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A Hora é Agora – Resumo de palestra e entrevista de Ricardo Amorim à revista Viajante

postado em Entrevistas | Palestras


03/2017

Revista Viajante

 

“A economia se comporta como um pêndulo, vai crescer e pode ser muito mais do que se imagina”

 
Economista, apresentador de televisão, palestrante brasileiro, colunista da Revista IstoÉ e autor do livro “Depois da Tempestade”, Ricardo Amorim participou da Convenção de Vendas da Marcopolo e conversou com a Revista Viajante.
 
Para Ricardo, o comportamento da economia demonstra que já estamos iniciando um ciclo virtuoso de crescimento. Quando ele vai se concretizar ninguém sabe, mas as oportunidades de sucesso virão e muito em breve. E destaca que “ quanto mais baixa a expectativa, como a que temos agora com relação à economia brasileira, mais fácil e maior é a surpresa positiva”
 
Revista Viajante – Como vê o atual momento brasileiro?
 
Ricardo Amorim – O Brasil enfrenta a pior crise de sua história, desde que comecei a analisar os dados econômicos, de 1900 para cá. O pior é que a crise envolve economia, política, o lado social, as instituições. As mudanças precisam ser feitas no País e o momento para isso é agora, pois a sociedade está mobilizada, atenta e cobrando. Se a reforma da previdência passar, e precisa passar, o País vai crescer muito, ao menos por alguns anos. Se outras reformas, como a tributária e a trabalhista também forem aprovadas, o ciclo favorável pode ser mais longo.
 
Mas por que olhar pelo retrovisor e não para a frente? Se guiarmos um ônibus olhando no retrovisor, por mais reta e livre que seja a trajetória, uma hora teremos uma curva ou um veículo e a colisão será inevitável. Precisamos olhar para a frente e o futuro não tem cara de passado. Acredito que 2017 será melhor do que os últimos anos e pior do que os próximos e que o futuro está cheio de oportunidades.
 
Digo que se soubermos em que fase do ciclo econômico aquele pais está, podemos acertar para que lado a economia vai andar. Parece simples, mas não é. O que posso dizer é que bons governos geram ciclos longos de crescimento e surpresas positivas. Maus governos, o oposto, ciclos decepcionantes e longos. Mas a boa notícia é que nenhum país que não estivesse em guerra ou guerra civil apresentou ciclo negativo por mais de seis anos… e não vamos chegar perto disso, pois já temos sinais que o ciclo virou.
 
Revista Viajante – Por que você acredita que as oportunidades estão “batendo à nossa porta”?
 
Ricardo Amorim – É uma questão de timing. E o fator que mais diferencia o êxito das empresas, por incrível que possa parecer não é produto ou mercado, ou preço e sim o timing. Os fatores são vários e todos consistentes. Estudo o comportamento da economia mundial e brasileira com dados de 115 anos de história e, sempre depois de uma crise como a que ainda enfrentamos, ocorre um ciclo de crescimento de três a oito anos, que no caso brasileiro sempre apresentaram taxas de expansão superiores a 5% ao ano. No caso das indústrias automotiva e de construção, que precisam de financiamento, a retomada demora um pouco mais para ser sentida, mas quando vem, vem muito forte. É como estou vendo os próximos anos.
 
Vocês estão na hora, no lugar e no setor certos. Na hora, porque a retomada está começando, ainda não chegou no setor do ônibus, mas vai chegar forte. No lugar certo, porque o Brasil é um país emergente e um dos quatro maiores mercados de consumo do mundo em potencial de crescimento, considerando-se as próximas décadas. É aqui que as coisas vão acontecer. Nos próximos 20 anos, cerca de 35 milhões de brasileiros devem subir para a classe média e ampliar o consumo. E no setor certo porque todo esse enorme contingente vai precisar ser transportado e o ônibus é o veículo/modal que vai absorver e realizar a maior parte dessa locomoção.
 
Revista Viajante – Por que para os setores de construção e automotivo a retomada demora mais?
 
Ricardo Amorim – Por que são indústrias que precisam de financiamento para poder atender a demanda. O operador precisa de financiamento para comprar o ônibus e não há crédito porque a confiança é baixa e os bancos acreditam que o risco de não receberem é muito grande. Com a elevação da confiança, a queda dos juros, do dólar e com a entrada de investimentos estrangeiros, como aconteceu em janeiro, a inflação em queda, os bancos vão voltar a financiar. É simples: se os juros continuarem a cair, a taxa que hoje está em 12% vai baixar para 7 ou 8%. Não é melhor emprestar dinheiro agora e fechar taxa em 12% do que esperar e ter que emprestar ganhando apenas 7 ou 8%? Os bancos sabem bem disso e vão financiar. E aí os setores automotivo e de construção vão iniciar a retomada.
 
