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A escolha de Sofia dos brasileiros

postado em Artigos


05/2017

Por Ricardo Amorim

 

 

Em um romance, o escritor William Styron conta o dilema de Sofia, uma mãe polonesa prisioneira com seus dois filhos pequenos no campo de concentração de Auschwitz. Um oficial nazista dá a ela uma cruel opção: pode escolher uma das crianças e salvá-la da execução. Ou então, ambos serão mortos.

 

Quando os sinais de recuperação econômica finalmente eram claros ̶ PIB voltando a crescer, os investimentos dos estrangeiros no setor produtivo batendo recorde e os empregos começando a reaparecer – as perspectivas favoráveis por conta do superávit recorde da balança comercial, inflação e juros em queda livre, recuperação da confiança e do crédito e, principalmente, a provável aprovação de reformas Trabalhista, da Previdência, Tributária e, quem sabe, até Política ̶ o futuro da economia brasileira foi de novo jogado na lama por mais um gigantesco escândalo de corrupção, envolvendo a JBS, uma das principais “campeãs nacionais” movidas a farto financiamento do BNDES da era Lula, com 1.829 políticos envolvidos, incluindo o Presidente Temer.

 

Uma nova crise política está garantida. Temer aproveita as dúvidas criadas por vazamentos seletivos da delação da JBS e cortes no áudio de sua conversa com Joesley Batista para tentar se manter no cargo. Não nega, porém, o teor da conversa em que diversos crimes foram relatados, nem toma nenhuma providência a respeito, o que constitui um crime. As denúncias de corrupção vão muito além de Temer. Aécio, Lula, Dilma, Cabral e um em cada três congressistas brasileiros receberam dinheiro da JBS. Em resumo, temos um Presidente sem condições morais de governar e lideranças políticas e congressistas preocupadas em salvar o próprio pescoço e tentarem se garantir na futura coalizão de governo que se formará após uma eventual saída de Temer.

 

Neste cenário, parece difícil que as reformas avancem e provável que Temer distribua benesses, leia-se recursos públicos, a aliados que hoje ameaçam deixar sua base de apoio. Para piorar, no atual contexto, tentativas de avançar com as reformas podem passar a falsa impressão de que elas são uma tentativa de salvar Temer, aumentando a rejeição a elas pela parte da população que não entende – até porque o atual governo nunca soube comunicar à população os benefícios e a necessidade das mudanças – que, sem elas, a crise econômica, o desemprego e a miséria só vão aumentar.

 

As reformas não pertencem a governo algum. Elas serão necessárias seja quem for o próximo Presidente. Sem elas, o círculo virtuoso de elevação da confiança, do consumo, do investimento, do crédito, dos empregos e do crescimento econômico que começava a se materializar será mais uma vez substituído pelo círculo vicioso da paralisia, da insegurança, do desemprego e da miséria que causou a mais profunda e longa depressão econômica da História brasileira entre 2014 e 2016.

 

A questão fundamental é que, se por um lado a queda de Temer parece inevitável, e mesmo que possa ser evitada será prejudicial ao país, Temer ̶ assim como fez Dilma ̶ tem todos os meios jurídicos para postergá-la ao máximo, causando uma nova crise econômica. Os caminhos possíveis para a saída de Temer, incluindo o impeachment, não são mais céleres. Uma eventual ação penal da Procuradoria Geral da República após os 30 dias pedidos pelos peritos para analisar as gravações das delações terá de ser aprovada por dois terços da Câmara dos Deputados e a denúncia terá de ser acolhida pelo STF. O julgamento da ação contra a chapa Dilma-Temer no TSE está marcado para ser votado em 6 de junho em quatro sessões, mas independentemente do resultado, todas as partes envolvidas tem o direito de recorrer após a decisão. Restaria a renúncia de Temer, que como ele mesmo já afirmou várias vezes, não vai acontecer. Por que Temer abriria mão espontaneamente de todas as proteções legais que goza como Presidente, incluindo o foro privilegiado?

 

Aí é que entra nossa escolha de Sofia. Uma opção é seguir os longos caminhos jurídicos para que Temer não apenas perca seu cargo, mas eventualmente seja criminalmente punido, mesmo sabendo que isto prolongará o período de incertezas, aprofundando a depressão econômica, o desemprego e o caos social no país. Além disso, há o risco de que, apesar de todos os custos ao país e aos brasileiros, ao final ele sequer caia, ou caia mas não sofra nenhuma punição adicional, como aconteceu com Dilma.

