

 

Qual o perfil de presidente que o país precisa?
 

Tem de ser, em primeiro lugar, alguém que tenha coragem de enfrentar grupos de interesse de todos os lados, particularmente em Brasília, do funcionalismo público ao Congresso Nacional. Uma das coisas que o presidente precisa ter é a coragem de falar que um Brasil maior requer um governo menor. Se não cortar gastos, o governo continuará sendo um peso que o restante do Brasil não consegue carregar. E isso condena milhões e milhões de brasileiros a uma vida pior do que deveria, com mais pobreza. Por fim, precisa ter uma agenda de modernizar as instituições, e mais uma vez isso significa enfrentar certos grupos com seus interesses próprios.

 
 



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Bananaland, the Court and the Bureaucrats

postado em In English


10/2017

By Ricardo Amorim

 

 

Once upon a time… there was a kingdom called Bananaland. Its government always spent more than it collected in taxes. The court and corruption used up all the funds. Local bureaucrats, however, were very creative. They always found a subterfuge, a little knack to stay afloat.

 

Bananaland was known for its footwear. Its shoe shops were envied by neighbour kingdoms. One among them really stood out: Shoepershoe. Its three shoemakers were the best in the world.

 

One day, at the height of corruption and lavish spending with the court, the government became truly penniless. The King then resorted to the bureaucrats and they soon found a solution: a yellow stamp would be required on all shoes produced in the Kingdom. Any pair of shoes found without the Bananaland stamp would condemn the shoemaker to a heavy fine. Brilliant!

 

The King then hired several inspectors, which increased the Kingdom expenses, but who cared? Magicians assured the King that tax collection would increase.

 

Shoemakers organized themselves. In Shoepershoe the three shoemakers decided that from then on one of them would make the shoe, the other would stamp it and the third shoemaker would inspect the stamps. They used to make 300 shoes a month before the stamps. With just one shoemaker making shoes, monthly production dropped to 100 shoes. To make up for that, they raised the price of shoes.

 

Most shoe shops did the same. Production in Bananaland dropped to little over one third of what it was before. A shortage of shoes ensued. The Kingdom which used to export now had to import worse and more expensive shoes. Due to the high prices, lots of people could no longer buy them. “That is alright,” said the Queen, “if the people have no shoes, let them wear sandals”.

 

Most shoemakers now made and sold less shoes. They became poorer. Their children did not want to follow in their footsteps. The dream was now to become Stamp Inspector and be a friend of the King.

 

Contrary to plan, tax collection grew very little. Very little was left after paying the inspectors wages. Not everyone followed the rule, but shoemakers who didn’t did not pay fines – they became richer and richer. Only the Stamp Inspectors and the court itself were richer than them.

 

A baffling mystery, though, were the mansions and bunkers of the Inspectors. How could they afford to buy them? What were they for? There were rumours – blasphemy by the press, no doubt – that mansions and bunkers were for safekeeping boxes and suitcases containing money.

 

Under pressure for the lack of revenue and from the court, the King called the bureaucrats again. They did not disappoint him: from that point on, besides the yellow stamp all shoes in Bananaland would also need a red stamp. New Inspectors were hired, most of them belonging the King’s family, the court families, the Inspectors families…

 

Ricardo Amorim is the author of the best-seller After the Storm, a host of Manhattan Connection at Globonews, the most influential economist in Brazil according to Forbes Magazine, the most influential Brazilian on LinkedIn, the only Brazilian among the best world lecturers at Speakers Corner and the winner of the “Most Admired in the Economy, Business and Finance Press”.

 

Click here and view Ricardo’s lectures.

 

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Translation: Simone Montgomery Troula

 
 



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Ricardo Amorim participará do Curso Fator de Enriquecimento, da Febracis

postado em Palestras


09/2017

Segs

Por Ana Paula Soares

 

 

Ministrado pelo master coach Paulo Vieira, o treinamento será realizado de 29 de setembro a 1° de outubro, no Rio de Janeiro, com palestras de Ricardo Amorim e Pedro Superti.

 

Progredir financeiramente quando a economia do País não está muito favorável parece uma tarefa impossível de ser concretizada. Muitas pessoas desistem no meio do caminho e poucas têm ideia que esse objetivo pode ser alcançado. Os caminhos para alcançar a liberdade financeira, reprogramar a mente para enriquecer e criar uma vida próspera serão ensinados no curso Fator de Enriquecimento, que será realizado pela Febracis Coaching Integral Sistêmico, de 29 de setembro a 1° de outubro, no Rio de Janeiro.
 