 



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“A solução do problema passa pelo engajamento generalizado”, diz Ricardo Amorim sobre a superação da crise financeira

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03/2017

Cidade Verde

Por Hérlon Moraes

 

 

Um dos palestrantes mais esperados no 2º dia de Congresso das Cidades, o economista Ricardo Amorim aconselhou os prefeitos do Piauí a fazerem um ‘engajamento generalizado’ para superarem a crise financeira. Ele defendeu que a gestão pública se una com a iniciativa privada na busca por soluções que ajudem os dois segmentos a crescerem juntos.

 

“A solução do problema passa pelo engajamento generalizado. No mundo real a gente encontra pedras no caminho. Hoje está todo mundo retraído, então vocês devem criar condições, por exemplo, para que as microempresas gerem emprego”, afirmou.

 

Para isso, a missão dos gestores, segundo Ricardo Amorim, é derrubar a burocracia para que novos empreendimentos apareçam. “Tem que acabar com toda a burocracia possível. Tem que ajudar o – cara – a financiar para ele pipocar (ter sucesso). Com todas essas iniciativas, aumentam as chances de dar certo pra ele e dando certo pra ele, melhora a economia para os municípios”, destacou.

 

O economista deu uma injeção de ânimo nos prefeitos e disse que, mesmo em crise, devem buscar alternativas para escapar de seus efeitos. “Toda crise traz uma oportunidade. Incentivando micro e pequenos empresários, um jogará o outro para cima o tempo inteiro. No caso das cidades, gera impostos e no caso dos empresários, emprego. Isso vocês podem fazer na cidade de vocês. Todo mundo cresce. É um circulo virtuoso”, disse, reforçando as parcerias.

 

“Dando condições para as empresas ganharem, vocês ganham com isso também. Tem que quebrar a cabeça e tentar fazer. É fácil? Não! Mas a hora de tentar é agora”, alertou.

 

Ricardo Amorim disse que toda crise tem seu lado positivo, já que tira qualquer um de sua zona de conforto. “Não estou falando que será moleza. Mas apesar das dificuldades, tem como fazer. Crise é desagradável. Ninguém gosta, mas ela tira a gente da nossa zona de conforto”, declarou, deixando um recado aos prefeitos.

 

“Nunca desperdice uma boa crise. Mais cedo ou mais tarde ela vai ficar para trás”, finalizou.

 

Ricardo Amorim é formado pela USP e pós-graduado em Administração e Finanças Internacionais pela ESSEC de Paris. Atuando no mercado financeiro desde 1992, trabalhou em Nova York, Paris e São Paulo, sempre como economista e estrategista de investimentos.

 
 



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O economista Ricardo Amorim aposta num cenário otimista para o agronegócio no Brasil nos próximos anos

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03/2017

Paran@shop

 

 

O economista Ricardo Amorim aposta num cenário otimista para o agronegócio no Brasil nos próximos anos com a inflação em queda no Brasil e o corte de juros pelo Banco Central. Segundo o economista, à medida que os juros forem caindo, o produtor terá mais acesso aos financiamentos de máquinas e defensivos agrícolas e isso aumentará a produção. Esse cenário aliado à volta do investimento em vários outros setores vai beneficiar o aumento de consumo, por consequência a geração e a recuperação de empregos. Amorim estará em Curitiba para ministrar a palestra “Depois da Tempestade – Saindo da Crise”, no dia 5 de abril, às 19 horas, no Pequeno Auditório do Teatro Positivo.

 

O economista vê duas tendências favoráveis para o agronegócio este ano, o aumento das safras das commodities agrícolas e preços favoráveis no mercado internacional. “Isso tem sido a verdade para a imensa maioria das culturas e deve ajudar”, afirma. Na contramão, segundo o economista, o que atrapalha “um pouco” é a queda do preço do dólar, que na sua opinião deve continuar a acontecer no mercado financeiro, reduzindo em proporções menores a rentabilidade dos produtores. “Ainda assim a movimentação total financeira do setor deve ter um ano de crescimento importante, um resultado bastante significativo”, prevê.