 

Outra opção é um grande acordo político, em que líderes dos diversos partidos e do Judiciário costurem com Temer um acordo em que ele deixa a Presidência mais rapidamente – através de renúncia, afastamento ou não recorrendo de uma eventual decisão desfavorável do julgamento do TSE – com o compromisso de não ser judicialmente acionado pelas denúncias do caso JBS. Faz-se uma transição política o mais rapidamente possível através de uma eleição indireta – como define a Constituição – para algum líder de consenso com bom trâmite com diferentes grupos políticos – como Henrique Meirelles, que foi Presidente do Banco Central de Lula e é Ministro da Fazenda de Temer, ou Nelson Jobim, que foi líder do PMDB na Câmara dos Deputados, Ministro do Supremo e Ministro da Justiça de Fernando Henrique e Ministro da Defesa de Lula e Dilma. Desta forma, as incertezas seriam rapidamente dirimidas e, se as reformas continuassem a avançar – a Política incluída ̶ não teríamos o agravamento da depressão econômica, poupando milhões e milhões de brasileiros de serem punidos mais uma vez junto com os corruptos por crimes que não cometeram.

 

Não sobraram opções boas ao país. Restam apenas péssimas opções. Para punir Temer, como deveríamos, punimos todos os brasileiros, incluindo a possibilidade real de que você ou alguém próximo fique sem emprego e sem condição de sustentar sua família no próximo ano e meio? Ou, para evitar que isto aconteça, faz-se um acordo com Temer, protege-se o emprego de milhões de brasileiros, mas mesmo que todos os demais 1.828 políticos envolvidos no caso JBS fossem indiciados, enfraquecemos o que de melhor surgiu no Brasil nos últimos tempos – o combate à corrupção e à impunidade – reforçando o gosto amargo que um acordo de delação excessivamente generoso com os irmãos Batista já deixou? Qual seria a sua escolha?

 
Ricardo Amorimautor do bestseller Depois da Tempestade, apresentador do Manhattan Connection da Globonews, o economista mais influente do Brasil segundo a revista Forbes, o brasileiro mais influente no LinkedIn, único brasileiro entre os melhores palestrantes mundiais do Speakers Corner e ganhador do prêmio Os + Admirados da Imprensa de Economia, Negócios e Finanças.
 
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Ricardo Amorim participa de sabatina com jornalistas do Mato Grosso do Sul sobre reformas e perspectivas para a economia, em evento promovido pela FIEMS.

postado em Entrevistas


05/2017

 FIEMS

 

 

Ao longo de duas horas de evento com a imprensa de Mato Grosso do Sul, realizado na noite desta terça-feira (16/05), no Edifício Casa da Indústria, em Campo Grande (MS), o economista, consultor de investimentos e debatedor do programa Manhattan Connection, Ricardo Amorim, e o presidente da Fiems, Sérgio Longen, foram sabatinados por 14 jornalistas sobre as reformas e os impactos delas sobre economia estadual e nacional.

 

A mesa redonda, que integra a programação do Mês da Indústria e tem patrocínio do Sebrae/MS, teve as participações dos jornalistas Danilo Costa (Jornal de Domingo), Osvaldo Junior (Campo Grande News), Vinicius Squinelo (Top Mídia News), Victor Barone (O Estado MS), Lucimar Lescano (TV Morena), Euclides Fernandes (SBT MS), Ellen Genaro e Manoel Afonso (Record MS), Jorge Zaidan (Sistema Brasileiro do Agronegócio), Cadu Bortollot (Noticidade), Waleria Leite (Ministério Público Estadual), Humberto Marques (Comunidade MS), Carmem Cestari (Tribuna Livre) e Fernando Ortega (Assembleia Legislativa).

 

Questionado sobre a situação atual do País, Ricardo Amorim afirmou que a atual legislação brasileira está ultrapassada e é a responsável por gargalos como o desemprego, baixos salários e excesso de burocracia. Diante deste cenário, o economista ressaltou a relevância do andamento das reformas estruturantes, como a trabalhista, previdenciária e tributária para o crescimento sustentável do País, mas, principalmente, a necessidade de desmistificar para a população as mudanças em curso.

 

Ao responder as perguntas, Amorim destacou que o futuro do País está nas mãos dos brasileiros. “Chegou a hora de escolher o Brasil que queremos. Precisamos compreender que o custo do País chegou a um momento insustentável e, em um momento passado viveu um ciclo de ilusão, no qual existia o entendimento de que o andamento de tudo se dava pela tutela e codependência do Estado. Mas é justamente por causa dessa interferência excessiva, dessa quantidade de leis, que existe desemprego, salários baixos, empresas fechando as portas”, analisou.

