O palestrante Ricardo Amorim dá o seu veredito: "O Brasil está condenado"

Revista Universo Unimed
09/2012
Por Ricardo Bonchristiani

 
O palestrante Ricardo Amorim dá o seu veredito: “O Brasil está condenado” (09/2012). No entanto, o mérito não é todo de nossos governantes, mas principalmente do contexto internacional, e esse não vai nada bem. “O mundo nos deu um presente. Para o Brasil dar errado, teremos que nos esforçar mais”, satirizou o palestrante. Na avaliação do economista, famoso por seus lépidos e bem informados comentários no programa Manhattan Connection, transmitido pela Globo News, apesar da falta de infraestrutura, um sistema de saúde sucateado, burocracia, corrupção instalada e uma altíssima carga tributária – o que torna tudo mais caro do que no resto do mundo – entre outros graves problemas, um importante movimento ocorrido do outro lado do planeta veio a calhar: o extraordinário êxodo rural na China. Os brasileiros podem agora se orgulhar e dizer que moram na atual “América”, pois os reflexos do crescimento chinês são determinantes para o sucesso aqui.
 
MADE IN CHINA
“A marolinha na China causou um tsunami no mundo”.
 
Ricardo Amorim diz que a China mudou as configurações do planeta. Países em desenvolvimento, com forte indústria de exportação de commodities (matérias-primas), como o Brasil, estão lucrando com o crecimento por lá. Os chineses estão construindo freneticamente, demandam quantidades colossais de cimento, aço, ferro, etc. Para se ter uma idéia, atualmente 60% do concreto do mundo é enviado para lá, e de maneira repentina os pobres da China passaram a ter dinheiro para consumir, principalmente produtos eletrônicos. E esse é um fator em comum com o Brasil, os pobres também tiveram um salto no poder de compra.
 
Um simples exemplo pode servir como ilustração: nos últimos 10 anos, as televisões ficaram cerca de 20 vezes mais baratas. “Estamos vendendo mais caro o que temos de bom e pagando mais barato o que eles têm de bom”, disse o palestrante. O aquecimento da economia nacional é algo pelo qual todos sempre almejaram, mas esta condição criou também situações estranhas por essas redondezas, já que hoje somos a Terra Prometida de milhares de imigrantes ilegais e, do outro lado da moeda, um dos três destinos mais disputados entre os novos profissionais formados, em todo o mundo, junto com a própria China e India.
 
Para o economista, a capacidade de geração de negócios no Brasil está valendo mais do que a Europa, que vive uma década perdida. Na última Copa do Mundo, por exemplo, quase todos os jogadores da seleção de futebol jogavam em clubes fora. E ele prevê: “Em 2014, a maioria estará jogando aqui”.
 
APESAR DE VOCÊ
 
A receita que constitui o cenário econômico favorável está projetando o Brasil a um patamar no qual, 20 anos atrás, estavam os países da Europa: a matéria exportada está valorizada, as importações estão baratas, o dinheiro está barato, as oportunidades não param de surgir e ainda há o bônus demográfico. “Não resolvemos os problemas que temos, e ainda assim dobramos nosso crescimento”. Esse paradoxo torna o Brasil protagonista das mudanças do mundo, sem que se aperceba disso. A maior parte dos brasileiros não tem a real dimensão do que significa ser a terceira economia mundial do ponto de vista dos negócios, ou ter quatro bancos nacionais entre os 25 maiores do mundo, estar em segundo no mundo em agronegócios, ou ainda saltar da décima para a quinta maior indústria do planeta. “Nosso país está dando certo, apesar do Brasil. Quem quer ser empreendedor em nosso mercado tem mais chance de se dar bem do que em qualquer país rico, o que nunca aconteceu antes na nossa história”. E foi além, dizendo que apenas dez anos nos separam de uma estrutura comparável aos países desenvolvidos.
 
Amorim fez uma reflexão que chega a soar estranha a ouvidos mais acostumados com o mundo como ele era no último século. Quem acreditaria que os carros que andam nas ruas dos Estados Unidos em 2012, em média, são mais velhos do que aqueles que circulam no Brasil? A situação na terra do Tio Sam realmente não é das melhores, já que nas últimas décadas cerca de um milhão de empregos deixaram de existir, e a inadimplência cresceu 400%.
 
Por essa causa, a cotação do dólar deve subir ainda mais, e só depois despencar. Mas o Brasil segue sua rota de maneira sólida e mais protegida contra crises alheias. Diante de um panorama tão positivo para os brasileiros, o contraste com o resto do mundo chega a ser radical. Quanto à Europa, Amorim prevê que a solução deve sair de duas opções: inflação ou calote, e aí o Brasil pode ser afetado. “A Alemanha vai acabar pagando as contas. E a recessão europeia deve levar os Estados Unidos a uma nova crise”, analisou. Ao observar o interior do Brasil, Ricardo Amorim lembrou que a região apresenta dados de crescimento maiores do que os das capitais. “Com o crédito, os setores que têm maior demanda de consumo são serviços, o que representa uma oportunidade a vocês do Sistema UNIMED, pois é um setor que vai sustentar esse crescimento por um bom tempo, portanto aproveitem”.
 

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