 

Clima favorável

 

Para Amorim, o rompimento de acordos comerciais dos Estados Unidos com vários países vai beneficiar o Brasil, principalmente os produtores agrícolas. Ele destaca que os produtores brasileiros teriam uma entrada, que chama de “mais benéfica”, no mercado desses países com o rompimento de acordos comerciais dos Estados Unidos avançando com países da Europa e da Ásia. “Com os Estados Unidos não fazendo esses acordos, as condições de competição permanecem iguais”, analisa o economista.

 

Amorim explica que o fato de os acordos comerciais dos Estados Unidos com vários países não avançarem farão com que os o produto brasileiro e por consequência o produtor estejam numa posição melhor que a do produtor americano. “O Brasil tem que buscar fazer acordos comerciais com esses mercados. Aí o nosso produtor terá condição de ter uma entrada melhor do que o produtor americano”, defende o economista.

 

Sobre o economista

 

Único brasileiro incluído na lista dos mais importantes e melhores palestrantes mundiais do Speakers Corner, Ricardo Amorim tem uma leitura clara e objetiva de grandes tendências e transformações futuras da economia mundial e brasileira e as oportunidades e riscos que elas criam para o público de cada palestra. Ele é autor do livro “Depois da Tempestade”, lançado pela editora Prata.

 

Há anos, Ricardo Amorim profere palestras de economia no Brasil e exterior, incluindo Estados Unidos, Europa, Japão e América Latina. É palestrante em eventos fechados de empresas de destaque, congressos, feiras de negócios e universidades como Harvard e Columbia. Foi palestrante-âncora e dividiu painéis com figuras ilustres, de economistas ganhadores do Prêmio Nobel a presidentes, ministros de estado e presidentes de bancos centrais.

 

Ricardo Amorim é presidente da Ricam Consultoria, prestadora de serviços na área de negócios e economia global, em forma de palestras e consultorias. Economista, formado pela USP, é pós-graduado em Administração e Finanças Internacionais pela ESSEC de Paris. Atuando no mercado financeiro desde 1992, trabalhou em Nova York, Paris e São Paulo, sempre como economista e estrategista de investimentos.

 

A palestra “Depois da Tempestade – Saindo da Crise” é uma realização da Araçá Eventos, de Curitiba. Tem o patrocínio de Justen, Pereira Oliveira & Talamini Advogados, Ativa Investimentos, Personaliza Turismo, com o apoio da Editora Positivo, Ativa Investimentos, Isabela França Comunicação e Nomaa Hotel.

 
 



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“No curto prazo, o principal empecilho é a preocupação com a solvência brasileira”, diz Ricardo Amorim sobre a recuperação econômica

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03/2017

CNI

 

 

As reformas trabalhistas e da Previdência em tramitação no Congresso Nacional são avanços importantes para o país, mas ainda estão longe do ideal. A avaliação é do economista Ricardo Amorim. Sobre a Previdência, ele acredita que o ideal seria a adoção de um modelo de capitalização, em que cada brasileiro colocaria o dinheiro em uma conta e, ao se aposentar, receberia o equivalente ao valor que contribuiu, mais o rendimento da aplicação financeira desse dinheiro. “Então, quem quer receber mais, que contribua mais, aí não tem déficit”, diz Amorim.
 
Para a reforma trabalhista, ele sugere a modernização das leis atuais e a valorização dos acordos negociados entre empregados e empregadores. “Hoje, a legislação joga contra os trabalhadores”, afirma. Ricardo Amorim é autor do best-seller Depois da Tempestade, apresentador do programa Manhattan Connection, da Globonews, e é considerado o economista mais influente do Brasil segundo a revista Forbes. Além disso, é o brasileiro mais influente no Linkedin, único brasileiro entre os melhores palestrantes mundiais do Speakers Corner e ganhador do prêmio Os + Admirados da Imprensa de Economia, Negócios e Finanças. Nesta entrevista à Agência CNI de Notícias, ele fala da recuperação da economia brasileira, dos entraves ao crescimento e destaca que um dos principais desafios do país é aumentar a produtividade no trabalho.
 
AGÊNCIA CNI DE NOTÍCIAS – Alguns indicadores mostram que o pior da crise ficou para trás: a inflação está convergindo para a meta, os juros estão caindo e há sinais de recuperação da atividade. O senhor acredita que o Brasil voltará a crescer ainda este ano?  Por quê?
 