 

Ele emendou, ainda, que a ordem cronológica da tramitação das reformas no Congresso é proposital, visto que uma está diretamente ligada à outra. “Uma reforma depende do sucesso da outra e, juntas, todas representarão um conjunto de mudanças que o País precisa a longo prazo. A reforma da Previdência, por exemplo, não poderia entrar em vigor sem a limitação dos gastos, que veio com a PEC do Teto, do contrário, o déficit nas contas públicas não seria sanado”, exemplificou.

 

Já o presidente da Fiems propôs uma reflexão acerca do momento pelo qual o Brasil passa e afirmou estar otimista com as reformas em curso no Congresso. “A PEC dos Gastos e a regulamentação da Terceirização representaram grandes avanços. Se a reforma trabalhista for aprovada no Senado da forma como chegou da Câmara, também será uma grande evolução nas relações trabalhistas, assim como as próximas reformas, a Tributária e Política, que são fundamentais para o Brasil que queremos para os próximos anos. Já vemos os primeiros sinais de recuperação, com a deflação, o valor do dólar estabilizado, a volta do poder de compra, e estou otimista com esse Brasil das reformas, que trarão mudanças que não virão de um dia para o outro, mas serão muito positivas para o País e Mato Grosso do Sul”, avaliou Longen.

 

Reforma tributária

 

Sobre o sistema tributário brasileiro, Longen destacou a necessidade de mudanças sobretudo nos tributos sobre circulação de bens e serviços, entre eles ICMS, PIS-Cofins, com redução das obrigações burocráticas e cobrança simplificada, e citou o caso de empresas que se instalam no país vizinho, o Paraguai, em razão do excesso de impostos e burocracia. “No Brasil, uma empresa precisa de pelo menos 15 diferentes tipos de documentos para abrir as portas, e no Paraguai é necessário um só, além de ser cobrado imposto único”, citou.

 

Amorim referendou a questão do excesso de burocracia. “No Brasil uma empresa gasta, em média, 2.600 horas para conseguir declarar seus impostos, no restante do mundo esse tempo cai para 100”, exemplificou, citando, ainda, a necessidade de revisão da tabela do imposto de renda.

 

Reforma trabalhista

 

O presidente da Fiems destacou a segurança jurídica proporcionada tanto empregadores quanto para empregados, e que as mudanças serão responsáveis pela geração de mais empregos e renda para os brasileiros. “O que não se pode esquecer é que, hoje, o trabalhador recebe um salário, mas a empresa desembolsa pelo menos o dobro para isso. Muitos, tenho certeza, aceitariam a proposta de, ao invés de a empresa ser obrigada, como está na lei, a pagar FGTS, férias, encargos, entregasse todo este investimento na mão do trabalhador, que passaria a ganhar o dobro. É preciso acabar com a falácia de que o trabalhador “conquistou direitos” como se eles caíssem do céu. Alguém paga essa conta e esse alguém é o empregador”, emendou Amorim sobre o tema.

 

Sobre o fim da contribuição sindical obrigatória proposta na reforma Longen destacou ser a favor. “É preciso acabar com os mais de 18 mil sindicatos que existem no País. Por isso, sou a favor do fim da obrigatoriedade da contribuição, tanto para os sindicatos patronais quanto para os laborais, porque, desta forma, só aqueles que realmente têm ações propositivas, são atuantes, sobreviverão”, opinou.

 

Reforma política

 

Longen falou sobre a importância da unificação das eleições para acabar com o excesso de gastos de dinheiro público a cada dois anos com os processos eleitorais e o fim da reeleição, que encerraria ciclos intermináveis de mandatos principalmente no Legislativo.

 

Amorim afirmou ser fundamental acabar com o fundo partidário e horário político eleitoral. “O fundo partidário equivale à obrigatoriedade da contribuição sindical, porque acaba fazendo com que muitos ali vivam disso. Assim com o horário político, usado como moeda de troca pelas legendas partidárias”, analisou.

 

Reforma da Previdência

 

Um dos temas mais polêmicos, Longen e Amorim ressaltaram a urgência na desmistificação do tema para a população. “O que acontece é que existe muita contrainformação e é compreensível que haja um descontentamento da população. Por incrível que pareça, os políticos estão no mesmo rol dos demais trabalhadores em relação às suas aposentadorias, mas ouso dizer que a reforma é frouxa no que diz respeito aos servidores públicos, que mantém uma série de privilégios. Só que o brasileiro está atacando de forma errada, e pede que não haja reforma nenhuma”, analisou o consultor.

