Feeds Ricardo Amorim Facebook Ricardo Amorim Twitter Ricardo Amorim Linkedin Ricardo Amorim Youtube Ricardo Amorim

Palestra de Ricardo Amorim abordará crise e otimismo sobre o Brasil

postado em Palestras


03/2017

Paran@shop

Por Isabela Franca

 

 

O economista Ricardo Amorim estará em Curitiba no próximo dia 5 de abril para ministrar a palestra “Depois da Tempestade – Saindo da Crise” no Pequeno Auditório do Teatro Positivo, às 19 horas. Amorim vai abordar a atual crise que gerou um grande pessimismo sobre o futuro do Brasil e como o país chegou à mais profunda recessão em um século. Ele discorrerá sobre os erros que levaram à crise, como e porque a recuperação econômica surpreenderá os brasileiros. Além disso, irá apontar como sustentar essa recuperação inicial e as lições e o legado da crise brasileira.

 

Otimista convicto, em seu livro “Depois da Tempestade” Amorim afirma “que uma das coisas mais graves que essas crises conseguiram fazer conosco foi nos convencer que esse país não tem jeito. Como eu estou convencido do contrário, eu resolvi escrever um livro”. Apresentador do Manhattan Connection, da Globo News, o livro do economista recebeu a análise de seu colega e também apresentador do programa,  jornalista Lucas Mendes: “Depois da Tempestade é um arco íris de bom senso, informações, análises e previsões que anunciam um Brasil próspero. O pote de ouro do Ricardo Amorim”.

 

“Estamos inseridos em um cenário econômico em que devemos entender como prosperar na crise e quais as oportunidades de negócio que ela traz.  É por meio de debates com lideranças como o Ricardo Amorim que podemos compreender melhor o cenário em que estamos inseridos, bem como construir um Brasil melhor, mais justo e desenvolvido”, complementa o gerente de Marketing da Editora Positivo, Fabricio Almada.

 

Ricardo Amorim é considerado uma das 100 pessoas mais influentes do Brasil pela revista Forbes Internacional e o único brasileiro incluído na lista dos mais importantes e melhores palestrantes mundiais do Speakers’ Corner. Ele tem uma leitura clara e objetiva de grandes tendências e transformações futuras da economia mundial e brasileira. Há anos, Amorim profere palestras sobre economia no Brasil e no exterior, incluindo os Estados Unidos, Europa, Japão e América Latina.

 

A palestra “Depois da Tempestade – Saindo da Crise” é uma realização da Araçá Eventos, de Curitiba. Tem o patrocínio de Justen, Pereira Oliveira & Talamini Advogados, Ativa Investimentos, Personaliza Turismo, com o apoio da Editora Positivo, Isabela França Comunicação e Nomaa Hotel. Os ingressos para a palestra estão à venda no Diskingressos pelo telefone 41 3315-0808 ou pelo site www.diskingressos.com.br

 
 



Comentar (0) »




A Hora é Agora – Resumo de palestra e entrevista de Ricardo Amorim à revista Viajante

postado em Entrevistas | Palestras


03/2017

Revista Viajante

 

“A economia se comporta como um pêndulo, vai crescer e pode ser muito mais do que se imagina”

 
Economista, apresentador de televisão, palestrante brasileiro, colunista da Revista IstoÉ e autor do livro “Depois da Tempestade”, Ricardo Amorim participou da Convenção de Vendas da Marcopolo e conversou com a Revista Viajante.
 
Para Ricardo, o comportamento da economia demonstra que já estamos iniciando um ciclo virtuoso de crescimento. Quando ele vai se concretizar ninguém sabe, mas as oportunidades de sucesso virão e muito em breve. E destaca que “ quanto mais baixa a expectativa, como a que temos agora com relação à economia brasileira, mais fácil e maior é a surpresa positiva”
 
Revista Viajante – Como vê o atual momento brasileiro?
 
Ricardo Amorim – O Brasil enfrenta a pior crise de sua história, desde que comecei a analisar os dados econômicos, de 1900 para cá. O pior é que a crise envolve economia, política, o lado social, as instituições. As mudanças precisam ser feitas no País e o momento para isso é agora, pois a sociedade está mobilizada, atenta e cobrando. Se a reforma da previdência passar, e precisa passar, o País vai crescer muito, ao menos por alguns anos. Se outras reformas, como a tributária e a trabalhista também forem aprovadas, o ciclo favorável pode ser mais longo.
 
