Matéria do Estadão sobre participação de Ricardo Amorim em debate sobre oportunidades e riscos no corredor Brasil-China

Estadão Negócios

08/2013

 
Alta velocidade para quem transita no corredor Brasil-China.
Embaixador Sérgio Amaral e economista Ricardo Amorim discutem como o País pode ganhar mais com seu principal parceiro comercial
 
Os negócios entre Brasil e China foram o tema do primeiro debate da série Estadão Negócios Interativo, uma parceria entre o HSBC e o Estadão, com mediação do editor do jornal O Estado de S. Paulo Cley Scholz e presenças do embaixador Sérgio Amaral, presidente do Conselho Empresarial BrasilChina (CEBC), e do economista Ricardo Amorim, presidente da Ricam Consultoria. O encontro foi transmitido ao vivo pela TV Estadão e teve perguntas de internautas.
 
O que significa a alta do dólar para as relações entre Brasil e China?
Sérgio Amaral: A alta do dólar tem um lado positivo para o Brasil, pois torna nossas exportações mais competitivas. E um lado negativo: se for muito rápida pode ajudar na desorganização das empresas e é inflacionária.
 
Ricardo Amorim: Não acredito que a situação do câmbio vá se sustentar além de algumas semanas ou meses. Ou a China e os emergentes começam a crescer mais – o que vai atrair investimentos e aumentar a oferta de dólar no Brasil – ou o banco central americano vai colocar mais dólares em circulação, o que faz a cotação cair. É um quadro parecido com o que vivemos em 2008 e 2009, quando o dólar subiu e depois voltou a cair. Na minha opinião, há uma ilusão de que o dólar encontrou um novo patamar.
 
Quais produtos estão crescendo nas exportações do Brasil para China?
Amaral: A pauta de exportação não tem mudado significativamente. Exportamos commodities, 90% em três
produtos: ferro, soja e petróleo. A China desacelerou o seu crescimento, passou de um patamar de 10% para 7,5% ao ano. Mas isso já estava previsto, porque o país está fazendo mudanças importantes em sua economia. As negociações com o Brasil não devem ser afetadas, porque o PIB da China deve crescer. O país tem de transferir 300 milhões de pessoas do campo para a cidade. E vai precisar comprar mais alimentos, ou seja, terá demanda por soja. Vão precisar de moradias, o que vai gerar demanda por ferro. É importante que possamos migrar da exportação de commodities para produtos com maior valor agregado, onde somos mais competitivos, como no agronegócio. Vejo potencial enorme de agregar valor a partir de parcerias com empresas chinesas.
 
Como você vê o novo governo chinês? Há alguma mudança de cenário?
Amorim: O consumo ganha importância e os dois outros setores – exportações e investimentos em infraestrutura – perdem. Significa crescimento no setor de serviços, voltado para o consumo interno, que gera novas oportunidades de negócios. Um exemplo é o site Alibaba, que deve abrir o capital, avaliado em US$ 70 bilhões.
 
Recentemente, a China cancelou uma compra de soja brasileira e alegou atraso na entrega. É estratégia para baixar o preço?
Amaral: Muitas vezes os chineses lançam mão de certos expedientes para baixar preços. Estamos fazendo uma série de estudos de como aumentar e diversificar o comércio com a China. Poucos sabem que existe protocolos, em níveis federal, estadual e municipal, que são uma espécie de sinalização. Esse mapa deve dar aos empresários brasileiros maior segurança para suas opções de investimento ou de comércio. É um subsídio para as empresas e para o governo.
 
Houve manifestações de rua no Brasil, enquanto na China há censura na internet. Existe o risco da China enfrentar uma “primavera chinesa”?
Amorim: É pouco conhecido no Brasil e no mundo, mas a quantidade de manifestações na China é enorme. São centenas de milhares por ano. Mas são manifestações controladas. Do ponto de vista do investidor, não acho que há risco latente de uma primavera chinesa.
 
Qual país é mais atrativo para o investidor?
Amaral: A China. Porém é também mais difícil. Aqui no Brasil, ainda temos um dos custos mais altos dos mundo. As multinacionais viram na China uma grande oportunidade, mas algumas estão saindo de lá.
 
Amorim: Ambos são muito atrativos, mas no caso brasileiro, o investimento caiu de dois anos para cá porque o governo tomou medidas para reduzir a taxa de rentabilidade em setores como o financeiro, petrolífero e elétrico.
 
Há tempo para a China se tornar uma economia que vise a sustentabilidade?
Amaral: O nível de poluição, sem precedentes, preocupa os dirigentes e o país fez uma grande mudança em suas políticas. Em pouco tempo, a China poderá ter práticas muito mais avançadas do que as nossas. Um exemplo é a opção pela energia solar. Hoje é o maior produtor de equipamentos de energia solar do mundo.
 
Como podemos manter o parque tecnológico do Brasil diante dos avanços dos chineses na área?
Amorim: A China está passando por um processo de agregar valor aos seus produtos manufaturados. E um dos motivos é o alto investimento em educação. Se um país quer melhorar sua tecnologia e inovar, precisa ter gente qualificada. E a China já tem. O Brasil está atrasado.
 
O Brasil irá vender produtos industrializados para a China?
Amaral: Já vendemos, mas é um porcentual pequeno. Mas isso pode e deve aumentar.
 
Amorim: Não é apenas questão de exportar esses produtos para a China, mas para qualquer outro país do mundo. Esta é, disparada, a corrente de comércio que mais cresceu na última década. Há 10 anos, apenas 1% das exportações brasileiras ia para a China. Hoje são 17%. Há um potencial crescente de negócios com a China.
 
 

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