O treinamento, que inspirou o best-seller de mesmo nome, será ministrado pelo master coach e presidente da Febracis, Paulo Vieira, autor também dos best-sellers O Poder da Ação e Poder e Alta Performance.
 
O curso Fator de Enriquecimento contará ainda com palestras do CEO da RICAM Consultoria e apresentador do programa Manhattan Connection, da Globonews, Ricardo Amorim, eleito pela Revista Forbes um dos 100 brasileiros mais influentes do Brasil; e do especialista em Marketing de Diferenciação, Pedro Superti, responsável por tornar líderes em seu segmento empresas como Wizard Idiomas, Universal e Senac.
 
Durante os três dias de imersão, o público irá aprender como sair das dívidas, multiplicar seus rendimentos, reorganizar as finanças, construir ativos e estabelecer metas financeiras a curto e longo prazo. Tudo isso com técnicas e ferramentas práticas, totalmente voltadas para o público brasileiro.
 
O curso traz ainda ferramentas de coaching integral sistêmico, que visam reprogramar crenças limitantes sobre dinheiro, eliminar bloqueios emocionais relacionados a finanças e construir nos alunos uma mentalidade de riqueza e prosperidade.
 
“É um método inovador que aborda crenças de limitação, de pobreza, de não merecimento e até mesmo de incapacidade, sempre integrando razão e emoção. As pessoas saberão identificar o que exatamente impede a prosperidade financeira e quais os passos fundamentais para ser próspero, sem debilitar as outras áreas da vida”, explica o master coach Paulo Vieira.
 
Serviço:
 
Curso Fator de Enriquecimento, Rio de Janeiro
 
Quando? Dias 29 de setembro a 01 de outubro
 
Onde? Rio de Janeiro, Shopping Downtown – Av. das Américas, 500 – Bloco 19, Lojas 101/102 – Barra da Tijuca, Rio de Janeiro
 
Mais informações também podem ser obtidas no (21) 4042-1608 ou pelo site
www.febracis.com.br/agenda/fator-de-enriquecimento-rio-de-janeiro/

 
 



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Banânia, a Corte e os Burocratas

postado em Artigos


09/2017

Por Ricardo Amorim

 

 
Era uma vez um reino chamado Banânia. Seu governo gastava sempre mais do que arrecadava. A corte e a corrupção consumiam todos os recursos. Porém, os burocratas locais eram muito criativos. Sempre encontravam um jeitinho.
 
Banânia era conhecida por seus sapatos. Suas sapatarias davam inveja aos reinos vizinhos. Entre todas, Sapatótimo se destacava. Tinha três sapateiros, os melhores do mundo.
 
Um dia, no auge da corrupção e da gastança com a corte, o governo ficou sem dinheiro. O Rei recorreu aos burocratas. Logo, eles acharam a solução: um carimbo amarelo seria obrigatório em todos os sapatos produzidos no reino. Qualquer par sem o selo de Banânia condenaria seu produtor a uma pesada multa. Genial!
 
O Rei contratou vários fiscais, aumentando os gastos do reino, mas quem se importava com isso? A arrecadação cresceria, garantiam os magos.
 
Os sapateiros se organizaram. Em Sapatótimo, os três sapateiros decidiram que, a partir dali, um produziria, outro carimbaria e o terceiro conferiria as carimbadas. Antes, eles faziam 300 sapatos por mês. Com só um sapateiro produzindo, a produção mensal caiu para 100 sapatos. Para compensar, aumentaram o preço dos sapatos.
 
A maioria das sapatarias fez a mesma coisa. A produção de Banânia caiu a pouco mais de um terço de antes. Começou a faltar sapatos. O reino, que antes exportava, teve de importar sapatos piores e mais caros. Com o preço alto, muita gente não pode mais comprá-los. Passaram a andar descalços. Tudo bem, “quem não tem sapatos, que use sandálias” disse a Rainha.
 
A maioria dos sapateiros agora produzia e vendia menos. Ficaram mais pobres. Seus filhos não queriam seguir seus passos. O sonho agora era tornar-se Fiscal do Carimbo Amarelo, e ser amigo do Rei.
 