Mas por que olhar pelo retrovisor e não para a frente? Se guiarmos um ônibus olhando no retrovisor, por mais reta e livre que seja a trajetória, uma hora teremos uma curva ou um veículo e a colisão será inevitável. Precisamos olhar para a frente e o futuro não tem cara de passado. Acredito que 2017 será melhor do que os últimos anos e pior do que os próximos e que o futuro está cheio de oportunidades.
 
Digo que se soubermos em que fase do ciclo econômico aquele pais está, podemos acertar para que lado a economia vai andar. Parece simples, mas não é. O que posso dizer é que bons governos geram ciclos longos de crescimento e surpresas positivas. Maus governos, o oposto, ciclos decepcionantes e longos. Mas a boa notícia é que nenhum país que não estivesse em guerra ou guerra civil apresentou ciclo negativo por mais de seis anos… e não vamos chegar perto disso, pois já temos sinais que o ciclo virou.
 
Revista Viajante – Por que você acredita que as oportunidades estão “batendo à nossa porta”?
 
Ricardo Amorim – É uma questão de timing. E o fator que mais diferencia o êxito das empresas, por incrível que possa parecer não é produto ou mercado, ou preço e sim o timing. Os fatores são vários e todos consistentes. Estudo o comportamento da economia mundial e brasileira com dados de 115 anos de história e, sempre depois de uma crise como a que ainda enfrentamos, ocorre um ciclo de crescimento de três a oito anos, que no caso brasileiro sempre apresentaram taxas de expansão superiores a 5% ao ano. No caso das indústrias automotiva e de construção, que precisam de financiamento, a retomada demora um pouco mais para ser sentida, mas quando vem, vem muito forte. É como estou vendo os próximos anos.
 
Vocês estão na hora, no lugar e no setor certos. Na hora, porque a retomada está começando, ainda não chegou no setor do ônibus, mas vai chegar forte. No lugar certo, porque o Brasil é um país emergente e um dos quatro maiores mercados de consumo do mundo em potencial de crescimento, considerando-se as próximas décadas. É aqui que as coisas vão acontecer. Nos próximos 20 anos, cerca de 35 milhões de brasileiros devem subir para a classe média e ampliar o consumo. E no setor certo porque todo esse enorme contingente vai precisar ser transportado e o ônibus é o veículo/modal que vai absorver e realizar a maior parte dessa locomoção.
 
Revista Viajante – Por que para os setores de construção e automotivo a retomada demora mais?
 
Ricardo Amorim – Por que são indústrias que precisam de financiamento para poder atender a demanda. O operador precisa de financiamento para comprar o ônibus e não há crédito porque a confiança é baixa e os bancos acreditam que o risco de não receberem é muito grande. Com a elevação da confiança, a queda dos juros, do dólar e com a entrada de investimentos estrangeiros, como aconteceu em janeiro, a inflação em queda, os bancos vão voltar a financiar. É simples: se os juros continuarem a cair, a taxa que hoje está em 12% vai baixar para 7 ou 8%. Não é melhor emprestar dinheiro agora e fechar taxa em 12% do que esperar e ter que emprestar ganhando apenas 7 ou 8%? Os bancos sabem bem disso e vão financiar. E aí os setores automotivo e de construção vão iniciar a retomada.
 
 



Comentar (1) »




“A solução do problema passa pelo engajamento generalizado”, diz Ricardo Amorim sobre a superação da crise financeira

postado em Entrevistas | Palestras


03/2017

Cidade Verde

Por Hérlon Moraes

 

 

Um dos palestrantes mais esperados no 2º dia de Congresso das Cidades, o economista Ricardo Amorim aconselhou os prefeitos do Piauí a fazerem um ‘engajamento generalizado’ para superarem a crise financeira. Ele defendeu que a gestão pública se una com a iniciativa privada na busca por soluções que ajudem os dois segmentos a crescerem juntos.