RICARDO AMORIM – Eu não tenho dúvida nenhuma que o Brasil vai voltar a crescer este ano. Os indicadores de janeiro já apontam uma atividade econômica melhor.  Em particular, o que mais me chama a atenção é o fato da indústria em São Paulo, depois de quase dois anos em que as demissões eram maiores que as contratações, ter criado mais empregos que destruído no mês de janeiro. Obviamente, um mês não faz uma tendência, então é muito cedo ser taxativo e dizer que isso já é um processo de crescimento que vai ser sustentado, mas ele vai acabar acontecendo por vários fatores. O primeiro é que a queda clara da inflação nos últimos quatro ou cinco meses vai abrir espaço para novas quedas de juros, e isso vai fazer com que o crédito pouco a pouco se destrave. Com mais crédito, tem mais consumo e mais investimentos das empresas. Com mais investimento, acaba tendo mais emprego, e mais emprego significa mais consumo e, com mais consumo, as empresas vendem mais e acabam sendo forçadas a contratar mais gente. Ao contratar mais gente, é mais gente que tem renda pra consumir mais. Enfim, a economia entra num circulo virtuoso.
 
AGÊNCIA CNI DE NOTÍCIAS – Na sua avaliação, quais são os três principais obstáculos ao crescimento econômico?
 
RICARDO AMORIM – No curto prazo, o principal empecilho é a preocupação com a solvência brasileira. Nos últimos anos, o governo gastou muito mais do que arrecadou. A consequência foi que a dívida pública cresceu muito. Esse crescimento da dívida, somado ao fato de que o governo continua gastando mais do que arrecada, leva à preocupação e à dúvida se, no futuro, o governo terá condições de arcar com seus compromissos. Em outras palavras, existe o risco de, no futuro, o governo ser forçado a dar um calote. Hoje, infelizmente, esse risco ainda existe. O segundo grupo de entraves é ligado à ineficiência da economia brasileira. E nesse campo cabe muita coisa e a necessidade de várias reformas. A gente tem um problema que é a legislação trabalhista, que encarece demais a contratação e faz com que a empresa pague muito e o funcionário receba pouco. Também temos o entrave da péssima infraestrutura, que impacta o preço de absolutamente tudo. Em terceiro lugar, tem o problema seríssimo de burocracia e legislação com processos exagerados e desnecessários, que encarecem e tiram o que deveria ser o foco das empresas e dos funcionários. Somado a isso, o Brasil é, entre 156 países emergentes, o terceiro com a carga tributária mais alta. E não é o terceiro em qualidade de serviços públicos. Por fim, o terceiro entrave, este mais de longo prazo e mais estrutural e mais difícil de ser resolvido, mas talvez o mais importante de todos, é a produtividade. A gente tem que fazer um trabalho seríssimo para aumentar a produtividade do Brasil.
 
AGÊNCIA CNI DE NOTÍCIAS – E do que depende o aumento da produtividade brasileira?
 
RICARDO AMORIM – A melhora da produtividade passa por dois aspectos. O primeiro é a educação. É preciso investir pesado na qualificação das pessoas no Brasil, desde as crianças até altos executivos. Em segundo lugar, não é só gente melhor preparada que produz mais. Gente melhor equipada também produz mais. O Brasil tem uma utilização de máquinas e equipamentos, hardware e software muito abaixo de outros países e isso vem de várias razões. Uma delas, talvez a mais importante, é a altíssima taxa de juros brasileira que encarece os bens de capital e faz com que a gente use muito menos instrumentos que poderiam ajudar a produtividade das pessoas. Como é que a gente resolve isso? Mais uma vez, reduzindo a necessidade de financiamento do governo. Em um cenário onde o governo precisa de menos dinheiro emprestado, a taxa de juros cai e, com taxa de juros mais baixa, é possível investir muito mais em máquinas e equipamentos para aumentar a produtividade no Brasil.
 
AGÊNCIA CNI DE NOTÍCIAS – Recentemente, o Congresso aprovou a PEC que estabelece um limite para o crescimento dos gastos públicos. Esse mecanismo é suficiente para o equilíbrio das contas públicas? O que mais precisa ser feito?
 
RICARDO AMORIM – A PEC dos gastos é uma condição necessária, mas não suficiente para resolver o problema do déficit público. Sem ela, o governo não teria flexibilidade suficiente e instrumentos para conseguir colocar as contas públicas em ordem. O que complementa a PEC dos gastos é a reforma da Previdência. Sem ela, o déficit público vai continuar crescendo nos próximos anos. E pior, sobrando menos dinheiro para tudo. Menos dinheiro para saúde, para educação, para investimento em infraestrutura.
 