Ao contrário do imaginado, a arrecadação cresceu pouco. Depois de pagar os salários dos fiscais, não sobrou muito. Nem todos cumpriam a lei, mas os sapateiros que não a cumpriam, ao invés de pagarem multas, ficavam cada vez mais ricos. Só os próprios fiscais e a corte eram mais ricos do que eles. Um mistério eram as mansões e os bunkers dos fiscais. Como conseguiram comprá-las? Para que serviam? Havia quem dissesse – blasfêmia da imprensa – que eram para guardar malas e caixas de dinheiro.
 
Pressionado pela falta de arrecadação e pela corte, o Rei chamou novamente os burocratas. Eles não decepcionaram. Além do carimbo amarelo, a partir de agora, todos os sapatos de Banânia terão também um carimbo vermelho. Novos fiscais foram contratados, a maioria das famílias do Rei, da corte, dos burocratas…
 
Ricardo Amorimautor do bestseller Depois da Tempestade, apresentador do Manhattan Connection da Globonews, o economista mais influente do Brasil segundo a revista Forbes, o brasileiro mais influente no LinkedIn, único brasileiro entre os melhores palestrantes mundiais do Speakers Corner e ganhador do prêmio Os + Admirados da Imprensa de Economia, Negócios e Finanças.
 
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The Forgotten Reform

postado em In English


09/2017

By Ricardo Amorim

 

 

Brazil is being reformed. No shortage of reasons. The biggest moral, political and economic crisis in history could not go unanswered. The quality of responses varies greatly. The Labour, Social Security and Tax reforms, the Cap on Public Expenditure and the privatization and concessions program fall short of what was desired but they still strengthen the generation of jobs and wealth and the country’s potential for growth. On the other hand, the 10 Measures Against Corruption and the Political Reform were disfigured by congressmen. For fear of losing the protection of the “privileged court” benefit extended to members of Congress, politicians strive to intimidate whoever investigates and judges them, at the same time as they try to increase their chances of reelection by changing the electoral rules.

 

Another fundamental reform that wasn’t even discussed so far is the Reform of the Judiciary Power.

 

The major demand from the population today is the combat against corruption. The current organization of the Judiciary has not been capable of responding to that. By and large, lower courts have played their role to investigate and try to punish the corrupt, but higher courts frequently prevent that from happening – out of lethargy or political interference.

 

It is urgent to make Justice more agile and free it from political pressure. There is not another country in the world that I know of where Justice has four instances, like here. Endless procrastinating appeals benefit the guilty, paralysing our Justice with the accumulation of cases. This must change.

 

Even more important is to guarantee the independence among powers, which is weakened by the fact that the Attorney General of the Republic, the Supreme Court Justices and the ministers in the Municipal, State and Federal Courts of Accounts are all appointed by leaders of the Executive Power. They should all be chosen by their own peers, to ensure effective independence to the Judiciary Power.  Besides, the right to “privileged court” must be seriously limited, perhaps even extinct, to prevent the Supreme Court being overloaded with cases and to guarantee that impunity comes to an end.

 

Besides, the Judiciary has abusive prerogatives. No-one can judge cases that affect them directly. Unfortunately this happens when Justices decide, for instance, that the ceiling for remunerating  public servants does not include remuneration paid in cash but not named “salary”. Justices inflate their own earnings and that of their peers. In Minas Gerais, for instance, 98% of judges are paid above the legal cap. How can a common citizen trust Justice if those who should zeal for its enforcement are the first to abuse it in their own benefit? We must create objective mechanisms preventing judges from judging causes that affect them directly, or when they are not impartial. Due to esprit-de-corps, this is not what happens now. None of the 80 requests for impeachment or suspicion filed with the Supreme Court was even addressed by the full Court. They were all rejected by the various presidents of the Supreme Court. In several such cases, the relations between the judge and the defendants made the lack of impartiality flagrant.

 

Ricardo Amorim is the author of the best-seller After the Storm, a host of Manhattan Connection at Globonews, the most influential economist in Brazil according to Forbes Magazine, the most influential Brazilian on LinkedIn, the only Brazilian among the best world lecturers at Speakers Corner and the winner of the “Most Admired in the Economy, Business and Finance Press”.

 

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Translation: Simone Montgomery Troula

 
 



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