 

“A solução do problema passa pelo engajamento generalizado. No mundo real a gente encontra pedras no caminho. Hoje está todo mundo retraído, então vocês devem criar condições, por exemplo, para que as microempresas gerem emprego”, afirmou.

 

Para isso, a missão dos gestores, segundo Ricardo Amorim, é derrubar a burocracia para que novos empreendimentos apareçam. “Tem que acabar com toda a burocracia possível. Tem que ajudar o – cara – a financiar para ele pipocar (ter sucesso). Com todas essas iniciativas, aumentam as chances de dar certo pra ele e dando certo pra ele, melhora a economia para os municípios”, destacou.

 

O economista deu uma injeção de ânimo nos prefeitos e disse que, mesmo em crise, devem buscar alternativas para escapar de seus efeitos. “Toda crise traz uma oportunidade. Incentivando micro e pequenos empresários, um jogará o outro para cima o tempo inteiro. No caso das cidades, gera impostos e no caso dos empresários, emprego. Isso vocês podem fazer na cidade de vocês. Todo mundo cresce. É um circulo virtuoso”, disse, reforçando as parcerias.

 

“Dando condições para as empresas ganharem, vocês ganham com isso também. Tem que quebrar a cabeça e tentar fazer. É fácil? Não! Mas a hora de tentar é agora”, alertou.

 

Ricardo Amorim disse que toda crise tem seu lado positivo, já que tira qualquer um de sua zona de conforto. “Não estou falando que será moleza. Mas apesar das dificuldades, tem como fazer. Crise é desagradável. Ninguém gosta, mas ela tira a gente da nossa zona de conforto”, declarou, deixando um recado aos prefeitos.

 

“Nunca desperdice uma boa crise. Mais cedo ou mais tarde ela vai ficar para trás”, finalizou.

 

Ricardo Amorim é formado pela USP e pós-graduado em Administração e Finanças Internacionais pela ESSEC de Paris. Atuando no mercado financeiro desde 1992, trabalhou em Nova York, Paris e São Paulo, sempre como economista e estrategista de investimentos.

 
 



Comentar (0) »




O economista Ricardo Amorim aposta num cenário otimista para o agronegócio no Brasil nos próximos anos

postado em Entrevistas


03/2017

Paran@shop

 

 

O economista Ricardo Amorim aposta num cenário otimista para o agronegócio no Brasil nos próximos anos com a inflação em queda no Brasil e o corte de juros pelo Banco Central. Segundo o economista, à medida que os juros forem caindo, o produtor terá mais acesso aos financiamentos de máquinas e defensivos agrícolas e isso aumentará a produção. Esse cenário aliado à volta do investimento em vários outros setores vai beneficiar o aumento de consumo, por consequência a geração e a recuperação de empregos. Amorim estará em Curitiba para ministrar a palestra “Depois da Tempestade – Saindo da Crise”, no dia 5 de abril, às 19 horas, no Pequeno Auditório do Teatro Positivo.

 

O economista vê duas tendências favoráveis para o agronegócio este ano, o aumento das safras das commodities agrícolas e preços favoráveis no mercado internacional. “Isso tem sido a verdade para a imensa maioria das culturas e deve ajudar”, afirma. Na contramão, segundo o economista, o que atrapalha “um pouco” é a queda do preço do dólar, que na sua opinião deve continuar a acontecer no mercado financeiro, reduzindo em proporções menores a rentabilidade dos produtores. “Ainda assim a movimentação total financeira do setor deve ter um ano de crescimento importante, um resultado bastante significativo”, prevê.

 

Clima favorável

 

Para Amorim, o rompimento de acordos comerciais dos Estados Unidos com vários países vai beneficiar o Brasil, principalmente os produtores agrícolas. Ele destaca que os produtores brasileiros teriam uma entrada, que chama de “mais benéfica”, no mercado desses países com o rompimento de acordos comerciais dos Estados Unidos avançando com países da Europa e da Ásia. “Com os Estados Unidos não fazendo esses acordos, as condições de competição permanecem iguais”, analisa o economista.

 

Amorim explica que o fato de os acordos comerciais dos Estados Unidos com vários países não avançarem farão com que os o produto brasileiro e por consequência o produtor estejam numa posição melhor que a do produtor americano. “O Brasil tem que buscar fazer acordos comerciais com esses mercados. Aí o nosso produtor terá condição de ter uma entrada melhor do que o produtor americano”, defende o economista.