AGÊNCIA CNI DE NOTÍCIAS – Estão em tramitação no Congresso as reformas da Previdência e a modernização das leis trabalhistas. Os textos propostos pelo governo para as duas reformas atendem às necessidades do país e das empresas?
 
RICARDO AMORIM – Nem a proposta de reforma da Previdência nem a reforma trabalhista são as ideais. Estão muito longe disso. Mas são dois passos importantes na direção correta. No caso da Previdência, a grande questão é que o buraco total, a soma o déficit da Previdência do setor privado, o INSS, com a Previdência do governo federal (servidores do Judiciário, do Legislativo, do Executivo, do Ministério Público) mais os dos governos estaduais e municipais, chega a um total anual de R$ 450 bilhões. Isso significa que o país está deixando de investir R$ 450 bilhões por ano em infraestrutura, educação, saneamento, segurança, transporte, só para cobrir o déficit da Previdência. Tudo isso significa que o Brasil está fazendo uma opção por honrar o passado e não investir no futuro. Na Coreia, para cada um real que o governo gasta com a população acima de 65 anos, ele gasta um real e vinte com crianças de até 15 anos de idade. Ou seja, o principal gasto é educação. No Brasil, para cada um real gasto com população acima de 65 anos são gastos apenas 10 centavos com crianças de até 15 anos. Isso explica porque a educação no Brasil é ruim. Por consequência, as pessoas não são produtivas e têm renda baixa. O resultado é que a Coreia, que há 60 anos tinha uma renda per capita equivalente à metade da brasileira, hoje tem uma renda per capita quatro vezes superior à nossa. E o pessoal na Coreia se aposenta com uma aposentadoria que é o dobro da brasileira, simplesmente porque eles apostaram em investir em qualificar os coreanos e torná-los mais produtivos. Isso aumentou a renda, aumentou o PIB e, por consequência, a aposentadoria.
 
AGÊNCIA CNI DE NOTÍCIAS – Qual seria a reforma da Previdência ideal?
 
RICARDO AMORIM – A reforma ideal seria uma mudança no modelo atual de distribuição em que quem trabalha hoje paga a aposentadoria de quem trabalhou antes. Deveríamos sair desse modelo para o modelo de capitalização onde cada um coloca o dinheiro em uma conta e o que ele vai receber no final é exatamente o que ele contribuiu, mais o rendimento da aplicação financeira desse dinheiro. Então, quem quer receber mais, que contribua mais, aí não tem déficit.
 
AGÊNCIA CNI DE NOTÍCIAS – E como deveria ser a reforma trabalhista?
 
RICARDO AMORIM – No caso da reforma trabalhista, é preciso flexibilizar as leis do trabalho. Em outras palavras, hoje, trabalhadores e patrões não têm a possibilidade de definir como eles querem fazer acordos. A lei engessa absolutamente tudo. E é bom lembrar que a lei trabalhista é de 1930. Ela nasceu com o objetivo de proteger o empregado, e parecia um objetivo nobre naquele momento. Só que, quase 90 anos depois, o mundo mudou e as relações de trabalho mudaram. Hoje, a legislação joga contra os trabalhadores.  A cada 100 pessoas com idade de trabalho no Brasil, menos de 50 têm trabalho, embora a taxa de desemprego seja bem menor que isso, porque a taxa só considera quem não tem emprego e quem está procurando emprego. Quem desistiu de procurar emprego porque simplesmente não consegue encontrar não aparece na taxa. E tem um número grande de gente trabalhando sem carteira assinada. Na prática, de cada 100 trabalhadores, 20 têm trabalho com carteira assinada e são beneficiadas pela legislação atual. Os outros 80, ou estão sem trabalho ou trabalham sem carteira assinada. É preciso mudar isso.
 
 



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Recession is over. Is it?

postado em Artigos | In English


03/2017

By Ricardo Amorim

 

 

One day, Finance Minister Henrique Meirelles decreed the end of recession. The next day, the GDP was disclosed: the eighth consecutive quarterly drop and 3.6% shrinkage in 2016. According to the minister, these data show the past, seen on the rearview mirror, not the present or the future.

 

Technically speaking, the minister is right. Why, then, do people focus on the rearview image rather than looking straight into the future? Well, because the rearview image is sharp; the image of the future seen through the windscreen is foggy, on the other hand.

