Economia Motivacional.

Revista IstoÉ

04/02/2011

Economia Motivacional

O copo meio vazio não é novidade. A novidade é o copo meio cheio. O Brasil mudou, para bem melhor

Uma equipe mais motivada alcança melhores resultados. As empresas brasileiras investem milhões em eventos com grandes campeões e pessoas com histórias de superação para motivar seus funcionários. Funciona. Certamente muitos vendedores de automóveis, por exemplo, sentem-se confiantes em alcançar suas metas depois de ouvi-los. 

Entretanto, eu ficaria ainda mais seguro e motivado sabendo que, na última década, a venda de automóveis no Brasil triplicou, e que com a expansão sustentada de crédito, renda e emprego ela continuará a crescer de forma pujante. É mais fácil acreditar que posso cumprir minha meta, sem precisar ter a garra do Cesar Cielo, simplesmente porque vou nadar a favor da correnteza econômica.
Se tiver de percorrer 100 quilômetros de bicicleta, prefiro saber que será na descida do que conhecer a superação do Lance Armstrong, que foi capaz de ganhar o Tour de France sete vezes, após ter tido câncer.
No Brasil, normalmente, não associamos economia com motivação devido ao péssimo desempenho econômico brasileiro entre 1981 e 2003, com média de crescimento de 2% ao ano. Nesse período, falar de economia significava deixar claro que os 100 quilômetros de bicicleta seriam ladeira acima. Era melhor contar a história do Lance Armstrong.
Estes 23 anos tornaram descrente toda uma geração, que não acredita que o Brasil possa dar certo. Toda vez que a situação melhora, tal geração está convicta de que o colapso é iminente. Afinal, foi o que aconteceu ao longo de mais de duas décadas – período que apagou da memória coletiva que, antes, o Brasil crescera a um ritmo de 7% ao ano durante oito décadas. Tivéssemos sustentado o mesmo crescimento e, hoje, o brasileiro seria mais rico do que o alemão.
Some-se a isso o dever de ofício dos economistas – classe de que me orgulho de fazer parte – em apontar o que está errado, exatamente para que possa ser corrigido, e o caldo para o pessimismo econômico brasileiro está pronto.
O Brasil tem problemas econômicos sérios – como gastos públicos absurdamente elevados – que devem ser duramente criticados. Além disso, seremos afetados quando houver turbulências profundas na economia mundial. Por isso, venho alertando, há mais de ano, sobre as fragilidades da economia europeia.
O copo meio vazio não é novidade. A novidade é o copo meio cheio. Mudanças estruturais da economia mundial e reformas econômicas implementadas no Brasil a partir da metade da década de 90 permitiram que nosso crescimento mais do que dobrasse desde 2004 e, em 2010, fosse o maior em 25 anos. O Brasil mudou, para bem melhor.
Se o visto de trabalho nos EUA fosse liberado, desconfio que 9 entre 10 brazucas gostariam de tentar a sorte na terra do Tio Sam. O que eles não sabem é que, na última década, foram criados mais de 16 milhões de novos empregos no Brasil, enquanto nos EUA um milhão de empregos evaporaram. Nada indica que, nesta década, a tendência vá se reverter. Por isso, não param de chegar estrangeiros vindo trabalhar no Brasil.
Está na hora de os brasileiros acreditarem no que os gringos já perceberam. A América, terra da oportunidade, agora é aqui. Esta deve ser nossa maior fonte de motivação.

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