 

Sobre o economista

 

Único brasileiro incluído na lista dos mais importantes e melhores palestrantes mundiais do Speakers Corner, Ricardo Amorim tem uma leitura clara e objetiva de grandes tendências e transformações futuras da economia mundial e brasileira e as oportunidades e riscos que elas criam para o público de cada palestra. Ele é autor do livro “Depois da Tempestade”, lançado pela editora Prata.

 

Há anos, Ricardo Amorim profere palestras de economia no Brasil e exterior, incluindo Estados Unidos, Europa, Japão e América Latina. É palestrante em eventos fechados de empresas de destaque, congressos, feiras de negócios e universidades como Harvard e Columbia. Foi palestrante-âncora e dividiu painéis com figuras ilustres, de economistas ganhadores do Prêmio Nobel a presidentes, ministros de estado e presidentes de bancos centrais.

 

Ricardo Amorim é presidente da Ricam Consultoria, prestadora de serviços na área de negócios e economia global, em forma de palestras e consultorias. Economista, formado pela USP, é pós-graduado em Administração e Finanças Internacionais pela ESSEC de Paris. Atuando no mercado financeiro desde 1992, trabalhou em Nova York, Paris e São Paulo, sempre como economista e estrategista de investimentos.

 

A palestra “Depois da Tempestade – Saindo da Crise” é uma realização da Araçá Eventos, de Curitiba. Tem o patrocínio de Justen, Pereira Oliveira & Talamini Advogados, Ativa Investimentos, Personaliza Turismo, com o apoio da Editora Positivo, Ativa Investimentos, Isabela França Comunicação e Nomaa Hotel.

 
 



Comentar (1) »




“No curto prazo, o principal empecilho é a preocupação com a solvência brasileira”, diz Ricardo Amorim sobre a recuperação econômica

postado em Entrevistas


03/2017

CNI

 

 

As reformas trabalhistas e da Previdência em tramitação no Congresso Nacional são avanços importantes para o país, mas ainda estão longe do ideal. A avaliação é do economista Ricardo Amorim. Sobre a Previdência, ele acredita que o ideal seria a adoção de um modelo de capitalização, em que cada brasileiro colocaria o dinheiro em uma conta e, ao se aposentar, receberia o equivalente ao valor que contribuiu, mais o rendimento da aplicação financeira desse dinheiro. “Então, quem quer receber mais, que contribua mais, aí não tem déficit”, diz Amorim.
 
Para a reforma trabalhista, ele sugere a modernização das leis atuais e a valorização dos acordos negociados entre empregados e empregadores. “Hoje, a legislação joga contra os trabalhadores”, afirma. Ricardo Amorim é autor do best-seller Depois da Tempestade, apresentador do programa Manhattan Connection, da Globonews, e é considerado o economista mais influente do Brasil segundo a revista Forbes. Além disso, é o brasileiro mais influente no Linkedin, único brasileiro entre os melhores palestrantes mundiais do Speakers Corner e ganhador do prêmio Os + Admirados da Imprensa de Economia, Negócios e Finanças. Nesta entrevista à Agência CNI de Notícias, ele fala da recuperação da economia brasileira, dos entraves ao crescimento e destaca que um dos principais desafios do país é aumentar a produtividade no trabalho.
 
AGÊNCIA CNI DE NOTÍCIAS – Alguns indicadores mostram que o pior da crise ficou para trás: a inflação está convergindo para a meta, os juros estão caindo e há sinais de recuperação da atividade. O senhor acredita que o Brasil voltará a crescer ainda este ano?  Por quê?
 