 

 



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“Ok” for changes, but “no way” for changing

postado em In English


05/2017

By Ricardo Amorim

 

 

Everyone wants corruption to end…except for the corrupt.

 

Everyone knows that the right to a “privileged Court” and the appointment of STF (Federal Supreme Court) judges by politicians cannot continue…everyone but the ones protected by the current system.

 

Everyone thinks that the pension rights enjoyed by politicians, judges and the military are absurd…except for politicians, judges and the military.

 

Everyone considers unacceptable that public servants should benefit from a social security policy far more generous than for all other citizens…everyone except public servants and their families.

 

Everyone wants to reform Social Security for politicians, judges, the military and public servants – but find unthinkable to reform the INSS (national health and pensions system) which needed, just last year,  R$ 150 billion – which could have been used on education, health or security – to complement the benefits not covered by contributions.

 

Everyone agrees that the debts large companies have with the INSS have to be collected, but many are overdue in the payment of their own debts.

 

Everyone is unhappy about the education system, yet no-one is chocked by the fact that the Brazilian government spends nine times more funds per capita on social security than on the education of our children.

 

Everyone wants less taxes, cheaper products and higher salaries, but no-one wants the government to reduce its expenses so taxes are lower for that to happen.

 

Everyone agrees that something radical needs to be done to curb the growth of informal labour and unemployment which made millions of Brazilians incapable of keeping their families. Something radical, except to reform the CLT (consolidated labour legislation) to allow companies to hire more so less people work informally without proper labour rights.

 

Amid billionaire scandals that keep cropping up, it is understandable that the population is revolted and under the impression that  if corruption were eliminated all other Brazilian problems would disappear.

 

Unfortunately, corruption will not be eliminated, not even substantially reduced, unless we mobilize for the corrupt to be exemplarily punished. The corrupt will always be organized for that not to happen. Besides, if corruption is eliminated, all other Brazilian problems shall be reduced, but none of them eliminated. We must work on solving each one of them as well.

 

Knowing that changes will not happen unless we change too, the question is: you want changes, but are you willing to change?

 
Ricardo Amorim is the author of the best-seller After the Storm, a host of Manhattan Connection at Globonews, the most influential economist in Brazil according to Forbes Magazine, the most influential Brazilian on LinkedIn, the only Brazilian among the best world lecturers at Speakers Corner and the winner of the “Most Admired in the Economy, Business and Finance Press”.

 

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Ricardo Amorim encerrou o segundo dia da Expogestão, falando sobre a retomada da economia

postado em Palestras


05/2017

A Notícia

Por Hassan Farias

 

 

A palestra de Ricardo Amorim, economista e apresentador do programa Manhattan Connection, da Globo News, encerrou o segundo dia da Expogestão, evento que termina nesta quinta-feira em Joinville. Durante a fala de cerca de uma hora, o especialista afirmou que a classe média voltará a crescer e o que o País terá uma retomada da economia nos próximos anos, muito maior do que as pessoas acreditam. Ele ressaltou que foram os brasileiros que causaram a crise e que isso é bom porque somos nós que podemos consertá-la.

 

Em sua fala, Amorim primeiro fez um histórico para mostrar como o País chegou ao atual momento de crise. Ele comparou os cinco anos e meio de governo da ex-presidente Dilma Rousseff com o mesmo período do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva à frente do Brasil. Os dados mostraram que o realizado do Produto Interno Bruto (PIB) foi acima do projetado durante o governo Lula e que todas as projeções caíram no período em que Dilma foi presidente, com índices abaixo do projetado em todos os anos.
 
— Um bom governo é aquele em que as surpresas positivas na economia são grandes e duram muito tempo. No governo Dilma, tivemos seis anos de surpresas negativas e, nos últimos 115 anos, só países em guerra ou com conflitos tiveram surpresas negativas durante sete anos. Se continuássemos assim, o Brasil seria o primeiro a chegar nessa situação em 115 anos — explicou.
 
Durante a palestra, Amorim deixou claro que os motivos que motivaram o impeachment no Brasil foram políticos. Ele afirmou que uma pesquisa do jornal americano The New York Times, realizada antes das delações premiadas da Operação Lava Jato, mostrou que dos 503 deputados e 81 senados brasileiros, 293 eram investigados pelos crimes eleitoral, de corrupção ou de homicídio.
 