 

For as long as the driver rolls on a straight road without obstacles, driving based on the rearview may work. However, when curves or obstacles inevitably appear…

 

How then to shape a more realistic image of the future, more so than on a mere snapshot of the past? This is where previous indicators come in. They change direction before the economy as a whole does, pointing the way the economy usually takes next. It is as if there were other cars ahead, sending signals about the road to the car behind. The car behind would then have a good notion of the curves coming up.

 

A curve in the economy, this is what several leading indicators seem to have been showing. Recession seems to have stayed behind. Growth seems to be approaching.

 

Comparing January to December and discounting seasonality – the normal differences between different months of the year – there was a 1.6% increase in the traffic of light vehicles on highways, indicating that people are travelling more; supermarket sales grew 1%, showing recovery in consumption; corrugated paper sales indicate demand for packaging and selling expectations by the industry, and they grew 1.8%; intermediate goods imports, which also show industrial expectations, grew 1%; the production of motorcycles grew 9.1%. If sustained on all months of the year, come December these indicators would be between 12.7% and 184.4% greater than in December last year.

 

Recession seems to have stayed behind. Growth seems to be approaching.

 

In comparison with January 2016, industrial production grew 1.4%, the first rise in three years, and investment by foreign companies was the highest in history, signalling that “gringos” are more confident on our country than we are ourselves. Recovery seems to have continued in February. In comparison with January, seasonality discounted, the licensing of light commercial vehicles grew 11.6% and consumer confidence grew 2.5%. More confident consumers spend more, leveraging   sales. Selling more, companies take to hiring more workers, thereby increasing the income of consumers – which leads to more consumption, in a virtuous circle.

 

These data are not enough for us to be adamant about the future trend of the economy, but there are excellent reasons – decline in interest rates, and the prospect of increase in the availability of credit, which would in turn increase consumption and investment – to believe that all is in place to sustain recovery, unless a serious external crisis or a deepening of the political crisis prevent Social Security, Labour and Tax reforms from moving forward in Congress.

 

As a result of recession,   the drop in the dollar rate, and a super-harvest of foodstuffs, inflation is in free fall, which has allowed and will continue to allow the Central Bank to cut interest rates. The perspective that interest rates drop even further stimulates banks to loan before rates are even lower, which would reduce the profitability of bank loans – and this should make credit supply grow again, stimulating consumption and investment by companies. More consumption, more sales. More investment, more jobs.

 

A smaller number of people lost their Jobs in January. Most important and surprising is the fact that Paulista industries hired more than they fired, for the first time in nearly two years. Unemployment   is usually the last economic variable to respond to changes in the economy. Businesses need great confidence on recovery in order to go back to hiring. Drops in the unemployment rate in the first half of the year will be a surprise, but they should start   in the second half of the year and intensify throughout next year.

 

Despite all this, it is important to keep expectations realistic. The drop in the GDP in all quarters of last year guarantees that – at the very best – we shall have a tiny growth in the GDP this year, not because economic recovery will necessarily be weak or slow, but for reasons of the statistical method. GDP growth is calculated adding up the GDP of the four quarters of a year and comparing the sum to the sum of GDP in the four quarters of the previous year. Since GDP dropped in the four quarters of 2016, the GDP in the last quarter was nearly 2% less than the GDP of the first quarter. We therefore start off 2017 from this lower base. Thus, if quarterly GDP simply remains at the same level as in the last quarter of 2016 for all four quarters of 2017, that is, if it neither grows nor drops at all, the annual GDP will register a drop of 1.1%. For the annual GDP to remain just stable in 2017, we shall have to have an annual average growth of 1.8% in the four quarters of 2017.

 

This is important  because the feeling that we shall have of the economy and of its impact on the lives of people along  2017 shall be a lot better than the variation suggested by the annual GDP. Besides, if the GDP effectively grows along the four quarters of 2017, the GDP of the fourth quarter shall be a lot greater than the GDP of the first quarter of the year, which shall cause the opposite   statistical effect on GDP figures for next year, inflating the annual growth rate, which may even help potential members of the current administration in the electoral race of 2018.

 

Ricardo Amorim is the author of the best-seller After the Storm, a host of Manhattan Connection at Globonews, the most influential economist in Brazil according to Forbes Magazine, the most influential Brazilian on LinkedIn, the only Brazilian among the best world lecturers at Speakers Corner and the winner of the “Most Admired in the Economy, Business and Finance Press”.

 

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