RICARDO AMORIM – Eu não tenho dúvida nenhuma que o Brasil vai voltar a crescer este ano. Os indicadores de janeiro já apontam uma atividade econômica melhor.  Em particular, o que mais me chama a atenção é o fato da indústria em São Paulo, depois de quase dois anos em que as demissões eram maiores que as contratações, ter criado mais empregos que destruído no mês de janeiro. Obviamente, um mês não faz uma tendência, então é muito cedo ser taxativo e dizer que isso já é um processo de crescimento que vai ser sustentado, mas ele vai acabar acontecendo por vários fatores. O primeiro é que a queda clara da inflação nos últimos quatro ou cinco meses vai abrir espaço para novas quedas de juros, e isso vai fazer com que o crédito pouco a pouco se destrave. Com mais crédito, tem mais consumo e mais investimentos das empresas. Com mais investimento, acaba tendo mais emprego, e mais emprego significa mais consumo e, com mais consumo, as empresas vendem mais e acabam sendo forçadas a contratar mais gente. Ao contratar mais gente, é mais gente que tem renda pra consumir mais. Enfim, a economia entra num circulo virtuoso.
 
AGÊNCIA CNI DE NOTÍCIAS – Na sua avaliação, quais são os três principais obstáculos ao crescimento econômico?
 
RICARDO AMORIM – No curto prazo, o principal empecilho é a preocupação com a solvência brasileira. Nos últimos anos, o governo gastou muito mais do que arrecadou. A consequência foi que a dívida pública cresceu muito. Esse crescimento da dívida, somado ao fato de que o governo continua gastando mais do que arrecada, leva à preocupação e à dúvida se, no futuro, o governo terá condições de arcar com seus compromissos. Em outras palavras, existe o risco de, no futuro, o governo ser forçado a dar um calote. Hoje, infelizmente, esse risco ainda existe. O segundo grupo de entraves é ligado à ineficiência da economia brasileira. E nesse campo cabe muita coisa e a necessidade de várias reformas. A gente tem um problema que é a legislação trabalhista, que encarece demais a contratação e faz com que a empresa pague muito e o funcionário receba pouco. Também temos o entrave da péssima infraestrutura, que impacta o preço de absolutamente tudo. Em terceiro lugar, tem o problema seríssimo de burocracia e legislação com processos exagerados e desnecessários, que encarecem e tiram o que deveria ser o foco das empresas e dos funcionários. Somado a isso, o Brasil é, entre 156 países emergentes, o terceiro com a carga tributária mais alta. E não é o terceiro em qualidade de serviços públicos. Por fim, o terceiro entrave, este mais de longo prazo e mais estrutural e mais difícil de ser resolvido, mas talvez o mais importante de todos, é a produtividade. A gente tem que fazer um trabalho seríssimo para aumentar a produtividade do Brasil.
 
AGÊNCIA CNI DE NOTÍCIAS – E do que depende o aumento da produtividade brasileira?
 
RICARDO AMORIM – A melhora da produtividade passa por dois aspectos. O primeiro é a educação. É preciso investir pesado na qualificação das pessoas no Brasil, desde as crianças até altos executivos. Em segundo lugar, não é só gente melhor preparada que produz mais. Gente melhor equipada também produz mais. O Brasil tem uma utilização de máquinas e equipamentos, hardware e software muito abaixo de outros países e isso vem de várias razões. Uma delas, talvez a mais importante, é a altíssima taxa de juros brasileira que encarece os bens de capital e faz com que a gente use muito menos instrumentos que poderiam ajudar a produtividade das pessoas. Como é que a gente resolve isso? Mais uma vez, reduzindo a necessidade de financiamento do governo. Em um cenário onde o governo precisa de menos dinheiro emprestado, a taxa de juros cai e, com taxa de juros mais baixa, é possível investir muito mais em máquinas e equipamentos para aumentar a produtividade no Brasil.
 
AGÊNCIA CNI DE NOTÍCIAS – Recentemente, o Congresso aprovou a PEC que estabelece um limite para o crescimento dos gastos públicos. Esse mecanismo é suficiente para o equilíbrio das contas públicas? O que mais precisa ser feito?
 
RICARDO AMORIM – A PEC dos gastos é uma condição necessária, mas não suficiente para resolver o problema do déficit público. Sem ela, o governo não teria flexibilidade suficiente e instrumentos para conseguir colocar as contas públicas em ordem. O que complementa a PEC dos gastos é a reforma da Previdência. Sem ela, o déficit público vai continuar crescendo nos próximos anos. E pior, sobrando menos dinheiro para tudo. Menos dinheiro para saúde, para educação, para investimento em infraestrutura.
 