— O Congresso, acuado, fez o que qualquer político acuado faria: achou alguém em situação pior. Qual a pessoa com menor popularidade no Brasil naquele momento? A presidente Dilma. Eles viram uma popularidade ruim, a economia em queda livre e a inflação aumentando — explicou.
 
Ele também fez uma análise mostrando que as crises e oscilações na economia são cíclicas. De acordo com Amorim, historicamente a queda no PIB e a depressão econômica resultaram em uma mudança política, desde a depressão de 1929 até o impeachment de Dilma, passando pela ditadura, o retorno da democracia e a queda do ex-presidente Fernando Collor.
 
Segundo Amorim, são as crises que causam mudanças e nos deixam mais fortes. Apesar de garantir que a economia irá melhorar, ele ressalta que não será sem esforço e suor. Será necessário que a população faça a crise se transformar em oportunidades. O especialista ainda defende que é necessário aprovar as reformas trabalhista e previdenciária, além de ser feita uma reforma tributária, para melhorar a situação do País.
 
Amorim detalhou dados mostrando que, nos últimos 12 anos, o varejo vendeu mais do que a indústria produziu, e as reformas poderão corrigir o que ele chama de distorções, colocando o Brasil novamente em crescimento. De acordo com ele, nenhum governo tem 100% de acertos e o presidente Michel Temer precisa fazer pelo menos duas coisas certas: estimular a produção e colocar as contas em ordem.
 
— Ninguém gosta da crise, mas ela tem um recado para deixar à gente: mudança. São as crises que causam mudanças que nos deixam mais fortes, mas temos que fazer ela se transformar em oportunidades.

 
 



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Reformas para aumentar a produtividade, os empregos, os salários e a geração de riqueza no país

postado em Entrevistas


05/2017

GAZ

Por João Pedro Kist

 

 

A reforma trabalhista proposta pelo governo federal, que inclui pontos como terceirização, parcelamento de férias, alterações na jornada de trabalho e diminuição do horário de almoço, pode parecer assustadora. No entanto, para o economista e apresentador de TV Ricardo Amorim, junto com a reforma tributária, essas mudanças fazem parte da solução para aumentar a produtividade no Brasil e equiparar esse parâmetro com o aquecimento no consumo.

 

Considerado pela revista norte-americana Forbes, em 2015, como uma das cem pessoas mais influentes do Brasil, Amorim afirmou, em entrevista à Gazeta do Sul, que a economia brasileira está melhorando, até mesmo antes do previsto. O economista, que participa do programa Manhattan Connection, da GloboNews, defendeu as privatizações como medida importante para combater a corrupção e melhorar os serviços. Também acredita que o atual momento do País é ideal para quem pensa em investir.

 

Gazeta do SulQual deve ser o indutor da economia para garantir um crescimento sustentável no longo prazo?

 

Ricardo Amorim – Na década passada, estimulamos muito o consumo e nada a produção. O resultado foi que o consumo cresceu mais que a produção no Brasil por 13 anos. Isso não se sustenta. Nenhum país pode eternamente consumir mais do que produz, se não acaba dando na grande crise que a gente viu. Isso não se resolve deixando de estimular o consumo, mas estimulando também a produção. Estimula-se a produção deixando-a mais competitiva e isso é feito com uma série de reformas. Quando fazemos uma reforma trabalhista que aumenta a flexibilidade do mercado de trabalho e, além disso, diminui os custos trabalhistas, estimulamos a produção. O mesmo quando fazemos uma reforma tributária que diminui a carga tributária e, principalmente, torna a nossa legislação tributária um pouco mais lógica.
 
GazetaFevereiro foi o primeiro de 22 meses em que as contratações superaram as demissões no País. A tendência é de estabilização do emprego a partir de agora?

 

Amorim – Eu já havia ficado surpreso quando em janeiro a indústria, em vários estados, principalmente São Paulo e Santa Catarina, criou mais empregos do que destruiu. Mais surpreso ainda eu fiquei em fevereiro, quando isso foi generalizado não apenas na indústria, mas no Brasil inteiro. A minha expectativa era que isso somente acontecesse a partir do segundo semestre; portanto, não vai ser surpresa se nos próximos meses a gente não tiver um desempenho tão bom. Mas se for sustentado, é um ótimo sinal, um sinal de que a confiança no País está maior do que eu imaginava. Há alguns indícios disso. O total de investimentos estrangeiros em janeiro foi o mais alto em toda a história do Brasil. Nunca em um único mês as empresas investiram tanto e isso provavelmente explica esse desempenho melhor do emprego. Mesmo que ele não se sustente nos próximos meses, esse movimento não só vai continuar, mas ser reforçado a partir do segundo semestre e ao longo do ano que vem.
 