AGÊNCIA CNI DE NOTÍCIAS – Estão em tramitação no Congresso as reformas da Previdência e a modernização das leis trabalhistas. Os textos propostos pelo governo para as duas reformas atendem às necessidades do país e das empresas?
 
RICARDO AMORIM – Nem a proposta de reforma da Previdência nem a reforma trabalhista são as ideais. Estão muito longe disso. Mas são dois passos importantes na direção correta. No caso da Previdência, a grande questão é que o buraco total, a soma o déficit da Previdência do setor privado, o INSS, com a Previdência do governo federal (servidores do Judiciário, do Legislativo, do Executivo, do Ministério Público) mais os dos governos estaduais e municipais, chega a um total anual de R$ 450 bilhões. Isso significa que o país está deixando de investir R$ 450 bilhões por ano em infraestrutura, educação, saneamento, segurança, transporte, só para cobrir o déficit da Previdência. Tudo isso significa que o Brasil está fazendo uma opção por honrar o passado e não investir no futuro. Na Coreia, para cada um real que o governo gasta com a população acima de 65 anos, ele gasta um real e vinte com crianças de até 15 anos de idade. Ou seja, o principal gasto é educação. No Brasil, para cada um real gasto com população acima de 65 anos são gastos apenas 10 centavos com crianças de até 15 anos. Isso explica porque a educação no Brasil é ruim. Por consequência, as pessoas não são produtivas e têm renda baixa. O resultado é que a Coreia, que há 60 anos tinha uma renda per capita equivalente à metade da brasileira, hoje tem uma renda per capita quatro vezes superior à nossa. E o pessoal na Coreia se aposenta com uma aposentadoria que é o dobro da brasileira, simplesmente porque eles apostaram em investir em qualificar os coreanos e torná-los mais produtivos. Isso aumentou a renda, aumentou o PIB e, por consequência, a aposentadoria.
 
AGÊNCIA CNI DE NOTÍCIAS – Qual seria a reforma da Previdência ideal?
 
RICARDO AMORIM – A reforma ideal seria uma mudança no modelo atual de distribuição em que quem trabalha hoje paga a aposentadoria de quem trabalhou antes. Deveríamos sair desse modelo para o modelo de capitalização onde cada um coloca o dinheiro em uma conta e o que ele vai receber no final é exatamente o que ele contribuiu, mais o rendimento da aplicação financeira desse dinheiro. Então, quem quer receber mais, que contribua mais, aí não tem déficit.
 
AGÊNCIA CNI DE NOTÍCIAS – E como deveria ser a reforma trabalhista?
 
RICARDO AMORIM – No caso da reforma trabalhista, é preciso flexibilizar as leis do trabalho. Em outras palavras, hoje, trabalhadores e patrões não têm a possibilidade de definir como eles querem fazer acordos. A lei engessa absolutamente tudo. E é bom lembrar que a lei trabalhista é de 1930. Ela nasceu com o objetivo de proteger o empregado, e parecia um objetivo nobre naquele momento. Só que, quase 90 anos depois, o mundo mudou e as relações de trabalho mudaram. Hoje, a legislação joga contra os trabalhadores.  A cada 100 pessoas com idade de trabalho no Brasil, menos de 50 têm trabalho, embora a taxa de desemprego seja bem menor que isso, porque a taxa só considera quem não tem emprego e quem está procurando emprego. Quem desistiu de procurar emprego porque simplesmente não consegue encontrar não aparece na taxa. E tem um número grande de gente trabalhando sem carteira assinada. Na prática, de cada 100 trabalhadores, 20 têm trabalho com carteira assinada e são beneficiadas pela legislação atual. Os outros 80, ou estão sem trabalho ou trabalham sem carteira assinada. É preciso mudar isso.
 
 



Comentar (1) »




| Próxima página »
Acompanhe Ricardo Amorim na mídia
Istoe

Artigos do Ricardo Amorim
/ LEIA

Manhattan Connection

Desde 2003, Ricardo é apresentador do Manhattan Connection, atualmente no canal Globo News
/ VEJA

Radio Eldorado

A economia pode ser um agente poderoso de transformação
/ CURTA


Opinião de Ricardo Amorim - Economista Independente