Gazeta – O ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, garante que a recessão no Brasil já acabou. Podemos acreditar?


 
Amorim
– O timing do ministro Henrique Meirelles foi um tanto quanto infeliz quando ele fez essa declaração. Foi só ele falar que a recessão acabou e, logo na sequência, sai o PIB do fim do ano passado com uma redução de quase 4%. O ministro disse, e com razão, que aqueles dados mostravam o retrovisor e não o para-brisa. Ele tem razão, quando vemos os dados mais recentes deste ano, todos muito melhores. Os dados de atividade, de inflação, de investimento, todos eles sugerem que sim, a economia está em uma rota de recuperação que talvez já tenha começado. Só vamos ter certeza daqui um tempo, com mais dados, mas quando olhamos a queda na inflação, isso vem permitindo – e vai continuar permitindo – mais queda de juros. Com menos juros,  teremos mais crédito e, por consequência, as pessoas vão poder consumir mais e as empresas vão poder investir mais. Enfim, o quadro todo parece sugerir que de fato a recessão ficou para trás.
 
Gazeta – Qual a importância das privatizações em alguns setores, como os aeroportos, e até onde essa política deve avançar?


 
Amorim
– As privatizações são extremamente importantes no Brasil por várias razões. A primeira delas é que, na mão do governo, essas empresas têm sido muitas vezes usadas como fonte de corrupção. Segundo, as privatizações normalmente têm gerado melhora de qualidade nos serviços. Terceiro, elas geram uma receita que os governos precisam muito, todos eles têm problema de contas desequilibradas; em alguns casos, estão quebrados. A única forma de resolver isso é, por um lado, cortar gastos e, por outro, aumentar as receitas. Uma das melhores formas é por meio de privatização. Então, eu vejo com ótimos olhos esse movimento que está acontecendo em várias partes do Brasil, de aceleração das privatizações. Aliás, eu gostaria que o governo federal fizesse isso de uma forma inclusive mais agressiva. Principalmente quando, neste momento, o governo está falando mais uma vez em aumentar os impostos, o que seria um absurdo. Um caminho para evitar que isso aconteça é exatamente acelerar as privatizações.
 
Gazeta – A instabilidade política no País ainda é grande. Qual seria o tamanho do prejuízo para a economia de uma nova troca na Presidência da República, um ano após o impeachment?

 


Amorim
– Se acontecesse, os impactos de um novo impeachment no Brasil seriam brutais. Em primeiro lugar porque desta vez não temos um vice-presidente e, para completar, o pessoal que está na cadeira de sucessão não é exatamente gente que tem maior credibilidade com a opinião pública. Além disso, restaria muito pouco mandato, o que deixaria um presidente sem poder nenhum de tomada de medidas. Em resumo, seria catastrófico. Diga-se de passagem, essa é uma das razões pelas quais eu acredito que são relativamente limitadas as chances disso acontecer, porque os juízes do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) já deixaram claro que vão levar vários critérios em consideração para as suas decisões. Um deles é exatamente a estabilidade institucional do Brasil, que claramente iria por água abaixo caso houvesse um novo impeachment.
 
Gazeta – O que o senhor recomendaria para o empresário que está “segurando” um investimento ou para alguém que está aguardando para iniciar um negócio: tocar em frente ou esperar mais um pouco?

 


Amorim
– Todo mundo gosta de se sentir mais seguro antes de tomar uma decisão de investimento importante. O problema é que quanto mais seguro nos sentimos, normalmente pior é a decisão. Isso porque a gente se sente seguro depois que as tendências estão muito consolidadas e eventualmente as oportunidades já passaram. Sempre para qualquer investimento, as melhores oportunidades surgem para quem faz primeiro; quem chega depois, já usando o jargão, pega água suja. Quando se faz investimentos financeiros no momento em que a economia já teve um período mais longo de bom desempenho, os preços estão muito mais altos e, pior, o risco de que a gente esteja no fim do ciclo positivo é maior. Agora é ao contrário, estamos na virada de um ciclo muito ruim para um ciclo melhor. Esse é o melhor momento de investimento.

 
 



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